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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

399--O PERÍODO INTERBÍBLICO




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Período Interbíblico
A Expressão “400 Anos de Silêncio”, frequentemente empregada para descrever o período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.
Desenvolvimento Político
A Supremacia Persa
Por cerca de um século depois da época de Neemias, o império Persa exerceu controle sobre a Judéia. O período foi relativamente tranquilo, pois os persas permitiam aos judeus o livre exercício de suas instituições religiosas. A Judéia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada (Ne 12:22), é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.
A Pérsia e o Egito envolveram-se em constantes conflitos durante este período, e a Judéia, situada entre os dois impérios, não podia escapar ao envolvimento. Durante o reino de Artaxerxes III muitos judeus engajaram-se numa rebelião contra a Pérsia. Foram deportados para Babilônia e para as margens do mar Cáspio.
Alexandre, o Grande
Em seguida à derrota dos exércitos persas na Ásia Menor (333 a.C.), Alexandre marchou para a Síria e Palestina. Depois de ferrenha resistência, Tiro foi conquistada e Alexandre deslocou-se pra o sul, em direção ao Egito. Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Dn 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 a.C.), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.
A Judéia sob os Ptolomeus
Depois da morte de Alexandre (323 a.C.), a Judéia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Subsequentemente, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), cognominado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém num dia de sábado em 320 a.C. Ptolomeu foi bondoso para com os judeus. Muitos deles se radicaram em Alexandria, que continuou a ser um importante centro da cultura e pensamento judaicos por vários séculos. No governo de Ptolomeu II (Filadelfo) os judeus de Alexandria começaram a traduzir a sua Lei, i.e., o Pentateuco, para o grego. Esta tradução seria posteriormente conhecida como a Septuaginta, a partir da lenda de que seus setenta (mais exatamente 72 – seis de cada tribo) tradutores foram sobrenaturalmente inspirados para produzir uma tradução infalível. Nos subsequentes todo o Antigo Testamento foi incluído na Septuaginta.
A Judéia sob os Selêucidas
Depois de aproximadamente um século de vida dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina aos Ptomeus do Egito (198 a.C.). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).
Durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por uma rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marcho contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 a.C.). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçadas a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus.
Os Macabeus
Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimonia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora os velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 a.C. Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil. Consequentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.
Roma
Marco Antônio apoiou a causa de Hircano. Depois do assassinato de Júlio Cesar e da morte de Antípater (pai de Herodes), que por vinte anos fora o verdadeiro governante da Judéia, Antígono, o segundo filho de Aristóbulo, tentou apossar-se do trono. Por algum tempo chegou a reina em Jerusalém, mas Herodes, filho de Antípater, regressou de Roma e tornou-se rei dos judeus com apoio de Roma. Seu casamento com Mariamne, neta de Hircano, ofereceu um elo com os governantes Macabeus.
Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Assassinou o venerável Hircano (31 a.C.) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.
Grupos Religiosos dos Judeus
Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas ideias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.
Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3:5).
O nome é dado a um grupo de judeus devotos à Torá, surgidos no século II a.C.. Opositores dos saduceus, criam uma Lei Oral, em conjunto com a Lei escrita, e foram os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu sua influência dentro da comunidade judaica e se tornaram os precursores do judaísmo rabínico.
Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa “fariseu”, comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes.
Os Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Sadoc, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (I Rs 2:35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23:3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus. Os Saduceus compreendem a designação da segunda escola filosófica dos judeus, ao lado dos fariseus.Também para esta seita ou partido é difícil determinar a origem. Sabemos que existiu nos últimos dois séculos do Segundo Templo, em completa discórdia com os fariseus. Como citamos, o nome parece proceder de Sadoc, hierarca da família sacerdotal dos filhos de Sadoc, que segundo o programa ideal da constituição de Ezequiel devia ser a única família a exercer o sacerdócio na nova Judéia. De modo que, dizer saduceus era como dizer “pertencentes ao partido da estirpe sacerdotal dominante”. Diferiam dos fariseus por não aceitarem a tradição oral. Na realidade, parece que a controvérsia entre eles foi uma continuação dessa hostilidade que havia começado no templo dos macabeus, entre os helenizantes e os ortodoxos. Com efeito, os saduceus, pertencendo à classe dominadora, tendo a miúdo contato com ambientes helenizados, estavam inclinados a algumas modificações ou helenizações. O conflito entre estes dois partidos foi o desastre dos últimos anos da Jerusalém judia.
Suas doutrinas são quase desconhecidas, não havendo ficado nada de seus escritos. A Bíblia afirma que eles não criam na ressurreição, tendo até tentado enlaçar Jesus com uma pergunta ardilosa sobre esse conceito. Com muita probabilidade, ainda que rechaçando a tradição farisaica, possuíram uma doutrina relativa à interpretação e à aplicação da lei bíblica. O único que nos oferece alguns dados sobre suas doutrinas é Flávio Josefo que, por ser fariseu e por haver escrito para o público greco-romano, não é digno de muita confiança.
Parece provável que as divergências entre saduceus e fariseus foram mais que dogmáticas, foram jurídicas e rituais. Com a queda de Jerusalém, a seita dos saduceus extinguiu-se. Ficaram porém suas marcas em todas as tendências anti-rabínicas dos primeiros séculos (d.C.) e da época medieval.
Os Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrituras, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.
Os Essênios constituíam um grupo ou seita judaica ascética que teve sua existência por volta de 150 a.C. até 70 d.C. Estavam relacionados com outros grupos religioso-políticos, como os saduceus. O nome essênio provém do termo sírio “Asaya”, e do aramaico Essaya, todos com o significado de médico.
Durante o domínio da Dinastia Hasmonéa, os essênios foram perseguidos. Retiraram-se por isso para o deserto, vivendo em comunidade e em estrito cumprimento da lei mosaica, bem como da dos Profetas. Na Bíblia não há menção sobre eles. Sabemos a seu respeito por Flávio Josefo (historiador oficial judeu) e por Fílon de Alexandria (filósofo judeu). Flávio Josefo relata a divisão dos judeus do Segundo Templo em três grupos principais: Saduceus, Fariseus e Essênios. Os Essênios eram um grupo de separatistas, a partir do qual alguns membros formaram uma comunidade monástica ascética que se isolou no deserto. Acredita-se que a crise que desencadeou esse isolamento do judaísmo ocorreu quando os príncipes Macabeus no poder, Jonathan e Simão, usurparam o ofício do Sumo Sacerdote, consternando os judeus conservadores. Alguns não podiam tolerar a situação e denunciaram os novos governantes. Josefo refere, na ocasião, a existência de cerca de 4000 membros do grupo, espalhados por aldeias e povoações rurais.
Adotaram uma série de condutas morais que os diferenciavam dos demais judeus:
  • A comida era sujeita a rígidas regras de purificação;
  • Aboliam a propriedade privada;
  • Contrários ao casamento;
  • Eram vegetarianos;
  • Tomavam banho antes das refeições;
  • Vestiam-se sempre de branco.
Não tinham amos nem escravos. A hierarquia estabelecia-se de acordo com graus de pureza espiritual dos irmãos, os sacerdotes que ocupassem o topo da ordem.
Dentre as comunidades, tornou-se conhecida a de Qumran, pelos manuscritos em pergaminhos que levam seu nome, também chamados Pergaminhos do Mar Morto ou Manuscritos do Mar Morto. Segundo Christian Ginsburg (historiador orientalista), os essênios foram os precursores do Cristianismo, pois a maior parte dos ensinamentos de Jesus, o idealismo ético, a pureza espiritual, remetem ao ideal essênio de vida espiritual. A prática da banhar-se com frequência, segundo alguns historiadores, estaria na origem do ritual cristão do Batismo, que era ministrado por São João Batista, às margens do Rio Jordão, próximo a Qumram.
Os Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem frequentemente associados no N.T.
O escriba ou escrivão era a pessoa na Antiguidade que dominava a escrita e a usava para, a mando do regente, redigir as normas do povo daquela região ou de uma determinada religião.
Nos livros sagrados para os cristãos e judeus, o termo escriba refere-se aos chamados doutores e mestres (Mt 22:35 e Lc 5:17), ou seja, homens especializados no estudo e na explicação da lei ou Torá. Embora o termo apareça pela primeira vez no livro de Esdras, sabe-se que tinham grande influência e eram muito considerados pelo povo, tendo existido escribas partidários de diferentes correntes, tais como os fariseus (a maioria), saduceus e essênios.
A classe começa a atuar ainda nos tempos do Antigo testamento, em que a figura do profeta perde o seu valor. Já no Novo testamento, é possível verificar que a maioria dos escribas se opõe aos ensinamentos de Jesus (Mc 14:1 e Lc 22:1), que os critica duramente por causa do seu proceder legalista e hipócrita (Mt 23:1-36 / Lc 11:45-52 / 10:46-47), comparando-o ao dos fariseus, a corrente de escribas que representava a maioria.
Após o desaparecimento do templo de Jerusalém no ano 70, seguido do desaparecimento da figura do sacerdócio judaico, sua influência passaria a ser ainda maior.
Alguns escribas ficariam famosos, tais como Hillel e Sammai (pouco antes de Jesus Cristo), tendo sido ambos líderes de tendências opostas na interpretação da lei, liberal o primeiro e rigoroso o segundo.
Gamaliel, discípulo de Hillel, foi mestre de Paulo (At 22:3), tendo existido também outros escribas simpatizantes com os cristãos (At 5:34).
Os Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4).

INTRODUÇÃO
O escopo da disciplina Novo Testamento I abrangerá o estudo panorâmico dos Evangelhos e do livro de Atos, com enfoque nos aspectos histórico, literário e teológico. A contextualização histórica é de fundamental importância no estudo das Sagradas Escrituras. Tal preocupação se apresenta com freqüência nas páginas bíblicas. Tomemos como exemplos os escritos proféticos, onde se nota constantemente a citação dos nomes dos reis, o ano do seu reinado, o local onde o profeta se encontrava e outros dados contextuais (Jr.1.1-3). Tais informações situam a vida do profeta e sua mensagem em um cenário real e historicamente conhecido. Da mesma forma, é mister que tenhamos o conhecimento do contexto histórico que emoldura os fatos narrados nos Evangelhos e em Atos. A localização histórica das origens cristãs evidenciam seu caráter factual, o que não é possível demonstrar em relação a diversas religiões, cujas raízes estão amparadas em lendas, sonhos e visões.
Iniciaremos nossa contextualização pelo chamado "Período Interbíblico", afim de traçarmos a ligação histórica entre o Velho e o Novo Testamento. Tal exame também possibilitará melhor compreensão dos fatores que construíram o cenário político, social e religioso encontrado por Cristo na Palestina. Ao lermos o Novo Testamento, deparamos com muitos problemas cujos motivos se encontram no período interbíblico.
O PERÍODO INTERBÍBLICO
Esse período teve a duração de aproximadamente 450 anos. Normalmente se faz referência a esse tempo como uma época em que Deus esteve em silêncio para com o seu povo. Nenhum profeta de Deus se manifestou ou, pelo menos, nenhum deixou escritos que tenham sido considerados canônicos.
Vamos examinar a situação da Palestina durante esse período, principalmente no que se refere aos impérios, governos, as relações de Israel com os povos vizinhos e as implicações religiosas e sociais destes elementos.
O IMPÉRIO PERSA - FINAL DO V.T.
O Velho Testamento termina com as palavras de Malaquias, o qual profetizou entre 450 e 425 a.C.. Nesse tempo, a Palestina estava sob o domínio do Império Persa, o qual se estendeu até o ano 331 a.C.. Embora o rei Ciro tenha autorizado os judeus a retornarem do exílio, o domínio Persa continuava sobre eles. De volta à Palestina, o povo judeu passou a ter um governo local exercido pelos sumo sacerdotes, embora não houvesse independência política. Eram comuns as disputas pelo poder.
O IMPÉRIO GREGO - 335 a 323 a.C.
Paralelamente ao Império Persa, crescia o poder de um rei macedônico, Felipe, o qual empreendeu diversas conquistas na Ásia menor e ilhas do mar Egeu, anexando a Grécia ao seu domínio. Desejando expandir seu território, entrou em confronto com a Pérsia, o que lhe custou a vida. Foi sucedido por seu filho, Alexandre Magno, que também ficou conhecido como Alexandre, o Grande, o qual havia estudado com Aristóteles. A mitologia grega, com seus deuses e heróis parece ter inspirado o novo conquistador. Alexandre tinha 20 anos quando começou a governar. Seu ímpeto imperialista lhe levou a conquistar a Síria, a Palestina (332 a.C.) e o Egito. Notemos então que o território israelense passou do domínio persa para o domínio grego.
No Egito, Alexandre construiu uma cidade em sua própria homenagem, dando-lhe o nome de Alexandria, a qual se encontrava em local estratégico para o comércio entre o Mediterrâneo, a Índia e o extremo Oriente. Essa cidade se tornou também importante centro cultural, substituindo assim as cidades gregas. Entre suas construções destacaram-se o farol e a biblioteca.
Em 331, Alexandre se dedicou a libertar algumas cidades gregas do domínio da Pérsia. Seu sucesso militar foi tão grande que considerou-se capaz de enfrentar a própria capital do império. E assim conquistou a Pérsia. Contudo, nessa batalha, que ficou conhecida como Arbela ou Gaugamela, as tropas gregas tiveram de enfrentar um exército de elefantes, os quais foram usados pelo rei da Pérsia. Alexandre venceu o combate, mas os elefantes foram motivo de grande desgaste para seus soldados. Alexandre se denominou então "Rei da Ásia" e passou a exigir para si o culto dos seus subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas.
Em 327 a.C., em suas batalhas de conquista rumo ao Oriente, Alexandre encontra outro exército de elefantes, o que fez com que seus soldados se amotinassem, recusando-se a prosseguir. Terminaram-se assim as conquistas de Alexandre Magno. Em 323 a.C., foi acometido pela malária, a qual lhe encontrou com o organismo debilitado pela bebida. Não resistiu à doença e morreu naquele mesmo ano. Não deixou filhos, embora sua esposa, Roxane, estivesse grávida. Quanto aos judeus, Alexandre os tratou bem e teve muitos deles em seu exército. Após a sua morte, o Império Grego foi divido entre os seus generais, dentre os quais nos interessam Ptolomeu, a quem coube o governo do Egito, e Seleuco, que passou a governar a Síria.
O GOVERNO DOS PTOLOMEUS
A Palestina ficou sob o domínio do Egito. Os descendentes de Ptolomeu foram chamados Ptolomeus. Eis os nomes que se sucederam enquanto a Palestina esteve sob o seu governo (323 a 204 a.C.):
Ptolomeu I (Sóter) - 323 a 285 a.C.
Ptolomeu II (Filadelfo) - 285 a 246 a.C. – Durante o seu governo foi elaborada, em Alexandria, a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento para o grego. Filadelfo foi amável com os judeus.
Ptolomeu III (Evergetes) – 246 a 221 a.C.
Ptolomeu IV (Filópater) - 221 a 203 a.C. - Ao voltar de uma batalha contra a Síria, Filópater visitou Jerusalém e tentou entrar no Santo dos Santos. Contudo, foi acometido de um pavor repentino que o fez desistir do seu propósito. Foi um grande perseguidor dos judeus.
Ptolomeu Epifânio – 203 a 181 a.C. – Tinha 5 anos de idade quando seu pai, Filópater morreu. Aproveitando a situação, Antíoco - o Grande, rei da Síria, toma o poder sobre a Palestina no ano 204.
O GOVERNO DOS SELÊUCIDAS
Os reis da Síria, descendentes do general Seleuco, foram chamados Selêucidas. De 204 a 166 a.C., a Palestina esteve sob o domínio da Síria. Eis a relação dos selêucidas do período:
Antíoco III - O Grande – 223 a 187 a.C.
Seleuco IV (Filópater) – 187 a 175 a.C.
Antíoco IV (Epifânio) - 175 a 163 a.C. - Em Israel, o governo local era exercido por Onias, o sumo sacerdote. Contudo, Epifânio comercializou o cargo sacerdotal, vendendo-o a Jasão por 360 talentos. Epifânio se esforçou para impor a cultura e a religião grega em Israel, atraindo sobre si a inimizade dos judeus. Tendo ido ao Egito, divulgou-se o boato da morte de Epifânio, motivo pelo qual os judeus realizaram uma grande festa. Ao tomar conhecimento do fato, o rei da Síria promoveu um grande massacre, matando 40 mil judeus.
Em 168 a.C., Antíoco Epifânio sacrifica uma porca sobre o altar em Jerusalém e entra no Santo dos Santos. Ordena que o templo dos judeus seja dedicado a Zeus, o principal deus da mitologia grega, ao mesmo tempo em que proíbe os sacrifícios judaicos, os cultos, a circuncisão e a observância da lei mosaica.
Segue-se então um período em que não houve sumo sacerdote em atividade em Jerusalém (159 a 152 a.C.). Realiza-se então um processo de helenização radical na Palestina.
Vendo todos os seus valores nacionais sendo destruídos e profanados, os judeus reagiram contra Epifânio.
O GOVERNO DOS MACABEUS - 167 a 37 a.C.
Surge no cenário judaico uma importante família da tribo de Levi: os Macabeus. Em 167, o macabeu Matatias se recusa a oferecer sacrifício a Zeus. Outro homem se ofereceu para sacrificar, mas foi morto por Matatias, o qual organiza um grupo de judeus para oferecer resistência contra os selêucidas. Tal movimento ficou conhecido como a Revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o domínio da Síria. Contudo, a Judéia voltou a possuir um governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se tratava de independência, mas já havia alguma autonomia. A seguir, apresentamos os nomes dos governantes macabeus e alguns de seus atos em destaque.
Matatias (167-166 a.C.)
Judas (filho de Matatias) (166-160 a.C.) - Purifica o templo, conquista liberdade religiosa, restabelece o culto.
Jônatas (filho de Matatias) (160-142 a.C.) – Reinicia a atividade de sumo sacerdote.
Simão (filho de Matatias) (142-135 a.C.) - Reforça o exército e consegue isenção de impostos. Nesse momento a Síria se encontrava fraca, e a Judéia se torna independente. A independência durou entre 142 e 63 a.C.. Simão foi sumo sacerdote e rei da Judéia. Pediu apoio de Roma contra a Síria.
João Hircano (filho de Simão) (135-104 a.C.) – Tinha tendência imperialista. Conquistou a Iduméia e Samaria. Destruiu o templo samaritano e sofreu oposição dos "hassidim", seita dos "santos".
Aristóbulo I – (104-103 a.C.) – prendeu a mãe e matou o irmão.
Alexandre Janeu (103-76 a.C.) - conquistou costas da Palestina – O território de Israel chegou a ter extensão semelhante à que tinha nos dias do rei Davi. Janeu sofreu a oposição dos fariseus.
Alexandra Salomé (esposa de Alexandre) (76-67 a.C.) – foi uma governante pacífica.
Aristóbulo II - (67-63 a.C.) briga pelo poder com seu irmão, Hircano II.
Em 63 a.C., Aristóbulo provoca Roma. Pompeu invade Jerusalém, deporta Aristóbulo e coloca Hircano II no poder.
Hircano II (63-40 a.C.)
Em Roma, o governo é exercido por Pompeu, Crasso e Júlio César, formando o primeiro Triunvirato. O três brigam entre si pelo poder. Júlio César vence e torna-se Imperador Romano. Em seguida, nomeia Antípatro, idumeu, como procurador sob as ordens de Hircano. Faselo e Herodes, filhos de Antípatro, são nomeados governadores da Judéia e Galiléia.
Um ano depois, Antípatro morre envenenado. Passados 3 anos, o Imperador Júlio César morre assassinado. Institui-se um novo triunvirato, formado por Otávio, sobrinho de César, Marco Antônio e Lépido. Marco Antônio e Herodes eram amigos.
Herodes casa-se então com Mariana, neta de Hircano, vinculando-se assim à família dos macabeus.
Na tentativa de tomar o poder, Antígono, filho de Aristóbulo II, corta as orelhas de Hircano II, impossibilitando-o de continuar a exercer o sumo sacerdócio.
Antígono (40-37 a.C.) - Uma de suas ações foi perseguir Herodes, o qual dirigiu-se a Roma, denunciou a desordem e foi nomeado rei da Judéia (37 d.C.). Antígono foi morto pelos romanos.
Termina assim, a saga dos macabeus, cujo princípio foi brilhante nas lutas contra a Síria. Entretanto, foram muitas as disputas pelo poder dentro da própria família. Perderam então a grande oportunidade que os judeus tiveram de se tornarem uma nação livre e forte. Acabaram caindo sob o jugo de Roma.
O IMPÉRIO ROMANO
Sendo nomeado por Roma como rei da Judéia, Herodes passou a governar um grande território. Contudo, sua insegurança e medo de perder o poder o levaram a matar Aristóbulo, irmão de Mariana, por afogamento. Depois, matou a própria esposa e estrangulou os filhos.
A violência de Herodes provocou a revolta dos judeus. Para apaziguá-los, o rei iniciou uma série de obras públicas, entre as quais a construção (reforma) do templo, que passou a ser conhecido como Templo de Herodes.
O domínio direto do Império Romano sobre a Palestina iniciou-se no ano 37 a.C., estendendo-se por todo o período do Novo Testamento.
Quadro histórico social do Novo Testamento
Política 37 a.C. a 70 d.C.
Esquema parcial da hierarquia no Império Romano
O esquema acima apresenta alguns elementos da hierarquia do Império. Nosso objetivo é visualizar principalmente os modelos administrativos estabelecidos sobre os povos conquistados.
No tempo do nascimento de Cristo, o Imperador era Augusto, o qual instituiu o culto a si mesmo por parte dos seus súditos.
Em algumas regiões havia a figura do rei. Naquele mesmo período o rei da Palestina era Herodes. Esta região teve sua divisão política alterada diversas vezes, sendo até governada por mais de um rei em determinados momentos. Além do rei, havia em algumas épocas e lugares a figura do procurador, ou governador. Quando Jesus nasceu, o procurador se chamava Copônio. Na seqüência aparecem os publicanos, os quais não possuíam poder administrativo mas tinham a função de coletar impostos. Eram necessariamente nativos da província. Seu conhecimento da terra, do povo, dos costumes e da língua tornava-os mais eficientes na coletoria do que poderia ter sido um cidadão romano que fosse enviado para esse fim. Os publicanos eram considerados por seus compatriotas como traidores, já que cobravam impostos dos seus irmãos para entregar ao dominador inimigo. A palavra publicano se tornou sinônimo de pecador.
Sob esse domínio se encontrava a província. Assim era chamada qualquer região conquistada pelos romanos fora da Itália. As províncias que se encontravam dentro desse modelo eram administradas mais diretamente pelo Imperador. Tratava-se de regiões ainda não pacificadas, recém conquistadas, cuja população ainda não se acomodara sob o jugo de Roma. Nessas terras havia a presença constante das tropas romanas, as quais se dividiam principalmente em legiões (com 6000 homens), coortes (com 1000 homens) e centúrias (com 100 homens).
Na província da Judéia havia uma instituição local chamada Sinédrio, o qual era formado por 71 membros e presidido pelo sumo sacerdote. O Sinédrio era o supremo tribunal local e tinha poderes para julgar questões civis e religiosas, uma vez que as duas coisas eram tratadas pela mesma lei. Tais autoridades tinham até mesmo a prerrogativa de aplicar a pena de morte contra crimes cometidos na comunidade local. A polícia recebia ordens do Sinédrio.
Essa estrutura pode ser claramente observada nas páginas dos evangelhos, principalmente nos relatos que tratam da prisão, julgamento e crucificação de Cristo, o qual foi preso pela polícia do Sinédrio, e levado diante desse tribunal local. Os integrantes do Sinédrio, embora tivessem poder para matá-lo, parecem ter vacilado diante de tamanha responsabilidade. Levaram-no diante do Procurador da Judéia, Pilatos, o qual encaminhou-o para a presença de Herodes, o rei da Galiléia. Ninguém queria assumir a responsabilidade pela crucificação. Contudo, Cristo é devolvido a Pilatos, que considerou o lavar da mãos como ato suficiente para isentá-lo da culpa de matar o Filho de Deus. (Mt.26.44,57,59; 27.2; Lc.23.7) Vemos aí a hierarquia governamental em evidência. O imperador também foi lembrado naquelas circunstâncias, mas apenas para um menção rápida em João 19.12 para pressionar o Procurador.
Havia ainda outro tipo de província. Eram aquelas conquistadas há mais tempo e já pacificadas. Os habitantes desses lugares tinham cidadania romana. Era o caso do apóstolo Paulo, que nasceu em Tarso, e tinha o direito de ser considerado cidadão romano. Tal prerrogativa proporcionava diversos direitos, principalmente tratamento respeitoso e especial nas questões jurídicas. Um cidadão romano não podia, por exemplo, ser açoitado. Paulo foi submetido a açoites, mas seus algozes ficaram atemorizados quando souberam que tinham espancado um cidadão romano (Atos 16.37-38). Com base no mesmo direito, Paulo apelou para César quando quis se defender das acusações que lhe eram feitas (Atos 25.10-12).

CULTURA E INFRA-ESTRUTURA
Nos dias de Cristo, embora o império fosse romano, a cultura predominante continuava sendo grega. O extinto império de Alexandre Magno deixou um grande legado: o helenismo, que significa a influência cultural grega entre os povos conquistados. Helenismo é derivado de Helas, outro nome da Grécia. Helenização é o processo de propagação dessa cultura. Devido a essa difusão, a língua grega se tornou de uso comum. Daí vem a expressão "grego koiné" (= comum). As cidades gregas eram bem estruturadas. Contavam com teatros, banhos públicos, ginásios, foros, amplas praças, hipódromos e academias. Assim, por onde quer que o helenismo se expandisse iam surgindo cidades desse tipo. Algumas cidades antigas se adaptavam e chegavam até a mudar de nome, adotando nomes gregos.
É por causa desse contexto que o Novo Testamento foi escrito em grego, com exceção do evangelho de Mateus.
Além dos elementos helênicos, o cenário contava com estradas calçadas construídas pelos romanos. Elas facilitavam a circulação das milícias entre as províncias e a capital. Por essas vias transitavam também mensageiros, comerciantes e viajantes em geral. Outro destaque da engenharia romana eram os aquedutos: canais para levar água das montanhas para as cidades.

ATIVIDADES ECONÔMICAS
Com toda a importância das cidades, as construções eram constantes. Além das casas, estradas e aquedutos, as muralhas também faziam parte dos projetos. Em Jerusalém havia uma grande obra em andamento nos dias de Jesus: o templo de Herodes, cuja construção ocorreu do ano 20 a.C. até 64 d.C..
Outras atividades importantes eram: transporte, agricultura, comércio, pesca, metalurgia, cerâmica, perfumaria, couro, tecidos e armas. Em Israel, a pecuária, além de atividade econômica, possuía status religioso por causa dos sacrifícios.

POPULAÇÃO E RELIGIÃO
A DIÁSPORA
Nos dias do Novo Testamento, a população judaica encontrava-se dispersa por vários lugares. Além da própria Palestina, havia inúmeros judeus em Roma, Egito, Ásia Menor, etc. (Atos 2.9-11; Tiago 1.1; I Pedro 1.1). Tal dispersão, que recebe o nome de Diáspora, tem razões diversas, começando pelos exílios para a Assíria e Babilônia, e se completando por interesses comerciais dos judeus, e até mesmo em função das dificuldades que se verificavam em sua terra natal. Esse quadro se apresenta como cumprimento claro dos avisos divinos acerca da dispersão que viria como conseqüência do pecado de Israel (Dt.28.64).
Assim, o judaísmo acabou se dividindo em função da distribuição geográfica. Havia o judaísmo de Jerusalém, mais ligado à ortodoxia, e o judaísmo da Diáspora, ou seja, praticado pelos judeus residentes fora da Palestina. Estes últimos encontravam-se distantes de suas origens. Se até na Palestina, os costumes gregos se impunham, muito mais isso ocorria na vida dos judeus em outras regiões. Estavam profundamente helenizados, embora não tivessem abandonado o judaísmo. Isto fez com que eles se preocupassem com o futuro de suas tradições e sua religião. Tomaram então providências para que o judaísmo não sucumbisse diante do helenismo. Uma delas foi a tradução do Velho Testamento do hebraico para o grego, chamada Septuaginta. Já que este idioma estava se tornando universal, havia o risco de que, no futuro, as escrituras não pudessem mais ser lidas, devido à possível extinção do hebraico. Outras obras literárias foram produzidas, incluindo narrativas históricas, propaganda e apologia judaica, tudo escrito em grego e com influências gregas. Destacaram-se nessa época os escritores: Fílon de Alexandria e Flávio Josefo. Tais escritos não foram aceitos pela comunidade de Jerusalém. Até a tradução bíblica foi rejeitada, uma vez que, para eles, toda escritura sagrada devia ser produzida necessariamente em hebraico. Essa obra no idioma grego foi vista pelos ortodoxos como uma descaracterização do judaísmo.
Para muitos judeus conservadores, o judaísmo era propriedade nacional e não devia ser propagado entre outros povos. Já os judeus da Diáspora se dedicaram a conquistar gentios para a religião judaica. Tal fenômeno recebe o nome de proselitismo. Os novos convertidos eram chamados prosélitos (Mateus 23.15 Atos 2.9-11; 6.5; 13.43). Essa prática difusora da religião também foi adotada por judeus de Jerusalém, mas em escala bem menor.
Os judeus da diáspora cresciam em número e em poder econômico. Isso se tornou incômodo para muitos cidadãos dos lugares onde residiam. A guarda do sábado e a recusa em participar do culto ao Imperador tornaram-se também elementos que atraíram a perseguição. Tendo, muitos deles, fugido da opressão na Palestina, encontraram problemas semelhantes em outras terras.
AS SINAGOGAS, OS RABIS E OS ESCRITOS RELIGIOSOS
O surgimento das sinagogas é normalmente atribuído ao período do exílio babilônico, quando os judeus deixaram de ter um templo para adorar e sacrificar. O fato indiscutível é que nos dias do Novo Testamento, tais locais de oração, ensino e administração civil eram muito valorizados. Em qualquer localidade onde houvesse 10 judeus, podia ser aberta uma sinagoga. Em cidades grandes poderia haver várias, como era o caso de Jerusalém. A liderança da sinagora era exercida pelo rabi (mestre), o qual era eleito pelos membros daquela comunidade. Essa autonomia de eleição do rabi favoreceu o surgimento de muitos mestres com idéias religiosas distintas. Todos estudavam a lei e elaboravam seus ensinamentos com interpretações e comentários acerca da Torá.
Assim surgiram as midrashs e as mishnas. Midrash era o comentário da lei. A primeira surgiu no ano 4 a.C.. As mishnas eram os ensinamentos rabínicos. A primeira surgiu em 5 a.C.. Tudo isso compunha a tradição, que passou a ser mais utilizada do que a própria lei. A interpretação da lei era tão desenvolvida que chegava ao extremo de contradizer o código original (Mt.15.1-6). Assim, os escribas e fariseus, doutores da lei, ocupavam o lugar de Moisés (Mt.23.2). Devido a essa posição dos rabis (mestres), Jesus orientou seus discípulos a não utilizarem esse mesmo título (Mt.23.8).
JUDAÍSMO DIVIDIDO
Nos dias de Cristo, a religião judaica encontrava-se dividida em seitas: fariseus, saduceus, essênios, e outras. Cada facção se considerava o remanescente fiel a Deus e via os demais como relaxados. Entre os fatores que contribuíram para essa divisão, podemos citar:
- Diáspora – A dispersão geográfica dificultou a manutenção de uma religiosidade padronizada.
- Sinagogas – Significaram a descentralização da orientação religiosa. Muitos rabis representaram muitas linhas de pensamento e prática divergentes.
- Linhagem - As misturas étnicas ocorridas no norte de Israel contribuíram para a discriminação religiosa contra os samaritanos.
- Interpretação – Diferentes interpretações da lei conduziam a diferentes crenças.
- Tradição – Esta era o resultado de muitos elementos: interpretação, comentário da lei, influências estrangeiras (gregas, romanas e babilônicas).
- Política – Alguns judeus apoiavam Herodes e os romanos. Outros eram radicalmente contra tais dominadores.
- Helenismo – Os judeus se dividiam também quanto ao apoio ou combate à cultura grega que se expandia em todo o mundo. Tais costumes eram vistos como os que hoje chamamos de "mundanismo". Muitos judeus se deixavam levar, admirados com o pensamento grego e o sucesso de sua cultura.
DINASTIA HERODIANA (parcial)
As setas indicam filiação. O posicionamento dos quadros inferiores demonstra a sucessão no governo da Palestina.
Apresentamos apenas parcialmente a dinastia herodiana porque nos limitamos aos nomes mais próximos aos fatos do Novo Testamento. Nosso maior interesse é apresentar a sucessão política na Palestina, principalmente na Judéia. Herodes Magno, também conhecido com Herodes, o Grande, governava a Judéia quando Jesus nasceu. Herodes teve 10 mulheres e 15 filhos, ou mais. Citamos 7 deles: Antípatro II, Aristóbulo I, Alexandre, Filipe I, Filipe II, Arquelau e Antipas II. Herodes matou seus filhos Alexandre, Aristóbulo I e Antípatro II. Deserdou Filipe I, que era casado com Herodias, a qual veio a adulterar com Antipas II (Mc.6.17). Após a morte de Herodes Magno, seu reino foi dividido entre três de seus filhos: Arquelau recebeu a Judéia, Samaria e Iduméia. Antipas II passou a governar a Galiléia e a Peréia. Filipe II recebeu os territórios do nordeste: Ituréia, Tracomites, Gaulanites, Auranites e Batanéia.
Arquelau foi deposto pelos Romanos no ano 6 d.C.. A Judéia passou então a ser governada por procuradores romanos. Um desses procuradores foi Pôncio Pilatos (de 26 a 36 d.C.). Antipas II governou a Galiléia durante todo o ministério de Cristo. Foi ele quem mandou degolar João Batista. À sua presença Jesus foi encaminhado por Pilatos, já que este era procurador sobre a Judéia e foi-lhe dito que Cristo era galileu, sendo portanto da jurisdição de Antipas.
Agripa I, filho de Aristóbulo e, portanto, neto de Herodes Magno, foi o sucessor de Filipe II. Aos poucos foi herdando também os territórios dos outros tios. Recebeu de volta dos romanos a administração da Judéia e Samaria, tornando-se então rei de quase toda a Palestina. Foi ele quem mandou matar o apóstolo Tiago e morreu comido por vermes (At.12). Seu filho, Agripa II, foi seu sucessor. Seu território foi então ampliado por determinação do Imperador Cláudio e ainda mais por Nero. Foi perante Agripa II que Paulo se apresentou (At.25.23). Com a destruição de Jerusalém no ano 70, Agripa II mudou-se para Roma e lá esteve até o ano de sua morte (100 d.C.). Os membros da dinastia herodiana são muitas vezes mencionados no Novo Testamento. Todos eles possuíam o título de Herodes. Por esta razão, muitas vezes pode-se imaginar que as diversas passagens se referem à mesma pessoa, o que não é verdade. Pela observação dos quadros anteriores, pode-se identificar cada "Herodes" nas passagens bíblicas em que são citados.

IMPERADORES ROMANOS NO PERÍODO DO NOVO TESTAMENTO
César Augusto Otaviano - ano 27 a.C. a 14 d.C. - Nascimento de Jesus - Início do culto ao Imperador. (Lc.2.1)
Tibério Júlio César Augusto - 14 a 27 - Ministério e Morte de Jesus. (Lc.3.1).
Gaio Júlio César Germânico Calígula - 37 a 41 - Quis sua estátua no templo em Jerusalém. Morreu antes que sua ordem fosse cumprida.
Tibério Cláudio César Augusto Germânico - 41 a 54 - Expulsou os judeus de Roma. (At.18.2).
Nero Cláudio César Augusto Germânico - 54 a 68 - Começa perseguição de Roma contra os cristãos. Paulo e Pedro morrem (At. 25.10; 28.19).
Sérvio Galba César Augusto 68 - Cerco a Jerusalém.
Marcos Oto César Augusto - 69 – mantém o cerco a Jerusalém.
Aulus Vitélio Germânico Augusto - 69 - mantém o cerco a Jerusalém.
César Vespasiano Augusto - 69 a 79 – Tinha sido general de Nero. Coloca seu filho Tito como general. No ano 70, determina a destruição de Jerusalém.
Tito César Vespasiano Augusto - 79-81.
César Domiciano Augusto Germânico - 81 a 96 - Exigia ser chamado Senhor e Deus. Grande perseguição. O apóstolo João ainda vivia durante o governo de Domiciano.

O que é o período Interbíblico?
I. Desenvolvimento Político
A Expressão “400 anos de silêncio”, freqüentemente empregada para descrever o período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.
Supremacia Persa
Por cerca de um século depois da época de Neemias, o império Persa exerceu controle sobre a Judéia. O período foi relativamente tranqüilo, pois os persas permitiam aos judeus o livre exercício de suas instituições religiosas. A Judéia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada (Ne 12.22), é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.
A Pérsia e o Egito envolveram-se em constantes conflitos durante este período, e a Judéia, situada entre os dois impérios, não podia escapar ao envolvimento. Durante o reino de Artaxerxes III muitos judeus engajaram-se numa rebelião contra a Pérsia. Foram deportados para Babilônia e para as margens do mar Cáspio.

Alexandre, o Grande
Em seguida à derrota dos exércitos persas na Ásia Menor (333 AC), Alexandre marchou para a Síria e Palestina. Depois de ferrenha resistência, Tiro foi conquistada e Alexandre deslocou-se pra o sul, em direção ao Egito. Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Dn 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 AC), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.

A Judéia sob os Ptolomeus

Depois da morte de Alexandre (323 AC), a Judéia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Subseqüentemente, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), cognominado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém num dia de sábado em 320 AC Ptolomeu foi bondoso para com os judeus. Muitos deles se radicaram em Alexandria, que continuou a ser um importante centro da cultura e pensamento judaicos por vários séculos. No governo de Ptolomeu II (Filadelfo) os judeus de Alexandria começaram a traduzir a sua Lei, i.e., o Pentateuco, para o grego. Esta tradução seria posteriormente conhecida como a Septuaginta, a partir da lenda de que seus setenta (mais exatamente 72 – seis de cada tribo) tradutores foram sobrenaturalmente inspirados para produzir uma tradução infalível. Nos subseqüentes todo o Antigo Testamento foi incluído na Septuaginta.

A Judéia sob os Selêucidas

Depois de aproximadamente um século de vida dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina aos Ptomeus do Egito (198 AC). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).
Durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por uma rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marcho contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 AC). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçadas a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus.

Os Macabeus

Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimonia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judéia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora os velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 AC Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil. Conseqüentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judéia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.

Roma
Marco Antônio apoiou a causa de Hircano. Depois do assassinato de Júlio Cesar e da morte de Antípater (pai de Herodes), que por vinte anos fora o verdadeiro governante da Judéia, Antígono, o segundo filho de Aristóbulo, tentou apossar-se do trono. Por algum tempo chegou a reina em Jerusalém, mas Herodes, filho de Antípater, regressou de Roma e tornou-se rei dos judeus com apoio de Roma. Seu casamento com Mariamne, neta de Hircano, ofereceu um elo com os governantes Macabeus.
Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Assassinou o venerável Hircano (31 AC) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.

II. Grupos Religiosos dos Judeus
Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3.5).

Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (1Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23.3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.

Essênios

O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mudanismo dos saudceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrsturas, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.

Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.

Herodianos

Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4)
Adaptado de “From Malachi to Matthew”, de Charles F. Pfeiffer.
Fonte: “A Bíblia Anotada”
O PERÍODO INTERBÍBLICO

- O PERÍODO INTERBÍBLICO - SEU CONTEXTO HISTÓRICO E SIGNIFICADO

- O que significa “período interbíblico”? R- Período entre o AT e o NT
- Quais são os 05 últimos livros do cânon hebraico? R-Daniel, Esdras, Neemias, I Crônicas e II Crônicas {Último livro no cânon hebraico termina com o “decreto de Ciro” (Imperador Persa) em 538 a.C.} 
- O AT termina sob o domínio do Império Persa
- Narrativa bíblica vai até 433 a.C. (com Malaquias)
- A partir daí o AT silencia - Depois de 400 anos, a voz profética volta a ser ouvida por João Batista na época de Jesus.

POR QUE ESTUDAR O “PERÍODO INTERBÍBLICO”

Algumas situações descritas no NT nos revelam um pano de fundo que não encontramos tão facilmente no AT, como por exemplo:
a)A situação política (domínio romano e as divisões da Palestina)
b)A dispersão judaica (judeus em cada cidade principal do Império Romano)
c) Uma sociedade urbana
d) A língua (grego e aramaico; hebraico limitado aos eruditos)
e)Exclusivismo judaico
f)Ênfase sobre a Torá
g)Seitas religioso-políticas (saduceus, fariseus, essênios, escribas, zelotes, herodianos, zadoqueus)
h) Literatura extra-canônica (apócrifos e pseudo-epígrafos – por exemplo: “Livro de Enoque” 200-63 a.C. citado em Judas v.14).
i)Messianismo político

CONTEXTO PRECEDENTE AO PERÍODO INTERBÍBLICO

Esboço do Período da História Israelita (Antigo Testamento)

I) Patriarcas (2000-1800 a.C.)
II) Israel no Egito (1800-1400 a.C.)
III) Êxodo e Conquista de Canaã (1400-1350 a.C.)
IV) Período dos Juízes (1350-1153 a.C.)
V) O Reinado (1053-587 a.C.)
. Reino Unido (1053-933 a.C.)
          . Reino Dividido (933-587 a.C.)


IMPÉRIO ASSÍRIO – (880 a 612 a.C.)

 . Queda do Reino do Norte e cativeiro israelita sob o domínio dos assírios (722/721 a.C.) - ISRAEL
. Reino do Sul sozinho (721-587 a.C.) - JUDÁ


IMPÉRIO BABILÔNICO – (614 a.C. a 559/538 a.C.)

. Queda e Cativeiro do Reino do Sul (606 a.C. em diante)
. Por que o Exílio? – Propósitos - 70 Anos!
.Muito mais um Exílio que um cativeiro – foi um tempo de renovação e purificação do povo de Deus.
. Pela desobediência do povo. Moisés já havia advertido o povo sobre isto (Deuteronômios 28:15-68)
. Cativeiro do Norte – Desobediência e idolatria (II Reis 17:6-20)
. Pelo não cumprimento da lei do sábado (Ano do Jubileu – Levíticos 25:2-7). Esta causa é narrada pelo cronista (II Crônicas 36:21)
. O povo precisava saber que só Yavé é Yavé (Ezequiel 35:9,15; 38:23; 39:6).
. Terra, Templo e Trono. Deus estava demonstrando que Ele não requeria a posse física da terra, o culto no templo de Jerusalém e um trono físico em Jerusalém. O exílio era, portanto, uma lição objetiva para a era do NT. A Terra, o Templo e o Trono eram sombra de realidade que estavam por vir.
. FIM DO EXÍLIO - Em 559 Ciro aparece na história quando, em 559 a.C., herda o pequeno Reino de Anshan. Vence os medos (antigo aliado da Babilônia) e conquista toda a Ásia Menor. Chega ao máximo de seu reino quando, em 539 a.C. invade a Babilônia.

IMPÉRIO PERSA – (559/539 a.C. a 332 a.C.)

 . Restauração de Judá (536 a.C. em diante – 70 anos depois do início do cativeiro: 606-536 a.C.) - Ciro o rei persa, captura a Babilônia [539 a.C. – Já reinava sobre a Pérsia (550-530 a.C.)]


PERÍODO INTERBÍBLICO PROPRIAMENTE DITO

. 400 anos de silêncio profético
. Esperança messiânica forte no coração dos judeus
. Deus prepara o mundo para a vinda do Messias
. Sob o governo dos macabeus, os judeus reconquistam a maior parte do território perdido nos cativeiros do Norte e do Sul
. Livros sobre o período: I e II Macabeus (apócrifos)
. Divisão do período:

. O PERÍODO BABILÔNICO - (614 a.C. – 559/538) - A transição do Império Babilônico para o Persa (614 a.C. – 559/538) – Textos: II Reis 18-25; Jeremias 52 e Lamentações.

. O PERÍODO PERSA (559/538-331 a.C.)

. O PERÍODO GREGO (331-167 a.C.)
         . Os Ptolomeus e o Egito (321-198 a.C.)
         . Os Selêucidas e a Síria (198-167 a.C.)
  
. O PERÍODO MACABEU OU HASMONEU (167-63 a.C.)

. O PERÍODO ROMANO (63 a.C. – 135 d.C.)

QUADRO CRONOLÓGICO DOS RETORNOS DO EXÍLIO
RETORNO
PRIMEIRO
SEGUNDO
TERCEIRO
Referência
Esdras 1-6
Esdras 7-10
Neemias 1-13
Data
538 a.C.
458 a.C.
444 a.C.

Líderes
Sesbazar
Zorobabel
Jesua

Esdras

Neemias

Rei Persa

Ciro
Artaxerxes
Longimanus
Artaxerxes
Longimanus

Elementos
Do
Decreto
Todos os que quisessem podiam retornar. O templo poderia ser reconstruído, parcialmente financiado pelo tesouro real. Os utensílios foram devolvidos.
Todos os que quisessem podiam retornar. As despesas seriam por conta do tesouro real. Tiveram permissão de constituir seus próprios magistrados civis.

Tiveram permissão de reconstruir o muro.
Número dos
Que
Retornaram
42.360
7.337 (servos)
Total: 49.697
1.500 homens
38 levitas
220 ajudantes
Total: 1758

Desconhecido

Acontecimentos,
Realizações e
Problemas
O Templo foi começado; sacrifícios foram feitos e celebrada a Festa dos Tabernáculos. Os samaritanos perturbaram e o trabalho cessou até 520. O templo foi completado em 516.

Problemas com casamentos mistos
O muro foi reconstruído em 52 dias, apesar da oposição de Sambalá e Gesém. Os muros foram dedicados e a Lei foi lida.


Após a morte de Jônatas, a luta dos Macabeus continua com seu irmão Simão a partir de 143 a.C. Simão, ao dominar a Acra, a poderosa fortaleza selêucida de Jerusalém, consegue, finalmente, a independência da Judéia.
Assassinado, Simão é sucedido por seu filho João Hircano I, que continua o processo de judaização da Palestina. Mas, por adotar medidas militares políticas helenizantes, João Hircano I começa a enfrentar a oposição dos fariseus, grupo que vai se tornando cada vez mais popular.
Aristóbulo I, filho e sucessor de João Hircano, apesar de ter governado apenas um ano, continua o processo de reaproximação com o helenismo. E a luta pelo poder no seio da família dos Macabeus é forte: Aristóbulo encarcera sua mãe e seus irmãos.
Seu irmão Alexandre Janeu casa-se com a rainha viúva, Salomé Alexandra, proclama-se rei, e continua o processo de anexação de territórios na Palestina, levando suas fronteiras a um ponto que o país nunca mais tivera desde que fora destruído por Nabucodonosor em 586 a.C.
Entretanto, Janeu vai enfrentar pesada guerra civil no seu confronto com os fariseus. Agindo com crueldade extrema, ele controla a situação após 6 anos de sangrentos conflitos.
Sua mulher Salomé Alexandra assume o poder depois dele e faz a paz com os fariseus, governando com grande habilidade.
Mas seus dois filhos, Hircano II e Aristóbulo II, após a morte da rainha, entram em violenta disputa pelo poder, que só acaba com a chegada definitiva dos romanos na região. O general Pompeu anexa a Judéia à República Romana em 63 a.C.

10.1. Simão Consegue a Independência da Judéia

Simão sucede a seu irmão Jônatas em 143 a.C. e, enfrentando Trifão, agora rei, repele um seu ataque na Judéia. Demétrio II ainda comanda a Cilícia e a Mesopotâmia e Simão faz aliança com ele. Consegue muitos benefícios para o povo judeu, como consta do decreto de Demétrio II citado em 1Mc 13,36-42.
Simão toma Gazara, estratégica cidade helenística. Gazara (= Gezer) é judaizada à força e João Hircano, filho de Simão, torna-se o seu governador militar.
E a independência da Judéia do jugo dos Selêucidas é garantida com a destruição da Acra por Simão em 141 a.C. e a expulsão dos gentios do território. A importante fortaleza é transformada no palácio dos Macabeus[1].
1Mc 13,49-52 descreve a tomada da Acra por Simão:
"Ora, os da guarnição da Cidadela, em Jerusalém, impedidos de sair e de andar pela vizinhança, para comprar ou vender, começaram a passar muita fome, perecendo não poucos dentre eles à míngua. Então clamaram a Simão para que aceitasse a sua mão direita, e ele os atendeu. Expulsou-os, porém dali e purificou a Cidadela, removendo-lhe as abominações. Finalmente nela entraram no vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um[2], entre aclamações e palmas, ao som de cítaras, címbalos e harpas, e entoando hinos e cânticos, porque um grande inimigo havia sido esmagado e expelido fora de Israel. Simão estabeleceu que se comemorasse cada ano esta data com alegria. Fortificou ainda mais o monte do Templo, na parte contígua à Cidadela, e habitou ali, ele com os seus".
Simão fortalece também as alianças com Esparta e com Roma, restituindo, afinal, à Judéia, sua importância política. Como narra 1Mc 14,24:
"Simão enviou Numênio a Roma com um grande escudo de ouro, de mil minas de peso, para confirmar a aliança com eles"[3].
Simão acaba assassinado, com dois filhos, por um genro seu, Ptolomeu, filho de Abrebo, perto de Jericó, durante um banquete. Este seu genro está em conluio com Antíoco VII Sidetes (irmão de Demétrio II), que entre 139 e 128 a.C. é o rei selêucida. Este Antíoco VII inicialmente reafirma os acordos dos reis anteriores, mas em seguida reclama de Simão as localidades por ele conquistadas e o tributo dos territórios anexados por Simão à Judéia (1Mc 15,25-26). Como não chegam a um acordo, Antíoco VII apóia a ação criminosa de Ptolomeu contra Simão.
Entretanto, Simão é, durante seu governo, muito querido pelos judeus que resolvem fazer-lhe um elogio, gravado em placas de bronze e afixado no monte Sião, segundo 1Mc 14,25-26. O decreto é de setembro de 140 a.C.
1Mc 14,27-49 traz a inscrição sobre os feitos de Simão e da família dos Macabeus. Aí vemos que ele é etnarca (líder da etnia judaica), tem o direito de usar a púrpura e a fivela de ouro (v. 44) - o que faz dele um dinasta - é estratego (tem autoridade sobre o exército), é chefe (hegoumênos, expressão grega usada na LXX para traduzir sar, "príncipe", ou rosh, "chefe") e sumo sacerdote hereditário.
"Não se pode dizer que ele tenha um poder legislativo, porque o povo é regido pela Lei; entretanto, ele tem o direito de fazer 'julgamentos' que não podem ser contestados por ninguém, nem mesmo pelos sacerdotes, sob pena de condenação; não se pode mais fazer reuniões sem a sua aprovação"[4].

10.2. João Hircano I e as Divisões Internas dos Judeus

Quando Simão é assassinado, um filho seu, chamado João Hircano, consegue escapar e assume o poder, governando de 134 a 104 a.C.
Durante seus primeiros anos de governos João Hircano I enfrenta enormes dificuldades para manter a independência da Palestina. Antíoco VII, por exemplo, consegue cercar Jerusalém em 133 a.C., impor a João Hircano o tributo e obrigá-lo a combater ao seu lado contra os partos. Sua intenção é a de submeter novamente a Judéia ao poder selêucida, inclusive reocupando a Acra, o que não consegue.
Flávio Josefo diz desse momento:
"Antíoco, que conservava ainda o ressentimento pelas vantagens que Simão, pai de HIrcano, tinha obtido sobre ele, atacou a Judéia, no quarto ano de seu reinado, que era o primeiro do principado de Hircano e a centésima sexagésima segunda Olimpíada. Depois de ter devastado os campos e obrigado Hircano a se retirar para Jerusalém, ele o sitiou, dividindo o seu exército em sete corpos, para cercar assim toda a praça"[5].
Quando o poder selêucida muda de mãos, entretanto, João Hircano I continua as conquistas de seu pai Simão, judaizando importantes localidades palestinas como Mádaba, Samega, Siquém, Adora, Marisa, a Iduméia.
A. Paul lembra que a expansão territorial e os métodos imperialistas dos Macabeus vão se tornando cada vez mais fortes. "A maior parte das guerras terminou com a conversão forçada dos vencidos e muitas vezes com extermínios que lembravam o 'anátema' praticado por Josué. João Hircano destruiu o templo do monte Garizim e a cidade helenizada de Samaria e reduziu seus habitantes a escravos. Os idumeus e os itureus da Galiléia foram obrigados a se circuncidarem (...) Era necessário aniquilar a civilização grega com suas realizações, e não só suas resistências. 'Ou o judaísmo ou a morte': esta frase poderia resumir o programa político dos grandes Asmoneus. Foram destruídas assim muitas cidades de importância econômica e cultural tanto para a Palestina como para os territórios vizinhos. Tal foi, em particular, o destino das grandes e prósperas cidades costeiras e das cidades helenísticas fundadas a leste do Jordão"[6].
Para se libertar da tutela selêucida, João Hircano I apela para os romanos, com quem renova o tratado de amizade, já antes estabelecido por seus antepassados. Os romanos não morrem de amor pelos judeus, mas apóiam qualquer iniciativa que possa enfraquecer os Selêucidas, cujo território ambicionam.
O Senado romano renova então a amizade (filia) e a aliança (symmachía) com os judeus em 126 ou 125 a.C., mas também manda dizer que, no momento, há outros problemas mais urgentes em Roma. Logo que puder, o Senado procurará defender os interesses dos judeus[7].
Entretanto, as crueldades cometidas por João Hircano I contra as cidades conquistadas e as populações forçadamente judaizadas provocam a primeira reação dos fariseus contra os governantes Macabeus.
Flávio Josefo, para explicar a ruptura de João Hircano I com os fariseus, narra um episódio, bastante lendário, por sinal, segundo o qual, durante um banquete, um fariseu teria requerido de João Hircano I que abandonasse o sumo sacerdócio. Pois sua mãe teria sido prisioneira de Antíoco IV Epífanes - tendo se tornado suspeita de ter sido violentada e tornada impura -, o que o incapacitava para o cargo de sumo sacerdote, segundo Lv 21,14.
João Hircano I tenta punir este fariseu com a morte, ação que o partido farisaico não aprova. A partir deste momento João Hircano I alia-se aos saduceus e rompe com os fariseus[8].
João Hircano I, na verdade, para conseguir as suas conquistas e garantir o seu território, começa a incorporar ao seu exército mercenários gentios. Naturalmente pagos com os tributos recolhidos do povo judeu. O que já desagrada bastante aos aliados dos Macabeus.
P. Sacchi explica: "Os gentios engajados eram impuros que viviam junto ao povo judeu. Para os essênios a contaminação da cidade crescia, para os assideus surgiam problemas sobre a pureza que antes não existiam. A suspeita em relação ao Asmoneu devia crescer"[9].
Originariamente aliados dos Macabeus no combate à helenização, os assideus acabam divididos na época de Jônatas. Deles saem os essênios, que rompem com o governo dos Macabeus, e os fariseus, que ainda o apóiam[10].
É preciso considerar também que, pouco a pouco, o governo macabeu toma rumos semelhantes aos de seus inimigos Selêucidas, afastando-se dos ideais originais da resistência. É isto principalmente que provoca os atritos com os judeus mais rigorosos na observância da Lei.
Observando outro aspecto, A. Paul crê que a política macabéia de destruição do helenismo é, a longo prazo, um suicídio. Esta política "consistia, de um lado, em destruir todos os traços, inclusive os humanos, do helenismo político e cultural das cidades da Palestina justamente quando a numerosa diáspora manifestava sua legalidade e impunha sua verdade, impregnando-se profundamente do modo grego de pensar, de viver e de se exprimir".
Além do que, esta política "significava o aniquilamento das infra-estruturas e das estruturas sociais e econômicas, das quais dependiam a salvação e a prosperidade da Palestina".
E o autor acrescenta: "Poucos decênios depois, quando da queda súbita do Estado asmoneu em 63 a.C., a história mostrou que, já nos tempos dos troféus, o processo de morte estava profundamente consolidado e generalizado".
Para concluir, diz A. Paul: "Da luta pelo restabelecimento da paz civil e, depois, pela independência nacional, passara-se, com efeito, a conquistas cuja finalidade era garantir a segurança necessária às novas fronteiras, muito vulneráveis. Formava-se assim uma engrenagem irresistível, já que a segurança conseguida pelas armas exigia a garantia de uma outra segurança, a qual, por sua vez, devia também ser conseguida pelas armas"[11].
Também M. Hengel acredita que nesta época só a monarquia de tipo helenístico ou a pólis têm condição de sobreviver, sendo inviável qualquer outro tipo de Estado. Por que? Porque sem um exército moderno, um aparelho administrativo e financeiro eficiente e uma participação competitiva no mercado mundial um Estado não tem espaço neste contexto. Os judeus não conseguem compreender isso e estão destinados à falência, pois tentam transplantar seu antigo ideal teocrático para uma realidade política de um mundo transformado[12].

Fonte:
http://www.verdade-viva.net
http://www.apazdosenhor.org.br
http://www.cacp.org.br
http://pastorazevedo.com.br
http://www.airtonjo.com

[1]. Sobre Simão, cf. ABEL, F.-M., Histoire de la Palestine I, pp. 191-206; SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, pp. 146-149; SCHÜRER, E., Storia del popolo giudaico al tempo de Gesù Cristo I, pp. 250-261.
[2]. O vigésimo terceiro dia do segundo mês do ano cento e setenta e um da era selêucida corresponde aos começos de junho de 141 a.C.
[3]. Uma mina ática pesa 436 gramas: o escudo pesaria quase meia tonelada de ouro. Entretanto, na resposta dos romanos à embaixada judaica se diz: "Eles nos trouxeram um escudo de ouro de mil minas" (1Mc 15,18). Deve-se entender que o escudo vale mil minas de prata, o equivalente a aproximadamente 44 kg de ouro, peso aceitável para esse tipo de escudo decorativo.
[4]. SAULNIER, C., Histoire d'Israel III, p. 155.
[5]. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XVII, 236. Sobre João Hircano I, cf. SCHÜRER, E., o. c., pp. 261-279.
[6]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 191-192. JOSEFO, F., Bellum Iudaicum I, 64-66 descreve o cerco e a queda de Samaria.
[7]. Cf. o texto em JOSEFO, F., Antiquitates Iuadaicae XIII, 259-266.
[8]. Cf. JOSEFO, F., Antiquitates Iudaicae XIII, 288-298. Cf. também SCHÜRER, E., o. c., pp. 275-278. Na p. 277 diz este autor: "Na sua forma anedótica, a história traz, sem dúvida, as marcas da lenda, e provavelmente Josefo a recebeu apenas de uma tradição oral. Não obstante, pode-se considerar como um dado de fato que Hircano verdadeiramente se distanciou dos fariseus e aboliu as suas prescrições".
[9]. SACCHI, P., Storia del mondo giudaico, Torino, Società Editrice Internazionale, 1976, p. 115.
[10]. Cf., sobre os fariseus, saduceus e essênios, SCHÜRER, E., The history of the Jewish people in the age of Jesus Christ II, Edinburgh, T & T Clark, 1986, pp. 381-414; 555-590.
[11]. PAUL, A., O judaísmo tardio, pp. 193-196.

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