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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

391-O LIVRO DE TIAGO


























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Tiago (Tg)
Autor: Tiago, irmão de Jesus
Data: Cerca de 48-62 dC

AutorO autor identifica-se somente como Tiago. O nome era bastante comum; e o NT enumera pelo menos cinco homens com este nome, dois dos quais eram discípulos de Jesus e um era seu irmão. A tradição atribui o livro ao irmão do Senhor, e não há motivos para questionamentos. Evidentemente, o escritor era bastante conhecido, e Tiago, o irmão de Jesus, logo tornou-se líder da igreja em Jerusalém (At 12.17; 15.13-21; 21.18; Gl 1.19; 2.9,12). A linguagem da carta é semelhante à da fala de Jesus em At 15. Aparentemente, Tiago era um descrente durante o ministério de Jesus (Jo 7.3-5). Uma aparição de Cristo a ele após sua ressurreição (1Co 15.7) provavelmente o tenha levado a essa conversão; pois ele é enumerado com os crentes de At 1.14.
DataO historiador Judeu Josefo indica que Tiago foi apedrejado até a morte por volta de 62 dC; então, se ele é o autor, a carta foi escrita antes dessa data. O conteúdo do livro sugere que pode ter sido escrita um pouco antes do concílio da Igreja relatado em At 15, que se reunião por volta de 49 dC. Não podemos se dogmáticos, e só se pode concluir que a carta provavelmente tenha sido escrita entre 48 e 62 dC.
ConteúdoAo invés de especular ou debater sobre teorias religiosas, Tiago direciona seus leitores para uma vida piedosa. Do Início ao fim, o tom desta carta é imperativo. Em 108 versos, são dados 54 mandamentos evidentes, e 7 vezes Tiago chama a atenção para suas declarações usando termos de natureza imperativa. Esse “servo de Deus” (v.1) escreve como alguém supervisionando outros escravos. O resultado é uma declaração da ética cristã, que se iguala a ensinamentos semelhantes no NT.
Cristo ReveladoComeçando no primeiro verso e continuando por toda a carta, Tiago reconhece a autoridade de Jesus, referindo-se como “servo”, ou escravo, do Senhor. O termo é aplicável a todos os cristãos, pois todos os verdadeiros discípulos de Cristo reconhecem sua soberania sobre suas vidas e se comprometem espontaneamente a seus serviço. Cristo é o objeto de nossa fé (2.1), aquele que cujo nome e em cujo poder realizamos nosso ministério (5.14,15), o recompensador de todos aqueles que se mantém firmes em meio a julgamentos (1.12), e aquele que virá, por quem pacientemente esperamos (5.7-9). Tiago identifica Cristo como a “glória” (2.1), referindo-se ao Shekinah, a gloriosa manifestação da presença de Deus em meio a seu povo. Não somente glorioso por si mesmo, ele é a glória divina, a presença de Deus na terra (Lc 2.30-32; Jo 1.14; Hb 1.3).
De considerável interesse é o paralelo próximo entre o conteúdo dessa carta e a doutrina de Jesus, especialmente o Sermão da Montanha. Embora Tiago não cite exatamente nenhuma declaração de Jesus, há mais reminiscências verbais da doutrina do Senhor nesta carta do que em todo o resto das epístolas combinadas no NT. Essas alusões indicam uma associação próxima entre Tiago e Jesus e evidenciam a forte influência do Senhor na vida do autor.

O Espírito Santo em AçãoA carta menciona especificamente o ES somente em 4.5, onde se declara que o Espírito que habita em nós deseja a nossa lealdade completa, não suportando rivalidade.
A Atividade do ES pode ser vista no ministério aos doentes descritos em 5.14-16. À luz de outra terminologia bíblica que liga unção com o Espírito ( Is 61.1; Lc 4.18; 1Jo 2.20-27), o ungir com o óleo é melhor compreendido como símbolo do ES. Além do mais, no grego, o artigo definido usado com a palavra “fé” em 5.15 particulariza essa fé, sugerindo que Tiago está se referindo à manifestação do dom da fé (1Co 12.9).

Esboço de Tiago
I. Saudação 1.1
II. Religião prática e julgamentos 1.2-18

Adversidades externas 1.2-12
Tentações internas 1.13-18

III. Religião prática e a palavra de Deus 1.19-27
Escutar a Palavra 1.19-20
Receber a Palavra 1.21
Obedecer à Palavra 1.22-27

IV. Religião prática e relacionamentos humanos 2.1-26
 Parcialidade negativa 2.1-13
 Compaixão positiva 2.14-26

V. Religião prática e discurso 3.1-18
VI. Religião prática é mundanismo 4.1-12
VII. Religião prática e negócios 4.13-5.6
 

VIII. Apelos finais 5.7-11
Por paciência 5.7-11
Por um falar puro 5.12
Por oração 5.13-18
Por compaixão 5.19-20




AUTORIA
De acordo com o primeiro versículo da epístola, o nome do autor é Tiago, que se apresenta como "servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo". "Tiago" é a forma grega do nome hebraico "Jacó", que significa "suplantador". Em princípio pode parecer que a autoria esteja clara e bem definida. Contudo, não é assim. Já que o Novo Testamento menciona várias pessoas com o nome de "Tiago", surge a questão de qual deles teria sido o autor da carta. Temos, no mínimo, três personagens distintos com o nome de Tiago:
1 - O maior, irmão de João, filho de Zebedeu (Mt.10.1-4)
2 - O menor, filho de Alfeu. (Mc.15.40).
3 - O irmão de Jesus (Mt.13.55; Mc.6.3).
Em Atos 1.13-14 os três estão presentes, mas o texto fala de um certo Judas, que era filho de Tiago. Não fica claro se esse Tiago era um dos três já citados ou se poderia ser um quarto personagem. As passagens dos evangelhos que citam Tiago, geralmente estão se referindo ao irmão de João. Sua morte é mencionada em Atos 12.2. Não sabemos o que aconteceu com o filho de Alfeu. A partir daí, existem outras referências que citam Tiago, em Atos e nas epístolas. Tais passagens são normalmente relacionadas à pessoa do irmão de Jesus. Em Gálatas, Paulo fala de seus contatos com Tiago, irmão do Senhor, que estaria em Jerusalém. Com base nesse texto, os outros também são associados, por dedução, à mesma pessoa. Tal associação é bastante aceita pelos críticos e parece muito coerente. Quem segue essa ligação de textos acaba por atribuir ao irmão de Jesus a autoria da epístola em epígrafe. Alguns comentaristas preferem não seguir essa tendência e se abstêm de apontar o autor.
Considerando que Tiago, irmão do Senhor Jesus, escreveu a carta, destacamos algumas informações sobre a sua pessoa, conforme nos auxiliam o Novo Testamento, as conjecturas e a tradição eclesiástica.
Tiago não cria em Jesus antes da crucificação (João 7.5). É possível que sua conversão tenha se dado após a ressurreição de Cristo, quando este lhe apareceu (I Cor.15.7). Juntou-se então aos discípulos (At.1.14), tornando-se apóstolo (Gál.1.19) é uma das "colunas" da igreja em Jerusalém (Gál.2.9). Sua liderança obteve grande destaque, conforme se observa em Atos 12.17; 15.13-29; 21.18 e Gálatas 2.12. Tiago veio a ser chamado "o justo", por sua integridade, e "joelho de camelo" devido às marcas que possuía em virtude de suas constantes orações.
Segundo Flávio Josefo, o irmão de Jesus morreu em 63 d.C. Sendo pressionado pelos judeus para que negasse a Cristo e tendo permanecido firme em suas convicções, Tiago foi arremessado de um lugar alto nas dependências do templo. Não tendo morrido com a queda, foi apedrejado até a morte.
Data - A data de produção da carta se situa entre os anos 45 e 48 d.C. Alguns comentaristas sugerem um período anterior às epístolas paulinas, na segunda metade do primeiro século.
Tema principal - A religião prática.
Textos chave - 1.27 e 2.26.
Características
O livro tem teor prático, rigoroso, usa muitas ilustrações, é direto, tem estilo semelhante ao sermão da montanha. Apresenta diversos preceitos morais. A carta contém 108 versículos, entre os quais temos 54 mandamentos.
Sobre seu rigor, destacamos: Tg. 1.7; 1.26; 2.9; 2.10; 2.19; 3.6; 3.8; 3.14-15; 4.1-4; 4.8-9; 4.16; 5.1-6.
DESTINATÁRIOS
A carta é destinada às 12 tribos da diáspora (dispersão). São judeus cristãos que se encontravam dispersos entre várias nações. (Tg. 1.1; 2.2).

PROVAS E TENTAÇÕES

Tiago introduz o assunto com palavras de impacto: "Tende grande gozo quando vos forem enviadas várias provações." (Tg. 1.2). Não faz parte do nosso pensamento moderno uma idéia como essa. Em nosso tempo, procura-se o menor esforço e o maior prazer. A epístola nos mostra que as tentações e as provações são elementos presentes e importantes na vida cristã. Por que essa importância? Tiago responde: "sabendo que a prova da vossa fé produz a paciência." (Tg. 1.3).
Precisamos saber isso para termos uma atitude positiva diante daquilo que Deus nos envia ou permite. Tudo o que Deus permitir de negativo em nosso caminho terá um propósito e produzirá alguma virtude em nós. Isso, evidentemente, se sairmos vencedores desse processo.
É importante discernir entre prova e tentação e suas respectivas origens. Tiago diz que ninguém pode dizer que é tentado por Deus (Tg. 1.13). Deus nos prova nos coloca em teste. Ele não nos tenta. Entretanto, permite a tentação. Esta vem de dentro de nós, atraída por fatores externos (Tg. 1.14-17). A isca é exterior. A tentação está no apetite do peixe. Casos diferentes foram às experiências de Adão, Eva e Cristo. Como não tinham pecado, a tentação foi totalmente exterior (Gên.3; Mt. 4).
Prova é teste. Tentação é indução ao erro. Toda tentação pode ser vista como prova. Contudo, nem toda prova é tentação. Por exemplo, se Deus nos permite passar por uma situação de dificuldade financeira, isso pode ser uma prova para demonstrar se continuaremos confiantes e fiéis ao Senhor ou não. Se, em meio a tudo isso, aparecer uma oportunidade de ganho ilícito, isso será uma tentação.
Estar no deserto é prova. Oferta de "pedras no lugar de pães" é tentação (Mt. 4.3).
A prova e a tentação revelam o que há em nossos corações. São formas de manifestar o que somos interiormente. Tal demonstração não serve para que Deus nos conheça, pois ele já nos conhece plenamente. A prova e a tentação mostram para nós mesmos a nossa natureza e fraquezas que talvez não conhecêssemos. Além do auto-conhecimento, provas e tentações são oportunidades de aprendizagem, até mesmo quando fracassamos. Tal conhecimento será útil para as próximas vezes.
A RELIGIÃO PRÁTICA
Confrontando a epístola aos Hebreus com a de Tiago, verificamos que Hebreus contém uma ênfase sobre a fé. Os destinatários precisavam se livrar da dependência que tinham em relação aos elementos visíveis do judaísmo. O valores invisíveis e celestiais são enfatizados. Tiago também escreve aos hebreus. Porém, seu discurso tem uma ênfase diferente. Ele está enfatizando o visível.
Enquanto a epístola aos Hebreus fala do céu, Tiago "põe os pés no chão" e nos convida a encarar necessidades e desafios do dia-a-dia. Não existe nisso nenhuma contradição. Os hebreus não deviam depender de elementos visíveis, tais como o templo, os sacerdotes e os sacrifícios, para estabelecer ou manter sua relação com Deus. Então, a fé no invisível é enfatizada. Entretanto, nosso cristianismo não pode ser invisível. Ele precisa se manifestar através de ações no mundo físico. Nessa parte entra a ênfase de Tiago sobre o valor das obras.
O invisível não depende do visível, mas precisa produzir evidências visíveis, sob pena de ser considerado inexistente. Por isso Tiago diz: "mostra-me a tua fé sem as tuas obras." (Tg. 2.18). Se a minha fé não produz obras, então tenho uma fé tão "eficaz" quanto à própria incredulidade. Precisamos mostrar alguma coisa, pois o mundo espera pra ver. E isso só é possível através de obras.
Tiago enfatiza o valor do caráter cristão. Seu livro não se aplica à exposição doutrinária, mas ao apelo veemente à prática de toda a doutrina cristã que já se conhece. O conhecimento da palavra é fundamental (Tg. 1.18,21). Ouvir é bom hábito (Tg. 1.19). A fé é indispensável (Tg. 1.6-7). Mas o processo não pode parar nesse estágio, pois crer, os demônios também crêem. A insistência do autor é a fim de que seus leitores coloquem em prática a palavra de Deus.
A epístola mostra o contraste que muitas vezes ocorre entre a fé e a prática. Conhecemos muito, cremos na palavra de Deus, mas praticamos pouco e falamos uma palavra diferente da que ouvimos. Tiago expõe essa contradição e exorta no sentido de corrigir tamanha distorção.
ALGUMAS CONTRADIÇÕES OBSERVADAS POR TIAGO
      Ouve-se a palavra, mas não se cumpre (Tg. 1.23).
      Considera-se religioso, mas não se refreia a língua (Tg. 1.26).
      Reúne-se em nome de Cristo e comete-se a acepção de pessoas na mesma       reunião (Tg. 2.1-4).
      Alguém tem fé, mas não tem obras (Tg. 2.14).
      Deseja-se o bem ao próximo, mas não se pratica esse bem (Tg. 2.15-16).
      De uma mesma boca procede bênção e maldição (Tg. 3.10-12).
      Alguém é considerado sábio, mas tem inveja e sentimento faccioso       (Tg. 3.13-16).
      "Cobiçais e nada tendes" (Tg. 4.2). (Até no erro ficava evidente a contradição)
      "Pedis e não recebeis" (Tg. 4.3).
      Deseja-se ser amigo de Deus e, ao mesmo tempo, amigo do mundo (Tg. 4.4).
      Sabe-se fazer o bem, mas não se faz (Tg. 4.17)
      ALGUMAS EXORTAÇÕES CORRETIVAS
      Pedir sabedoria a Deus (Tg. 1.5)
      Sede prontos para ouvir, tardios para falar e tardios para irar (Tg. 1.19).
      Rejeitando toda a imundície, recebei com mansidão a palavra (Tg. 1.21)
      Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes (Tg. 1.22).
      Mostrai pelo bom trato as obras em mansidão de sabedoria (Tg. 3.13)
      Sujeitai-vos a Deus (Tg. 4.7).
      Resisti ao Diabo (Tg. 4.7)
      Chegai-vos a Deus (Tg. 4.8)
      Alimpai as mãos (Tg. 4.8)
      Purificai os corações (Tg. 4.8)
      Senti as vossas misérias, lamentai e chorai (Tg. 4.9)
      Sede pacientes (Tg. 5.7)
      Orai (Tg. 5.13)
      Cantai louvores (Tg. 5.13)
      Confessai as vossas culpas uns aos outros (Tg. 5.16)
A prática proposta por Tiago pode ser traduzida pela expressão "boas obras".
Isso inclui:
- Ações a favor do próximo. Exemplo: "visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações" (Tg. 1.27).
- Bom comportamento: "guardar-se da corrupção do mundo" (Tg. 1.27).
Normalmente nos preocupamos em não fazer mal ao próximo. Está certo, mas, além disso, precisamos fazer-lhe o bem, pois, se não fizermos, estaremos pecando (Tg. 4.17).
Conhecimento da palavra, fé em Deus e rituais podem muito bem constituir uma religião falsa se não estiverem associados à obediência, a qual se traduz em prática do que a palavra manda. A prática revela sabedoria, que é o conhecimento assimilado e aplicado. Tiago apresenta uma hipotética reunião religiosa onde se peca pela acepção de pessoas. É a religiosidade desprovida de sabedoria, amor e obediência aos preceitos divinos (Tg. 2.1-4).
Observe que em todos os capítulos do livro encontramos ocorrências do termos "sabedoria", "sábio" ou conjugações do verbo "saber": Tg. 1.3,5; 2.20; 3.1,13,15,17; 4.4,14,17; 5.20. Em algumas passagens, o uso do verbo parece ser apenas com fim sintático. Em outras, torna-se evidente a questão do conhecimento e da sabedoria. O livro de Tiago tem sido também considerado por alguns como o "livro de sabedoria" do Novo Testamento, não apenas pelos versículos mencionados, mas pelo uso que faz dos conselhos morais práticos, da mesma forma como se vê nos livros sapienciais do Velho Testamento, principalmente Provérbios.
O CUIDADO COM AS PALAVRAS
Além das obras, Tiago coloca em evidência o que falamos. Se cremos na palavra de Deus precisamos falar de acordo com essa palavra e também proceder desse modo (Tg. 2.12). As admoestações em relação à língua são diversas:
- Não falar precipitadamente. Seja tardio em falar (Tg. 1.19). Uma vez falada, a palavra não pode ser recolhida. Portanto, é bom que se reflita antes de se pronunciar algo. Assim, evitaremos ofensas, pedidos mal feitos (Tg. 4.3), planos incertos (Tg. 4.13-15) e até mesmo votos que não podemos cumprir (Obs. Ec. 5.4-6).
- Não falar demais. Tiago usa a expressões "frear", "refrear" e "domar" a língua. (Tg. 1.26; 3.1-12).
- Não mentir (Tg. 3.14).
- Não amaldiçoar (Tg. 3.10).
- Não acusar a Deus (Tg. 1.13).
- Não usar palavras vãs no lugar da ação necessária (Tg. 2.16). Esse falar vão pode até ser uma oração. Existem momentos em que não adianta orar. É preciso agir. Lembre-se de Moisés diante do Mar Vermelho. Deus disse: "Por que clamas a mim. Diga ao filhos de Israel que marchem" (Êx. 14.15).
- Não falar mal nem julgar os irmãos (Tg. 4.11). Se existe um problema a ser resolvido com uma pessoa, então não adianta comentar o fato com outros. Talvez, o mal falado até seja verdade. Contudo, ainda assim trata-se de maledicência.
Mesmo que o irmão esteja errado, nós não devemos difamá-lo. Quando Noé se desnudou em sua tenda, seu filho Cão foi logo espalhar a notícia e por isso foi amaldiçoado. Os filhos Sem e Jafé tomaram a providência de cobrir a nudez paterna e por isso foram abençoados.
- Não reclamar dos irmãos (Tg. 5.9).
- Não jurar (Tg. 5.12).
Na seqüência do capítulo 5, versos 13 em diante, o autor nos indica o que devemos falar no lugar das queixas, ou dos juramentos: Ore, cante louvores, confesse seus pecados.
Sintetizando, Tiago relaciona:
A palavra de Deus, a qual deve ser ouvida e recebida;
A fé que depositamos em Deus e em sua palavra;
Nosso falar e nosso agir, os quais devem ser coerentes com a palavra,     conseqüências e evidências indispensáveis da nossa fé.
ARREPENDIMENTO E JUÍZO
Diante de uma realidade religiosa tão contraditória e tendo em vista o juízo divino, Tiago convida seus leitores ao arrependimento.
Juízo, justiça e termos derivados convites ao arrependimento, ao choro, à confissão
Tg. 1.20; Tg.4.7-10
A FÉ E AS OBRAS
Um dos assuntos mais polêmicos que envolvem o livro de Tiago é o confronto entre fé e obras. Tiago valoriza tanto uma coisa (1.6) quanto a outra (2.14). Porém, sua carta fala mais das obras, já que o autor observou a gravidade da ausência das mesmas na vida religiosa do povo. É como um médico que está indicando um reforço alimentar para suprir a falta de determinado nutriente, sem, contudo, menosprezar os outros.
A fé é tão importante quanto fica demonstrado em Romanos e em Hebreus.
Entretanto, se essa fé não produzir evidências visíveis, ela será como um plano que nunca foi realizado e seremos como árvores infrutíferas. Obra é fruto (Tg. 3.13,17). O fruto do Espírito é amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e domínio próprio (Gálatas 5.22). Não obstante, tais virtudes precisam se manifestar através de atos e fatos. O fruto não pode ser abstrato. Precisa ser concreto. De que adianta um amor não revelado, não transmitido por meio de ações? (I João 3.18). A fé opera pelo amor (Gálatas 5.6). O amor é o canal por onde flui a fé. O resultado é obra.
A fé se mostra superior nessa questão porque a nossa salvação depende dela.
"Pela graça sois salvos mediante a fé" (Ef. 2.8). "Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado." (Mc. 16.16). Crer é fé. Batismo é obra, ato físico. Observe que ninguém será condenado pela falta do batismo e sim pela falta de fé. Entretanto, aquele que tem fé deverá manifestá-la através de atos de obediência, inclusive batizando-se. As obras devem ocorrer de acordo com os recursos e o tempo que Deus tiver nos concedido. Por exemplo, o ladrão que se converteu na cruz ao lado de Cristo, não teve tempo de se batizar nem fazer obra alguma. Contudo, foi salvo. Nós, porém, que temos tempo e recursos devemos fazer boas obras, não para sermos salvos, mas como fruto natural da nossa fé.
A fé é superior porque produz as obras e não o contrário. Tiago diz: "... se alguém disser que tem fé e não tiver as obras... porventura a fé pode salvá-lo?" (Tg. 2.14). O autor não está condicionando a salvação à prática de boas obras. O sentido é o seguinte: se a fé de alguém não produz obras, pode-se concluir que essa mesma fé não produzirá salvação, pois é ineficaz ou inexistente.
CONFLITO APARENTE ENTRE TIAGO E PAULO
"Vedes então que o homem é justificado pelas obras e não somente pela fé." Tiago 2.24.
"Concluímos, pois que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei" - Paulo, em Romanos 3.28.
Lendo estes dois versículos, podemos pensar que Tiago e Paulo estão se contradizendo. Alguns comentaristas afirmam que a contradição existe e que é inexplicável. O próprio reformador Martinho Lutero tinha essa posição e chegou a usar a expressão "epístola de palha" para se referir ao livro de Tiago. Há quem diga que Tiago tenha escrito para atacar Paulo e seus ensinamentos. Tais hipóteses atentam contra a inspiração divina das Sagradas Escrituras. Outros teólogos apresentam a seguinte solução:
Ao escrever aos Romanos, Paulo apresentou argumentos que tinham por objetivo combater a tese judaizante daqueles que exigiam dos gentios o cumprimento da lei mosaica. Diante disso, o apóstolo deixou claro que a salvação não depende das obras da lei, não depende dos rituais judaicos. Em sua exposição, Paulo lembra aos leitores que Abraão não foi justificado pelas obras da lei nem mesmo pela circuncisão, já que o patriarca teve sua experiência com Deus num tempo em que a lei mosaica não existia e até mesmo antes de ser circuncidado. Portanto, sua experiência foi baseada na fé.
Paulo não estava falando de boas obras, de modo geral. Ele estava se referindo especificamente àquelas obras exigidas pela lei.
Por sua vez, Tiago está preocupado com "o outro lado da moeda". Muitos cristãos estavam reduzindo o cristianismo a uma religião teórica, apenas espiritual, sem efeitos visíveis. A estes, Tiago diz que as obras são importantes. Abraão é usado novamente como exemplo. Depois de ter sua experiência pela fé, Abraão não cruzou os braços. Abraão agiu. Ele saiu da sua terra, se dispôs a oferecer Isaque, e fez tudo aquilo que Deus queria que ele fizesse.
Imagine que alguém entra no prédio de uma escola e queira logo apresentar trabalhos de pesquisa, fazer provas e exercícios. Será que a direção acadêmica aceitará tudo isso? De maneira nenhuma. Se o indivíduo não está matriculado, ainda não é aluno da escola. Então, não tem nenhum valor qualquer trabalho apresentado por ele. O que é necessário? A matrícula, o compromisso, o vínculo.
Então, depois de matriculado, imagine que esse novo aluno resolva ficar em casa, totalmente alheio aos seus deveres escolares. Então a direção da escola irá procurá-lo para cobrar tudo o que ele deveria estar fazendo. Assim, antes de sermos cristãos, de nada adiantam as nossas boas obras. "Paulo está dispensando". Entretanto, agora que estamos salvos pela fé, precisamos executar as obras como fruto normal de um cristianismo autêntico e sadio. "Tiago está cobrando".
Em Romanos 3, Paulo está apresentado à futilidade das obras da lei no plano de salvação. Em outros escritos seus, o apóstolo deixa claro o quanto valoriza as boas obras de modo geral. Não que elas possam nos salvar. "Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isso não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2.8-9). Entretanto, devemos fazer boas obras, porque este é um dos motivos da nossa permanência neste mundo. Caso contrário, poderíamos ter sido arrebatados no momento da conversão. "Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Efésios 2.10). Observe que são palavras de Paulo, na continuação do texto mencionado anteriormente.
Quando escreveu a Tito, Paulo colocou nas boas obras a maior ênfase da carta (Tito 2.7,14; 3.1,8 14). Contudo, no mesmo texto, o apóstolo deixa claro que as obras não salvam (Tito 3.4-5).
Considerando suas epístolas de modo geral, Paulo enfatiza a fé, sem desvalorizar as obras. Tiago enfatiza as obras, sem desvalorizar a fé. De fato, ambas as coisas são importantes. A fé sem as obras é morta. Da mesma forma, as obras sem fé são obras mortas (Hb. 6.1).

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autor: Anísio Renato de Andrade - Bacharel em Teologia.
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BIBLIOGRAFIA
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  • GONZÁLEZ, Justo L., Uma História Ilustrada do Cristianismo - Volume 1 - Ed. Vida Nova.
  • PACKER, J.I., TENNEY, Merril C., WHITE JR., William, O Mundo do Novo Testamento - Ed. Vida.
  • TURNER, Donald D., Introdução do Novo Testamento - Imprensa Batista Regular.
  • CULLMANN, Oscar, A Formação do Novo Testamento - Ed. Sinodal.
  • GIBERT, Pierre, Como a Bíblia Foi Escrita - Ed. Paulinas.
  • ELWELL, Walter A. , Manual Bíblico do Estudante - CPAD.
  • HOUSE, H. Wayne, O Novo Testamento em Quadros - Ed. Vida
  • JOSEFO, Flávio, A História dos Judeus - CPAD
  • DOUGLAS, J.D., O Novo Dicionário da Bíblia - Ed. Vida Nova
  • Bíblia de Referência Thompson - Tradução de João Ferreira de Almeida - Versão Contemporânea - Ed. Vida
  • Bíblia Sagrada - Tradução de João Ferreira de Almeida - Versão Revista e Atualizada - Sociedade Bíblica do Brasil.

FONTE:
Bíblia Plenitude
http://www.vivos.com.br
http://www.santovivo.net

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