CONTADOR DE VISITAS

contador de acessos

Funk Gospel- Novas 2016-2017

FUNK E NOVO SOM

funk gospel e infantil

MX GOSPEL

HINOS JUDAICOS E ROMANTICAS

FUNK GOSPEL- VARIOS

MUSICAS MESSIANICAS

MELODY E VARIAS

VIDEO DO POKEMON

ESTUDO-INFERNO

Jogos para voce

ORIENTE MÉDIO

TURMINHA DA GRAÇA E MIDINHO

OS TRAPALHOES E A PRINCESA XUXA

Os trapalhoes-vol. 2

PRIMEIRO EPISÓDIO DO CHAPOLIN

PRIMEIRO EPISÓDIO DO CHAVES

DE GRAÇA RECEBESTE, DE GRAÇA DAI!!!!.

DE GRAÇAS RECEBESTES,DE GRAÇA DAI-MT10.8

ESTUDO-Jo 3.16

ESTUDO SOBRE ADORAÇÃO

INFANTIL

HINOS JUDAICOS

FUNK GOSPEL E ROMANTICAS 03

JOGO DE PERGUNTAS BÍBLICAS

CLIQUE PARA RESPONDER AS PERGUNTAS Coloque este widget em seu blog

FUTEBOL COM CARROS

JOGO ATIRE NAS GARRAFAS

JOGO DA BALEIA

JOGO DA BALEIA

Jogo pac man

JOGO BASKET

JOGO blast

JOGO MAGNETO

JOGO DE CORRIDA

Corrida Bíblica–o game

JOGO DA VELHA 02

Mais Jogos no Jogalo.com JOGO DA VELHA 02

JOGO BÍBLICO DE PERGUNTAS

Noticias g1

LEITURA EM INGLÊS

LEITURA EM INGLÊS

LEITURA EM INGLÊS 02

LEITURA EM INGLÊS 02

NOVO SOM E DIVERSOS

funk gospel e musica judaica 02

ROMANTICASM JUDAICA E FUNK GOSPEL

RELÓGIO COM MENSAGEM

ROMANTICAS E FUNK GOSPEL

ROMANTICAS E FUNK GOSP. 02

ROMANTICAS GOSPEL

FUNK GOSPEL 25

FUNK GOSPEL 24

FUNK GOSPEL23

FUNK GOSPEL 22

FUNK GOSPEL 21

funk gospel 20

FUNK 19

/>

funk gospel 18

FUNK GOSPEL 16

FUNK GOSPEL 15

FUNK GOSPEL 14

GOSPEL FUNK 17

Prof. Marcio de Medeiros--ESTUDO SOBRE O INFERNO

NOTICIAS DE CONCURSOS

BEM ESTAR -GNT

FILME-A ÚILTIMA BATALHA

BATE PAPO CRISTÃO

Qual é a sua avaliação sobre este blog?

Formulario de autoresposta


Nome:

E-Mail:

Assunto:

Mensagem:


NOVO SOM-ROMANTICAS

FUTEBOL 03

Placares oferecidos por futebol.com

FUTEBOL 04

Tabela futebol Brasileirão Serie A oferecida por Futebol.com

HOMENAGEM AO PROF. MARCIO DE MEDEIROS,FEITA PELOS SEMINARISTAS DO SETEF

HOMENAGEM AO PROF. MARCIO DE MEDEIROS,FEITA PELOS SEMINARISTAS DO SETEF-SEMINARIO TEOLÓGICO FILADÉLFIA-J. BOM PASTOR-BELFORD ROXO-RJ

CAIXA DE CURTI FANPAGE

CUMPRIMENTO AO VISITANTE

link me

Prof Marcio de Medeiros

Por favor coloque este codigo em seu site ou blog e divulgue o nosso blog

NOTÍCIAS RIO

REDECOL NOTICIAS




NOTICIAS

G1 NOTICIAS

G1 NOTICIAS

MENTE MILIONARIA

MENTE MILIONARIA-COMO SER BEM SUCEDIDO FINANCEIRAMENTE
CLIQUE E ASSISTA!!!!

PROP. DA PAGINA NO FACE04

BUSCA DE EMPREGOS

BATIDAO GOSPEL 10

FUNKS DIVERSOS 11

BATIDÃO GOSPEL12

FUNK GOSPEL 13

Batidao 09

BATIDAO 08

BATIDÃO 07

BATIDÃO GOSPEL 06

BATIDÃO GOSPEL 3

BATIDÃO GOSPEL 4

BATIDÃO GOSPEL 07

BATIDÃO GOSPEL

BATIDÃO GOSPEL 2

BATIDAO GOSPEL 05

PROPAGANDA DA PAG. DO FACE

SITE DE ENTRETENIMENTO

UTILITARIOS EM GERAL

CALENDARIO E JESUS

CALENDÁRIO E PAISAGEM

musicas do c.c e da harpa

PROPAGANDA DA PAG. DO FACE 03

BANNER DO SITE DE ENTRETENIMENTO

SITE DE ENTRETENIMENTO

MENSAGEM PARA VOÇÊ 2

SITE DE ENTRETENIMENTO

SITE DE ASSUNTOS BÍBLICOS

SITE DE CULTURA

DESENHO DA CRIAÇÃO E DE NOÉ

DESENHO SOBRE A CRIAÇÃO
CLIQUE NO VÍDEO PARA ASSISTÍ-LO
DESENHO SOBRE A CRIAÇÃO
CLIQUE NO VÍDEO PARA ASSISTÍ-LO
DESENHO SOBRE A ARCA DE NOÉ-CLIQUE E ASSISTA.

DESENHO SOBRE JOSUÉ

DESENHO SOBRE JOSUÉ-CLIQUE PARA ASSISTIR.

DESENHO SOBRE MOISÉS

DESENHO SOBRE MOISÉS-CLIQUE E ASSISTA.

DESENHO-O NASCIMENTO DE JESUS

O NASCIMENTO DE JESUS-CLIQUE PARA ASSSITIR

FILME-INFERNO EM CHAMAS

FILME O INFERNO EM CHAMAS

PROPAGANDA DA PAG. DO FACE 02

DA LINK SA PAG.DO FACE DO BLOG

AULA DE BIBLIOL.SETEF-07/05/13

AULA DE BIBLIOLOGIA-DATA:07/05/13- MINISTRADA DO SEMINARIO SETEF

Pag do facebook 02

domingo, 14 de outubro de 2012

64-O PAPADO

PAPADO: SUA ORIGEM, EVOLUÇÃO HISTÓRICA E SIGNIFICADO ATUAL

Alderi Souza de Matos

                Em 2005, boa parte do mundo acompanhou com vivo interesse os acontecimentos dramáticos ligados à morte de João Paulo II e à eleição do seu sucessor, Bento XVI. Qualquer que seja o entendimento que se tenha a respeito dos líderes supremos do catolicismo, o fato é que os papas são personagens muito importantes no mundo atual, ocupam enorme espaço na mídia e suas ações transcendem a área especificamente religiosa para produzir efeitos no âmbito político e social. Tais razões, entre outras, justificam o estudo dessa poderosa e influente instituição.


1. Considerações bíblicas


                Do ponto de vista protestante, o papado não é uma instituição de origem divina, mas resultou de um longo e complexo processo histórico. As Escrituras não apontam esse ofício como uma ordenança de Cristo à sua igreja. É verdade que o Senhor proferiu a Pedro as bem conhecidas palavras: "Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16.18). Todavia, isto está muito longe de declarar que Pedro seria o chefe universal da igreja (o primado de Pedro) e que a sua autoridade seria transmitida aos seus sucessores (sucessão apostólica). As primeiras gerações de cristãos não entenderam as palavras de Cristo dessa maneira. Tanto é que não se vê em todo o Novo Testamento qualquer noção de que Pedro tenha ocupado uma função formal de liderança na Igreja Primitiva. No chamado "Concílio de Jerusalém", narrado no capítulo 15 de Atos dos Apóstolos, isso não aconteceu, e o próprio Pedro não reivindica essa posição em suas duas epístolas. Antes, ele se apresenta como apóstolo de Jesus Cristo e como um presbítero entre outros (1 Pe 1.1; 5.1).


                Mais difícil ainda é estabelecer uma relação inequívoca entre Pedro e os bispos de Roma. Os historiadores não encontram uma base absolutamente segura para afirmar que Pedro sequer tenha estado em Roma, quanto mais para admitir que ele tenha sido o primeiro bispo daquela igreja. Ademais, é um fato bem estabelecido que não houve episcopado monárquico no primeiro século, no âmbito do cristianismo. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros (ver Atos 20.17 e 28; Tito 1.5 e 7).


2. Origens da instituição


                Ao mesmo tempo, não se pode deixar de reconhecer que ainda na Igreja Antiga os bispos de Roma alcançaram grande preeminência, que o papado em muitas ocasiões prestou serviços crucialmente relevantes à Igreja e à sociedade e que muitos papas foram homens de grande piedade, integridade moral, saber teológico e habilidade administrativa. Ao longo dos séculos, muitos dos principais eventos da história do cristianismo nas áreas da teologia, organização eclesiástica e relações entre a Igreja e a sociedade tiveram conexão com a instituição papal. Originalmente, a palavra grega papas ou a latina papa foi aplicada a altos oficiais eclesiásticos de todos os tipos, especialmente aos bispos. A partir de meados do quinto século passou a ser aplicada quase que exclusivamente aos bispos de Roma. Foram múltiplos e complexos os fatores que levaram ao reconhecimento de que esses bispos detinham autoridade suprema sobre a Igreja ocidental.


                Em primeiro lugar, há que se destacar a importância crescente da igreja local de Roma desde o primeiro século. O livro de Atos dos Apóstolos termina com a chegada de Paulo a Roma. O apóstolo aos gentios escreveu a principal de suas epístolas a essa igreja e no segundo século surgiu uma tradição insistente de que tanto Paulo como Pedro, os dois apóstolos mais destacados, haviam sido martirizados naquela cidade. Além disso, já numa época remota a igreja de Roma tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da antiga capital do Império Romano. Ao contrário da região oriental, em que várias igrejas (Alexandria, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla) competiam pela supremacia em virtude de sua antigüidade e conexões apostólicas, no Ocidente a igreja de Roma desde o início foi praticamente a líder inconteste. Outrossim, a partir de Constantino muitos imperadores romanos fizeram generosas concessões àquela igreja, buscaram o conselho dos seus bispos e promulgaram leis que ampliaram a autoridade dos mesmos.


                Outro elemento importante é que desde cedo a igreja romana e os seus líderes reivindicaram, direta ou indiretamente, certas prerrogativas especiais. No final do primeiro século (ano 96), o bispo Clemente enviou em nome da igreja de Roma uma carta à igreja de Corinto para aconselhá-la e exortá-la quanto a alguns problemas que a mesma estava enfrentando. Um século depois, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia na vida da Igreja. As consultas entre outros bispos e Roma também datam de uma época antiga, embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com o papa Sirício. Por volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-384) tentou oferecer uma definição formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.


3. Alguns papas notáveis


                Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas. No quinto século, destacou-se sobremaneira a figura de Leão I (440-461), considerado por muitos "o primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico na defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico sobre a pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva nas resoluções do Concílio de Calcedônia (451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal, articulando mais plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-496) expôs a célebre teoria das duas espadas: dentre os dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual - representado pelo papa - tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.


                O apogeu do papado antigo ocorreu no pontificado do notável Gregório I ou Gregório Magno (590-604), o primeiro monge a ocupar o trono papal. Sua lista de realizações é impressionante. Ele supervisionou as defesas romanas contra os ataques dos lombardos, realizou complicadas negociações com o imperador bizantino, saneou as finanças da Igreja e reorganizou os limites e responsabilidades das dioceses ocidentais. Ele foi também um dedicado estudioso das Escrituras: suas exposições bíblicas, especialmente um comentário do livro de Jó, foram muito lidas em toda a Idade Média. Seus escritos sobre os deveres dos bispos deram forte ênfase ao cuidado pastoral como uma atividade prioritária. Ele reformou a liturgia, regularizou as celebrações do calendário cristão e promoveu a música sacra ("canto gregoriano"). Finalmente, Gregório foi um grande promotor de missões, enviando missionários para vários centros estratégicos do norte e do oeste da Europa e expandindo a área de jurisdição do papado.


                Um momento especialmente significativo na evolução do papado ocorreu no Natal do ano 800, quando o papa Leão III coroou Carlos Magno como Sacro Imperador Romano. A esta altura, a complexa associação dos elementos citados (e outros mais) havia criado uma situação na qual o bispo romano era amplamente considerado o principal personagem eclesiástico do Ocidente, bem como o representante do cristianismo ocidental junto ao Oriente. Algumas décadas antes, o pai de Carlos Magno havia cedido à Igreja os amplos territórios do centro e norte da Itália que vieram a constituir os estados pontifícios. Isso fez dos papas governantes seculares como os demais soberanos europeus. Por vários séculos, os papas teriam um relacionamento estreito e muitas vezes altamente conflitivo com esses governantes. Mas a sua autoridade como líderes máximos da Igreja Ocidental não seria questionada.


4. Decadência e renovação


                O papado também teve seus períodos sombrios, marcados por imoralidade e corrupção. Um desses períodos ocorreu entre o final do século IX e o início do século XI, quando a instituição papal foi controlada por poderosas famílias italianas. A história revela que um terço dos papas dessa época morreu de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado até a morte por seu próprio séquito; Estêvão VI (885-891), estrangulado; Leão V (903-904), assassinado pelo sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928), asfixiado; e Estêvão VIII (928-931), horrivelmente mutilado, para não citar outros fatos deploráveis. Parte desse período é tradicionalmente conhecida pelos historiadores como "pornocracia", numa referência a certas práticas que predominavam na corte papal.



                A partir de meados do século XI, surgiram vários papas reformadores que procuraram moralizar a administração da Igreja, lutando contra vários males que a assolavam. O mais notável foi Hildebrando ou Gregório VII (1073-1085), que se notabilizou por sua luta contra a simonia, ou seja, o comércio de cargos eclesiásticos, e ficou célebre por sua confrontação com o imperador alemão Henrique IV. Ele escolheu como lema do seu pontificado o texto de Jeremias 48.10: "Maldito aquele que fizer a obra do Senhor relaxadamente". Todavia, o ápice do poder papal ocorreu no pontificado de Inocêncio III (1198-1216), considerado o papa mais poderoso de todos os tempos, aquele que, mais do que qualquer outro, concretizou o ideal da "cristandade", ou seja, uma sociedade plenamente integrada sob a autoridade dos reis e especialmente dos papas. Ele foi o primeiro a utilizar o título "Vigário de Cristo", ou seja, o papa era não somente o representante de Pedro, mas do próprio Senhor. Seus sucessores continuaram por algum tempo a fazer ousadas reivindicações de autoridade sobre toda a sociedade, sem, contudo, transformá-las em realidade como o fizera Inocêncio.


5. O fim do período medieval


                Novo período de declínio e desmoralização do papado ocorreu no século XIV e início do século XV. Primeiro, os papas residiram na cidade de Avinhão, ao sul da França, por mais de setenta anos (1305-1378), colocando-se sob a influência dos reis franceses. Esse período ficou conhecido como "o cativeiro babilônico da Igreja". Em seguida, por outros quarenta anos (1378-1417), houve dois e finalmente três papas simultâneos (em Roma, Avinhão e Pisa), no que ficou conhecido como "O Grande Cisma". Essa situação embaraçosa foi sanada por vários concílios reformadores, especialmente o de Constança, que reivindicaram autoridade igual ou mesmo superior à dos papas. Em reação, estes reafirmaram ainda mais enfaticamente a sua autoridade suprema sobre a Igreja.


                O final do século XV e início do século XVI testemunhou o pontificado dos chamados "Papas do Renascimento", os quais, ao contrário de muitos de seus predecessores ou sucessores, tiveram escassas preocupações espirituais e pastorais. Como o papa Alexandre VI (1492-1503), o espanhol Rodrigo Borja dedicou-se prioritariamente a promover as artes e a embelezar a cidade de Roma; Júlio II (1503-1513) foi um papa guerreiro, comandando pessoalmente o seu exército; e Leão X (1513-1521) teria dito ao ser eleito: "Agora que Deus nos deu o papado, vamos desfrutá-lo". Foi ele quem despertou a indignação do monge agostiniano Martinho Lutero ao autorizar uma venda especial de indulgências na Alemanha para concluir as obras da Catedral de São Pedro. O resultado dessa indignação é conhecido de todos.


6. Os papas da Contra-Reforma


                A Reforma Protestante do século XVI despertou a cúpula da Igreja Católica do estado de letargia espiritual e omissão pastoral em que se encontrava. A reação católica teve duas manifestações complementares. Por um lado, Roma empenhou-se em combater o novo movimento, detendo o seu crescimento e procurando suprimi-lo onde fosse possível, como aconteceu na Espanha e na Polônia. Esse esforço recebeu o nome de "Contra-Reforma". Por outro lado, a Igreja Romana, consciente das distorções espirituais e morais apontadas pelos reformadores, fez uma autocrítica rigorosa e um esforço sério no sentido de corrigir os seus erros, aperfeiçoar a sua estrutura e explicitar melhor a sua fé. Esse aspecto é denominado pelos historiadores de "Reforma Católica". Nos dois esforços, os papas tiveram uma atuação destacada.


                Até o início da década de 1530, o trono pontifício continuou a ser ocupado por homens excessivamente envolvidos em questões seculares e políticas. Essa situação mudou quando Alessandro Farnese tornou-se o papa Paulo III (1534-1549). Farnese nomeou uma comissão de cardeais que avaliou a situação da Igreja e propôs medidas saneadoras, entre elas que o papado se concentrasse nas suas tarefas espirituais e deixasse em segundo plano a preocupação com o poder, a opulência e a dignidade terrena. Outras duas grandes realizações de Paulo III foram a aprovação formal da nova ordem dos jesuítas ou Companhia de Jesus (1540) e a convocação do Concílio de Trento (1545-1563).


                Esse famoso Concílio afastou definitivamente qualquer possibilidade de conciliação com os protestantes. Desde então, o catolicismo conservador e militante tem sido designado como "tridentino" (de Trento). Entre as suas muitas e importantes resoluções, o concílio reafirmou o papel dominante dos papas na vida da Igreja. Outros destacados pontífices da era de Trento foram Giovanni Pietro Caraffa (Paulo IV, 1555-1559) e Giovanni Angelo Medici (Pio IV, 1559-1565). Este último tem seu nome ligado a uma importante declaração de fé católica, o Credo de Pio IV ou Profissão de Fé Tridentina, que deve ser afirmada por todos os convertidos ao catolicismo. Esses papas reformadores contribuíram decisivamente para tornar a Igreja Católica uma instituição mais coesa, organizada e disciplinada, bem como dotada de uma clara identidade doutrinária. Um fato revelador é que por mais de trezentos anos nenhum outro grande concílio seria convocado até o Vaticano I.


7. Tensões entre Igreja e Estado


                Nos séculos XVII e XVIII, as antigas ligações entre a Igreja Católica e as autoridades seculares continuaram a criar problemas para os papas. O Concílio de Trento contribuiu para a centralização do poder no papado e isso não foi bem recebido em muitas partes da Europa devido ao crescente nacionalismo e ao absolutismo real. A oposição ao conceito de uma Igreja centralizada sob a autoridade papal recebeu o nome de "galicanismo", por haver se manifestado mais fortemente na França, a antiga Gália. Assim, somente em 1615 os decretos de Trento foram promulgados nesse país. Até mesmo dentro da Igreja houve galicanos, isto é, aqueles que acreditavam que a autoridade eclesiástica residia nos bispos, e não no papa. Por outro lado, os defensores da autoridade suprema dos papas foram chamados de "ultramontanistas", porque buscavam essa autoridade "além das montanhas" (os Alpes). Outro golpe recebido pelo poder papal foi a supressão da ordem dos jesuítas, um poderoso instrumento das políticas pontifícias. Após ser expulsa de Portugal, Espanha e França, bem como de suas colônias latino-americanas, a Sociedade de Jesus foi dissolvida em 1773 pelo papa Clemente XIV. Assim, ironicamente, enquanto os papas insistiam na sua jurisdição universal, eles estavam de fato perdendo poder e autoridade.


                Um golpe ainda mais devastador contra o papado foi desferido pela Revolução Francesa (1789). Desde o início houve um profundo conflito entre a Igreja e o ideário republicano da Revolução. Desse modo, logo que tomou o poder, o novo governo procurou enfraquecer o papado e suprimir a Igreja na França. Dois papas da época sofreram bastante nas mãos do novo regime. O primeiro foi Giovanni Angelo Braschi ou Pio VI (1775-1799). Em 1798, o exército francês ocupou Roma, proclamou uma república e declarou que o papa não mais era o governante temporal da cidade. Pio VI morreu no ano seguinte, virtualmente como prisioneiro dos franceses. Seu sucessor, Barnaba Chiaramonte, eleito papa Pio VII (1800-1823), inicialmente foi deixado em paz. Todavia, em 1808 Napoleão tomou a cidade de Roma e o papa foi feito prisioneiro por vários anos, até a queda do soberano francês em 1814. Pouco depois de retornar a Roma, Pio VII restaurou a Sociedade de Jesus.


8. O mais longo pontificado


                A memória da Revolução Francesa reforçou o conservadorismo político e teológico dos papas e sua conseqüente oposição às idéias republicanas e democráticas que viriam a ser cada vez mais amplamente aceitas no mundo ocidental. Essa atitude alcançou a sua expressão máxima no cardeal Giovanni Maria Mastai-Ferretti, que, como papa Pio IX, teve o mais longo pontificado da história (1846-1878). Pio IX enfrentou um novo problema que foi o nacionalismo italiano e a luta pela unificação da Itália, até então subdividida em muitos principados, entre os quais estavam os antigos estados pontifícios. Um desses líderes nacionalistas foi Giuseppe Garibaldi, que se casou com a brasileira Anita Garibaldi. Em 1870, as tropas do novo Reino da Itália tomaram os estados papais e assim chegou ao fim o poder temporal dos papas, que havia atingido o seu auge no pontificado de Inocêncio III, no século XIII.


                Ao mesmo tempo em que perdia o seu poder político, Pio IX acentuou fortemente as suas prerrogativas na área religiosa. Sua ousadia tornou-se patente quando, através da bula Ineffabilis, proclamou o dogma da imaculada concepção de Maria (1854). Com isso, ele foi o primeiro pontífice a definir um dogma por si mesmo, sem o apoio de um concílio. Dez anos depois, Pio promulgou a encíclica Quanta cura (1864) e seu famoso apêndice, o Sílabo de Erros. Suas oitenta proposições condenaram explicitamente, entre outras coisas, o protestantismo, a maçonaria, a liberdade de consciência, a liberdade de culto, a separação entre a Igreja e o Estado, a educação leiga e, em geral, o progresso e a civilização moderna. Sua última grande realização foi o Concílio Vaticano I (1870), o qual, através do decreto Pastor aeternus, proclamou o controvertido dogma da infalibilidade papal. Essa infalibilidade ocorreria quando o papa fala "ex cathedra", isto é, no exercício oficial do seu cargo, definindo questões de fé e moral. Não por coincidência, isso ocorreu no mesmo ano em que a Itália anexou os estados pontifícios.


9. Entrando no século XX


                A Igreja Católica e seus pontífices começaram lentamente a aceitar o mundo moderno com o papa Leão XIII (1878-1903). Embora ainda marcadamente conservador, a ponto de declarar na bula Immortale Dei que a democracia era incompatível com a autoridade da Igreja, ele deu uma série de passos construtivos no relacionamento com diversos governos europeus. Sua realização mais notável foi a encíclica Rerum novarum (1891), na qual expressou o pensamento social da Igreja e fez uma corajosa defesa dos direitos dos trabalhadores no contexto da revolução industrial e do capitalismo em expansão.


                Um período especialmente conturbado para a Igreja Católica e para os seus líderes foi a época das duas guerras mundiais. Em sua repulsa do comunismo anti-religioso e ateu, e em sua preocupação com a defesa dos interesses da Igreja, os pontífices do período acabaram estabelecendo fortes laços com regimes de extrema direita em diversos países da Europa. Em 1929, Pio XI (1922-1939) assinou uma concordata com o ditador fascista Benito Mussolini, o Tratado de Latrão, mediante a qual foi criado o Estado do Vaticano. Ele também apoiou o regime ditatorial de Francisco Franco na Espanha. Mais problemática foi a concordata com Adolf Hitler em 1933, vista por muitos observadores internacionais como uma aprovação tácita do regime nazista. Todavia, em 1937, Pio XI publicou a encíclica Mit brennender Sorge ("Com viva ansiedade"), contendo severas críticas ao nacional-socialismo.


                Seu secretário de estado, o cardeal Eugenio Pacelli, sucedeu-o no trono pontifício como papa Pio XII (1939-1958), ao mesmo tempo em que eclodia a II Guerra Mundial. Esse papa tem sido severamente criticado por seu silêncio diante das atrocidades cometidas pelos nazistas contra os judeus, mesmo convertidos ao catolicismo. No campo doutrinário, ele proclamou o dogma da ascensão corporal de Maria (1950). Paradoxalmente, esse pontífice conservador tomou iniciativas que contribuíram para as grandes mudanças que viriam a acontecer na Igreja após a sua morte. Ele incentivou o uso dos novos métodos de estudo bíblico através da encíclica Divino afflante Spiritu (1943), bem como valorizou e estimulou as igrejas localizadas fora da Europa.


10. O período pós-Vaticano II


                Um dos períodos mais extraordinários da história da Igreja e do papado teve início com a eleição do idoso cardeal Angelo Giuseppe Roncalli como papa João XXIII (1958-1963). Convencido da necessidade de uma ampla atualização (aggiornamento) da Igreja, ele convocou o Concílio Vaticano II, formalmente instalado no dia 11 de outubro de 1962. Esse importante Concílio, que teve expressiva participação de bispos do terceiro mundo, aprovou resoluções sem precedentes nas áreas de renovação litúrgica, preocupação com os pobres e diálogo interconfessional. As duas últimas preocupações já haviam sido expressas respectivamente na encíclica Mater et Magistra e na criação do Secretariado para a Promoção da Unidade Cristã. O papa seguinte, Giovanni Battista Montini (Paulo VI, 1963-1978), embora mais contido, deu prosseguimento ao Concílio Vaticano II, no interesse de "construir uma ponte entre a Igreja e o mundo moderno". A "Constituição Pastoral sobre a Igreja no Mundo Moderno" foi o documento mais longo já produzido por um concílio e contrastou profundamente com certas ênfases do século anterior. Paulo VI também publicou a controvertida encíclica Humanae vitae (1968), que proibiu aos católicos o uso dos métodos de controle artificial da natalidade.


                A eleição do último papa do século 20, em 1978, foi um acontecimento não menos momentoso para a Igreja Católica e para o mundo ocidental. O polonês João Paulo II (Karol Jozef Wojtyla) foi o primeiro papa não-italiano desde o século XVI. Sua atuação corajosa contribuiu para a derrocada do comunismo em sua pátria e no leste europeu. Em 1981, ele sobreviveu a um grave atentado na Praça de São Pedro. Foi também o papa que mais se deslocou pelo mundo afora, tendo feito cerca de uma centena de viagens internacionais. Dotado de sólido preparo intelectual, publicou diversas encíclicas abordando temas éticos, sociais e teológicos, tais como Redemptor hominis (1979), Dives in misericordia (1980), Laborem exercens (1981), Sollicitudo rei socialis (1988), Veritatis splendor (1993), Evangelium vitae (1995), Ut unum sint (1995) e Fides et ratio (1998). Por outro lado, representou um recuo conservador em relação aos seus predecessores, como ficou evidenciado na sua atitude em relação à teologia da libertação, nas suas interferências diretas em muitas organizações da Igreja e, em geral, no seu entendimento exaltado da autoridade papal.


Conclusão


                A instituição pontifícia teve recentemente um momento de grande publicidade com a morte de João Paulo II e a eleição do seu sucessor, Bento XVI, o influente cardeal alemão Joseph Ratzinger. A impressionante cobertura da imprensa e as reações dos líderes políticos e da opinião pública internacional atestam a força do catolicismo e dos seus pontífices. No seu conjunto, o papado tem sido uma instituição predominantemente benéfica para a Igreja Católica, dando-lhe um notável senso de unidade, propósito e identidade. Muitos pronunciamentos papais sobre temas sociais e éticos têm sido altamente relevantes em um mundo secularizado e materialista. Suas fraquezas históricas têm sido o envolvimento político e um estilo de liderança nem sempre condizente com as normas dadas por Cristo aos pastores do seu rebanho. Finalmente, é de se lamentar que justamente essa instituição seja o maior obstáculo para uma maior aproximação entre os cristãos, visto que a autoridade pontifícia é rejeitada não somente pelos protestantes, mas pela Igreja oriental, que tem raízes tão antigas e apostólicas quanto à Igreja latina.

Perguntas para reflexão:
1.            Quem deve exercer a liderança na Igreja Cristã e como essa liderança deve ser exercida?
2.            À luz do Novo Testamento, é possível dizer que Cristo instituiu o papado?
3.            Historicamente, quais têm sido os aspectos positivos e negativos do papado?
4.            Que comparação se pode fazer entre o catolicismo, com sua unidade institucional e liderança centralizada, e o protestantismo, com sua multiplicidade?
5.            O modelo da Igreja Ortodoxa Grega, com seus vários patriarcas em pé de igualdade, seria uma alternativa melhor? Por quê?
Sugestões bibliográficas:
·         CONGAR, Yves. Igreja e papado: perspectivas históricas. São Paulo: Loyola, 1997.
·         DUFFY, Eamon. Santos e pecadores: história dos papas. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
·         GREELEY, Andrew M. Como se faz um papa: a história da eleição de João Paulo II. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980.
·         MCBRIEN, Richard P. Os papas: os pontífices: de São Pedro a João Paulo II. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
·         SOUZA, José Antonio de C. R. de; BARBOSA, João Morais. O reino de Deus e o reino dos homens: as relações entre os poderes espiritual e temporal na baixa Idade Média, da reforma gregoriana a João Quidort. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1997.
·         STURZ, R. J. Papado. Em ELWELL, Walter A. (Ed.). Enciclopédia histórico-teológica da igreja cristã. São Paulo: Vida Nova, 1988-1990. Vol. III, p. 91-95.
·          
A HISTÓRIA DO PAPADO. 
SUA ORIGEM
O Sistema Católico Romano começou a tomar forma quando o Imperador Constantino, convertido ao Cristianismo presidiu o l.o Concílio das Igrejas no ano 313. No Século IV construíram a primeira basílica em Roma.
As Igrejas eram livres, mas começaram a perder autonomia com Inocêncio I, ano 402 que, dizendo-se "Governante das Igrejas de Deus exigia que todas as controvérsias fossem levadas a ele."Leão I, ano 440, aumentou sua autoridade; alguns historiadores viram nele o primeiro papa. Naqueles tempos ninguém supunha que "S. Pedro foi papa", fora casado e não teve ambições temporais.
O poder dos pretensos papas cresceu ainda mais quando o Imperador Romano Valentiniano III, ano 445, bajulado, reconheceu oficialmente a pretensão do papa de exercer autoridade sobre as Igrejas. O papado surgiu das rumas do Império Romano desintegrado no ano 476, herdando dele o autoritarismo e o latim como língua, embora o primeiro papa, oficialmente falando, foi Gregório no ano 600 d.C.
A palavra "papa" significa pae, até o ano 500 todos os bispos ocidentais foram chamados assim: aos poucos, restringiram esse tratamento aos bispos de Roma, que valorizados, entenderam que a Capital do império desfeito deveria ser Sede da Igreja.
Nicolau l, ano 858, foi o primeiro papa a usar Coroa. Usou um "Documento Conciliar falso (espúrio) dos Séculos 2.o e 3.o que exaltava o poder do papa e impôs autoridade plena r Assim, o "Papado que era recente, tomou-se coisa antiga." Quando a farsa foi descoberta Nicolau já não existia!
O Vaticano projetou-se quando recebeu de Pepino, o Breve, ano 756, vastos territórios; essa doação foi confirmada pôr Carlos Magno, ano 774, quando ocupava o trono papal Adriano I. (Taglialatela, II pág. 44).
Carlos Magno elevou o papado a posição de poder mundial, surgindo o "Santo Império Romano" que durou 1.100 anos. Mais tarde, Carlos Magno arrependeu-se pôr doar terras aos papas. No seu leito de morte sofreu "horríveis pesadelos". Agonizando, lastimava-se assim: "Como me justificarei diante de Deus pelas guerras que irão devastar a Itália, pois os papas serão ambiciosos, eis porque se me apresentam imagens horríveis e monstruosas que me apavoram devo merecer de Deus um severo castigo" (Piliati, Tomo I, ano 1776, Edson Thompson, Londres).
O Vaticano derramou muito sangue, até ser invadido pôr Napoleão Bonaparte, em 1806. O papa foi preso e perdeu suas terras; tentou reagir mais tarde, mas Vítor Emanuelli, ano 1870. derrotou novamente as "tropas do papa" tomando-se o primeiro Rei da Itália.
Assim caiu o "Santo Império Romano"! O Papa vencido advertia: "Não somos simples mortais" Ocupamos na terra o lugar de Deus, estamos acima dos anjos e somos superiores a Maria, mãe de Deus, porque ela deu a luz a um Cristo somente, mas nós, podemos fazer quantos Cristos Referia-se a transubstanciação. (Gazzeta da Alemanha n.o 21 ano 1870).
Até 1929, os papas ficaram confinados no Vaticano quando Mussoline e Pio XI legalizaram com o tratado de Latrão esse pequeno Estado religioso que atualmente é "controlado pela Cúria Romana, mas governado pôr 18 velhos Cordiais, que controlam a carreira dos bispos e monsenhores, o papa fica fora dessa pirâmide". (Est. S. Paulo 28-3-82).
No Brasil a liderança Católica está nas mãos de 240 bispos mais conhecidos pelas suas posições políticas do que pela religiosidade. Estão divididos entre Conservadores, Progressistas e não Alinhados. (Dom Luciano Cabral. Rev. Veja 30-1-80).

A ÚLTIMA NOITE DO PAPA SORRISO
Quantos papas, no curso da história, terão morrido envenenados? A pergunta é formulada por John Cornwell, em seu livro Um Ladrão na Noite, que a Viking lançou recentemente, na Inglaterra(1989), e cujo tema é a morte, até hoje não convenientemente esclarecida, do Papa João Paulo I. E o autor cita um número muito maior de pontífices assassinados do que se poderia esperar.
João VIII, o primeiro papa a ser morto, foi envenenado em 882 por membros de sua própria corte. A poção demorou tanto a agir, que ele foi eliminado a pancada. Aproximada­mente dez anos mais tarde, o corpo do Papa Formoso, envenenado por uma facção dissidente do seu séqüito, foi exumado pelo seu sucessor, Estevão VII, solenemente excomungado, mutilado, arrastado pelas ruas de Roma e lançado às águas do Tíbre.
No século dez, João X foi envenenado no cárcere por Marozia, filha de sua amante e mãe de João XI. Ainda no mesmo século, foram envenenados Benedito VI e João XIV.
O novo milênio não se mostrou mais benévolo para os santos padres: o primeiro a ser envenenado foi Silvestre II, conhecido como O Mago, por suas alegadas transações com o diabo, e, poucas décadas depois, Clemente II e seu sucessor Dâmaso II - embora não se exclua a hipótese de este último ter sucumbido à malária. No apagar das luzes do século 13, Celestino V foi envenenado pelo seu sucessor, Bonifácio VIII. Nos primeiros anos do século 14, Benedito XI teria morrido por ter ingerido vidro moído misturado com figos. Cerca de 150 anos se passaram, até a morte de Paulo II, depois de comer "dois grandes melões". Embora a causa da morte possa ter sido o pecado mortal da gula, suspeitou-se de veneno. E em 1503, Alexandre VI, o famigerado papa da família Borgia, morreu provavelmente envenenado de uma poção destinada à outra pessoa. A maneira de sua morte sugere arsênico: sua carne enegreceu; em torno de sua língua, monstruosamente aumentada, formou-se espuma, e seu corpo ficou inchado de gases, tão intumescido que os encarregados do seu sepultamento foram obrigados a pular em cima do seu estômago para que a tampa do caixão pudesse ser fechada.
Nem todas as tramas tiveram êxito. Cerca de dez anos após a morte de Alexandre VI, o colégio elegeu Leão X, que o autor descreve como "um homem tão ávido por dinheiro, que leiloava chapéus cardinalícios". Cinco cardeais contrataram um cirurgião florentino para assassiná-lo pela introdução de veneno no ânus, ostensivamente para tratar das hemorróidas papais, mas a conspiração foi descoberta.
Teriam cessado os assassinatos pontifícios com o advento dos tempos modernos? Comwell não responde à pergunta, mas, segundo o que ele descreve como "um livrinho infame intitulado Os Documentos do Vaticano", de um certo Nino Lo Bello, um assassinato dessa natureza havia ocorrido em 1939. No princípio de fevereiro daquele ano, Pio XI, de 82 anos, planejava um discurso especial contra o fascismo e o anti-semitismo e denunciaria a concordata firmada com Mussolini. II Duce tinha, pois, motivo forte para dar cabo do idoso papa. Conta-se que 24 horas antes de Pio ler o seu discurso para uma reunião especial de bispos, recebeu uma injeção de um Dr. Francesco Petacci. Além de suas funções médicas dentro do Vaticano, Petacci era o pai de Clara Petaccí, amante de Mussolini. Os defensores da teoria da conspiração acreditam que Petacci tenha injetado veneno no papa, pois ele morreu na manhã seguinte, antes de poder ler o seu discurso, cujo texto nunca foi encontrado".
E agora surge o caso de Albino Luciani, eleito no dia 26 de agosto de 1978, no quarto escrutínio, numa das eleições mais rápidas da história do Vaticano, e morto no dia 28 de setembro do mesmo ano, um dos reinados mais curtos da história do papado. Mas não o mais curto de todos. Este triste privilégio coube a Urbano VII, que, em 1590, ocupou o trono de São Pedro durante 13 dias, morrendo de morte natural, assim como Celestino III, que, em 1045, foi papa por 22 dias e Marcelo II, que reinou 23 dias, em 1555. O único que teve morte violenta foi o já citado Dâmaso II, cujo papado, em 1048, durou 24 dias.
No prefácio de Um Ladrão na Noite, John Cornwell escreve: "Esta é a história de uma investigação das circunstâncias da morte súbita do Papa João Paulo I(...) e as alegações de que teria sido assassinado por altos prelados da Igreja Católica Romana".O Vaticano esperava que o autor obtivesse provas conclusivas da falsidade dessas teorias. Cornwell se confessa um católico relapso. Passou sete anos estudando em seminários ingleses, mas deixou a Igreja em conseqüência de uma decisão cons­ciente de rejeitar tanto a vocação como a fé em Deus. Não obstante, dedicou-se a um projeto de investigação de fenômenos "sobrenaturais", como a história de Padre Pio, o Estigmático; as mais recentes provas a respeito do Santo Sudário de Turím, e as aparições de Maria às crianças de Medjugorje, na Iugoslávia. Foram essas últimas que levaram o escritor a Roma, em outubro de 1987. e ali foi súbita e surpreendentemente estimulado pelo Vaticano a considerar um projeto inteiramente diferente: a verdadeira história da morte de João Paulo I.
O primeiro encontro de Cornwell foi com o Arcebispo John Foley, presidente da Comissão de Comunicação Social, "um homem grande e calvo (...) o rosto inocente e redondo como uma bolacha". Depois de uma troca de amenidades, Foley surpreendeu o autor, dizendo: "Há quem diga que o Papa João Paulo 1 foi envenenado por um de nós, aqui, no Vaticano. Um de nós esta sendo apontado como ~ suspeito principal. E pena que alguém como você não escreve a verdade sobre o que real­mente aconteceu (...) Estou certo de que seria mais interessante do que toda essa ficção sensacionalista.'
Desnecessário dizer que john Cornwell aceitou a missão e acabou produzindo Um Ladrão na Noite, um trabalho minucioso e, supõe-se fiel a verdade, o que lhe falta em emoção e drama sobra lhe em precisão e inteireza. É, na verdade, mais um relatório do que uma obra de leitura e como relatório deve ser lido.
Cabe, aqui, uma Biografia de Albino Lucíani. Nasceu em I7 de Outubro de 1912. Filho de um operário francamente socialista.
Freqüentou o seminário locais e foi ordenado em 1935, sendo nomeado vigário - geral de Belluno, sua terra ttata!, Em 1948. Em 1958 foi designado bispo de Vittoria Vencto. A partir de 1969, quando já era Patriarca de Roma, passou a adotar um ponto vista mais de direita. Sua eleição como papa causou quase tanta estupefação com a sua morte 33 dias depois. Como podia o "candidato de Deus" escolhido com tal entusiasmo por cardeais orientados pelo "Espírito Santo" já estar morto?
Como causa mortis, infarto do miocárdio. O papa que tinha 66 anos incompletos e goza de boa saúde. Não morrera dormindo, dizia o comunicado, mas sentado na cama lendo, com os ósculos sobre o nariz.
Na quinzena que se seguiu a morte do papa choveram declarações porta-vozes do Vaticano, de membros da papal, e de importantes testemunhas, oficiais ou não. Nessas declarações, Cornwell detectou dez contradições que persistem até hoje e que envolvem um grave desacordo a respeito dos seguintes pontos:
Quem encontrou o corpo?
onde o corpo foi encontrado?
A causa oficial da morte.
A estimativa da hora da morte.
A hora e a legalidade do embalsama­mento.
O que o papa tinha nas mãos no momento da morte.
O verdadeiro estado de sua saúde nos meses anteriores à sua morte.
O paradeiro dos objetos pessoais do papa que estavam na alcova papal.
Se a Cúria havia ou não ordenado e realizado uma autópsia secreta.
10º Se os embalsamadores haviam ou não sido chamados antes de o corpo ser oficial­mente encontrado.
Os boatos de que João Paulo I teria sido assassinado começaram a circular no dia mesmo de sua morte. Uma das primeiras sus­peitas foi levantada por uma organização ligada ao ultratradicionalista Arcebispo Lefebvre: o papa fora assassinado por "liberais" da igreja católica, porque planejava abolir as modificações introduzidas pelo Concilio Vaticano. Algumas das discrepâncias acima citadas não haviam escapado à atenção do grupo.
A Rádio Vaticano anunciou no dia 29 de setembro que ao morrer, o papa lia A Imitação de Cristo, popular obra de devoção dos católicos. Outras fontes disseram que se tratava de sermões e discursos ou, alternativa­mente de um discurso que iria proferir ante uma assembléia de jesuítas.
A agência noticiosa italiana ANSA por sua vez, afirmou que o corpo não fora encontrado pelo secretário papal. Padre John Magee, mas por uma irmã. Vincenza, que trazia o desjejum do pontífice, e que seus restos mortais foram descobertos. não às 5h3Omin, mas às 4h3Omin. Que teria acontecido nessa hora crucial?
Mas o despacho mais estranho, também divulgado pela ANSA dizia que os embalsama­dores, os irmãos Ernesto e Renato Signoracci, foram apanhados em suas casas por um carro do Vaticano às cinco horas da manhã e levados diretamente à morgue da pequena cidade-estado, onde começaram o seu trabalho. Em outras palavras, os irmãos haviam sido chama­dos antes da descoberta oficial do corpo. O Vaticano nunca se pronunciou a respeito.
A teoria da conspiração dos tradicionalistas continuava a vir à tona, até atingir um bizarro auge em 1983, no livro de Jean-Jacques Thierry, A Verdadeira Morte de João Paulo I segundo o qual o secretário de Estado, Cardeal Jean Villot, teria colocado um sósia no lugar de Paulo VI e de ter planejado o assassinato de João Paulo 1, depois de o infeliz papa ter descoberto um ninho de maçons no Vaticano.
No mesmo ano foi publicado Pontífice, de Max Morgan-Witts e Gordon Thomas, que também defendia a teoria do assassinato, sugerindo que se tratava de um boato circulado pela KGB para desacreditar o Vaticano.
Também em 1983 surgiu um roman-à-clef, intitulado A Batina Vermelha, do francês Ro­ger Peyrefitte, que combinava uma trama da KGB com uma conspiração da Máfia, os maçons e o Banco do Vaticano. Usando para os seus personagens pseudônimos mal disfarça­dos (o Arcebispo Paul Marcinkus, por exemplo, chama-se Larvenkus), Peyrefitte sugere uma reviravolta na motivação: o papa não era um reacionário morto por liberais. Ao contrário: era um reformador liberal decidido a acabar com a corrupção. O pano de fundo da intriga era baseado em fatos bem conhecidos. O Banco do Vaticano tinha de fato fortes elos com Roberto Calvi, o ambicioso presidente do Banco Ambrosiano de Milão. Calvi, por sua vez, estava ligado a Michele Sindona, um ad­vogado e financista siciliano, que estivera preso nos Estados Unidos e na Itália por estelionato. Ambos eram amigos do presidente do Banco do Vaticano, o notório Arcebispo Paul Marcinkus, e estavam associados a Licio GeIli, um financista italiano que controlava a loja pseudomaçônica P-2.
No dia 17 de junho de 1982, após o colapso do Banco Ambrosiano, Calvi foi encontrado enforcado debaixo de uma ponte em Londres. Até hoje não se sabe se foi suicídio ou assassinato, e, em 1986, Sindona morria envenenado numa prisão italiana. Em fins de 1987, Gellífora extraditado da Suíça para Itália, onde era procurado pela Justiça.
No romance de Peyrefitte, Marcinkus e Vil­lot assassinam o papa com veneno injetado. Ao crime estão associados Calvi, Sindona e Gelli. O motivo imediato dos prelados era evitar a sua demissão. No caso de Marcinkus, sua exoneração teria posto a descoberto o envolvi­mento maior do Banco do Vaticano em extensas negociatas com a Máfia e os maçons.
Em 1984, o assunto ressurgiu num livro de David Yallop, Em Nome de Deus, com a volta de todos os personagens centrais. Assim como os autores que o precederam, Yallop, na opinião de Cornwell, é forte em motivação e mistérios circunstanciais e fraco em provas conclusivas que ligassem os prelados ao assassinato. E os teóricos da conspiração, fictícios ou reais, o que poderiam atribuir a esses homens de Deus para trair a sua vocação e correr o risco da excomunhão e danação eterna, sem falar nos castigos no mundo dos vivos? Na verdade, o único com um passado não imaculado era Marcinkus, que, segundo revela Cornwell, es­teve envolvido em escândalos financeiros já em 1972, quando foi investigado pelo FBI por envolvimento na falsificação de bônus no valor de um bilhão de dólares. Sua amizade com Síndona e Calvi era conhecida. Os quatros autores são unânimes em afirmar que o novo papa estava de olho nele e a ponto de expô-lo. As repercussões no mundo financeiro e as implicações para as finanças do Vaticano teriam sido incalculáveis. Até onde iria Marcinkus para evitar o desastre?
Foi enfrentando esse labirinto de contradições que John Cornwell iniciou a sua investigação. Avistou-se com Deus (no sentido figura­do, é claro) e todo mundo. Entrevistou o próprio Marcinkus, que, entre outras coisas, afirmou jamais se ter envolvido nas finanças do Vaticano. Esteve com Don Diego Lorenzo, o secretário italiano do papa morto. Compareceu a uma missa rezada por João Paulo II e dele ouviu palavras de encorajamento: "Quero que você saiba que tem o meu apoio e a minha bênção neste seu trabalho."

Em janeiro, Cornwell procurou David YalLlop. que entrevistara a irmã Vincenza e os irmãos Signoracci. A primeira havia morrido em junho de 1983 e os embalsamadores se mostraram tão confusos em seu depoimento a YaIlop, e mais tarde a Cornwell, que a hipótese de uma esclerose avançada não podia ser afastada.
Antes de voltar a Roma, Cornwell se avistou com um cardiologista Americano que passava as férias em Londres. O médico foi taxativo:
"Os cadáveres não ficam sentados, sorridentes e lendo".
De regresso ao Vaticano, o autor voltou a se encontrar com o Bispo John Magee, que lhe narrou um episódio ocorrido um dia antes da morte de João Paulo I. O papa acusou dores e mandou chamar a irmã Vincenza, recusando-se a ver um médico. Sentindo-se melhor, jantou bem, e Magee perguntou: "Santo Padre, já escolheu a pessoa que vai promover o retiro da próxima Quaresma?" Respondeu afirmativamente e acrescentou logo: "O tipo de retiro de que gostaria neste momento seria uma boa morte".A morte, segundo Magee era um dos assuntos constantes de suas conversas. Seu papado seria de curta duração e ele seria substituído "pelo estrangeiro". E citou uma prece:
Senhor, concede-me a graça de aceitar a morte que me abaterá. No dia seguinte, Deus atendeu o pedido daquele homem modesto e bondoso, cujo mais constante pedido, formulado milhares de vezes durante o seu curto reinado, era: "Senhor, por favor, leva-me".A magnitude de sua missão o assustava.
Num dos últimos parágrafos de Um Ladrão na Noite, John Cornwell diz, mas não assegura:
"João Paulo, quase com certeza, morreu de embolia pulmonar, devido a uma condição de coagulabilidade anormal do sangue. Necessitava de descanso e medicação monitorada. Se estes tivessem sido receitados, ele quase sem dúvida teria sobrevivido. As advertências de uma doença mortal estavam claras, à vista de todos. Pouco ou nada foi feito para socorrê-lo ou salvá-lo."
Como sempre, as doenças, vistas em retrospecto, são bem mais fáceis de diagnosticar e de curar.
(Extraído da Revista "Manchete" ano de 1989, Número 1942, Ano 38, p.30-34; Pedimos desculpas caso haja alguma falha, pois esta matéria foi scaneada de uma revista muito velha. O proprietário nos informou que a Revista Manchete queria pagar-lhe uma nota para que fosse recolhida do mercado. Se isso é verdade não podemos afirmar, mas a matéria é contundente).

SUCESSÃO APOSTÓLICA
por Paulo Cristiano da Silva
Todos conhecem o vocábulo "Papa" e designam-no ao supremo chefe da Igreja Católica Apostólica Romana. Este termo vem do grego e significa "Pai". Já em latim ele é formado pela junção da primeira sílaba das duas palavras latinas: "Pater Patrum", que quer dizer "Pai dos Pais". Mas o significado que os católicos mais gostam é: "Petri Apostoli Potestatem Accipiens", isto é, "aquele que recebe autoridade do apóstolo Pedro". Segundo a doutrina católica, o papa é o sucessor de São Pedro no governo da Igreja Universal e o Vigário de Cristo na terra. Tem autoridade sobre todos os fiéis e sobre toda a hierarquia eclesiástica. Além da autoridade espiritual exerce uma territorial (interrompida de 1870 a 1929), que, a partir de 1929, é limitada ao Estado da cidade do Vaticano. É infalível quando fala "ex-cathedra" em assuntos de fé e moral. Alguns títulos que o papa ostenta dão uma amostra deste desvario descomunal, são eles: Bispo de Roma, Primaz da Itália, Patriarca do Ocidente, Vigário de Jesus Cristo, Servo dos Servos de Deus, Sumo-Pontífice da Igreja Universal, Sucessor do Príncipe dos Apóstolos, Soberano do Estado da Cidade do Vaticano, Arcebispo e Metropolita da Província Romana e Santo Padre.
O papado teve durante a história de sua existência seus altos e baixos. Recentemente, o atual papa teve de pedir desculpas aos judeus pelo seu antecessor o papa Pio XII e se vê em palpos de aranha com a questão do celibato. Apesar de toda esta imponência de chefe de Estado, líder espiritual da maior parcela de cristãos do mundo (1 bilhão) e administrador de um império financeiro que a cada ano acumula bilhões de dólares; algumas perguntas entretanto precisam ser feitas, tais como: existem provas bíblicas e históricas que indiquem ser o papa o sucessor do apóstolo Pedro? E Pedro, foi o primeiro papa e gozou de supremacia sobre os demais apóstolos? Teria Pedro fundado a igreja de Roma e tornado ela a sede de seu trono episcopal? O escopo de nossa matéria é apresentar respostas adequadas a perguntas cruciais como estas, haja vista, a internet estar cheia de sites de cunho apologético católico com o fito de refutar as verdades claras das escrituras sagradas apresentadas pelos evangélicos.
"TU ES PETRUS ET SUPER HANC PETRAM AEDIFICABO ECCLESIAM MEAM !"
Esta perícope de Mateus 16:18 é tão especial para a cúria romana, que mandaram grava-la em enormes letras douradas na cúpula da Basílica de São Pedro em Roma. Destarte ela é a fonte primacial de toda a dogmática católica. O "Tu es Petrus", carrega atrás de si um séqüito de outras heresias erigidas em cima dos sofismas, dos textos deslocados de seus respectivos contextos, interpretados de modo arbitrário pelos teólogos e doutores papistas. É ele o genitor da infalibilidade papal, do poder temporal, e das demais aberrações teológicas, ilogismos e invencionices dessa igreja. Portanto, desmontar à luz da Bíblia todo este disparate teológico é desmoralizar a base em que se firma a eclesiologia do catolicismo.
A tese católica se firma em três questionáveis pressupostos principais a saber:
1. A primeira é a que diz que Cristo edificou a Igreja sobre Pedro, numa interpretação toda tendenciosa e arbitrária de Mateus 16:18,19.
2. A segunda é a que afirma que Pedro fundou e dirigiu a Igreja de Roma sendo martirizado também lá.
3. A terceira se firma na suposta sucessão apostólica numa cadeia ininterrupta até nossos dias; de Pedro à Karol Wojtyla (João Paulo II ).

EM QUE PEDRA A IGREJA ESTÁ EDIFICADA?

O site católico http://www.lepanto.org.br/ApIgreja.html#Fund da "Frente Universitária Lepanto" é um site antiprotestante, e na página sobre a Igreja Católica, interpretando Mat. 16:18, traz a seguinte declaração: "Esse ponto é muito importante, pois a interpretação truncada dos protestantes quer admitir o absurdo de que Nosso Senhor não sabia se exprimir corretamente. Eles dizem que Cristo queria dizer: "Simão, tu és pedra, mas não edificarei sobre ti a minha Igreja, por que não és pedra, senão sobre mim." Ora, é uma contradição, pois Nosso Senhor alterou o nome de Simão para "Kephas", deixando claro quem seria a "pedra" visível de Sua Igreja."
Essa bombástica assertiva nada mais é do que o ecoar das conjeturas conciliares pontificais. A princípio pode até impressionar, mas carece totalmente de fundamentos. Se não, vejamos: Jesus ao proferir a frase "E eu te digo que tu és Pedro,(Petrus) e sobre esta pedra(Petra) edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela; e eu te darei as chaves do reino dos Céus: e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus." estava afirmando que realmente era ele a "PEDRA" a qual seria edificada sua igreja. Para isto temos razões à saciedade:
1. Jesus ao se referir a Pedro usa o termo grego "Petros" que significa um "seixo", "pedregulho", mas ao se referir à edificação da Igreja diz ser edificada não sobre o "Petros" (Pedro), mas sobre a "Petra", um rochedo inabalável. Ora, Jesus fez nítida diferença semasiológica entre "Petra" e "Petros": um é substantivo feminino singular e está na terceira pessoa; o outro masculino plural e se encontra na segunda pessoa. Demais disso, nunca o termo "Petra" é usado na Bíblia em relação a homem algum, mas somente em relação a Deus. Outrossim, tal verso nem de longe insinua alguma coisa sobre Roma, sucessão apostólica e congênere. Os católicos conseguem ver o que não existe no texto!
2. A frase "Tu és o Cristo filho do Deus vivo" é a chave para entendermos toda a problemática. Jesus perguntou a "TODOS", e não somente a Pedro, Quem Ele era. A ele foi revelado confessar que Cristo era o Messias, o Filho de Deus, daí a frase: "Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus. Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja...", ou seja, sobre a confissão de que Ele era o Filho de Deus. A bem da verdade, a Igreja nunca poderia estar solidamente edificada sobre homem algum pois Pedro apesar de ter sido um grande apóstolo, foi no entanto, falível e passível de erro como demonstra de maneira sobeja o contexto imediato (Mat16: 23) e os demais escritos neotestamentario.
3. O significado de "Petros" e "Petra" está de perfeito acordo com o contexto doutrinário e teológico do N.T. Sendo "Petros" um fragmento tirado da grande rocha, há de se ver uma conotação com todos os cristãos como petros, e isto é descrito pelo próprio Pedro: "vós também, quais pedras vivas, sois edificados como casa espiritual..." I Pedro 2:5 (ênfase acrescentada). Por sua vez todas elas estão edificadas sobre a grande Petra que é Jesus Efésios 2.20. Agora compare estes dois versos: "E quem cair sobre ESTA PEDRA será despedaçado; mas aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó..." "E eu te digo que tu és Pedro, e sobre ESTA PEDRA edificarei a minha Igreja..." (ênfase acrescentada). Indubitavelmente, na primeira e na segunda sentença Jesus é a pedra. Desde a época do salmista (Sl. 118:22), passando pelo profeta Isaias, a palavra profética já anunciava o Messias, como a PEDRA DE ESQUINA (Is. 28:16). Jesus afirmou ser ele mesmo essa Pedra, Mateus 21:42,44. Outrossim, é bom rememorar que na narrativa de Marcos a frase de Cristo: "Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja", é omitida (Mc 8.27-30). Isto não é de pouca relevância, pois Marcos por muito tempo foi companheiro de Pedro (I Pe 5.13) e segundo Eusébio, foi deste que Marcos coletou suas informações para redigir seu evangelho. Pedro em nenhum momento disse de si mesmo como a rocha ou pedra da igreja, se não, Marcos teria confirmado de modo enfático. Se porventura o dogma da superioridade de Pedro é verdadeiro e de tamanha importância, como a Igreja Católica ensina, não parece praticamente inconcebível que os registros de Marcos e de Lucas se silenciem a respeito?
4. Kephas significa pedra ou Pedro? João nos dá a resposta: "E o levou a Jesus. Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de João, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro)." João 1:42. Veja que Cefas ou Kephas, significa Pedro e não pedra! Para fazer jus à coerência e a lógica, Jesus deveria ter dito mais ou menos assim: "Tu és Kephas e sobre esta kephas edificarei..." ou "Tu és Pedro e sobre este Pedro edificarei..." se não houvesse nenhuma diferença.
5. Teria Jesus mudado o nome de Simão Barjonas para Pedro ou apenas acrescentado? Ora, quando se muda um nome faz-se necessariamente uma substituição. O nome anterior não é mais mencionado como no caso de Abrão para Abraão. Já no caso de Pedro apenas foi acrescentado como bem atesta Lucas "agora, pois, envia homens a Jope e manda chamar a Simão, que tem por sobrenome Pedro" Atos 10:5,18,32 - 11:13 (ênfase acrescentada). Veja que é um nome acrescentado e não mudado como querem os teólogos do Vaticano. Veja ainda que ele continuou sendo chamado de Simão (Atos 15:19) ou Simão Pedro (João 21:2,3,7) algo que no mínimo seria estranho se o antigo nome tivesse sido trocado. Querer ver nisto uma ligação da suposta supremacia petrina com relação ao papado é ir longe demais!
6. Alardeia os católicos em ver na simbologia das chaves (v.19) uma supremacia jurisdicional sobre toda a cristandade. Conquanto sabemos ser a chave outorgada realmente a Pedro para "abrir" e "fechar", no entanto cabe salientar que foram as chaves do Reino do Céu e não da Igreja que foram dadas...e Reino do Céu não é a Igreja! O uso dessas chaves estavam antes nas mãos dos fariseus (cf. Lucas 11:52). Essas chaves representam a propagação do evangelho de arrependimento de pecados, pelo qual todos os cristãos, e não Pedro apenas, podem abrir as portas dos céus para os pecadores que desejam ser salvos. Tanto é, que em Mateus 18:18 Jesus a confia aos demais apóstolos; Pedro portanto foi o primeiro a usa-la em Pentecostes, onde quase três mil almas foram salvas, depois a usou para pregar ao primeiro gentio Cornélio. É esta a chave que abre a porta, e não é prerrogativa exclusiva do hierarca católico. Ninguém tem poder de monopoliza-la como querem os Católicos Romanos.
Certo site Ortodoxo comentando sobre o assunto em lide, disse com muita propriedade: "Para a Igreja una e indivisa a interpretação desta passagem do Evangelho é toda outra. Como disse Orígenes (fonte comum da Tradição patrística da exêgese), Jesus responde com estas palavras à confissão de Pedro: este torna-se a pedra sobre a qual será fundada a Igreja porque exprimiu a Fé verdadeira na divindade de Cristo. E Orígenes comenta: "Se nós dissermos também: 'Tu és o Cristo, Filho de Deus Vivo', então tornamo-nos também Pedro (...) porque quem quer que seja que se una a Cristo torna-se pedra. Cristo daria as chaves do Reino apenas a Pedro, enquanto as outras pessoas abençoadas não as poderiam receber?". Pedro é, então, o primeiro "crente" e se os outros o quiserem seguir podem "imitar" Pedro e receber também as mesmas chaves. Jesus, com as Suas palavras relatadas no Evangelho, sublinha o sentido da Fé como fundamento da Igreja, mais do que funda a Igreja sobre Pedro, como a Igreja Romana pretende. Tudo se resume, portanto, em saber se a Fé depende de Pedro, ou se Pedro depende da Fé... Por isso mesmo, Cipriano de Cartago pôde afirmar que a Sé de Pedro pertence ao Bispo de cada Igreja Local, enquanto Gregório de Nissa escrevia que Jesus "deu aos Bispos, através de Pedro, as chaves das honras do Céu". A sucessão de Pedro existe onde a Fé justa (ortodoxa) é preservada e não pode, então, ser localizada geograficamente, nem monopolizada por uma só Igreja nem por um só indivíduo. Levando a teoria da primazia de Roma às últimas conseqüências, seríamos obrigados a concluir que somente Roma possui essa Fé de Pedro - e, nesse caso, teríamos o fim da Igreja una, santa, católica e apostólica que proclamamos no Credo: atributos dados por Deus a todas as comunidades sacramentais centradas sobre a Eucaristia." E mais "Afirma, depois, a Igreja de Roma que é ela a Igreja fundada por Pedro e que essa fundação apostólica especial lhe dá direito a um lugar soberano sobre todo o universo. Ora a verdade é que, para além do fato de não sabermos realmente se Pedro foi o fundador dessa Igreja Local e o seu primeiro Papa (aliás, terão os Apóstolos sido Bispos de qualquer Igreja Local...?), temos conhecimento que outras cidades ou outras localidades mais pequenas podiam, igualmente, atribuir a si mesmas essa distinção, por terem sido fundadas por Pedro, Paulo, João, André ou outros Apóstolos. Assim, o Cânone do 6º Concílio de Nicéia reconhece um prestígio excepcional às Igrejas de Alexandria, Antioquia e Roma, não pelo fato de terem sido fundadas por Apóstolos, mas porque eram na altura as cidades mais importantes do Império Romano e, sendo assim, deram origem a importantes Igrejas Locais..."
ONDE A PRIMAZIA DE PEDRO?
A dialética vaticana ávida por achar um nepotismo em Pedro em detrimento aos demais apóstolos, esquiva-se em seus sofismas teológicos. Procuram a qualquer preço encontrar nas sagradas escrituras um elo de ligação entre a "protagonização" de Pedro e a alegada supremacia do papa. Os argumentos apresentados são quase sempre furtados de seus contextos a fim de fortalecer essa cadeia de quimeras teológicas. Para justificar tal devaneio, saem pela tangente arrazoando que:
a) A Pedro foi conferida com exclusividade a chave dos céus (Mat. 16:19).
b) A Pedro foi dado por duas vezes, cuidar com exclusividade do rebanho de Cristo (Lc. 22:31,32 - Jo 21:15,17).
c) Pedro foi o primeiro a pregar um sermão em Pentecostes. (At. 2:14)
d) Pedro foi o primeiro a evangelizar um gentio. (At. 10:25)
e) Testemunha, diante do Sinédrio, a mensagem de Cristo. (At. 4:8)
f) No catálogo dos apóstolos (Mt 10:2-4; Mc 3:16-19; Lc 6:13-16; At 1:13), o nome de Pedro sempre é colocado em primeiro lugar.
g) Escolhe Matias para suceder Judas. (At. 1:15)

A pessoa que analisar o assunto pelas lentes papistas, tende a ficar impressionada com a avalanche de textos que colocam Pedro no topo da lista de exclusividades. A primeira vista, a abundância de primeiro, primeiro, primeiro tende a sustentar essa corrente. Entrementes, vamos expurgar do engodo romanista tais textos e veremos que não são tão pujantes quanto parecem.
a) A questão correspondente já está respondida de maneira sobeja neste opúsculo.
b) Os católicos frisam nestes textos a palavra "confirmar e apascentar" e vêem neles uma suposta primazia jurisdicional petrina. A falácia deste argumento está em não mostrar que o apóstolo Paulo também "confirmava" as igrejas (cf. At. 14:22 - 15:32,41). Quanto ao "apascentar", esta também não era uma exclusividade de Pedro pois todos os bispos consoante At. 20:28 deveriam ter esta incumbência. Para sermos coerentes deveríamos dar este "status" de primazia aos demais, pois não só apascentavam como confirmavam as igrejas.
c) Ora, Pedro ao pregar em pentecostes estava apenas fazendo uso das chaves para abrir a porta da salvação. Demais disso, alguém tinha de tomar a palavra e coube a Pedro o mais velho e intrépido. Mas... ao terminar a mensagem, ninguém o teve por especial, mas dirigiram-se a todos (At. 2:37) com a expressão: "Que faremos varões IRMÃOS?" (ênfase acrescentada). Dirigiram-se a toda a igreja e não apenas a Pedro.
d) Ao contrário do que pensam os católicos, o caso de Cornélio é um contragolpe no argumento romanista pois Pedro teve de dar explicações perante a Igreja por ter se misturado e comido com um gentio. Raciocinemos, onde a primazia de Pedro neste episódio? Se a tivesse, porventura daria explicações perante seus supostos comandados? Certamente que não! Mas Pedro teve de se explicar, por que não possuía nenhum governo sobre os demais.
e) A refutação segue o mesmo parâmetro da anterior.
f) É bom frisarmos que este primeiro lugar na lista de nomes é apenas de caráter cronológico e não funcional. Percebe-se que os quatro primeiros nomes da lista dos sinópticos são: Simão, André, João e Tiago são os primeiros a serem chamados para seguir o mestre e dentre eles coube a Pedro ter uma prioridade cronológica. Não obstante em outros lugares como em Gálatas 2:9 seu nome não aparece nesta posição.
g) A miopia exegética é um mal constante na cúpula romana e leva-a a ver o que não está no texto! Lendo cuidadosamente At. 1:15-26 vemos que Pedro apenas expôs o problema, qual seja, a falta de um sucessor para o cargo de Judas, no entanto Matias foi eleito pela igreja por voto comum, e não por decisão de Pedro.
Os sofismas destes textos são flagrantes, contudo, a derrocada teológica peremptória destes argumentos, está nas atitudes de Cristo - o ÚNICO Sumo Pastor, Chefe Supremo, Cabeça e Fundamento da Igreja - em não titubear e corrigir algumas precoces ambições de supremacia entre eles. Certa feita tal idéia foi sugerida ao mestre (Mateus 20:18-27) que no mesmo instante a rechaçou dizendo: "...Sabeis que os governadores dos gentios os dominam, e os seus grandes exercem autoridades sobre eles.Não será assim entre vós; antes, qualquer que entre vós quiser tornar-se grande, será esse o que vos sirva; e qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, será vosso servo;..." (ênfase acrescentada). Noutra feita essa questão foi novamente levantada. (cf. Lucas 22:24) Veja que se os apóstolos tivessem cientes desta utópica promessa, de maneira alguma teriam levantado esta questão e o próprio pescador Galileu, ou mesmo Jesus, haveriam de esclarecer-lhes o primado de Simão Pedro sobre eles, a recordar a alegada promessa em Mateus 16:18. Mas não o fez, simplesmente por não existir.
O próprio Pedro desfaz essa lenda ao dizer que: "ninguém tenha DOMÍNIO sobre o rebanho..." (cf. I Pd. 5:1-3) Não se pode ver aí nenhum vestígio de superioridade, supremacia ou destaque sobre os demais, pois ele mesmo se igualava aos outros dizendo: "...que sou também presbítero com eles..." Pedro jamais mandou! Pelo contrário, foi mandado...e obedeceu (Atos 8:14) fazendo jus às palavras de Jesus "Não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou." (Jo. 13:16)

PEDRO ESTEVE EM ROMA?
Não obstante a Bíblia trazer um silêncio sepulcral sobre o assunto, os católicos afirmam ser fato incontestável ter sido o apóstolo Pedro o fundador da igreja em Roma. Atribuem-lhe ainda um pontificado de 25 anos na capital do império e conseqüente morte neste lugar. É claro que estas ligações são a-priori de valor inestimável, pois entrelaçadas vão robustecer a tese vaticana da primazia do papado. Contudo, não deixam de ser argumentos gratuitos! Há de se frisar que somente a chamada "(con) tradição", vem em socorro da causa romanistas nestas horas e mesmo assim de maneira dúbia. Vejamos:
Pedro não pode ter sido papa durante 25 anos, pois foi martirizado no reinado do Imperador Nero, por volta de 67/68. Subtraindo vinte cinco anos, retrocederemos ao ano de 42 ou 43. Nessa época não havia se realizado o Concílio de Jerusalém (Atos 15), que se deu por volta de 48-49, Pedro participou (mas não deveria pois segundo a tradição, nesta época, ele estava em Roma), no entanto, foi Tiago quem o presidiu (Atos 15;13,19). Em 58, Paulo escreveu a epístola aos Romanos. E no capítulo 16 mandou uma saudação para muitos irmãos, mas Pedro sequer é mencionado. Paulo chegou a Roma no ano 62 e foi visitado por muitos irmãos (Atos 28;30 e 31). Todavia, nesse período, não há nenhuma menção de Pedro. O Apóstolo Paulo escreveu quatro cartas de Roma: Efésios, Colossensses, Filemon(62) e Filipenses(entre 67 e 68) mas Pedro não é mencionado em nenhuma delas. Se Pedro estava em Roma no ano 60, como se deve entender a revelação referida nos Atos dos Apóstolos 23:11, em que Jesus disse a Paulo: "Importa que dês testemunho de mim também em Roma?" Cadê o papa de Roma na ocasião?
É por estas e outras que não acreditamos que Pedro tenha fundado ou presidido a Igreja de Roma como afirmam os católicos!
O INSUSTENTÁVEL SUPORTE DA TRADIÇÃO
A tradição é um dos pilares nos quais se assenta a teologia romanista. O principal órgão desta tradição é a chamada "Patrística" que são os escritos dos primitivos cristãos. Essa tradição é de relevante valor à causa católica, pois dela advem toda a sofismática da tal "Sucessão Apostólica". É dela que é extraída a má interpretação de Mateus 16:18, da primazia de Roma, da corrente sucessória de S. Pedro etc. Na verdade as coisas são bem diferentes quando analisadas de maneira honesta.
Dos inúmeros "pais da Igreja", somente 77 opinaram a respeito do assunto de Mateus 16:18, sendo que 44 reconheceram ser a fé de Pedro a rocha. 16 deles julgaram ser o próprio Cristo e somente 17 concordaram com a tese vaticana. Nenhum deles afirmavam a infalibilidade de Pedro e tão pouco o tinham como papa. Exemplo disso é S. Agostinho que em seu Livro I, Capítulo 21 das Retratações (Livro escrito no fim da sua vida, para retratar-se de seus escritos anteriores) expressamente afirma que sempre, salvo uma vez, ele havia explicado as palavras Sobre esta pedra - não como se referissem à pessoa de Pedro, mas sim a Cristo, cuja Divindade Pedro havia reconhecido e proclamado.
Diz certa fonte católica que: "Se a corrente da sucessão apostólica por alguma razão encontra-se interrompida, então as ordenações seguintes não são consideradas válidas, e as missas e os mistérios, realizados por pessoas ilegalmente ordenadas - desprovidos da graça divina. Essa condição é tão séria que a ausência de sucessão dos bispos em uma ou outra denominação cristã despoja-a da qualidade de Igreja verdadeira, mesmo que o bensino dogmático presente nela não esteja deturpado. Esse foi o entendimento da Igreja desde o seu início."
Pois bem, procurarei não ser prolixo ao historiar sobre essa questão. Todos sabem que o trono dos papas teve seus momentos de vacância, muitos papas conquistaram este título por dinheiro, alguns papas considerados legítimos foram condenados como hereges, outros pela ganância do cargo foram envenenados por seus rivais, ainda outros foram nomeados por imperadores; quando não, havia três ou mais papas se excomungando mutuamente pela disputa da cadeira de São Pedro. Sem falar é claro, da época negra da pornocracia. Não é debalde que na "Divina Comédia", Dante Alighieri, coloca vários papas no inferno! Há ainda uma tremenda contradição nas muitas listas dos pontífices romanos expostas por historiadores católicos, nas quais os nomes de tais sucessores aparecem trocados ou faltando. Não creio que estes homens sejam os verdadeiros sucessores da cátedra de Pedro! A bem da verdade, essa tal sucessão ininterrupta e contínua dos papas é totalmente arrebentada e falsa. É por demais ultrajante mesmo para uma mente mediana suportar tamanha incongruência!
Pelo que foi resumidamente exposto acima, podemos concluir serenamente que: PEDRO NUNCA FOI PAPA E NEM O PAPA É O VIGÁRIO DE CRISTO.
OBRAS CONSULTADAS
NOITES COM OS ROMANISTAS; M.H. Seymour -Edições Cristãs

DOZE HOMENS, UMA MISSÃO; ARAMIS C. DE BARROS - EDITORA LUZ E VIDA
O CRISTIANISMO ATRAVÉS DOS SÉCULOS; EARLE E. CAIRNS - EDICÇOES VIDA NOVA
PEDRO NUNCA FOI PAPA NEM O PAPA É VIGÁRIO DE CRISTO; ANIBAL P. REIS - EDIÇÕES CAMINHO DE DAMASCO
QUEM FUNDOU SUA IGREJA; Pe. ALBERTO LUIZ GAMBARINI - EDITORA ÁGAPE (católico)
OS PAPAS ; AQUILES PINTONELLO - EDIÇÕES PAULINAS
A HIERARQUIA; Pe. JOSÉ COMBLIN - PAULUS
TRADIÇÃO: SUPORTE DO PAPADO?
por Paulo Cristiano da Silva

" NÃO REFUTAREI APENAS AS ACUSAÇÕES LEVANTADAS CONTRA NÓS; FAREI COM QUE ELAS SE VOLTEM CONTRA SEUS PRÓPRIOS AUTORES " (Tertuliano, 220 d. C.)

A IMPORTÂNCIA DA TRADIÇÃO NO CATOLICISMO

O Concilio de Trento define a tradição como o "conjunto de doutrinas reveladas referentes à fé e a moral, não consignadas nas Escrituras Sagradas, mas oralmente transmitidas por Deus à Igreja" (Sessão IV, de 8 de Abril de 1546)

"A Sagrada Tradição", afirma O Concílio Ecumênico Vaticano II através de sua Constituição Dogmática Dei Verbum "a Sagrada Tradição...transmite integralmente aos sucessores dos apóstolos a Palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos apóstolos..."
A teologia da idade Média escampada pelos Concílios Ecumênicos de Trento, do Vaticano I e do Vaticano II, impingiu a tese de que o consenso unânime dos pais da Igreja se constitui em legitima revelação. Ele é imprescindível e fundamental na Tradição.
A tradição é a fonte primordial de todas as doutrinas extrabíblica encontrada no bojo dogmático do catolicismo e o papado é uma delas. Por isso que somente após o concílio tridentino da contra-reforma, foi que apareceram as primeiras coleções de obras patrísticas - o primeiro órgão da Tradição - fazendo frente à reforma protestante levada a cabo por Martinho Lutero. Era necessário dar um status de autoridade à tradição a fim de dar suporte às heresias papais. O teólogo católico Van Iersel, em seu artigo: "O uso da Bíblia na Igreja Católica", inserido no vol. V, de Temas Conciliares na página 17, confessa: "...em oposição à reforma deu-se um lugar à Tradição ao lado da Escritura, o que tornava muito relativo o valor da Bíblia".(ênfase acrescentada)
Foi assim que a tradição ganhou força junto às Escrituras, sendo até mesmo superior a esta pois, "Pela mesma Tradição...as próprias escrituras são nela cada vez melhor compreendidas..." sublinha o Concílio Vaticano II.

MALOGRO ROMANISTA
A assertiva da cúria papal de que havia unanimidade e consenso de opinião entre os pais da igreja, tornou-se um tanto utópica, quando se constatou que só numa coisa êles concordavam: - é que discordavam em quase tudo.
Forjar a necessária concordância unânime era preciso!
Com esse propósito, o papa Leão X, em 28 de Abril de 1515, como produto da 10ª Sessão do 5º Concílio de Latrão, emitiu a Bula "Inter Multiplices", estabelecendo os Índices Expurgatórios, cujo objetivo consistia em examinar as obras patrísticas existentes. Muitas obras dos seis primeiros séculos dos pais da igreja foram repudiadas.
Em 8 de Abril de 1546, na 4ª Sessão do Concílio de Trento, foi levado a cabo o trabalho de "expurgo", anteriormente estabelecido pelo papa Leão X no Concilio de Latrão. Trechos inteiros contra as pretensões (doutrinárias) romanistas refutadas pelos reformadores, foram extraídos e houve muito enxerto...muitas frases e palavras foram interpoladas no intuito de se transformar o significado dos textos ao sabor das interpretações desejadas. Como disse certo professor de seminário (católico) a um de nossos apologistas: "a interpretação dessas obras depende muito de quem as traduzem!".
Todavia é importante salientar que nem mesmo as passagens que são amiúde invocadas pelos apologistas católicos com o fito de angariar apoio ás pretensões da origem e desenvolvimento do papado, não são tão relevantes assim, e muitas são até mesmo distorcidas e deslocadas do seu contexto. Muita dessa tradição entra em contradição não só com a Bíblia mas mesmo entre si como veremos.
A IGREJA PRIMITIVA
Ao contrário do que afirma a Igreja Católica, o cristianismo primitivo não estava dividido hierarquicamente. Ademais, é um fato incontestável que não houve episcopado monárquico no primeiro século. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros que eram termos usados de modo intercambiável (ver Atos 20.17 e 28; Tito 1.5 e 7). O teólogo católico José Comblin, em seu livrete intitulado "Hierarquia", na página 18 é concorde em dizer que: "No meio deles, Pedro tem um papel de porta-voz.", entretanto, alerta: "Mas ele não é como o superior. São todos iguais.(ênfase acrescentada). Afirma ainda que nas primeiras comunidades cristãs não havia hierarquia, pois todos estavam unidos no colegiado apostólico e "cada igreja agia de modo independente" (pág. 19).
Portanto, a tal supremacia de Pedro sobre os demais são argumentos inconsistentes, pueris que veio à tona apenas 200 anos depois da morte de Cristo, e que posteriormente foi usado para promover a doutrina do papado. Há de se ressaltar que em meados do século II, borbulhavam, muitas obras apócrifas contendo histórias sobre este apóstolo, tais como: Os Atos de Pedro, Evangelho de Pedro, Apocalipse de Pedro e outras. Isto posto, declaramos que não há indício algum de que Cristo tenha feito de Pedro o chefe, ou como costuma dizer o hierarca romano: o príncipe dos apóstolos. Tudo isto é argumento gratuito.
ENTÃO COMO SE DEU A ORIGEM DO PAPADO ?
Seja como for, uma coisa é certa: ela não se deu da noite para o dia. O desenvolvimento da sé romana e a supremacia de seu líder se deram paulatinamente. A primeira menção desta igreja aparece na epístola do apóstolo Paulo dirigida aos cristãos ali congregados. Algo que merece nossa atenção é que nesta epístola, Paulo manda saudações a diversos irmãos, mas em nenhum momento menciona o suposto papa "São Pedro" ou sua primazia. Contudo, muitos fatores contribuíram para dar vida ao papado no cenário mundial; eis alguns deles:
AS TRADIÇÕES: No segundo século surgiu uma tradição propalada por Irineu de que tanto Paulo como Pedro, haviam fundado e dirigido àquela igreja, posteriormente diz outra "tradição" levada a cabo por Orígenes de que os dois haviam sido martirizados naquela cidade. Jerônimo chega a dizer que Pedro governou esta igreja durante 25 anos. Assim, mais e mais foi se solidificando a lenda de que Pedro havia fundado a igreja em Roma e transferido para lá o seu pontificado, sem ter contudo apoio bíblico. Este foi apenas o embrião da supremacia da igreja de Roma. Outrossim, visto à grosso modo, muitos pais da igreja como Cipriano e Irineu deram a entender que a sé romana tinha algum tipo de supremacia sobre as demais, ainda que limitada.
AUMENTO DO PODER: Além disso, já numa época remota, a igreja de Roma tornou-se a maior, a mais rica e a mais respeitada de toda a cristandade ocidental. Outro fator que contribuiu para a ascendência da igreja romana e do seu líder foi a própria centralidade e importância da capital do Império Romano. Logo apareceram cinco cidades que se destacaram como metrópoles: Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, os bispos destas regiões receberam o título de "Patriarcas". Apesar dos bispos das igrejas serem iguais uns aos outros na administração dos ritos litúrgicos e na doutrina, eles começaram a distinguir-se em dignidade de acordo com a importância dos lugares onde estavam localizadas suas dioceses. Ao Bispo de Roma foi concedida a precedência honorária simplesmente porque Roma era então a capital política do mundo, ele foi considerado "o primeiro entre os iguais".
PREDOMINÂNCIA DO BISPO ROMANO (I) : Outro elemento importante é que desde cedo a igreja romana e os seus líderes reivindicaram direta ou indiretamente, certas prerrogativas especiais.. No fim do segundo século, o bispo Vítor (189-198) exerceu considerável influência na fixação de uma data comum para a Páscoa, algo muito importante face à centralidade da liturgia na vida da igreja. Relevante também foi o alvitre de S. Irineu (202) o qual, como ele mesmo confessa, procurou conscienciosamente um bispo que pudesse ser aceito pela maioria do episcopado, para desempenhar a missão de árbitro nas questões disciplinares e nas dúvidas e controvérsias doutrinárias, que surgiam freqüentemente entre os bispos das várias igrejas.
Esta proposta foi aceita quase imediatamente pela quase totalidade das igrejas, e fez que o Bispo de Roma começasse a ser consultado com freqüência, o que muito contribuiu para aumentar a sua autoridade,
embora a primeira decretal oficial (carta normativa de um bispo de Roma em resposta formal à consulta de outro bispo) só tenha surgido em 385, com Sirício. Por volta de 255, o bispo Estêvão utilizou a passagem de Mateus 16.18 para defender as suas idéias numa disputa com Cipriano de Cartago. E Dâmaso I (366-84) tentou oferecer uma definição formal da superioridade do bispo romano sobre todos os demais.
Essas raízes da supremacia eclesiástica romana foram alimentadas pelas atividades capazes de muitos papas. No quinto século destaca-se sobremaneira a figura de Leão I (440-61), considerado por muitos na verdade"o primeiro papa". Leão exerceu um papel estratégico na defesa de Roma contra as invasões bárbaras e escreveu um importante documento teológico sobre a pessoa de Cristo (o Tomo) que exerceu influência decisiva nas resoluções do Concílio de Calcedônia (451). Além disso, ele defendeu explicitamente a autoridade papal e usou muito o titulo "papa" (mais tarde Gregório VII, reivindicou para a sé romana este título com exclusividade) articulando mais plenamente o texto de Mateus 16.18 como fundamento da autoridade dos bispos de Roma como sucessores de Pedro. Seu sucessor Gelásio I (492-96) expôs a teoria das duas espadas: dos dois poderes legítimos que Deus criou para governar no mundo, o poder espiritual - representado pelo papa - tinha supremacia sobre o poder secular sempre que os dois entravam em conflito.O Sínodo de Sárdica declarava que se um bispo fosse deposto pelo sínodo de sua província, este poderia apelar para o bispo de Roma. Já o Sínodo de Palma declarava que o bispo de Roma não estava submisso a nenhum tribunal humano. O máximo de pretensão papal de supremacia se encontra no artigo 22 do Dictatus do papa Gregório VII em que se afirma que jamais houve erro na Igreja Romana. Já Inocêncio III cria ser o papa, o verdadeiro "Vigário de Cristo" na terra. O imperador Valentiniano III num edito de 445, reconhece a supremacia do bispo de Roma: "Para que uma tola perturbação não venha a atingir as igrejas ou ameace a paz religiosa, decretamos - de forma permanente - que não apenas os bispos da Gália mas também os das outras províncias, não venham a atentar contra o antigo costume [de submeter-se à] autoridade do venerável padre (papa) da Cidade Eterna. Assim, tudo o que for sancionado pela autoridade da Sé Apostólica será considerado lei por todos, sem exceção. Logo, se qualquer um dos bispos for intimado a comparecer perante o bispo romano, para julgamento, e, por negligência, não comparecer, o moderador da sua província deverá obrigá-lo a se apresentar."
PREDOMINANCIA DO BISPO ROMANO (2) : Comitantemente às reivindicações eclesiásticas cresceu também o poder temporal dos papas devido ao declínio dos principais rivais de Roma. O bispo de Jerusalém perdeu o poder após a destruição pelos romanos. O bispo de Éfeso perdeu o poder quando foi sacudida pelo cisma montanista. Alexandria e Antioquia declinaram logo também, deixando Roma e Constantinopla como as maiores sedes do cristianismo primitivo. Todavia as guerras teológicas e os inúmeros cismas juntamente com as invasões dos mulçumanos, aos poucos foram minando a unidade dos orientais, deixando isolado o bispo de Roma. Este foi se solidificando cada vez mais no Ocidente como o "pai" dos cristãos. Coube a ele defender Roma dos ataques bárbaros. Muito ajudou, a conversão destes povos para o cristianismo romano; no que mais tarde iria desembocar no famigerado poder temporal.
FALSOS DOCUMENTOS : Essas teorias fictícias, que foram destinadas a ser reconhecidas como verdadeiras por alguns séculos - entretanto mais tarde identificadas claramente como as fraudes mais habilmente forjadas - são duas: as Pseudo-Clementinas e os Decretos do Pseudo-Isidoro.
Os Escritos Pseudo-Clementinos - A Tentativa de Promover Pedro e a Sé de Roma ao Poder Supremo. Os escritos Pseudo-Clementinos eram "Homílias" (discursos) espúrios erroneamente atribuídos ao Bispo Clemente de Roma (93-101), que tentavam relatar a vida do Apóstolo Pedro. O objetivo era um só: a elevação de Pedro acima dos outros Apóstolos, particularmente o Apóstolo Paulo, e a elevação da Sé de Roma diante de qualquer outra Sé episcopal. "Pedro", era alegado, "que foi o mais hábil de todos (os outros), foi escolhido para iluminar o Ocidente, o lugar mais escuro do Universo".
As "Homilias" foram escritas para amoldar a interpretação equivocada de Mateus 16:18-19, que "tu és Pedro, e sobre esta rocha edificarei minha igreja . . . e dar-te-ei as chaves do reino do céu". É equivocada porque a palavra "rocha" não se refere a Pedro, mas à fé em que "Tu és o Cristo, o Filho do Deus Vivo" (v. 16). Não há mencionado na Bíblia um só sinal da primazia de Pedro sobre os outros Apóstolos e, se uma primazia era pretendida, uma decisão de tal importância e magnitude certamente teria sido mencionada na Bíblia em linguagem inequívoca. Em muitos casos o contrário é verdadeiro; Paulo escreveu aos Gálatas, "eu me opus a ele (Pedro) em rosto, porque ele estava sendo censurável" (2,11); além disso, é bem sabido que Pedro negou Cristo por três vezes. Pedro não fundou a Igreja de Roma; ele efetivamente permaneceu em Antioquia por vários anos antes de chegar a Roma. Dizer que, assim como Cristo reina no Céu, Pedro e seus sucessores os papas governam a Terra, é uma afirmação contrária ao espírito do Evangelho e ao entendimento da Igreja antiga. Cristo era e é a pedra angular e a Cabeça da Igreja, que consiste de todos os membros de Seu Corpo (cf. Col.1:24).
As Pseudo-decretais ou decretais pseudo-isidorianas (754 - 852). Eram falsificações entre as quais se encontrava a tal "doação de Constantino". Neste documento constava uma suposta dádiva que o imperador fizera ao bispo de Roma, doando-lhe todas as terras do império em recompensa de uma cura recebida. Colocava o bispo de Roma como"caput totius orbis" (cabeça de toda a terra), tanto sobre a igreja (poder espiritual) como sobre os territórios (poder temporal). Esta falsificação foi considerada autentica até o século XV, e ajudou muito o bispo romano reforçar o primado papal, dando um aparente fundamento jurídico às pretensões dos papas. Os papas usaram e abusaram destes falsos documentos!
ELEVAÇÃO DO BISPO
Se existe algo que a história da Igreja ensina, este algo é que às vezes um forte zelo pela doutrina ou ênfase demasiada em certos aspectos da vida desta que fora esquecido e tornou a ser resgatado, pode levar uma pessoa ou igreja voluntariamente ao erro. Um exemplo registrado nos anais da história é de Sabélio, que chegou a negar a Trindade ao tentar salvaguardar a unidade de Deus, Ário descambou para uma interpretação anti-biblica do relacionamento de Cristo com o Pai em sua tentativa de evitar aquilo que ele considerava ser o perigo do politeísmo.
A doutrina romana da "Sucessão Apostólica" e da elevação do poder do bispo sai igualmente deste molde. Tentando defender a fé ortodoxa das heresias vigentes da época, alguns pais da igreja criaram um mecanismo de defesa contra os hereges (gnósticos) centralizado no poder dos bispos e a elevação deste sobre os presbíteros. Isto mais tarde foi deturpado e alargado pelo bispo de Roma. Por volta do ano 110, Inácio bispo de Antioquia na Síria escreve sobre a importância do bispo na igreja, diz ele: " Cuidado para que todos obedeçam ao bispo, como Jesus Cristo ao Pai, e o presbiterato como aos apóstolos, e prestem reverência aos diáconos como sendo instituição de Deus. Que os homens não façam nada relacionado à Igreja sem o bispo. Que seja considerada uma apropriada Eucaristia àquela que é (celebrada) seja pelo bispo, seja por alguém a quem ele a confiou. Onde o bispo estiver, ali esteja também a comunidade (dos fiéis); assim como onde Jesus Cristo está, ali está a Igreja Católica. Não é legal sem o bispo batizar ou celebrar festa de casamento; mas tudo o que ele aprovar, isso será aprovado por Deus, de modo que qualquer coisa que seja feita, seja segura e válida" (Inácio de Antioquia, Epístola à igreja em Esmirna 8). Nesta mesma época Clemente de Roma escreve sua carta aos Coríntios para corrigir os cismas que estava havendo entre eles, pois estes haviam chegado a ponto de expulsarem os presbíteros da igreja. Clemente escreve-lhes para impor a importância da hierarquia dos bispos. Mais tarde, Irineu, em sua obra apologética, "Contra Heresias", uma refutação aos argumentos gnósticos, que haviam apelado para a tradição, desenvolve uma linhagem histórica de sucessão episcopal desde os apóstolos até os bispos atuais, tomando como exemplo a Igreja de Roma, por ser a mais conhecida entre todas.
Já no ano 200 existe um bispo em cada cidade se declarando cada qual sucessores dos apóstolos. Cada um procura mostrar que o primeiro da lista foi um apóstolo, assim temos as listas das principais igrejas da época:
Jerusalém: 1. Tiago, irmão de Jesus 2. Simeão 3. Justo 4.Zaqueu 5. Tobias...
Antioquia: 1. Pedro Evódio 2. Inácio 3. Heros 4. Cornélio 5. Eros...
Alexandria: 1. Marcos (evangelista) 2. Aniano 3. Abílio 4. Cerdo 5. Primo...
Roma: 1. Pedro e Paulo (?) 2. Lino 3. Anacleto ou Cleto 4. Clemente 5. Evaristo...
Nesta época a hierarquia já era constituída por 1º- Bispo, 2º- Presbítero, 3º Diáconos. Mais tarde o Concílio de Nicéia estabelece um bispo para cada cidade. No entanto, apesar desta gradual elevação do cargo do bispo, ainda não se fala em supremacia do Bispo de Roma sobre os demais, nem de papa, pois todos eram iguais e independentes, havendo uma união fraternal entre as várias igrejas. Se às vezes a sé romana parece elogiada em demasia é devido à sua posição política e territorial; é devido unicamente ao seu status de capital do Império.
ALEGAÇÕES CATÓLICAS
Os católicos quando são pressionados pelos argumentos bíblicos esposados pelos evangélicos contra o primado do papa, não conseguindo dar uma resposta bíblica satisfatória, vão se socorrer na chamada "Tradição". É preciso lembrar que a "Tradição" para o católico é a junção das obras patrísticas e o moderno "Magistério Eclesiástico" que é uma decorrência da infalibilidade da igreja, estabilizada na pessoa do romano pontífice através do Concílio Vaticano I. Desde já, rejeitamos totalmente o "Magistério Eclesiástico" por ser este muito posterior aos pais da igreja, produto do catolicismo estruturado e organizado. Ficamos entretanto, com a "Patrística", todavia, somente com os escritos dos pais pré-nicenos, pois ainda a igreja de Roma não havia ainda se tornado Igreja estatal, tendo sua riqueza e autoridade multiplicada pelas concessões de Constantino o que a tornou mais corrupta ainda. Os ditos pais pós-nicenos não possui a mínima autoridade em matéria de fé pois muitos deles já estavam contaminados com as heresias romanas.
A primeira alegação é a que aponta a suposta autoridade do bispo de Roma nos escritos dos pais da igreja, querendo dar uma certa autoridade à tese do primado do bispo de Roma. Dizem nossos antagonistas:
"As citações seguintes testemunham o que os primeiros cristãos pensavam sobre a primazia da Igreja de Roma (e, conseqüentemente, a primazia do papa, sucessor direto de São Pedro) sobre as demais." (Fonte: Agnus Dei)
Clemente de Roma
"Se, porém, alguns não obedecerem ao que foi dito por nós, saibam que se envolverão em pecado e perigo não pequeno" (Clemente de Roma, +100, Carta aos Coríntios 59,1).
Eles pretendem que a frase acima é alguma imposição de Clemente aos Coríntios. Nada mais longe da verdade! O teor da carta não deixa tal conclusão. O que Clemente fez foi ajudar aquela igreja que estava sem líderes, já que a igreja de Roma, era nesta época, bem estruturada e podia auxiliar a sua co-irmã na fé. Tanto é que ele prossegue dizendo: 2"Contudo, nós seremos inocentes deste pecado e pediremos em súplica e oração constante para que o Criador de tudo conserve intacto o número dos que foram contados entre Seus escolhidos em todo o mundo, por seu Filho mui amado, Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual nos chamou das trevas para a luz, da ignorância para o conhecimento da glória de seu nome." Não há nenhuma imposição ou supremacia papal ! Teoricamente, nesta época, o apóstolo João ainda estava vivo e se Clemente estivesse impondo algo sobre a igreja, certamente João o teria repreendido como fez com certo Diótrefes, que gostava de exercer a primazia na igreja (III João 9).
Inácio de Antioquia
"Inácio... à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de ser chamada 'feliz', digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza, que preside ao amor, que porta a lei de Cristo, que porta o nome do Pai, eu a saúdo em nome de Jesus Cristo, o Filho do Pai" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos [Prólogo]).
"Nunca tiveste inveja de ninguém; ensinastes a outros. Quanto a mim, desejo guardar aquilo que ensinais e preceituais" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 3,1).
"Em vossa oração, lembrai-vos da Igreja da Síria que, em meu lugar, tem Deus por pastor. Somente Jesus Cristo e o vosso amor serão nela o bispo" (Inácio de Antioquia, +107, Carta aos Romanos 9,1).
Novamente perguntamos: onde está a supremacia do papa nesta carta? Ora, o prólogo é um elogio ardoroso de Inácio. Ele também usou estes mesmos elogios aos Magnésios: "Inácio, também chamado Teóforo, à Igreja abençoada na graça de Deus Pai, em Jesus Cristo nosso Salvador, com quem eu saúdo a Igreja que está na Magnésia, próxima ao [rio] Meandro, e desejo a ela grande alegria em Deus Pai e em Jesus Cristo, nosso Senhor, em quem vocês poderão encontrar grande alegria." E mais, "Que eu possa alegrar-me convosco em todas as coisas, se o merecer! Mesmo acorrentado, não sou digno de ser comparado a qualquer de vós que estais em liberdade." ou aos efésios : "Inácio, também chamado Teóforo, àquela que é bendita em grandeza na plenitude de Deus Pai, predestinada antes dos séculos a existir em todo o tempo, unida para uma glória imperecível e imutável, e eleita na Paixão verdadeira, pela vontade do Pai e de Jesus Cristo nosso Deus à Igreja digna de bem-aventurança, que vive em Éfeso da Ásia, todos os bens em Jesus Cristo e os cumprimentos numa alegria impoluta." Se seguirmos esta linha de pensamento, não é justo também colocarmos os Magnésios e os efésios em pé de igualdade aos Romanos ? Demais disso, Inácio diz algo que vai ao encontro do argumento da primazia jurisdicional, pois no início de suas saudações ele põe a igreja de Roma em sua devida jurisdição quando diz: "à Igreja que preside na região dos romanos" (ênfase acrescentada) mostrando que esta igreja tinha sua própria jurisdição territorial e não possuía nenhum poder sobre as demais igrejas como querem os romanistas.
IRENEU

.. "Já que seria demasiado longo enumerar os sucessores dos Apóstolos em todas as comunidades, nos ocuparemos somente com uma destas: a maior e a mais antiga, conhecida por todos, fundada e constituída pelos dois gloriosíssimos apóstolos Pedro e Paulo. Mostraremos que a tradição apostólica que ela guarda e a fé que ela comunicou aos homens chegaram até nós através da sucessão regular dos bispos, confundindo assim todos aqueles que querem procurar a verdade onde ela não pode ser encontrada. Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade, isto é, os fiéis do mundo inteiro; nela sempre foi conservada a tradição dos apóstolos" (Ireneu de Lião, +202, Contra as Heresias III,3,2).
Este trecho de Ireneu é muito usado pelos católicos como prova de que a igreja de Roma tinha a primazia entre as outras. Entretanto é preciso escoimar tal alegação. Alarmado pelo pulular de heresias e de interpretações absurdas da Bíblia propaladas pelos seitários da época como Valentino, Marcião, Menander, Cerinto, Basílio e outros, procurava ele pôr um dique a tamanha calamidade, propondo uma Igreja que pudesse tornar-se como que o padrão, seguindo meticulosamente, a sucessão apostólica das mais importantes dioceses então existentes, pesquisando ao mesmo tempo a conservação da Doutrina e das tradições apostólicas, em cada uma delas. E conclui propondo como exemplar a Igreja de Roma, por ser de maior autoridade, isto é, por ser a da Capital do Império. É necessário salientar que esta questão de sucessões apostólica juntamente com a tradição foi um arranjo levantado como alternativa para combater os Gnósticos de então. Como diz Ireneu "Quando estes são argüidos a partir das Escrituras, põem-se a acusar as próprias escrituras...". Os gnósticos com o fito de defenderam suas heresias em relação a Deus e a Cristo como Demiurgo (criador), apelavam para as escrituras. Todavia quando eram refutados pelos apologistas através das próprias escrituras, apelavam para a chamada "tradição". Prosseguindo Ireneu diz: "...é impossível achar neles (nos textos bíblicos) a verdade se se ignora a tradição. Porque - (prosseguem dizendo) - essa verdade não foi transmitida por escrito e sim de viva voz...", o principal texto dos gnósticos era o de ICo. 2.6. Ireneu deixou-se levar pelo mesmo raciocínio inventando uma defesa de modo inverso, "Quando", afirma ele, "...então passamos a apelar para a tradição que vem dos apóstolos e se conserva nas igrejas pelas sucessões dos presbíteros, opõem-se à tradição."
Os gnósticos diziam que sua doutrina era muito antiga e que havia recebido do próprio Jesus Cristo. Ireneu por sua vez repele tal asseveração dizendo que se havia uma doutrina pura e perfeita, esta forçosamente tinha que estar com as igrejas fundadas pelos apóstolos as quais (pelo menos em teoria) foram transmitidas aos seus sucessores. Desta maneira Roma entrou de contra golpe por vários motivos que nem de longe tem a ver com a tal primazia do papa. Vejamos:
1. Ireneu apela para o elo de sucessão de TODAS as igrejas e não somente de Roma. A razão ele mesmo da ao dizer que "...seria demasiadamente longo, num volume como este, enumerar as sucessões de todas as igrejas..." , tanto é que mais adiante ele cita como exemplo Policarpo, bispo de Esmirna, e seus sucessores.
2. Irineu escolheu Roma justamente, por que como já dissemos, era a principal Igreja do Império, a mais rica e por isso a mais conhecida.
3. Outra razão era que muitos apócrifos petrinos (principalmente de origem gnóstica) circulavam em sua época, haja vista que os líderes hereges mencionados acima espalharam suas heresias em Roma no ministério de bispos como Higino, Pio e Aniceto; Ireneu apela (mesmo contra o depoimento das escrituras) para tais tradições e arbitrariamente atribui a fundação desta Igreja a Pedro e Paulo, lançando o prestígio que Pedro possuía entre eles contra os mesmos, tentando assim, um contra golpe nos argumentos gnósticos.
Vale a pena ressaltar que a frase do trecho acima recolhido no site católico é deveras tendenciosa quando traduz, "Com esta comunidade, de fato, dada a sua autoridade superior, é necessário que esteja de acordo toda comunidade..." No livro "Antologia dos Santos Padres" de Cirilo Folch Gomes, OSB - ed. Paulinas, traduz " Porque é com esta igreja (de Roma), em razão de sua mais poderosa autoridade de fundação, que deve..." (ênfase acrescentada) Não há nenhum indício de superioridade devido a um suposto papa nela residente. Outrossim, Ireneu apela não para a igreja de Roma como autoridade final, mas para a igreja "Católica", ou seja, UNIVERSAL espalhada pelo mundo todo, a comunidade de cristãos. Se de fato o apologista reconhecesse alguma superioridade, primazia jurisdicional, temporal ou espiritual no bispo de Roma; e neste como o sucessor de São Pedro com todas as regalias e autoridade que os papas modernos se auto intitulam, teria no livro III 24:1 de "Contra as Heresias", a preciosa oportunidade de afirmar que eles (os gnósticos) estavam separados da ROCHA que é Pedro. Entretanto, observe o que ele diz: "Porque não estão fundados sobre a única rocha, mas sobre a areia, a areia dos muitos saibros", com certeza uma referencia à passagem de Mateus 7:24-26.
Infelizmente todo o silogismo de Ireneu acabou numa apagogia!
CIPRIANO
"O Senhor diz a Pedro: "Eu te digo que és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão sobre ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus... O Senhor edifica a sua Igreja sobre um só, embora conceda igual poder a todos os apóstolos depois de sua ressurreição, dizendo: "Assim como o Pai me enviou, eu os envio. Recebei o Espírito Santo, se perdoardes os pecados de alguém, ser-lhes-ão perdoados, se os retiverdes, ser-lhes-ão retidos. No entanto, para manifestar a unidade, dispõe por sua autoridade a origem desta mesma unidade partindo de um só. Sem dúvida, os demais apóstolos eram, como Pedro, dotados de igual participação na honra e no poder; mas o princípio parte da unidade para que se demonstre ser única a Igreja de Cristo... Julga conservar a fé quem não conserva esta unidade da Igreja? Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja? Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?" (São Cipriano, +258, bispo de Cartago, Sobre a Unidade da Igreja).

À princípio devemos admitir que Cipriano cria que Roma era a cátedra de Pedro e assegurava naquela época a unidade das igrejas, pois havia um vinculo de fraternidade entre todas elas como bem atesta Tertuliano, " ... Foi inicialmente na Judéia que [os apóstolos] estabeleceram a fé em Jesus Cristo e fundaram igrejas, partindo em seguida para o mundo inteiro a fim de anunciarem a mesma doutrina e a mesma fé. Em todas as cidades iam fundando igrejas das quais, desde esse momento, as outras receberam o enxerto da fé, semente da doutrina, e ainda recebem cada dia, para serem igrejas. É por isso mesmo que serão consideradas como apostólicas, na medida em que forem rebentos das igrejas apostólicas. É necessário que tudo se caracterize segundo a sua origem. Assim, essas igrejas, por numerosas e grandes que pareçam, não são outra coisa que a primitiva Igreja apostólica da qual procedem. São todas primitivas, todas apostólicas e todas uma só. Para atestarem a sua unidade, comunicam-se reciprocamente na paz, trocam entre si o nome de irmãs, prestam-se mutuamente os deveres da hospitalidade: direitos todos esses regulados exclusivamente pela tradição de um mesmo sacramento" ( Da Prescrição dos Hereges XIII-XX ).Contudo, cada igreja era autônoma e possuía seus próprios patriarcas, o bispo de Roma não era o cabeça da cristandade como mais tarde veio a ser cada vez mais reivindicado pelos papas. Seja como for, uma coisa é certa, "Ele admitia a seu modo o primado romano" ( A. Hamman, "Os Padres da Igreja" - Ed. Paulinas). Ainda dizia Cipriano que a Sé de Pedro pertence ao Bispo de cada igreja local.
Algo que vem a corroborar para a derrocada romanista é o fato de que este trecho em outras versões não deixa tanto em relevo o primado de Roma. Onde uma traz, "Confia estar na Igreja, quem abandona a cátedra de Pedro sobre a qual está fundada a Igreja?", a outra se reserva aos dizeres: " Confia estar na Igreja quem se opõe e resiste à Igreja?" (ibdem)
Deve-se notar ainda que Cipriano escreveu esta carta para combater e rechaçar o cisma promovido por Felicíssimo em Cartago e concomitantemente enviou-a a Roma para combater o cisma que Novato criara na disputa do episcopado com Cornélio. O motivo principal do contraste entre Cornélio e Novato foi a atitude oposta em relação aos "lapsos", isto é, os cristãos que, por temor das perseguições, tinham renunciado a própria fé e que, passadas as perseguições, pediam para ser
readmitidos na comunhão da Igreja. Norteando-nos por este contexto podemos compreender o "porque" de Cipriano insistir na unidade da Igreja. Ele não estava exaltando o bispo de Roma, mas combatendo os cismas em Roma e em Cartago, onde era bispo.
SUJEIÇÃO AO BISPO DE ROMA, ONDE ?
Não obstante a história mostrar muitos bispos de outras igrejas estarem unidos a Roma e considerar de algum modo sua preeminência, no entanto eles não titubeavam em repreende-lo quando necessário. Posto que se trata de questões de primazia, é cabível acreditarmos que o Bispo romano apesar de reivindicar uma posição privilegiada não possuía nenhum poder maior sobre as demais igrejas. Algumas querelas que ficaram nos anais da história mostram isto de forma inequívoca. Na verdade muitos bispos romanos se curvaram perante a posição de alguns pais.
TERTULIANO
Não se sabe ao certo quando se estabeleceu essa presunçosa aspiração do bispo de Roma. Entretanto, já em 220 A.D, Tertuliano em sua obra De Pudicitia, emprega o termo (papa) de maneira sarcástica - como era seu estilo - ao referir-se a vários bispos da Igreja primitiva, com a qual rompera anos antes. Já nesta época por exemplo, Tertuliano acusava o bispo Calixto de querer ser o bispo dos bispos. Este título ao contrário do que muitos pensam, não era monopólio do bispo romano, muitos como Policarpo, Cipriano, Heraclas, Atanásio de Alexandria foram denominados de " PAPAS ". Tertuliano acabou rompendo por final com a Igreja de Roma.
POLICARPO E IRENEU
No ano 155 o Bispo Policarpo de Esmirna visitou o Bispo Aniceto de Roma e teve com ele algumas desavenças sobre algumas questões, e também a fim de persuadi-lo a aceitar a tradição estipulada pelo Apóstolo João de observar a Páscoa (Pascha), no dia judaico 14 de Nissan ou Passover, seja qual fosse o dia da semana. O bispo romano havia recebido uma tradição diferente através de Pedro e dos evangelhos sinópticos, de acordo com a qual a Páscoa deve ser sempre celebrada no Domingo, o primeiro (ou oitavo), dia da semana judaica após Nissan 14. Diz Eusébio citando Ireneu em sua História Eclesiástica (Livro V cap. XXIV) que nem Policarpo conseguiu persuadir Aniceto e nem este a Policarpo. No final ele acrescenta que "Aniceto cedeu a Policarpo". Mais tarde porém, o bispo Victor de Roma sofreu severas criticas por parte de Ireneu e outros bispos quando arbitrariamente quis impor sua autoridade desligando as Igrejas da Ásia por causa da tão chamada controvérsia "Quartodécima". Prossegue Eusébio relatando que o bispo romano foi, por muitos, duramente repreendido, "Também restam as expressões que empregaram para pressionar com grande severidade a Vitor. Entre eles também estava Ireneu..."(ibdem).
CIPRIANO
Estêvão I (254-357), romano, sucedeu a Lúcio I depois de uma vacância de dois meses. Afirmou insistentemente o primado, sobretudo nos contrastes com Cipriano, o influente bispo de Cartago, por problemas que se relacionavam com a disciplina eclesiástica ou questões teológicas, como a da validade do batismo administrado por heréticos. Estêvão, que representava a tradição de Roma, Alexandria e Palestina, acreditava que esse batismo era válido, contrastado nisso também pelo bispo Cipriano que seguia a mesma linha de Tertuliano e juntamente com os bispos da Ásia Menor, havia convocado dois sínodos para afirmar a não validade do batismo dos heréticos.
Naquela ocasião, Estevão recusou-se até mesmo a receber os enviados de Cipriano. Rebatizar segundo ele era contrário à tradição e isso não podia ser tolerado. Por sua vez Cipriano retrucou com a igreja romana apelando para a tradição de sua igreja. Convocando um novo Sínodo Cipriano pediu aos bispos que manifestassem suas opiniões, dizia ele: "Vamos, cada um por sua vez, declarar nosso sentimento em face deste problema, sem pretender julgar ninguém NEM EXCOMUNGAR os que forem de parecer diferente" (ênfase acrescentada). Duas coisas ficam evidentes nesta questão: A alusão ao autoritarismo de Estevão; e o mesmo direito que o bispo romano possuía para "excomungar", Cartago o tinha igualmente. Também pela mesma época, dois bispos espanhóis depostos por um sínodo espanhol, apelaram para Estevão e foram reintegrados a comunhão. Mas um sínodo, reunido por Cipriano na Metrópole da África, anulou o ato de Estevão, confirmando o sínodo espanhol. Ao que parece a unidade da Igreja Católica (Universal) , tão propalada pelo bispo Africano em sua "De Unitate Catholicae Ecclesiae" estava sendo rompida.
No ano de 418, reuniu-se em Cartago um Concílio de todos os bispos africanos, no qual foi sancionado o seguinte Cânon:
"Igualmente decidimos que os Presbíteros, Diáconos e outros Clérigos inferiores, nas causas que surgirem, se não quiserem se conformar com a sentença dos bispos locais, recorram aos bispos vizinhos, e com eles terminem qualquer questão... E que, se ainda não se julgarem satisfeitos e quiserem apelar, não apelem se não para os Concílios Africanos, ou para os Primazes das próprias Províncias: - e que, se alguém apelar para a Sé Transmarina (de Roma) não seja mais recebido na comunhão..."
Por esta Regra Conciliar se vê que os Bispos Africanos não aceitavam e não admitiam que fosse aceita a jurisdição do bispo de Roma!
AS CONTRADIÇÕES DAS TRADIÇÕES
Dizia Gregório de Nissa : "Se um problema é desproporcional ao nosso raciocínio, o nosso dever é permanecer bem firmes e irremovíveis na Tradição que recebemos dos Pais" Contudo, Deus não confiou na chamada "tradição oral", tanto é que mandou seus servos escreverem seu verbum sacrum em livros. A tradição com o passar do tempo corrompe o significado real das coisas. Muitas tradições aceita pelas igrejas entravam em flagrante contradição quando confrontadas umas com as outras, a titulo de ilustração temos o celebre caso da grande controvérsia sobre a páscoa já citada neste estudo. De um lado estava as igrejas da Ásia sustentada por certa tradição recebida segundo eles pelo apostolo João de que a páscoa tinha de ser celebrada no 14 Nisan, já as do Ocidente alegavam que haviam recebido uma tradição diferente dada pelo apostolo Pedro e Paulo de que deveria ser no domingo. Cada qual defendia ardorosamente sua posição. Será que Pedro e João transmitiram "tradições" diferentes a estas igrejas ? Quem estava certo ?
Veja que tais tradições não passam de meras contradições! As interpretações equivocadas e muitas vezes forçadas de alguns dos pais e escritores da igreja primitiva, começaram a ser transformadas em regras de fé pelos Concílios através dos séculos. Estes dogmas que existem hoje em dia na igreja Católica, foi apenas outrora a interpretação particular de alguns dos pais da igreja e não a regra de fé e prática de toda a igreja cristã, prova disso é que não havia unanimidade entre eles sobre vários assuntos. Por exemplo, Tertuliano era radicalmente contra o batismo infantil, já Orígenes era a favor, Anselmo afirmava que Maria nasceu com a mancha do pecado original, Jerônimo era ao que parece contra a chamada "tradição oral", Hegesipo e Ireneu e Tertuliano afirmavam que Maria teve filhos com José, Jerônimo defendia arduamente a virgindade perpétua de Maria, muitos eram a favor de que Pedro era o fundamento da igreja em Mateus 16:18, mas um número maior ainda era contra essa interpretação, como por exemplo, Agostinho, bispo de Hipona, o decreto Gelasiano afirmava que o livro intitulado "o pastor de Hermas" era apócrifo e promulgava que não deveria meramente ser rejeitados mas também "eliminados de toda a Igreja Católica e Apostólica romana, sendo que os autores e seguidores desses autores devem ser amaldiçoados com a corrente inquebrável do anátema eterno." Já Atanásio admoestava que era útil para a leitura não havendo menção a ele como apócrifo. Muitas posições teológicas defendidas por uns, eram rejeitadas por outros, não havia um consenso geral como querem nos fazer crer os estudiosos católicos! A igreja começou a transformar essas incongruências em dogmas somente após o século IV, por isso o Padre Benhard em 1929 escreveu: "...A Bíblia em si mesma, não é mais do que letra morta, esperando por um intérprete divino... Certo número de verdades reveladas têm chegado a nós, somente por meio da tradição divina." Ora, Jesus afirmou que a palavra de Deus é que é a verdade! Se há outras verdades que não são reveladas pelas escrituras que é a depositária de toda a verdade, então não são verdades, mas tão somente inverdades!
MAIS CONTRADIÇÕES
Vejamos ainda o "Decreto Gelasiano" que ao se referir sobre a morte de Pedro e Paulo afirma que os dois foram martirizados ao mesmo tempo: "Acrescente-se também a presença do bem-aventurado apóstolo Paulo, "o vaso escolhido", que não em oposição - como afirmam as heresias dos tolos - mas na mesma data e no mesmo dia, foi coroado com a morte gloriosa juntamente com Pedro, na cidade de Roma, padecendo sob Nero César; e igualmente eles fizeram a supra mencionada Santa Igreja romana especial para Cristo, o Senhor, e deram preferência de suas presenças e triunfos dignos de veneração perante todas as demais cidades existentes sobre a Terra." Dionísio é concorde com isto pois afirma: " Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina evangélica. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente" (Dionísio de Corinto, ano 170, extrato de uma de suas cartas aos Romanos conforme fragmento conservado na "História Eclesiástica" de Eusébio, II,25,8). Entretanto Paulo diz o contrário, "Só Lucas está comigo. Toma a Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério." A tradição diz que Pedro estava com ele mas Paulo desmente afirmando que só Lucas permanecia junto a ele antes de sua morte!

PERGUNTAS QUE OS CATÓLICOS PRECISAM RESPONDER
Mostraremos aqui algumas perguntas que são barreiras insuperáveis à tese católica da fundação, estadia, governo e a morte de Pedro em Roma.

1. Se Pedro esteve em Roma, então por que a Bíblia não diz nada sobre isto, já que menciona muitas cidades por onde passou como Jerusalém, Samaria, Lida, Jope, Cesaréia, Coríntios, Antioquia... mas sobre Roma no entanto, não diz nada?!
2. Porque Lucas "o historiador" não se preocupou em registrar nada sobre o "príncipe dos apóstolos" e seu episcopado em Roma, pelo contrário voltando-se quase exclusivamente ao ministério de Paulo?!
3. Paulo escreveu sua epistola aos Romanos (56-58) enviando saudações a 26 pessoas mas o nome do "Papa São Pedro" se quer é mencionado. Porventura deixaria Paulo de mencionar Pedro, caso estivesse ele em Roma e ai fosse bispo? Outrossim, Paulo ao enviar as "cartas do cativeiro", escritas em Roma envia saudações citando nominalmente 11 irmãos. Se Pedro estivesse em Roma teria Paulo omitido seu nome em todas as quatro cartas ? Creio que não!
4. Demais disso, não teria Paulo invadido o território jurisdicional de Pedro ao enviar uma carta de instruções corretivas àquela Igreja ? Onde estava Pedro que não instruía os romanos sobre a justificação pela fé ?
5. Entre os anos 60-61 Paulo chega preso em Roma (At. 28:11,31), Lucas registra que os irmãos foram vê-lo (At. 28:15). Mas onde estava Pedro que não foi receber seu colega de ministério?
6. Suetonius Tranquillus, pagão, na Biografia do Imperador Cláudio, diz: "Judacos, impulsore Cresto, assidue tumultuantes Roma expulit". Quer dizer: - O Imperador Cláudio expulsou de Roma os Judeus que viviam em contínuas desavenças por causa de um certo Cresto (Cristo). Ora, Cláudio foi Imperador desde o ano de 41 até 54. Logo, durante esses treze anos não era possível que S. Pedro residisse em Roma.
No Capítulo 18 dos Atos dos Apóstolos, lemos que Paulo, depois do célebre discurso no Areópago, seguiu para Corinto, onde se encontrou com Áquila e sua esposa Priscila, recentemente chegados de Itália, pelo motivo de Cláudio Imperador ter mandado sair de Roma a todos os judeus. Ora, este encontro do Apóstolo deu-se no correr da sua segunda viagem apostólica, isto é, entre os anos de 52 a 54. Logo, ainda nesses anos Cláudio não permitia a permanência de judeus em Roma. Como ficaria lá São Pedro, que, como Apóstolo, devia necessariamente chamar a atenção geral sobre sua pessoa?
7. Se Pedro estivesse em Roma no ano 60 como se afirma a tradição, como então deve se entender as palavras de Jesus a Paulo em Atos 23:11 que diz: "Importa que dês testemunho de Mim também em Roma." Ora, onde estava Pedro "o Papa" da cristandade que não tornava conhecido o nome de Jesus nesta cidade ?
8. Paulo foi a Roma a primeira vez prisioneiro, em virtude de haver apelado para o Tribunal de César, pelos anos de 60 ou 61, lá não encontrando cristãos entre os judeus. Ora, se S. Pedro estivesse em Roma pregando exclusivamente aos judeus como nos garante Eusébio, como se pode explicar a ignorância dos principias judeus de Roma, que disseram a Paulo: "Quereríamos ouvir da tua boca o que pensas, porque o que nós sabemos desta Seita (dos Cristãos) é que em toda parte a combatem". Então Pedro, durante dezoito anos, poderia permanecer desconhecido dos principais judeus de Roma? Ele, a quem fora confiado o Ministério aos circuncidados no dizer de Paulo (Gal. 3,7-10) e de Eusébio Pámphili?
9. Ora, mas se Pedro estivesse preso, não seria esta a razão de sua omissão? Neste caso Paulo seria relapso em não registrar este fato como fez com seus demais companheiros de prisão (cf. Colossenses 4:10 - Filemon 23).
10. Diz os estudiosos católicos que Pedro morreu no reinado de Nero em 69 d.c, outros coloca o ano de 67, e ainda outros 64. A tradição diz que ele exerceu o episcopado durante 25 anos. Subtraindo 25 de 69 chegamos ao ano de 44 onde afirma a tradição que Pedro chegou a Roma (Hist. Ecl. II - XIV) Esta tese encontra duas grandes dificuldades: A primeira é que o edito de Nero expulsando os judeus durou de 42 até 54, motivo também da expulsão de Áquila e Priscila. Pedro não seria exceção tampouco! A segunda é que no ano 45, Pedro escreve sua primeira epistola, e que por sinal não era de Roma mas de "Babilônia", cidade existente naqueles dias (I Pedro 5:13).
11. Se Roma tem a primazia por ser supostamente considerada a cidade em que Pedro alegadamente exerceu seu ministério, então razão maior deveria ser dada a Antioquia pois diz a mesma tradição que antes de Pedro ir para Roma exerceu primeiro seu episcopado em Antioquia deixando lá seus sucessores: Evódio e Inácio.
12. Porque estudiosos católicos como Rivaux, Fank, Hughes e Daniel Rops se contradizeram ao fazer as listas dos bispos de Roma já que usaram a mesma tradição como fonte?

DESLIZES DOS SUPOSTOS PAPAS
O papa Marcelino entrou no templo de Vesta e ofereceu incenso à deusa do paganismo Foi, portanto, idólatra; ou,pior ainda; foi apóstata! Libório consentiu na condenação de Atanásio; depois, passou-se para o arianismo fato este confirmado até por Jerônimo. Honório aderiu ao maniqueísmo. Gregório I chamava Anticristo ao que se impunha como Bispo Universal; e, entretanto, Bonifácio III conseguiu obter do parricida imperador Focas este título em 607. Pascoal II e Eugênio III autorizavam os duelos, condenados pelo Cristo; enquanto que Júlio II e Pio IV os proibiram. Adciano II,em 872, declarou válido o casamento civil; entretanto,Pio VII, em 1823, condenou-o.Xisto V publicou uma edição da Bíblia e, com uma, recomendou a sua leitura; e aquele Pio VII excomungou a edição. Clemente XIV aboliu a Companhia de Jesus, permitida por Paulo III; e o mesmo Pio VII a restabeleceu.
Vergílio comprou o papado de Belisário, tenente do imperador Justiniano. Por isso, foi condenado no segundo concílio de Calcedônia, que estabeleceu este cânone:O bispo que se eleve por dinheiro será degradado. Sem respeito àquele cânone, Eugênio III, seis séculos depois, fez o mesmo que Vergílio, e foi repreendido por São Bernardo. Deveis conhecer a história do papa Formoso: Estêvão XI fez exumar o seu corpo, com as vestes pontificais; mandou cortar-lhes os dedos e o arrojou ao Tibre. Estêvão foi envenenado; e tanto Romano como João, seus sucessores, reabilitaram a memória de Formoso. Barônio o Cardeal chega a dizer que as poderosas cortesãs vendiam, trocavam e até se apoderavam dos bispados; e, horrível é dizê-lo, faziam papas aos seus amantes! Genebrardo sustenta que, durante 150 anos, os papas, em vez de apóstolos, foram apóstatas. Deveis saber que o papa João XII foi eleito com a idade de dezoito anos tão-somente, e que o seu antecessor era filho do papa Sérgio com Marózzia. Que Alexandre XI era... nem me atrevo a dizer o que ele era de Lucrécia; e que João, o XXII, negou a imortalidade da alma, sendo deposto pelo concílio de Constança.
O papado continuou tendo seus períodos sombrios, marcados por imoralidade e corrupção. Um desses períodos ocorreu entre o final do século IX e o início do século XI, quando a instituição papal foi controlada por poderosas famílias italianas. A história revela que um terço dos papas dessa época morreu de forma violenta: João VIII (872-882) foi espancado até a morte por seu próprio séquito; Estêvão VI (885-891), estrangulado; Leão V (903-904), assassinado pelo sucessor, Sérgio III (904-911); João X (914-928), asfixiado; e Estêvão VIII (928-931), horrivelmente mutilado, para não citar outros fatos deploráveis. Parte desse período é tradicionalmente conhecida pelos historiadores como "pornocracia", numa referência a certas práticas que predominavam na corte papal.
HISTÓRIAS QUE OS CATÓLICOS NÃO SABEM
Ora, a sucessão do bispado de Roma foi interrompida por mais de uma vez, como se convencerá o Leitor pela narração da História Eclesiástica do Cardeal Hergenroeter, completada pelo Mons. J P Kirsch e traduzida para italiano pelo P. Enrico Rosa, jesuíta. Eis quanto nos contam esses conspícuos personagens, romanos como os que mais o sejam. No Terceiro Volume da Soterrai dela Cheias, edição da Liberaria Fiorentina, de 1905, páginas 247 e seguintes:
Com a morte do papa Formoso, a 4 de abril de 896, começou uma era de profunda depressão para a Sé romana, como nenhuma houve antes, nem depois... As facções políticas dela se apossaram, ameaçando de arrastá-la a barbárie dos tempos. Dentro de oito anos (896-904) sucederam-se nove Pontífices, BONIFÁCIO VI, eleito tumultuariamente, só reinou por quinze dias, pois que o partido Spoletano entronizou um dos seus - ESTEVÃO VI (propriamente VII). Este ultrajou a memória de Formoso com cego furor... Mandou desenterrar seu cadáver e apresentá-lo perante um Tribunal Eclesiástico, que o declarou papa ilegítimo, e nula sua eleição! Em seguida atiraram o cadáver no Rio Tibre... Em uma arruaça, Estevão foi apanhado e estrangulado no cárcere, em Junho ou Julho de 897*
Sucedeu-lhe um sacerdote ancião de nome Romano, o qual só pontificou quatro meses. Assumiu então o papado THEODORO II. que só durou vinte dias. JOÃO IX ficou até o estio de 900. BENTO IV até 903. LEÃO V foi, antes de um mês de pontificado precipitado por CRISTÓVÃO, e este. no fim de Maio de 904, teve o mesmo fim às mãos de SÉRGIO III.
Este (Sérgio) já desde o reinado de Teodoro II havia tentado apoderar-se do trono pontifício, sendo, porém, expulso e exilado. Depois de sete anos de exílio, chegou finalmente ao termo de suas ambições. Ele havia sido sagrado bispo de Cere pelo papa formoso, o qual assim tentara afastá-lo da Corte romana, por ser elemento indesejável. Entretanto, tão logo assentado na curia pontifícia, declarou ilegítimas todas as ordenações conferidas por Formoso (portanto também a própria sagração episcopal!) perseguindo com ódio feroz a quantos daquele houvessem recebido a imposição das mãos. Sérgio III faleceu em Agosto de 911.
Paremos um momento para... respirar. Estes senhores que se sucederam mediante o assassinato uns dos outros; estes senhores que foram eleitos (?) à força de traições, de violências inqualificáveis; estes serão sucessores legítimos dos santos mártires Lino, Cleto e clemente? OH! NÃO! O bispado de Roma vagou nesse tempo, e os bispos posteriores já não podem ser considerados sucessores de aqueles aos quais os Apóstolos Pedro e Paulo confiaram a cura espiritual da Igreja Romana.
A Sérgio III sucedeu Anastácio III de Agosto de 911 a Outubro de 913; depois veio LANDÃO, até Abril de 914, e JOÃO X , filho da DITADORA MARÓCIA e do papa SÉRGIO III, primo do primeiro marido dela, o Príncipe ALBERICO, Marócia casara-se no ano de 905 em primeiras núpcias com este Príncipe da linhagem dos Condes de Túsculo, liquidando-o no mesmo ano, para se casar com GUIDO, Marquês de Toscana, JOÃO X, que passava por filho do primeiro leito de Marócia, não podia ter mais de dez anos de idade, quando recebeu a sagração suprema, em 914. Durante 14 anos empunhou o Báculo Pastoral, até que, tendo veleidades de independizar-se, foi metido no cárcere, onde expirou em Junho de 928. No ano seguinte Marócia liquidou o segundo marido, e se fez reconhecer como SENADORA E PATRICIA, imperando sozinha.
A João x sucedeu LEÃO VI, e, sete meses depois, ESTEVÃO VII. Em 931, outro filho de Marócia subiu ao trono, com o nome de JOÃO XI. Em 932, Marócia casou-se com o Rei Hugo, irmão de seu segundo marido. João XI foi liquidado em 936, sucedendo-lhe LEÃO VII (936-939). ESTEVÃO VIII (propriamente IX), de 939-942; MARINO II, de 943-946; AGAPITO II, de 946-956; e finalmente OTAVIANO, neto de Marócia, e que foi o primeiro a mudar de nome ao galgar o trono papal. Tinha ele 18 anos de idade, e tomou o nome de JOÃO XII.
Em toda primeira metade do Século X, tudo parecia fora dos eixos; a corrupção do século inundará a igreja (romana) e nesta não mais existia disciplina... Roma, então envelhecida como Capital de um pequeno Principado, devia retornar pouco a pouco à sua antiga dignidade de Capital do Mundo e à sua sublime Missão - É o que se lê à página 252 do Volume acima citado da STORIA DELLA CHIESA. Pois bem, assim com o OTÃO I, (Imperador desde o ano de 936) não se pode considerar sucessor de Constatino o Grande, e nem mesmo de Carlos Magno; assim, os bispos que se seguiram a estes, não podem razoavelmente ser tidos e havidos como legítimos sucessores dos Bispos de Roma dos tempos apostólicos.
Leiamos agora a página 271 do mesmo Volume da STORIA: - *JOÃO XIX, acusado de negligente e de avaro, reinou até 1032. A maior desgraça da igreja (romana) era que a sua família (dos Condes de Túsculo) mostrava-se convencida de que para sempre o pontificado (romano) era um bem hereditário de sua propriedade. E sem atender ao mérito de quem o ocupasse, esforçava-se por conservá-lo. Desta progênie haviam já saído seis papas, e agora o sétimo, rapaz ainda não de vinte anos, filho de Alberico, e irmão dos papas anteriores, chamava-se TEOFILACTO. Não foram ouvidos os Cardeais, e o povo (que então tinha voz ativa nas eleições) foi comprado por bom dinheiro, sendo assim eleito em modo totalmente tumultuário, esse jovem licencioso, que com o nome de BENTO IX, devia por onze anos (desde 1033 a 1044) ser o vitupério da igreja (romana) *. Até aqui os nossos Autores (os parênteses são nossos). Agora vamos resumir a história.
TEOFILACTO que, ao ser eleito (?) papa em 1033, contava apenas 12 anos de idade, só veio a morrer em 1065, com 44 anos. Em 1044, rebentou uma revolta geral contra ele, BENTO IX se escapuliu, e em seu lugar foi coroado papa, JOÃO, bispo de Sabina, que tomou o nome de SILVESTRE III. Mas, em Abril do mesmo ano, BENTO IX conseguiu voltar ao trono e excomungou todos os rebeldes, mandando muitos deles para o outro mundo. Vendo-se, porém, em perigos contínuos, renunciou, no dia 1 de Maio de 1045, deixando a Cátedra de S. Pedro (incrível, mas verdadeiro!) a um Arcipreste chamado João Graciano, o qual tomou o título de GREGÓRIO VI, e gratificou com *Grossa somma di dinaro* ao seu abnegado e digno Antecessor! (Graciano era um consumado jurista, e conhecia perfeitamente o valor dos argumentos áureos!)*
BENTO IX, com a bolsa bem recheada, se retirou para um dos Castelos de sua nobre família, depois de assinar renúncia formal da Santa Sé, Pouco depois, porém, se arrependeu do mau passo e, apoiado pelos seus poderosos parentes, pretendeu voltar ao Trono. Nada mais natural! Rapaz de 22 anos, cheio de vida e de santidade papal, que renunciara ao seu sublime Cargo não tanto pelo dinheiro (que lhe sobrava), quanto pelo amor de uma filha do Conde Gerardo de Sasso (que lhe fazia muita falta) nada mais natural, digo, - que pretendesse reassumir a Tiara, para repartir os graves encargos da mesma com a sua direitíssima e digníssima Amásia, com a qual tentara se casar quando ainda era papa. Mas os cardeais o impediram.
Assim ficou a Cátedra de S. Pedro com três Titulares: BENTO IX, que retirara a renúncia; SILVESTRE III, que recusava renunciar; e GREGÓRIO VI, que havendo adquirido por *grossa soma di dinaro* o Sólio Pontificio, julgava-se de pleno direito senhor do mesmo.
A ÁGUIA DA GERMANIA (o Rei Henrique III) olfatando fácil e pingue presa, desceu em amplo remigio até a Itália, e se fez coroar Rei da Lombardia a 25 de Outubro de 1046, em Pavia, solicitando de Gregório VI uma entrevista em Placência. Desta cidade seguiram ambos com grande pompa para Sutri, onde se reuniu um Concílio sob a Alta Direção de Henrique III. Neste Concílio, Gregório VI renunciou ( espontaneamente, já se vê!); de Bento IX não se disse palavra (para não magoar sua nobre família, certamente!); e Silvestre III foi aprisionado e recolhido ao aljube de um Mosteiro, em castigo do seu pecado de simonia. Henrique III mandou então a Suidgero de Bamberga, que subiu a Cátedra de S. Pedro com o título de CLEMENTE II. Este foi o segundo papa alemão. No mesmo dia da sua Coroação, 25 de Dezembro de 1046, CLEMENTE II, coroou a Henrique III e sua esposa Inês Imperadores do restaurado Sacro Romano Impero.
Reflitamos um momento. Ou a venda da Cátedra de S. Pedro, feita por bento IX a Graciano foi válida, ou não foi. Se foi válida, já ninguém pode falar em pecado de simonia; e ficam plenamente justificadas as compras de bispados e as vendas das melhores Paróquias e dos Santuários (Aparecida do Norte, Bom-Fim de Salvador, etc) a frades estrangeiros, que se negociam em vários países (menos no Brasil!) Se aquela negociata de Bento IX não foi válida, segue-se que BENTO IX continuou papa legítimo, havendo sido injustamente esbulhado por seis papas intrusos, postos na Sé Romana pelo Imperador Henrique III, durante a vida de Bento IX.
Mais outra: - Ou o Imperador tinha direito de nomear os papas, ou não! Se sim! Então houve ocasião em que muitos eram papas legítimos ao mesmo tempo. Se não! Houve tempos em que a Cátedra de S. Pedro ficou vacante, não obstante estar ocupada por vários apaziguados do Imperador. Com Henrique III viera o MONGE BENEDITINO ainda simples HILDEBRANDO, o qual desde então foi o verdadeiro Chefe da igreja Romana manobrando a seu bel-prazer meia dúzia de papas-titeres, e fazendo-se aclamar papa somente em 1078. Foi o celebérrimo GREGÓRIO VII, santo canonizado romano.
HILDEBRANDO, porém, não obstante dotado de notável senso político e de admirável audácia, não possuia o poder de afugentar a MORTE! Bento IX, Conde de Túsculo, fazia desaparecer a todos os alemães indicados por Hildebrando e entronizados por ordem de Henrique III, na Cátedra de S. Pedro.
CLEMENTE II morreu a 9-10-47. Bento IX se prontificou para reassumir o Pontificado, mas os romanos, depois de terem conhecimento dos desejos de Henrique III, de reservar o Pontificado a seus súditos alemães, lhe pediram que houvesse por bem mandar sagrar um novo papa por ele escolhido livremente, Henrique III enviou da Alemanha a POPPONE, bispo de Brixen. Depois de muitas peripécias suscitadas pela oposição da família de Bento IX, Poppone foi entronizado em Julho de 1048, com o nome de DAMÁSIO II. Mas... faleceu repentinamente, por esse tempo, na Alemanha.
Henrique III viu-se então em talas para encontrar um novo papa... Nenhum alemão queria aceitar a honra de ser Sucessor de S. Pedro!... O Imperador nomeou então a BRUNO, bispo de Toul, e seu parente (da família dos Condes de NORDGAU, na Alsácia). Este só se resignou a ser papa, com a condição de ser aceito pelos romanos em eleição popular, livre e pacífica. De Toul, seguiu ele para Besanón, onde recebeu a guarda toda poderosa de Hildebrando, que se lhe fez companheiro de viagens desde Cluny até Roma. Entrou ele na Cidade a pé, descalço e com túnica de peregrino, sendo muito bem recebido, e coroando-se Sumo Pontífice com o nome de LEÃO IX.
Em Maio de 1053, São Leão IX, Papa, envergando a farda de General, pôs-se a testa de aguerrido exército para combater os Normandos, que haviam invadido o Sul da Itália. A 18 de Junho seu exército foi totalmente derrotado e desbaratado, e o Sumo Pontífice, a-pesar-de santo e general, caiu prisioneiro. Nessa condição ficou detido em Benevento até que cedesse a todas as imposições dos seus vencedores. Depois de completa Capitulação, foi posto em liberdade a 12-8-1054, reentrando no Palácio do Latrão a 3 de Abril. A 18 do mesmo mês pontificou solenemente na Basílica de S. Pedro, mas... no dia seguinte faleceu misteriosamente!... Assim foi-se São Leão IX, Patrono dos Generais derrotados!
Bastem estes fatos. Não é aqui o lugar de rememorar todos os casos em que a Sede Romana esteve em desordem; por exemplo, no começo do século 15, em que quatro papas legítimos excomungavam; cada um deles excomungava três papas legítimos, e era declarado excomungado por cada um de seus três colegas Sucessores de São Pedro, infalíveis, Vigários de Cristo, etc, etc... (Veja o II Apêndice).
Responda agora o Leitor: - Será o papa Pio XII legítimo Sucessor de S. Pedro? (Poderá ser legitimamente eleito papa, quem se acha incurso na excomunhão fulminada pelo Canon 2335?
DIVERGÊNCIAS E CONTRADIÇÕES
Se os papas não ambicionassem a "infalibilidade" não haveria razão para citações de suas contradições e divergências; como pôr exemplo o Papa Gregório I que condenava a idéia de um "Sacerdócio Universal nas mãos de um só homem". Mas foi o que fizeram.
Sobre o cisma do ocidente, vejam o que nos diz certo livro católico:
RETORNO DOS PAPAS A ROMA
O retorno dós papas a Roma não foi suficiente para que a paz fosse alcançada. Uma dura luta, incentivada pelo clero e pelos mesmos cardeais, criara graves dificuldades no seio da Igreja, levando-a ao grande Cisma do Ocidente (de 1378 a 1418). Nesses quarenta anos a história do papado atravessara um período obscuro, marcado por lutas entre papas e antipapas que se excomungavam mutuamente, usando qualquer subterfúgio para derrotar o adversário, chegando até ao emprego da guerra e do crime político. O poder papal, nessa época, está assim representado:
Em Roma :
- Urbano VI (1378-1389)
- Bonifácío IX(1389-1404)
- Inocêncio VII (1404-1406)
- Gregório XII (1406-1417) (destituído no Concílio de Pisa, em 1409, abdicou no Concílio de Constança, em 1415)
Em Avinhão :
- Clemente VII (1378-1394)
- Bento XIII (1394-1424) - (destituído no Concílio de Pisa, em 1409, e novamente em Costança em 1415)
Antipapas:
_Clemente VIII (1423-1429)
- Bento X1V (1425-1430)
Em Pisa:
- Alexandre V: (14O9-141O)
- João XXIII (1410 - 1419)
(Destituído no Concílio de Constança em 1415).
Para se ter uma idéia da confusão que reinava na época entre os cristãos, basta lembrar que vários santos apoiaram papas considerados ilegítimos. S. Catarina de Sena, por exemplo, apoiava o papa de Roma, enquanto S. Vicente Ferrer e o Beato Pedro de Luxemburgo defendiam o papa de Avinhão.
A Igreja acabou considerando legítimos somente os quatro papas romanos e antipapas os de Avinhão e Pisa.
O Concílio de Constança (1414-1418) pôs fim ao grande Cisma com a eleição de Martinho V.
Extraído do livro católico: OS PAPAS, A. PINTONELLO, EDIÇÕES PAULINAS.
Tivemos também o Papa Leão X contemporâneo de Lutero que não cria na eternidade...
Os Papas S Clemente e Gelasio I nunca aceitaram a Transubstanciação, diziam que "A natureza do pão e do vinho não se alteram". Mas o Papa Inocêncio III, ano 1198, forçou e "decretou' a transubstanciação!
Como não é possível acarear esses papas os padres de hoje deveriam estudar a Bíblia pôr si mesmos. Entre centenas de teólogos católicos que discordaram da transubstanciação temos o Abade de Fulda, Rubano Mauro e o Monge Ratramno do mosteiro de S. Pedro que diziam "A benção não altera a substância." Também S. João Crisóstomo resistia e Santo Agostinho parecia zombar quando escreveu. "Não se pode engolir Aquele que subiu vivo para o Céu". Mas a ignorância tomou-se moléstia geral
Muitos bispos e padres divergem de muitos dogmas que se fossem abolidos aplaudiriam, ensinam pôr Ofício. Necessitam da transubstanciação. Do Culto às imagens, do Purgatório e outras crendices para manter o sistema em pé. Se forem removidas, o catolicismo cai!
Divorciada dos Evangelhos a Igreja não consegue gerar seus próprios sacerdotes. "No Brasil a metade dos padres são estrangeiros" informa dom Luciano na Revista Veja de 30 de janeiro de 1980.
O Estado do Vaticano é contra o divórcio, ficam "angustiados" quando ele é votado nos países católicos mas mantém o "Tribunal de Rota" que anula casamentos de casais ilustres pôr grandes somas de dinheiro.
Induzem consciências sensíveis escravizando-as. Ha centenas talvez milhares de moças e senhoras, sem identidade, envelhecendo enclausuradas em lúgubres conventos devido a fé falsa que receberam. Ninguém sabe que tipo de tratamento recebem. O Catolicismo deveria recuperar suas mentes distorcidas, abrir os portões, devolvendo-as à sociedade. Cristo nunca propôs uma instituição assim. Ele disse que "Não se deve esconder uma luz". (Evangelho de Lucas 11:33)
Também o Vaticano não está em condições de falar sobre "Direitos Humanos" pôr conflitar com a história da Igreja. Falta espaço para comentar esse assunto, mas presentemente estão bloqueando o pedido insistente de 6 mil padres que desejam deixar a batina. (Est.S. Paulo 13-2-80). Mesmo assim, 1.264 padres deixaram a batina em 1982 e nos últimos 8 anos em todo mundo 34.144 padres desertaram. (Inf. o Vaticano, Est. S. Paulo de 11-9-84).
O afã de apresentarem-se como Estado político e religioso os tem levado a contradições:
Temendo o Comunismo abrigam-se no Ocidente, mas pôr desgraça, se houver uma reviravolta na política, esperam sobreviver porque "jogam nos dois times... "
Nunca se ajeitaram com Democracia e Liberdade. Reclamam esse direito somente nos países onde não dominam. Pio IX disse que "A Liberdade de Consciência foi o mais pestilento de todos os erros". (Encic. de 15-8-1954).
....
BENÇÃOS DO PAPA SE TRANSFORMAM EM MALDIÇÕES
Figuras públicas que foram "abençoadas" são atingidas por doenças e desgraças.
Recentemente o brasileiro Rubens Barrichello, piloto de fórmula 1 da equipe Ferrari foi com uma comitiva esportiva até o Vaticano presentear o Papa com uma réplica do carro F2004. E em troca deste generoso presente o Papa abençoou o piloto brasileiro.
Rubens que já possui fama de azarado na fórmula 1 tem motivos para ficar ainda mais preocupado. É que os fatos que vamos mostrar aqui, podem não passar de desastrosas coincidências, mas são capazes de arrepiar qualquer cristão: as "bênçãos" do papa vêm se transformando mesmo é em maldição. Afora os inúmeros casos publicados até pela imprensa secular, atuais ou centenários, salta aos olhos a quantidade de personalidades do meio artístico e político, que de uma hora para outra, viram suas vidas profissional e pessoal destruídas e lançadas no fundo do poço, após um encontro com o papa.

A lista é imensa...
A escritora e pesquisadora de religiões Mary Schultze, autora do livro "A Deusa do Terceiro Milênio", deu uma lista destas personalidades e a influência das "bênçãos" do Papa na vida delas.
Quando analisamos tantas "coincidências", não podemos deixar de alertar as pessoas no sentido de buscarem somente as bênçãos de Cristo, pois os fatos têm demonstrado que receber bênção do papa parece não ser um bom negócio.
De acordo com a pesquisadora, é extensa a lista de figuras e personalidades da história que foram brindadas com a bênção papal e em seguida foram atingidas por algum infortúnio:
Brasileiros:
Na lista de Mary, não faltam figuras brasileiras atingidas pela "bênção do papa", como por exemplo:
O ex-presidente Washington Luiz, foi deposto do cargo, em 1930, logo após ser abençoado pelo Papa.
Já a princesa Isabel foi "abençoada" com a sua expulsão do Brasil, depois de um encontro pessoal com o papa.
O presidente brasileiro Campos Salles - foi assassinado poucos dias depois.
O Presidente brasileiro Afonso Pena - morreu um mês depois.
Dos tempos atuais, duas figuras queridas dos brasileiros também passaram por tribulações e, coincidência ou não,tinham recebido a bênção do papa:

O cantor Roberto Carlos, católico declarado, e sua esposa, Maria Rita, estiveram com João Paulo II em sua última visita ao Brasil, em 97. Pouco mais que um ano depois, ela estava com câncer.
Já o craque Ronaldinho pediu para o papa abençoar, em 98, as alianças de noivado
com a modelo Suzana Wemer, antes da Copa da França. Resultado: além de ver terminado o seu noivado com a modelo, aconteceu o pior: o Brasil perdeu a Copa. E como se não bastasse, Ronaldinho passou as últimas semanas resistindo a uma campanha de difamação por parte da imprensa secular, que tentava envolvê-lo em um escândalo junto a uma agência de prostituição, na Itália. Sem falar do problema no joelho que quase o colocou de vez fora dos gramados.
Outras figuras importantes:
O evangelista Billy Graam, mesmo conhecendo a fundo a Palavra de Deus, foi a Roma pedir a bênção do papa e, estranhamente, foi acometido do Mal de Parkinson (doença degenerativa do sistema nervoso que provoca tremores incontroláveis).
O papa abençoou Carlota de Bourbon e quando voltou de Roma, enlouqueceu.
O príncipe Napoleão IV morreu logo após ter sido abençoado pelo papa, antes de seguir para Zuzulândia.
Já o príncipe Rodolfo, da Àustria, se suicidou, em 1889, depois de um encontro com o papa.
O jogador Maradona amargou a derrocada de sua brilhante carreira de outrora. Ele também pediu a bênção do papa, e recebeu. Coincidência ou não, perdeu o título do mais famoso campeão argentino e a sua imagem nunca mais foi a mesma, pois não conseguiu se livrar das drogas até hoje.
Afonso XII - morreu prematuramente.
Princesa Lady Diana - Em 1997, morreu em violento acidente auto mobilístico algum tempo antes havia ido a Roma pedir a bênção do papa.
O Imperador da Áustria, Francisco José - sofreu a terrível derrota de Sadowa.
Napoleão III - foi preso na Prússia e morreu exilado e destronado.
Os navios "Santa Maria"e "América" - naufragaram com perda total.
Diz o ex-padre veneziano, Joseph Zachello que serviu o Papa por 34 anos:
Em 1851 Pio IX concedeu a "Rosa de Ouro" ao Rei das Duas Sicilias. Em menos de um ano ele perdeu a coroa e o reino.
Em 1866 Ele abençoou o Kaiser da Áustria. Em menos de um ano este imperador perdeu Veneza e a guerra seguinte.
Em 1867 o Papa abençoou Maximiliano. Imperador do México. Logo em seguida ele foi destronado e morto a tiros.
Em 1895 O Arcebispo de Damasco deu a bênção papal às tropas e frota espanholas. Logo em seguida a Espanha perdeu ambas.
Em 1897 O Núncio Apostólico abençoou o grande "Bazar da Caridade", em Paris. Cinco minutos mais tarde o prédio ardia em chamas e 150 pessoas da aristocracia pereceram, inclusive a filha da Imperatriz da Áustria.
Em 1906 Fugene Victoria (Ena), filha do Príncipe Henrique, casou com Afonso XIII, Rei da Espanha. sob a bênção papal. Ela havia sido obrigada a renunciar sua fé protestante e por isso foi abençoada. Embora, uma quinzena mais tarde, tenha escapado milagrosamente de um atentado, no qual 13 pessoas pereceram, seu vestido de noiva ficou todo respingado de sangue.
Em 1923 O Papa lhe mandou a "Rosa de Ouro". Em 1931. ela e o marido foram exilados, quando a Itália se transformou em República, por determinação do Papa. que precisava colocar no Governo daquele país o seu protegido General Franco, para a II Guerra Mundial.
Em 1924 Um rico proprietário de terras nos Estados Unidos - Mr. Edwards - converteu-se ao Catolicismo Romano. Dois anos depois foi a Roma receber a bênção do Papa. tendo morrido 4 dias após e deixou uma rica herança para o Vaticano.
Parece coincidência... Mas é bom não arriscar. Quando Mussolini invadiu a Abissínia e varreu os pobres negros do mapa, o Papa o abençoou nessa "cruzada santa". Só que, pouco tempo depois, Mussolini e sua amante Clara Petacci foram linchados pelo povo.
Já Winston Churchill, o Leão da II Guerra Mundial, foi a Roma receber a bênção do Papa. Perdeu logo o prestígio em seu país, mesmo tendo ganho essa Guerra para os Aliados.
Quanto a Roosevelt, mandou um representante ao Vaticano "apanhar" a bênção. Perdeu o respeito do povo americano e morreu logo em seguida, sem contemplar a vitória para os Estados Unidos.
Em 1951 A futura Rainha da Inglaterra foi pedir a bênção do Papa. Pouco tempo depois a Inglaterra perdeu os poços petrolíferos no Irã, o Canal de Suez e a guerra contra o Egito.
E para encerrar, em 1958 o Cardeal Stritch. de Chicago, ao ser nomeado Representante no Vaticano, para lá se dirigiu. Adoeceu gravemente e o Papa, que havia abençoado sua viagem, não foi capaz de visitá-lo, quando ele teve de amputar um braço e morrer a poucas quadras da Catedral de São Pedro.
Diante do exposto acima só nos resta orar para que Deus proteja a vida e a carreira de Rubinho e que as "bençãos" do Papa não o alcance também, de modo que possa nos dar novamente a alegria e as vitórias que tanto nos brindava Airton Senna.
A Palavra de Deus é muito clara quanto à origem da bênção, que só pode vir do Senhor; e de nenhum homem ou imagem, mas o catolicismo insiste em transferir para a figura do papa poderes que só pertencem a Deus. A leitura da Bíblia e a observância de seus mandamentos são capazes de atrair bênçãos sem medida sobre a vida do cristão, conforme diz a Palavra "O Senhor determinará que a bênção esteja nos teus celeiros, e em tudo o que puser a tua mão: e te abençoará na tenda que te dá o Senhor teu Deus" (Deuteronômio 28.8).
Fonte:
Livro A Deusa do 3º Milénio - Mary Sshultze - Ed. Gráfica Universal Ltda.
Jornal Folha Universal 15/08/99 pág. 9b
Artigos compilados pela redação do CACP



·         BIBLIOGRAFIA:
http://www.celebrandodeus.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário

OLA!.EU SOU MARCIO DE MEDEIROS-PROF.DO SETEF,SEJA BEM VINDO AO NOSSO BLOG.JESUS TE AMA E MORREU POR VOÇÊ!!!.
TEMOS,1 SITE DESTINADO A CULTURA GERAL , OUTRO SITE DESTINADO À ASSUNTO BÍBLICOS E UM OUTRO SITE DESTINADO À ENTRETENIMENTO,TEMOS:JOGOS,FILMES,DESENHOS ETC.USE OS LINKS ABAIXO PARA VISITAREM OS SITES.TEMOS 3 SITES E 1 BLOG.BOM PROVEITO!.

https://sites.google.com/
http://www.prof-marcio-de-medeiros.webnode.com/
http://profmarcio.ucoz.com