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sábado, 20 de outubro de 2012

77-CODEX E MANUSCRITOS DA BIBLIA

O QUE SÃO O CODEX SINAITICUS E O CODEX VATICANUS?
Por Jones Mendonça


O Codex Sinaiticus (Códice Sinaítico), também conhecido como Manuscrito “Aleph”, foi encontrado em 1859 por um jovem catedrático da universidade de Leipzig chamado Constantin von Tischendorf. Numa viagem ao Oriente Médio em busca de manuscritos bíblicos ele acabou encontrando no Mosteiro de Santa Catarina, no monte Sinai (Egito), alguns manuscritos antigos identificados como traduções do Antigo Testamento grego (Septuaginta). O codex (espécie de livro costurado à mão) estava escrito em caracteres unciais (letras maiúsculas) e continha a maior parte do Antigo Testamento e o Novo Testamento completo.
Também foram encontrados dois documentos cristãos: a Epístola de Barnabé (antes só existia uma precária tradução em latim) e uma parte do Pastor de Hermas (até então só conhecida pelo título). O manuscrito encontra-se no Museu Britânico de Londres desde 1933. O Codex Sinaiticos data do século IV d.C. e demonstrou ser um dos melhores textos do Novo Testamento.

Um outro manuscrito não menos valioso é o Codex Vaticanus (códice Vaticano). Ele tem esse nome porque foi conservado na biblioteca do Vaticano longe dos olhos dos estudiosos até o ano de 1889, quando finalmente foi publicado um fac-símile de todo o manuscrito. O Codex Vaticanus surgiu pela primeira vez nos catálogos da biblioteca do Vaticano em 1475, permanecendo longe do conhecimento público por cerca de 200 anos. Como o Codex Sinaiticus, o Vaticanus foi produzido no século IV. Alguns eruditos acham que tanto o Codex Vaticanus quanto o Sinaiticus formavam parte das cinqüenta cópias que o imperador Constantino mandou fazer depois de sua conversão ao cristianismo. O Codex Vaticanus contêm o Velho Testamento em grego (com omissões), e o Novo Testamento incompleto [1].


O Sinaiticus e o Vaticanus são apenas dois de cerca de três mil manuscritos até agora conhecidos e catalogados. Apesar da ótima qualidade dos textos não é possível dizer que ambos são cópias fiéis dos textos originais, já que é possível encontrar algumas divergências entre eles.


Dá-se o nome de Crítica textual o estudo nas numerosas variantes verificadas nos manuscritos disponíveis. Alguns cristãos conservadores buscam em vão definir uma versão que possa ser considerada cópia fiel do texto originalmente produzido pelos escritores bíblicos. Tal modo de pensar tem feito com que muitos recusem versões modernas obtidas a partir das pesquisas desenvolvidas pela crítica textual[2]. Isso ocorreu, por exemplo, em relação à publicação da famosa Nova Versão Internacional (NVI), que retirou algumas passagens que vinham sendo publicadas por séculos, apesar da dúvida em relação à sua autenticidade. O problema surgiu porque o primeiro Novo Testamento grego traduzido por Erasmo, em 1516, continha textos que mais tarde foram considerados inautênticos, como, por exemplo 1Jo 5. 7,8. Acontece que Erasmo não possuia o Codex Sinaiticus e nem o Codex Vaticanus. Ele se baseou principalmente em mansucritos do século XII, que agora reconhecemos como bastante inferiores. Erasmo inicialmente se negou a publicar as passagens que não eram encontradas nos manuscritos gregos, mas diante das duras críticas que recebeu, acabou inserindo tais textos na sua publicação. Tais textos eram encontrados apenas em algumas versões latinas disponíveis na época, sendo provavelmente inserções feitas por copistas [3]. Além do texto de João citado acima, outras passagens foram eliminadas por versões modernas, já que não são apoiadas por nenhum testemunho em grego que seja conhecido. A retirada dos textos provocou o protesto de muitos cristãos, mas não há nenhuma razão para alarde, já que a ausência dos referidos textos não implica em nenhuma mudança em relação às doutrinas fundamentais da fé cristã.


Notas:
[1] Faltam quatro capítulos de Hebreus (encerra-se em 9.14), as epístolas Pastorais (dirigidas à Timóteo e a Tito), a carta à Filemon e o Apocalipse.


[2] Joseph Angus faz um comentário sobre a defesa do texto tradicional (chamado de Textus Receptus): “As pretenções superiores do ‘Texto Tradicional’, ou noutras palavras, do Textus Receptus, purificado de algumas pequenas máculas, foram vigorosamente sustentadas pelo erudito Deão de Chichester, Dr J. B. Burgon, e pelo seu partidário e sobrevivente, o Prebendário Mill”. Ainda segundo Angus, o argumento principal utilizado pelos defensores do Textus Receptus foi o de que “o Divino Fundador da Igreja não teria permitido que por tantas gerações fôsse (sic) aceita uma Escritura corrompida”.


[3] A Bíblia de Jerusalém traz o seguinte comentário a respeito do texto de 1Jo 5.7,8: “O texto do vv. 7-8 é acrescido na Vulg. de um inciso [...] ausente dos antigos mss gregos, das antigas versões e dos melhores mss da Vulg., o qual parece ser uma glossa marginal introduzida posteriormente no texto”.

CÓDICES, MANUSCRITOS BÍBLICOS

MANUSCRITOS
Alguns escritos originais, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, se perderam ao longo dos séculos por vários motivos. Os textos que temos hoje são cópias tiradas de outras cópias até chegarem à formatação atual.


O termo manuscrito vem do latim manus, “mão”, e scriptus, “escrita”, a saber, um documento escrito a mão. Essa palavra, como é usada hoje, está restrita àquelas cópias da Bíblia feitas no mesmo idioma em que foram originalmente escritos.


Os escritos originais, autênticos, saídos das mãos de um profeta ou apóstolo, ou de um amanuense, eram chamados de autógrafos. Devido às perseguições que houve antes e depois de Cristo, os escritos sagrados originais desapareceram. Entretanto, existem várias cópias a também traduções das Escrituras que sobreviveram aos muitos ataques.


Devido ao seu zelo, os estudiosos judeus (escribas, zugot, tanaítas etc.) conseguiram preservar inacreditavelmente suas tradições textuais. Os milhares de manuscritos hebraicos, com sua confirmação pela Septuaginta e pelo Pentateuco samaritano, e as várias outras comparações de fora e de dentro do texto, dão apoio surpreendente à confiabilidade do texto do Antigo Testamento.


Da mesma maneira, a fidelidade do texto do Novo Testamento é um fato, contando com evidencias esmagadoras para apoiar sua confiabilidade.


Contando apenas as cópias gregas, o texto do Novo Testamento é preservado em aproximadamente 5.686 porções manuscritas parciais e completas que foram copiadas a mão a partir do século I até o século XV. Alem dos manuscritos gregos, há várias traduções partindo do grego. Contando com as principais traduções antigas em aramaico, copta, árabe, latim e outras línguas, há 9 mil cópias do Novo Testamento. Isso dá um total de mais de 14 mil cópias do Novo Testamento. Além disso, se compilarmos as milhares de citações dos pais da igreja primitiva dos séculos II a IV pode-se reconstruir todo o Novo Testamento com exceção de onze versículos.


CLASSIFICAÇÃO DOS MANUSCRITOS
Os manuscritos estão divididos em duas classes:


1- Unciais (do latim uncia, polegada). São assim chamados por serem escritos em grandes letras maiúsculas sobre velinho delgado. Trata-se dos manuscritos mais antigos.


2- Cursivos. Vieram mais tarde os manuscritos cursivos, que receberam esse nome por serem escritos com letras "cursivas" ou a mão. Datam do século X ou século XV d.C. Dos 4.500 manuscritos existentes, cerca de 300 são unciais e o restante, cursivos.


OS ESCRITOS EM CODEX
A partir do quarto século depois de Cristo, os livros cristãos passaram a ser escritos em codex, palavra derivada de caudex, que era uma tabuinha coberta de cera na qual se escrevia com um estilete metálico. Reunidos por um cordão que passava por orifícios feitos no alto dos exemplares, à esquerda, os códices ficavam em forma de livro, portanto bem mais práticos de serem manuseados que os antigos rolos.


OS GRANDES CÓDICES UNCIAIS
Até o século IX os manuscritos unciais eram os únicos utilizados no Novo Testamento. Foram catalogados 268 manuscritos unciais do Novo Testamento. Por serem mais antigos, são considerados as fontes mais importantes no estudo do Novo Testamento. Quanto mais antiga a cópia, mais próxima da composição original ela está e menos erros dos copistas apresentam. A maior parte do Novo Testamento é preservada em manuscritos feitos a menos de duzentos anos após o original, sendo alguns livros do Novo Testamento de pouco menos de cem anos após a sua composição.


SINAÍTICO – Códice Alef
Produzido em cerca de 325 d.C., contem todo o Antigo Testamento grego, além das epístolas de Barnabé e parte do Pastor de Hermas. Foi encontrado pelo sábio alemão Constantino Tischendorf, em 1844, no mosteiro de Santa Catarina, situado na encosta do Sinai. Tischendorf viu 129 páginas do manuscrito numa cesta de papel, para serem lançadas no fogo. Percebendo o seu enorme valor, levou-as para a Europa. Nesse mesmo ano, ele descobriu 43 folhas de velino contendo porções da Septuaginta (I Crônicas, Jeremias, Neemias e Ester). Este pesquisador descobriu que as páginas desse manuscrito eram utilizadas pelos monges para acender o fogo.


Em 1859 ele voltou ao mosteiro e encontrou as páginas restantes. Doada por seu descobridor a Alexandre II, da Rússia, essa preciosidade foi posteriormente comprada pela Inglaterra pela vultosa quantia de cem mil libras esterlinas. Está no Museu Britânico desde 1933, e é considerada a testemunha mais importante do texto bíblico por sua antiguidade, precisão e ausência de omissão.


Junto com o Vaticano, o Sinaítico é considerado um dos dois manuscritos mais importantes existentes. Ele é o único que contém o Novo Testamento completo.



ALEXANDRINO – Códice A
De meados do quarto século d.C., contem o Antigo Testamento grego e quase todo o Novo Testamento, com omissões de 24 capítulos de Mateus, cerce de quatro de João e oito de 2 Coríntios. Contém ainda a Primeira Epístola de Clemente de Roma e parte da Segunda. É o melhor testemunho existente do texto do Apocalipse. Em 1708 esse códice foi dado de presente ao patriarca de Alexandria, que lhe deu a designação que ostenta até hoje. Está no Museu Britânico.


Foi provavelmente escrito em Alexandria, no Egito. Não chega a alcançar o elevado padrão dos manuscritos Vaticano e Sinaítico.


VATICANO – Códice B
Este famoso uncial em velino, datado do inicio do século IV, está escrito em grego e contém o texto completo da Septuaginta, com exceção dos livros dos Macabeus e da Oração de Manassés. Datado do século IV (350 ou 325 d.C).


Não era conhecido pelos estudiosos textuais até 1475, quando foi catalogado na Biblioteca do Vaticano, em Roma, pertencente à Igreja Católica Romana. Contém 759 folhas, sendo 617 no Antigo Testamento e 142 no Novo Testamento.


Esse manuscrito é considerado como a melhor cópia conhecida do Novo Testamento. É interessante notar que não incluiu Marcos 16.9-20, porém o escriba deixou mais de uma coluna vazia nesse lugar, como se conhecesse esses versículos, mas estivesse indeciso quanto a incluí-los o não.


EPHRAEMI RESCRIPTUS – Códice C
Também conhecido como códice polimpsesto. Este manuscrito continha todo o Antigo e Novo Testamento. Conservam-se atualmente só os textos de Jó, Provérbios, Eclesiastes, Sabedoria, Eclesiástico e Cântico dos Cânticos, e do Novo Testamento ainda preservam-se parte do todos os livros, exceto 2 Tessalonicenses e 2 João. Suspeita-se que se originou em Alexandria, no Egito, e é datado do início do século V (por volta de 450).


Este manuscrito foi raspado, por isso é chamado de polimpsesto. O texto sagrado foi apagado par que nesses pergaminhos se escrevessem os sermões de Ephraem, pai da igreja do século IV, por essa razão foi chamado de Manuscrito Ephraemi Rescriptus.


Por meio de solução química, o Dr. Tischendorf foi capaz de decifrar as escritas quase invisíveis dos pergaminhos. Esse manuscrito está conservado na Biblioteca Nacional de Paris.


BEZAE – Códice D
Também chamado de Códice de Cambridge, datado por volta do século V ou VI. Este é o mais antigo manuscrito conhecido em dois idiomas; é um códice Greco-latino. A página esquerda é grego, enquanto o texto correspondente em latim fica do lado oposto, à direita. Foi descoberto em 1562, por Teodoro de Beza, teólogo francês, no mosteiro de Santo Irineu, em Lyon na França. Com algumas omissões, contêm os Evangelhos e Atos, os primeiros na ordem chamada ocidental: Mateus, João, Lucas e Marcos. Em 1581, Beza o entregou a Universidade de Cambridge.


Há, ainda, vários outros códices de menor importância, expostos em museus e bibliotecas de vários países do mundo. Somente de livros do Novo Testamento, completos ou em fragmentos, conhece-se hoje 156.


LECIONÁRIOS
Esses manuscritos incluem um grupo de materiais chamados "lecionários". O termo "leitura" refere-se a uma passagem escolhida na Escritura, destinada a ser lida nos serviços públicos. Assim sendo, um lecionário é um manuscrito especialmente arranjado e copiado com este propósito. Alguns eram unciais e outros cursivos. A maioria deles foi extraída dos Evangelhos, mas existem alguns de Atos e das Epístolas. Os estudos mostram que eles foram copiados com mais cuidado do que um manuscrito comum; portanto, fornecem cópias excelentes para comparações. Mais de 1800 lecionários foram enumerados.


OS ROLOS DO MAR MORTO
Em se tratando de manuscritos em rolos, o mais antigo e mais importante de todos foi encontrado casualmente em 1947 por um beduíno, numa bem dissimulada gruta nas proximidades de Jericó, junto ao Mar Morto. Examinado pelo professor Sukenik, da Universidade Hebraica de Jerusalém, revelou-se pertencer ao terceiro século antes de Cristo. Contém o livro completo de Isaías e comentários de Habacuque, além de outras informações sobre a época em que foi escondido. É mais conhecido como o Rolo do Mar Morto.

Fonte:
http://numinosumteologia.blogspot.com.br
http://www.santovivo.net

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