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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

313-A EXEGESE E A HERMENEUTICA

 

CLIQUE NO VÍDEO PARA ASSISTÍ-LO

Hermenêutica e Exegese Bíblicas (Interpretando e Explicando na Pregação Expositiva)

 Atos 8.30 “… Compreendes o que vens lendo?”
 OLHE BEM PARA A FIGURA ABAIXO Hermenêutica - Exegese (Elefante)
Fazer hermenêutica é saber que só existe elefante de quatro pernas. Embora, muitos hermeneutas têm visto elefantes de cinco ou mais pernas. Às vezes o que você pensa que vê não condiz com a realidade. Todo cuidado é pouco.
DEFINIÇÕES: 

n      HERMENÊUTICA: A palavra hermenêutica significa explicar, interpretar ou expor. Do grego ερμηνευειν − hermeneuein = INTERPRETAR. Nas Escrituras é usado em quatro versículos: João 1.42; 9.7; Hebreus 7.2 e Lucas 24.27. O termo Hermenêutica, portanto, descreve simplesmente a prática da interpretação.

n      EXEGESE: do Grego εξηγησιs − exégesis ek+egéomai, penso, interpreto, arranco para fora do texto. Não se trata de pôr algo no texto (eis-egesis) e sim de tirar o que já existe no texto (ex-egesis).

         Uma das Funções do pastor ou pregador leigo é explicar (interpretar) a Bíblia – Ne 8.8 “A missão do intérprete é servir de ponte entre o autor do texto e o leitor“. (J.Martínez, Hermeneutica Biblica, p. 34)


ALGUNS TERMOS IMPORTANTES E SEUS SIGNIFICADOS

n      Antilegomena = Escritos bíblicos que em certo momento foram questionados;  
n      Apócrifos = Livros supostamente do Antigo Testamento, mas que não possuem embasamento para comprovar a autenticidade quanto a seu caráter profético;  
n      Cânon = Do grego “kánon”, e do hebraico “kaneh”, regra; lista autêntica dos Livros considerados como inspirados;  
n      Epístolas = Cartas;  
n      Evangelho = Boas Novas;  
n      Homologomena = Livros bíblicos aceitos por todos e que em momento algum foram questionados;  
n      Paráfrase = Tradução livre ou solta, onde o objetivo é traduzir a idéia e não as palavras;  
n      Pseudo-epígrafos = Falsos escritos. Livros não bíblicos, cujos escritos se desenvolvem sobre uma base verdadeira, seguindo caminhos fantasiosos;  
n      Septuaginta = LXX de Alexandria. Bíblia traduzida para o grego por judeus e gregos de Alexandria, incluindo os Livros apócrifos;  
n      Sinópticos = Síntese. Os três primeiros evangelhos são chamados de evangelhos sinópticos, pois sintetizam a vida de Jesus de forma harmoniosa;  
n      Testamento = Aliança, Pacto, Acordo;  
n      Tradução = Transliteração de uma língua para outra;  
n      Variantes = Diferenças encontradas nas diferentes cópias de um mesmo texto, mediante comparação. Elas atestam o grau de pureza de um escrito;  
n      Versão = Tradução da língua original para outra língua.


PRESSUPOSTOS BÁSICOS QUE DEVEMOS TER PARA FAZER UMA BOA EXEGESE.
(ninguém faz exegese sem pressupostos) 

 A existência deDeus 
Deus existe e atua na história. Milagres e profecia são possíveis. Portanto, podemos interpretar os relatos da atividade sobrenatural de Deus como história e não mito.
 RevelaçãoProgressiva 
Deus se revelou progressivamente. A revelação não foi dada de uma única vez. Portanto, devo ler o texto bíblico comparando as suas diferentes partes considerando a unidade.
Inspiração eAutoridade 
Os escritores bíblicos foram movidos pelo Espírito, de tal forma que seus escritos são inspirados por Deus. Portanto, são autoritativos e infalíveis.
 História daRedenção 
A Bíblia deve ser lida como o registro dos atos redentores de Deus na história. Portanto, a Bíblia deve ser lida, não como um manual de ciências, astronomia, geografia ou física, mas como um livro teológico.
 Cristo 
Devemos ler a Bíblia sabendo antecipadamente que Cristo é a substância de todos os tipos e símbolos do AT, do pacto da graça e de todas as promessas. Cristo, portanto, é a própria substância, centro, escopo e alma das Escrituras.
 Cânon 
O cânon protestante das Escrituras é a coleção feita pela Igreja de livros que ela reconheceu que foram dados pela inspiração de Deus. Cada livro deve ser lido e entendido dentro deste contexto canônico, que é o contexto apropriado para a interpretação.



ATITUDES ERRADAS FRENTE À BÍBLIA
n      O RACIONALISMO – coloca a mente humana acima da revelação divina. Tira tudo o que é tido como sobrenatural, como os milagres.  
n      O MISTICISMO – coloca os sentimentos ou a experiência humana acima da revelação de Deus. O neo-pentecostalismo extremado, por exemplo, que aceita as “novas revelações” em detrimento às Escrituras.  
n      O ROMANISMO – põe a igreja acima da Bíblia. A tradição e as declarações papais “ex cátedra”, tem a mesma autoridade da Bíblia.  
n      AS SEITAS – elevam os escritos de seu fundador acima das Escrituras. Ex: Mormonismo, Tabernáculo da fé, Adventismo, Testemunhas de Jeová etc.  
n      A ALTA CRÍTICA – coloca as pressuposições do crítico liberal acima da Bíblia. Colocam às Escrituras em pé de igualdade com qualquer outro livro. Ou a Bíblia está acima de qualquer livro ou não é o livro de Deus.   
n      A NEO-ORTODOXIA – diz que a Bíblia não é a Palavra de Deus, senão que se transforma em Palavra de Deus quando fala ao coração do leitor. De maneira sutil, se transmite assim a autoridade das Escrituras ao leitor, onde à luz de “seu coração” se quando Deus fala e quando não. (contra Jr 17.9).  
n      OUTRAS “ESCRITURAS” – Com freqüência se diz que a Bíblia é só mais um livro sagrado. Se afirma que as outras religiões também têm suas escrituras autoritativas. É evidente que nenhuma destas «escrituras», com exceção do Alcorão, pretende ser uma revelação de Deus.


VERDADE DE DEUS


REVELAÇÃO


INSPIRAÇÃO


PRESERVAÇÃO


TRADUÇÃO


INTERPRETAÇÃO


POVO DE DEUS HOJE


Estágios da Verdade Divina


Como a verdade chegou até nós


A VERDADE ABSOLUTA existe na mente de Deus
Pela REVELAÇÃO a verdade vem à mente do escritor numa forma antropomórfica
Pela INSPIRAÇÃO essa revelação se torna Escritura que é infalível e inerrante
Pela PRESERVAÇÃO temos os presentes textos que devem ser comparados para serem exatos em sua essência
Pela TRADUÇÃO obtemos nossas versões no vernáculo que nós tentamos tornar essencialmente fiéis
Pela INTERPRETAÇÃO a revelação vem à mente dos leitores apresentando a verdade original que veio da mente de Deus
OS DISTANCIAMENTOS:
n      Distanciamento temporal – A Bíblia está séculos distante de nós.
n      Distanciamento contextual – Os livros da Bíblia foram escritos em várias situações diferentes. 
n      Distanciamento cultural – O mundo em que os escritores da Bíblia viveram já não existe.
n      Distanciamento lingüístico – As línguas em que a Bíblia foi escrita também já não existem.
n      Distanciamento autorial – Os autores já estão mortos.
A natureza divina da Bíblia, por sua vez, provoca outros tipos de distanciamentos:

n      Distanciamento natural – a distância entre Deus e nós é imensa.
n      Distanciamento espiritual — somos pecadores.
n      Distanciamento moral – é a distância que existe entre seres pecadores e egoístas e a pura e santa Palavra que pretendem esclarecer.
HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA – PRINCÍPIO
n      Esdras – Ne 8.8 “Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia”.
No tempo de Cristo, a exegese judaica podia classificar-se em 4 tipos:
1. Método Literal – referido como peshat (despir, depenar). Não se procurava um sentido além da passagem bíblica.
2. Interpretação Midráshica – rabi Hillel. Era mais espiritualista perdendo a visão do texto.
3. Interpretação Pesher – comunidades de Qumran. Era midráshica mais com enfoque escatológico. Mais aplicação do que interpretação.
4. Exegese Alegórica – o verdadeiro sentido jaz sob o significado literal das Escrituras. O alegorismo foi desenvolvido pelos gregos.
Os rabinos usavam às vezes peshat, outras vezes, midrash.
n      Filo (c. 20 a.C. – c. 50 d.C.) Acreditava que o significado literal era para os imaturos e o alegórico para os maduros. Filo considerava a história de Adão e Eva uma fábula. E outras passagens como mito.
HISTÓRIA DA HERMENÊUTICA
do 2º ao 4º século
n      Escola de Alexandria
                     Clemente
                     Origines
n      Escola de Antioquia
                     Luciano
Em termos práticos, Alexandria nos ensina a ter cautela com a interpretação dos “espirituais”. Antioquia nos ensina: Evitar a subjetividade descontrolada
PAIS LATINOS – AGOSTINHO E JERÔNIMO

Principais Características Hermenêuticas
n        Preferência pelo Literal
n        Contexto histórico
n        Intenção autoral
n        Alegorias ocasionais
n        Escritura  com Escritura
n        Regra de Fé da Igreja
REGRAS DE INTERPRETAÇÃO DE AGOSTINHO
1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica;
2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura;
3. A Escritura tem mais que um significado e, portanto, o método alegórico é adequado;
4. Há significado nos números bíblicos;
5. O A. T. é um documento cristão, porque Cristo está retratado nele;
6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer;
7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo;
8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos demais que o cercam;
9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir matéria de fé ortodoxa;
10.                 O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos;
11.                 A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara;
12.                 O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.

         (na prática, Agostinho renunciou à maioria de seus princípios e inclinou-se para uma alegorização excessiva).
AS ESCOLAS DE INTERPRETAÇÃO
n      As escolas de teologia – nas catedrais. Surgem como contraponto aos mosteiros

n      O judeu Rashi (Rabi Salomão bem Isaque – 1040-1105)
         Comentarista da Bíblia Hebraica e Talmude Babilônico 

n      Publicação da obra de Maimônides (1135-1204) – “Guia para os perplexos“. A lei pode ser aplicada e interpretada literalmente

n      Surgimento das ordens mendicantes
         Francisco de Assis – Interpretação literal dos Evangelhos.

n      Tradução das Escrituras para o vernáculo
         João Wycliffe – (1328-1384) Tradução da Vulgata latina para o inglês.
         O ressurgimento na Idade Média do interesse do método gramático-histórico contribuiu para a Reforma.
IDADE MÉDIA
(Séc. 5º ao 16º)
Prevaleceu o Sistema de Interpretação Difundido por Alexandria. Antecipou os princípios histórico-gramaticais dos Reformadores
n       João Cassiano (435 AD) – Quadriga: 
                   Histórico ou literal – o sentido óbvio do texto 
                   Alegórico ou cristológico – sentido mais profundo. Aponta para Cristo 
                   Tropológico ou moral – conduta do cristão 
                   Anagógico ou escatológico – o que o cristão devia esperar
n       As Escrituras possuem diversos sentidos
                   Bernardo de Claraval
                   Nicolau de Lira
                   Boaventura
O MÉTODO DE CALVINO
A Hermenêutica de Lutero
Entre a hermenêutica medieval e a obra de Calvino, devemos situar o trabalho e Martinho Lutero (1438-1546). Com o afã de viver de acordo com o modelo de Agostinho (354-430), Com a Reforma a Bíblia toma o lugar que antes pertencera a hierarquia Católico Romana. Lutero não se viu livre da alegoria. Seu trabalho, contudo, trouxe inestimáveis contribuições à igreja cristã.

Calvino e seu uso do método Histórico-Gramatical
n       Calvino faz um uso mais desenvolvido do método histórico-gramatical. Ele tenta levá-lo às últimas conseqüências e manter uma coerência metodológica ao analisar textos do Novo e do Antigo Testamento. Por estas razões não é exagero dizer que ele foi o maior pensador de seus dias e o grande exegeta da Reforma.
n      Princípios da Hermenêutica de Calvino
1. Renúncia à alegorese e enfática denúncia da mesma como sendo uma arma de deturpação do sentido da Escritura
2. Ênfase no sentido literal do texto
Calvino defende que cada texto tem um, e somente um, sentido, que é aquele pretendido pelo autor humano. Ele esclarecia aos seus leitores que há passagens que são nitidamente figurativas e outras simbólicas, estas devem ser interpretadas como demonstra ser a intenção do autor.
3. Dependência da operação do Espírito Santo para a correta interpretação da Bíblia
4. Valorização do estudo das línguas originais para melhor compreensão do ensino sagrado
5. Tipologia equilibrada, evitando impor a textos veterotestamentários simbolismos que eles não suportam
6. A melhor arma para interpretar a Bíblia é a própria Bíblia Este tem sido considerado o princípio áureo da hermenêutica reformada.
OS REFORMADORES: CARACTERÍSTICAS
n      Ênfase no Literal
n      Iluminação do Espírito Santo
n      Estudos das Escrituras – Escritura com Escritura
n      Intenção Autoral
n      Uso de Outras Fontes
n      Linguagem Figurada
n      Os reformadores desenvolveram um sistema de interpretação que representou um rompimento radical com a hermenêutica  alegórica medieval.
n      Rejeição do método alegórico e ênfase no sentido literal, gramático-histórico do texto.
n      Uma passagem só tem um sentido, e esse é literal.
n      A necessidade da iluminação do Espírito Santo
n      O homem é caído – A Escritura é divino-humana
n      A necessidade de se estudar às Escrituras
n      A Bíblia é um livro humano. Divino quanto a origem. A intenção do autor humano
n      Possui passagens obscuras que precisam ser esclarecidas
n      Necessidade de uma teologia sistemática
MODERNIDADE
n      Racionalismo          X         Empirismo
   Descartes                              Locke
    Spinoza                              Berkeley
     Leibniz                                 Hume

Mesmo sendo teoricamente contrárias entre si, as duas filosofias concordavam que Deus tem de ficar de fora do conhecimento humano
n      Impacto do Iluminismo
    Rejeição dos Milagres
     Distinção entre Fé e História
     Erros nas Escrituras
     Exegese Controlada Pela Razão

n      Surgimento das Metodologias Críticas
                   Críticas das Fontes
                   Crítica da Forma
                   Crítica da Redação
PÓS-MODERNISMO
O Iluminismo e Racionalismo
n      O surgimento do Método Histórico-Crítico da Bíblia está associado às mudanças que ocorrem no pensamento humano e, conseqüentemente, na cosmovisão da época.  

Iluminismo: Início do Séc. XVIII
n      Revolta contra a religião institucionalizada
                   – Filosofias:
                   Racionalismo: Descartes, Spinoza e Leibniz
                   Empirismo: Locke, Berkeley e Hume
                   Deus: uma hipótese desnecessária
                   – Teologia: Deísmo: Deus não intervém na história (Início da teologia liberal).

Características:
n      Rejeição do sobrenatural e da revelação
n      O sobrenatural não invade a história
n      História: resultado de causa e efeito
n      Os relatos históricos da Bíblia, são construções do povo de Israel e da Igreja Primitiva
n      A exegese é controlada pela razão 
n      - Razão: a medida suprema da verdade
n      - Fé + Racionalismo = Método Histórico-Crítico
RESUMO DA HISTÓRIA DA INTERPRETAÇÃO
n      Na Idade Antiga Alegoria
n      Na Idade Média Dogma
n      Na Reforma Escritura
n      Pós-Reforma Confissões
n      Período Moderno Razão
COMPARATIVO ENTRE AS ESCOLAS

Escola de Alexandria
Escola de Antioquia
Pais Latinos
Época
Entre os séculos II e IV
Início do século IV
Entre os séculos IV e V
Surgimento
Baseada na filosofias de Heráclito e Platão, que influenciaram Filo
Fundada por Luciano de Samosata,em oposição consciente ao método alegórico de Alexandria
Pais da Igreja, cujas obras foram escritas em latim
Tipo de Interpretação proeminente
Alegórica
Literal
Literal, com algumas inconsistências
Principais características
  • Huponóia – o verdadeiro sentido está além das palavras
  • Alegorese – dizer uma coisa em termos de outra
  • Procurar descobrir sentido oculto, o qual é revelado somente aos “espirituais”
  • Atenção ao sentido literal do texto
  • Abordagem gramático-histórica
  • Uso de tipologia
  • Buscar a intenção do autor
  • Teoria – buscar o sentido mais que literal, permanecendo fiel ao sentido literal
  • Favoreciam a interpretação literal
  • Davam atenção ao contexto histórico da passagem
  • As vezes, alegorizavam o V. T.
  • Passagens obscuras devem ser interpretadas à luz das mais claras
Principaisrepresentantes
  • Clemente de Alexandra
  • Orígenes
  • Teófilo de Antioquia
  • Deodoro de Tarso
  • Teodoro de Mopsuéstia
  • João Crisóstomo
  • Tertuliano
  • Jerônimo
  • Agostinho
  • Ticônio
Conclusões
Diminui o caráter histórico das passagens bíblicas
Enfatiza o caráter histórico das passagens, mantendo-se fiel ao sentido original dos textos
Influenciou a Igreja ocidental, em especial a obra de Agostinho, visto como um precursor das idéias da Reforma
Implicações Práticas
Ter cautela com o uso de alegorias, ultrapassando o sentido simples, claro e evidente das Escrituras
Ter cautela para evitar o extremo de buscar somente o sentido do texto no passado, sem aplicá-lo ao presente
Evitar que pressupostos pessoais (preconceitos) possam influenciar na interpretação das Escrituras


PERÍODO
SÉC
ESCOLA
FILOSOFIA
NOMES
CARACTERÍSTICAS
INT
E
N
Ç
Ã
O



A
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P
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O
   














D
I
A
C
R
O
N
I
A

II-III
ALEXANDRIA
Platonismo
Clemente de AlexandriaOrígenes
AlegóricaUso do PlatonismoVários níveis de sentido
PÓSAPOSTÓLICO
IV
ANTIOQUIA

Luciano de SamosataDeodoro de TarsoJoão Crisóstomo
Gramático-históricaTheoriaOposição à Alexandria
Intenção do autor

IV-V
PAIS LATINOS
Neo-Platonismo
TicônioAgostinhoJerônimo
Tertuliano
Interpretação literalPor vezes, alegorizavam o textoExegese dominada pelas questões teológicas


LINHAALEGÓRICA

João CassianoGregório, o Grande
4 sentidos da EscrituraDesejo de justificar os dogmas da IgrejaAnalogia da fé
IDADEMÉDIA
VI-XVI
LINHAGRAMÁTICO-HISTÓRICA
Aristotelianismo
Monges de São VictorTomás de Aquino
Surgimento das escolas de teologiaContato com estudiosos judeus (Rashi)Abordagem gramático-histórica
REFORMA
XVI
GRAMÁTICO-HISTÓRICA

CalvinoLutero
Rejeição do método alegóricoGramático-históricoEscritura com Escritura
Iluminação do Espírito Santo
PÓSREFORMA
XVII
ESCOLASTICISMO E PURITANISMO

TurretiniJohn OwenRichard Baxter
R. Sibbes
Th. Goodwin
M. Henry
ControvérsiasConfessionalismoSistematização
Controle da teologia sobre exegese
Cristo como centro das Escrituras
Interpretar para aplicar
MODERNO
XVII-XX
HISTÓRICO-CRÍTICAMétodos produzidos: Crítica das Fontes, Forma, Redação, etc.
Racionalismo e Empirismo
KeilStäudlinJ. Eichhorn
Strauss
Ernesti
J. Semler
F. Baur
H. Günkel
R. Bultmann
DiacrônicasRazão como critério e métodos como ferramentaSeparação entre teologia e exegese, os 2 testamentosAbandono da inspiração e inerrância


PERÍODO
SÉC
ESCOLA
FILOSOFIA
NOMES
CARACTERÍSTICAS
 O 
S
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N
T
I
D
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S
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Á

N
O

L
E
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T
O
R


   










S
I
N
C
R
O
N
I
A
   
PÓS
MODERNO
XX
NOVA CRÍTICA LITERÁRIA
Existencialismo x positivismo
T. S. Elliot
Aspectos literáriosTexto é auto-suficienteIntenção autorial e contexto histórico são irrelevantes


ESTRUTURALIS-MO

F. Saussure
“Lange e Parole”Estrutura lingüística comum a todos os idiomasO sentido está no texto, em sua estrutura


READER RESPONSEHermenêuticas de Libertação 
Hermenêuticas Feministas
 Filosofia hermenêutica
H-G Gadamer
A verdade é relativaHermenêutica não é método mas epistemologia (filosofia)Fusão de Horizontes
Importância dos pressupostos


DESCONSTRU-CIONISMO

Jacques Derrida
Não há verdade absolutaPluralidade da verdadeSuspeita
Achar rupturas no texto para desconstruí-lo


 O AUTOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO
O significado é aquele que o escritor, conscientemente, quis dizer ao produzir o texto. É importante verificar o que o autor disse em outro escrito. O que Lucas registrou em seu Evangelho poderá ser mais esclarecedor se comparado com Atos, outro registro de Lucas. Devemos levar em conta os idiomas da época: aramaico, hebraico e grego. Eles possuem um significado que não pode variar. Por outro lado, o texto está limitado ao que o autor disse exatamente? Por exemplo: lemos em Efésios 5.18: “Não vos embriagueis com vinho”. Alguém poderia dizer: “Paulo proíbe que nos embriaguemos com vinho, mas acho que não seria errado embriagar-se com cerveja, rum, ou outra droga”. Os escritos do apóstolo vão além de sua consciência, embora essas implicações não contradigam o significado original, antes fazem parte do texto e seu objetivo. Compreendemos então o mandamento paulino como um princípio, pois mesmo que o autor não esteja ciente das circunstâncias futuras, ele transmitiu  exatamente a sua intenção.
O TEXTO COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO

Alguns eruditos afirmam que o significado tem autonomia semântica, sendo completamente independente do que o autor quis comunicar quando o escreveu. De acordo com esse ponto de vista, quando um determinado escrito se torna literatura, as regras normais de comunicação não mais se lhe aplicam, transformou-se em texto literário. O que o texto está realmente dizendo sobre o assunto? Analisando o relato em Marcos 4.35-41 Qual é o objetivo do texto? Informar sobre a topografia do mar da Galiléia ou o mal tempo naquela circunstância? Seu objetivo era falar sobre Jesus Cristo, Filho de Deus. O significado que Marcos queria transmitir está claro: “Mas quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (4.41). O autor queria transmitir que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Filho de Deus. Ele é o Senhor e até mesmo a natureza está sujeita a ele!

O LEITOR COMO DETERMINANTE DO SIGNIFICADO
Segundo essa perspectiva, o que determina o significado é o que o leitor compreende do texto. O leitor atualiza a interpretação do texto. Leitores distintos encontram diferentes significados, isso porque o texto lhes concede permitir essa multiplicidade. É relevante o que pensa o leitor? Isto poderia influenciar o sentido do texto? Se compreendermos que há diferença de interpretação entre um leitor crente e outro que é ateu, a resposta é sim! Contudo, é necessário que o leitor esteja em condições de entender o texto. Ao verificar como as palavras são usadas nas frase, como as orações são empregadas nos parágrafos, como os parágrafos se adequam aos capítulos e como os capítulos são estruturados no texto, o leitor procurará compreender a intenção do autor. O texto, em sua íntegra, ajudará o leitor a compreender cada palavra individualmente. Assim sendo, as palavras, ou conjunto de palavras, ajudam a compreender o todo.
O PROCEDIMENTO EXEGÉTICO  ERRADO
n      O procedimento errado.
         Ler o que muitos comentários dizem com sendo o significado da passagem e então aceitar a interpretação que mais lhe agrade.
         Este procedimento é errado pelas seguintes razões:
a) encoraja o intérprete a procurar interpretação que favorece a sua preconcepção;
b) forma o hábito de simplesmente tentar lembrar-se das interpretações oferecidas. Isto para o iniciante, freqüentemente resulta em confusão e ressentimento mental a respeito de toda a tarefa da exegese.
         Isto não é exegese, é outra forma de decoreba e é muito desinteressante e perigoso. Os comentaristas não são infalíveis.
O péssimo resultado e mais sério do “procedimento errado” na exegese é que próprio interprete não pensa por si mesmo. As convicções que você mesmo buscou e absorveu ficam pra vida toda.
CINCO REGRAS CONCISAS
n      interpretar lexicamente. É conhecer a etimologia das palavras, o desenvolvimento histórico de seu significado e o seu uso no documento sob consideração.
n      interpretar sintaticamente: o interprete deve conhecer os princípios gramaticais da língua na qual o documento está escrito, para primeiro, ser interpretado como foi escrito.
n      interpretar contextualmente. Deve ser mantido em mente a inclinação do pensamento de todo o documento. Então pode notar-se a “cor do pensamento”,que cerca a passagem que está sendo estudada.
n      interpretar historicamente: o interprete deve descobrir as circunstâncias para um determinado escrito vir à existência.
n      interpretar de acordo com a analogia da Escritura. A Bíblia é sua própria intérprete. diz o princípio hermenêutico.
APRENDA A EXAMINAR O CONTEXTO

n      Contexto Imediato
A. Leia a passagem em pelo menos 3 traduções diferentes.
B. O que precede e se segue imediatamente à passagem?
C. Há algumas definições fornecidas pelo contexto imediato?
D. Qual é o argumento principal do capítulo inteiro?
E. Qual é o ponto principal da própria passagem?
F. Qual é o entendimento consistente da passagem no contexto?
n      Contexto Amplo
A. A minha interpretação faz essa passagem contradizer com
1. o próprio autor?
2. outras passagens bíblicas?
3. com o bom senso?
B. Quais outras passagens na Escritura lançam luz sobre os assuntos levantados nessa passagem?
ALGUMAS PERGUNTAS IMPORTANTES:
1. Quem escreveu/falou a passagem e para quem era endereçada?
2. O que a passagem diz?
3. Existe alguma palavra ou frase nesta passagem que precise ser examinada?
4. Qual é o contexto imediato?
5. Qual é o contexto mais amplo exposto no capítulo e no livro?
6. Quais são os versículos relacionados ao assunto da passagem e como eles afetam a compreensão desta?
7. Qual é o fundo histórico e cultural?
8. Qual a conclusão que eu posso tirar desta passagem?
9. As minhas conclusões concordam ou discordam de áreas relacionadas nas Escrituras ou com outras pessoas que já estudaram esta passagem?
10. O que eu posso aprender e aplicar à minha vida?
UM PROCEDIMENTO HERMENÊUTICO DE 6 PASSOS
n      1º Passo: Análise Histórico-Cultural e Contextual
         Consideramos o ambiente histórico-cultural do autor para melhor compreendermos suas alusões e objetivos.
n      2º Passo: Análise Léxico-Sintática
         Visa compreendermos a definição das palavras (lexicologia) e sua relação com as outras (sintaxe) para que entendamos melhor o sentido texto. Neste momento é fundamental um bom conhecimento de português e, se possível, de grego e hebraico.
n      3º Passo: Análise Teológica
         Consideramos o nível de conhecimento teológico do público alvo na época em que o texto foi escrito, levando em conta os textos correlatos para seus primeiros destinatários.
n      4º Passo: Análise Literária
         Identifica a forma ou método literário utilizado numa passagem em particular (metáforas, antropomorfismos etc.) visando uma interpretação mais adequada.
n      5º Passo: Comparação com Outros Intérpretes
         Comparar o produto dos quatro passos acima com trabalhos de outros intérpretes sobre do mesmo texto.
n      6º Passo: Aplicação
         Traduzir o significado original do texto, obtido pelos 5 passos acima, para a nossa própria época e cultura.
10 PROPÓSITOS DAS CITAÇÕES DO A. T.
1. Mostrar como certos eventos cumpriram predições do A.T. (Ex: Mt 21.4 e Zc 9.9).
2. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Rm 1.17 e Hc 2.4).
3. Para aplicar um acontecimento do A.T. a Cristo (Mt 2.15 e Os 11.1).
4. Para mostrar um paralelo com algum acontecimento do A.T. (Ro 8.36 e Sl 44.22).
5. Para utilizar as mesmas palavras que o A.T. (Mt 27.46 e Sl 22.1).
6. Para aplicar um princípio do A.T. a uma situação do N.T. (Ro 9.15 e Ex 33.19).
7. Para apoiar uma verdade expressada no N.T. (Mc 10: e Gn 2.24).
8. Para explicar mais plenamente uma verdade do A.T. (Mt 22.43-44 e Sl 110.1).
9. Para mostrar que um acontecimento do N.T. está de acordo com um princípio do A.T. (At 15.16-17 e Amós 9.11-12).
10.                 Para esclarecer um princípio ou uma verdade do N.T. (Ro 10.16 e Is 53.1).

ANÁLISE LÉXICO-SINTÁTICA

a) Determinar a forma literária geral
n      Sentido Literal: Coroa de ouro na cabeça do rei
n      Sentido Figurativo: Não me chame de coroa pois eu sou muito novo.
n      Sentido Simbólico: “vi uma coroa de 7 pontas que eram 7 nações”.
b) Observar as divisões naturais do texto
n      Divisões em versículos e capítulos (úteis na localização de passagens) dividem o texto de modo antinatural.
n      Algumas versões mantêm a numeração, mas organizam o texto em parágrafos. Atos 8:1 depende completamente de Atos 7:60.
c) Observar os conectivos dentro de parágrafos e sentenças
d) Determinar o sentido das palavras (Ex: carne)
e) Como determinar o sentido das palavras?
n      Entender os estilos diversos. Determinar se a palavra está sendo utilizada como parte de uma figura de linguagem ou não.
n      Estudar passagens paralelas.
ANÁLISE HISTÓRICO-CULTURAL E CONTEXTUAL
a) Determinar o contexto histórico-cultural geral
• Situação política, econômica e social;
• Costumes relacionados ao texto em questão;
• Nível de comprometimento espiritual do “público alvo”.

b) Contexto histórico-cultural específico e objetivos de um livro
• Quem foi o autor? Qual era seu ambiente e sua experiência espiritual?
• Para quem estava escrevendo? (crentes fiéis, crentes em pecado, incrédulos, apóstatas, etc.)
• Qual foi a finalidade (intenção) do autor ao escrever este livro?

c) Desenvolver uma compreensão do contexto imediato
• Entender como o livro é organizado (montar um esboço por assunto);
• Saber contextualizar a passagem em análise na argumentação corrente o autor;
• Saber identificar a perspectiva do autor:
i. Numenológica: Perspectiva Divina, absoluta (geralmente relacionadas a questões morais);
ii. Fenomenológica: Perspectiva humana, relativa (relacionadas a questões naturais, físicas).
d) Distinguir passagens descritivas de prescritivas
• A ação de Deus numa passagem narrativa nem sempre significa que Deus sempre opera deste modo com os crentes.
• Ações humanas descritas na Bíblia, se não forem claramente aprovadas por Deus, devem ser avaliadas. A Bíblia também registra os erros dos homens de Deus.

e) Distinguir o núcleo de ensino de uma passagem de detalhes incidentais
Ex: Uma vez que o filho pródigo voltou para o Pai sem a necessidade de um mediador, então alguém poderia concluir que Jesus não é essencial para a salvação.

f) Definir a quem se destina cada promessa, sentença, ordenança, etc.
REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO
As regras de interpretação se dividem em quatro categorias: gerais, gramaticais, históricas e teológicas. É necessário que o estudante da bíblia se familiarize com essas regras básicas de interpretação.
1. 1.      Princípios gerais de interpretação

  • Regra 1: Trabalhe partindo da pressuposição de que a Bíblia tem autoridade.
  • Regra 2: A Bíblia é seu intérprete; a Escritura explica melhor a Escritura.
  • Regra 3: A fé salvadora e o Espírito Santo são-nos necessários para compreendermos e interpretarmos bem as Escrituras.
  • Regra 4: Interprete a experiência pessoal à luz da escritura, e não a Escritura à luz da experiência pessoal.
  • Regra 5: Os exemplos bíblicos só têm autoridade quando amparados por uma ordem.
  • Regra 6: O propósito primário da Bíblia é mudar as nossas vidas, não aumentar o nosso conhecimento.
  • Regra 7: Cada cristão tem o direito e a responsabilidade de investigar e interpretar pessoalmente a Palavra de Deus.
  • Regra 8: A história da Igreja é importante, mas não decisiva na interpretação da Escritura.
  • Regra 9: As promessas de Deus na Bíblia toda estão disponíveis ao Espírito Santo a favor dos crentes de todas as gerações.

1. 2.      Princípios gramaticais de interpretação

  • Regra 10: A Escritura tem somente um sentido, e deve ser tomada literalmente.
  • Regra 11: Interprete as palavras no sentido que tinham no tempo do autor.
  • Regra 12: Interprete a palavra em relação à sua sentença e ao seu contexto.
  • Regra 13: Interprete a passagem em harmonia com o seu contexto.
  • Regra 14: Quando um objeto inanimado é usado para descrever um ser vivo, a proposição pode ser considerada figurada.
  • Regra 15: Quando uma expressão não caracteriza a coisa descrita, a proposição pode ser considerada figurada.
  • Regra 16: As principais partes e figuras de uma parábola representam certas realidades. Considere somente essas principais partes e figuras quando estiver tirando conclusões.
  • Regra 17: Interprete as palavras dos profetas no seu sentido comum, literal e histórico, a não ser que o contexto ou a maneira como se cumpriram indiquem claramente que têm sentido simbólico. O cumprimento delas pode ser por etapas, cada cumprimento sendo uma garantia daquilo que há de seguir-se.

1. 3.      Princípios históricos de interpretação

  • Regra 18: desde que a Escritura originou-se num contexto histórico, só pode ser compreendida à luz da história bíblica.
  • Regra 19: Embora a revelação de Deus nas Escrituras seja progressiva, tanto o V.T. como o N.T. são partes essenciais desta revelação e formam uma unidade.
  • Regra 20: Os fatos ou acontecimentos históricos se tornam símbolos de verdades espirituais, somente se as Escrituras assim os designarem.

1. 4.      Princípios teológicos de interpretação

  • Regra 21: Você precisa compreender gramaticalmente a Bíblia, antes de compreende-la teologicamente.
  • Regra 22: Uma doutrina não pode ser considerada bíblica, a não ser que resuma e inclua tudo o que Escritura diz sobre ela.
  • Regra 23: Quando parecer que duas doutrinas ensinadas na Bíblia são contraditórias, aceite ambas como escriturísticas, crendo confiantemente que elas se explicarão dentro de uma unidade mais elevada.
  • Regra 24: Um ensinamento simplesmente implícito na Escritura pode ser considerado bíblico quando uma comparação de passagens correlatas o apóia.

SUGESTÕES BIBLIOGRÁFICAS


BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
FEE, Gordon D. e STUART, Douglas. Entendes o Que Lês? São Paulo: Editora Vida Nova, 1982.
GEISLER, Norman. e HOWE, Thomas. Manual Popular de Dúvidas Enigmas e “Contradições” da Bíblia. São Paulo: Editora Mundo Cristão, 2001.
LOPES, Augustus Nicodemus. A Bíblia e Seus Intérpretes. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
VANHOOZER, Kevin. Há um Significado Neste Texto? São Paulo: Editora Vida, 2005.
VIRKLER, Henry. Hermenêutica Avançada: Princípios e Processos de Interpretação Bíblica. São Paulo: Editora Vida, 2001.
MÉTODOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA - HERMENÊUTICA E EXEGESE


A IMPORTÂNCIA DA INTERPRETAÇÃO BÍBLICA
O verdadeiro cristianismo não se rende ao espírito do nosso tempo, o qual abarca filosofias antibíblicas e anticristãs, como a revitalização de valores morais, a aversão às instituições e o hedonismo.


De modo geral igrejas, seminários, editoras, pastores, teólogos, escritores ditos evangélicos tem surgido entre nós disseminando sorrateiramente heresias de perdição na igreja evangélica, com isto retirando muita gente do caminho da salvação e desviando-os para caminhos totalmente distantes de Deus. O conhecimento, entendimento e prática da Bíblia Sagrada são imprescindíveis para o crescimento espiritual do cristão. Precisamos atentar para a Palavra de Deus, que nos adverte: “E que de entre vós mesmos se levantarão homens que falarão coisas perversas, para atraírem os discípulos após si” (Atos 20.30).


Para conhecer com profundidade a Palavra de Deus, é preciso conhecer as regras de hermenêutica, pois é por meio dessa ciência que são estabelecidos os princípios, leis e métodos de interpretação.


A Bíblia é um livro compreensível para qualquer pessoa, desde que possua inteligência e conhecimentos suficientes. Com isso queremos dizer que não é um livro hermeticamente fechado, com significados ocultos destinado apenas para iniciados. Qualquer pessoa pode extrair dela o conhecimento necessário para sua salvação e para desenvolver sua vida com Deus.


Não estamos dizendo que todas as pessoas são capazes de ler as Escrituras e formar uma Teologia Sistemática. Entretanto naquilo que é necessário para o conhecimento e salvação a Bíblia se faz entender a qualquer um que assim estiver disposto. Deus deixou para a humanidade um registro escrito de sua revelação justamente com esse intuito.


A HERMENÊUTICA E EXEGESE
A palavra hermenêutica é um legado da língua grega e, primariamente significa expressão de um pensamento, explicação, atividade da inteligência e, sobretudo compreensão humana e interpretação. O termo, possivelmente, se deriva do nome de Hermes, da mitologia grega, considerado inventor da linguagem e da escrita e deus da eloquência, por preferir a persuasão ao uso das armas, por recorrer mais a inteligência do que a força. Seu nome provém da palavra grega herma, que designa os montes de pedra usados para indicar o caminho.


A hermenêutica bíblica, a arte de interpretar a Bíblia, tem como objetivo desenvolver regras para sua interpretação. A hermenêutica tem por objetivo investigar e coordenar de modo sistemático os princípios científicos e leis decorrentes, que disciplinam a apuração do conteúdo, do sentido e dos fins das palavras e a restauração do conceito orgânico dos termos para efeito de sua aplicação e interpretação.


É de salutar importância considerar a hermenêutica como um processo unitário que inclui, além da compreensão e interpretação do texto, também sua aplicação.


A finalidade da hermenêutica bíblica é auxiliar o obreiro, e a qualquer estudante da Bíblia a usar os métodos de interpretações confiáveis, além de estabelecer os principais fundamentos da exegese bíblica como base para o estudo do texto na sua diversidade linguística, cultural e histórica.


A hermenêutica antecede a exegese. Esta por sua vez, faz uso das principais regras e métodos hermenêuticos em suas conclusões e investigações. De uma maneira simples poderíamos dizer que a hermenêutica é a teoria e a exegese é a prática, pois esta aplica os princípios hermenêuticos para chegar a um entendimento correto do texto.


EIXEGESE
Ao contrário da exegese, a eixegese ocorre quando o intérprete aborda o texto com preconceitos, extraindo dele um sentido que já deseja de antemão, ou seja, significa ler no texto aquilo que ele quer encontrar ali, mas que na realidade não se encontra, ou então distorce um texto para adaptá-lo às suas próprias ideias. Em outras palavras, quem usa a eixegese força o texto, mediante várias manipulações. A eixegese usualmente acontece quando um intérprete desconsidera uma regra de interpretação porque está em conflito com as noções preconcebidas e defendidas por ele.


MÉTODOS JUDAICOS DE INTERPRETAÇÃO
Entre os interpretes judaicos havia diversos métodos hermenêuticos, porém existia consenso acerca de diversos pontos entre eles. Em primeiro lugar, era ponto pacifico a inspiração divina das Escrituras. Em segundo lugar, afirmavam que a Torá continha toda a verdade de Deus para a orientação da humanidade. Em terceiro lugar, os exegetas judaicos extraíam muitos significados dos textos bíblicos, o que demonstra que consideravam tanto o sentido literal ou manifesto quanto os implícitos.


Entre os escritos judaicos da antiguidade podemos encontrar pelo menos três métodos hermenêuticos principais: a alegórica, a literal e a tipológica. Vale salientar que essa classificação não é uma regra para os intérpretes judaicos primitivos.


ALEGÓRICA
A forma alegórica consiste na interpretação de um texto da perspectiva de alguma coisa, sem levar em consideração o que quer que seja essa coisa. O mais importante intérprete judeu da forma alegórica foi Fílon, um filósofo judeu do século I, de Alexandria, contemporâneo de Jesus. Para Fílon, as Escrituras possuíam duas formas de ser interpretada: o literal e o subjacente, sendo que este último era recuperado somente por intermédio da exegese alegórica.


Muitos cristãos fazem uso da alegoria para encontrar Cristo no Antigo Testamento. Dessa forma, esse método passou a ser uma estratégia interpretativa para declarar que isso significa aquilo.


Orígenes (185-254) foi o maior dos interpretes alegóricos do cristianismo primitivo. Ele acreditava que as Escrituras continham um significado literal e outro espiritual. O sentido literal do texto, no seu entendimento, era inferior ao significado espiritual. Assim uma Escritura inspirada por Deus tinha que ser interpretada de forma espiritual.


Com base nesse pressuposto, Orígenes desenvolveu uma abordagem tríplice das Escrituras, ou seja, a Palavra de Deus tinha um sentido literal ou físico, um sentido moral ou psíquico e por fim um sentido alegórico ou intelectual. Ao fazer essa divisão ele seguiu Clemente e Fílon, embora adotasse três diferentes sentidos em vez dos dois anteriores, porém na prática menosprezou o sentido literal, raramente se referiu ao sentido moral e usou constantemente a alegoria.


MIDRÁSSHICA
Para os rabinos, a Torá é a própria Palavra de Deus e contém a soma do conhecimento de Deus para seu povo. Pelo fato de ser um produto divino, até mesmo as próprias letras das Escrituras estão repletas de um significado profundo. Sendo assim, a interpretação é o meio pelo qual as Escrituras falam com as gerações subsequentes em situações diferentes. Os rabinos também acreditam em outra Lei, conhecida como Torá Schebealpe (Lei Oral), que é fruto de milhares de anos de sabedoria judaica, um compendio de lei, lenda e filosofia. A força dessa Lei Oral na vida religiosa é muito grande, pois ela exerce influencia sobre a teoria e a prática da vida judaica, dando forma a seu conteúdo espiritual e servindo de guia de conduta.


Essa Lei Oral, para a tradição judaica, serve para interpretar o conteúdo escrito da Lei e também suprir suas lacunas. Do ponto de vista histórico-crítico, é muito difícil precisar quando surgiram no judaísmo as tradições orais e quando surgiu a consciência de uma dupla fonte da Torá, a Oral e Escrita. Entretanto é sugerido historicamente que este processo teve inicio na era do Segundo Templo, com Esdras, sacerdote e escriba.


Essa forma de interpretar as Escrituras tornou-se conhecida como Midrash, usada pelos rabinos e fariseus para sua leitura bíblica. O Midrash tem o significado de comentários, em particular, com a idéia de tornar contemporânea a Escritura a fim de aplicá-la ou torná-la significativa para a situação atual do intérprete.


LITERAL
A maioria dos dicionários descreve o sentido literal como o significado primário de um termo, o significado estabelecido pelo uso comum. Podemos dizer que o significado literal é o significado puro, simples, direto do texto.


Os comentários rabínicos emitem diversos exemplos nos quais as Escrituras Sagradas foram entendidas de forma direta, o que resultou na aplicação do significado manifesto, simples e natural do texto à vida das pessoas.


Jesus fez uso dessa forma de interpretação em alguns de seus discursos, em especial com relação às questões morais. Em Mateus, o mestre repreendeu os fariseus com citações diretas do livro de Êxodo, dizendo: “Honra teu pai e tua mãe...” (Êxodo 20.12), e quem amaldiçoar seu pai e sua mãe certamente morrerá (Êxodo 21.17).


TIPOLÓGICA
A exegese tipológica busca reconhecer e interpretar símbolos, tipos e alegorias das Escrituras fazendo uma correspondência entre pessoas e acontecimentos do passado, do presente e do futuro.


O Antigo Testamento está repleto de tipos aos quais o Novo Testamento se refere e os explica, como já dizia Agostinho: “O Novo está contido no Antigo; o Antigo é explicado pelo Novo”. Sendo assim, é muito importante entendermos qual é o significado de um tipo. Paulo, ao escrever aos coríntios disse: “Ora, tudo isso lhes veio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos” (ICo 10.11).


Certos personagens bíblicos são referidos no Novo Testamento como tipos, pessoas vivas e reais que deixaram um legado para os cristãos. O escritor aos Hebreus menciona com frequência algumas peças existentes no Tabernáculo e os sacrifícios ali oferecidos e declara que todas as coisas são “uma alegoria para o tempo presente” (Hb 9.9).


Jesus usou várias vezes os tipos em suas pregações. Repetidas vezes se referia a eles e demonstrava como apontavam para Ele mesmo, como no caso do caminho de Emaús: “E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras” (Lc 24.27). Os eventos que tinham acontecido em Jerusalém estavam todos prefigurados nas Escrituras, como disse Jesus: “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos” (Lc 24.44).


REGRA FUNDAMENTAL “A ESCRITURA INTERPRETA A ESCRITURA”
O primeiro interprete da Palavra de Deus foi o Diabo, lá no Jardim do Edém (Gn 3), que atribui a palavra divina um sentido que ela não tinha, falseando astuciosamente a verdade. Mais tarde o mesmo inimigo falseia o sentido da Palavra escrita, truncando-a, ou seja, citando a parte que lhe convinha e omitindo a outra (Mt 4).


Conscientes ou inconscientemente, muita gente tem imitado Satanás, interpretando a Bíblia de maneira totalmente equivocada. Esses tipos de interpretação tem como resultado grandes desgraças e catástrofes, exemplo: a Inquisição. Por isso a primeira e correta regra de interpretação bíblica deve ser: “a Bíblia interpreta a própria Bíblia”.


Ignorando ou violando esse princípio simples e racional temos encontrado suposto apoio nas Escrituras para muitos e nefastos erros. Fixando-se em palavras e versículos “arrancados” de seu conjunto ou contexto e não permitindo à Escritura explicar-se a si mesma, os judeus encontraram nela um apoio fictício para rejeitar a Cristo. Procedendo da mesma maneira, os papistas encontraram aparente apoio na Bíblia para os erros do papado e das matanças e torturas orquestradas pela Inquisição. Atuando assim, os espíritas pensam achar aparente apoio para sua errônea reencarnação; os russelitas para seus erros blasfemos. Se todos tivessem a sensatez de permitir que a Bíblia se explicasse a si mesma evitariam graves e desastrosos erros.


Por causa desse abuso aqui apontado, dize-se que na Bíblia se encontra apoio para muitas doutrinas totalmente erradas. Isso tudo é causado pela má vontade, a preguiça em estudá-la, o apego a ideias falsas e mundanas e a ignorância de toda regra de interpretação.


A primeira e fundamental regra da correta interpretação bíblica deve ser aquela que diz: a Escritura explicada pela Escritura. Cada escritor das Escrituras tinha seu estilo próprio, segundo a revelação que lhes era dada pelo Espírito Santo. Não é de admirar que se utilizasse de uma linguagem apropriada à ocasião, à sua formação. Dessa forma, para se obter o sentido completo das Escrituras não se pode desprezar o estudo do contexto, da gramática, das palavras e das passagens paralelas. Por isso a importância de recorrermos ao Estudo Bíblico do livro para o conhecimento do ambiente e da formação do escritor.


Não podemos menosprezar o abismo cultural resultante de significativas diferenças entre cultura dos antigos hebreus e a nossa. Devemos lembrar-nos que a Palavra de Deus foi originada de modo histórico e, por isso só pode ser entendida à luz da história. Cada um de nós vê a realidade através de olhos condicionados pela cultura e por uma variedade de outras experiências.


O pressuposto fundamental da teoria da hermenêutica é: “o significado de um texto deve ser aquele que o autor tinha em mente e não aquele que o leitor deseja impor-lhe”. O Senhor Jesus nos exorta a examinar as Escrituras para encontrarmos nela a verdade, e não interpretá-la para estabelecermos a verdade segundo a vontade do homem.


ANALISAR O TEXTO DENTRO DE TODO O SEU CONTEXTO
Num texto ou em uma sequencia de textos, o contexto é constituído pela sequencia de parágrafos ou blocos que precedem e se seguem imediatamente ao texto, e que podem de uma forma ou de outra, quando suprimidos, não revelar os seus desígnios.


Na Bíblia, assim como em toda boa literatura, devemos ter uma compreensão do todo a fim de apreciar e entender as partes. Nunca devemos tratar um livro da Bíblia como uma coleção de passagens isoladas. São histórias, poemas e cartas conectadas.


De acordo com Esdras Bentho, autor do livro: “Hermenêutica Fácil e Descomplicada”, o exame do contexto é importante por três motivos:


1- As palavras, as locuções e as frases podem assumir sentidos amplos;

2- Os pensamentos normalmente são expressos por sequencia de palavras e frases.

3- Desconsiderar o contexto acarreta interpretações falsas, além de se constituir uma eixegese.


TOMAR O TEXTO EM SEU SENTIDO USUAL E ORDINÁRIO
Os escritores das Sagradas Escrituras escreveram de modo que todos entendessem seus escritos. Para que isso fosse possível, valeram-se de palavras conhecidas e entendidas pelo povo em geral. Devido ao ambiente que viviam, bem como à cultura da sua época, fizeram uso abundante de várias figuras de linguagem, como a retórica, símiles, parábolas, etc. Além disso, ocorrem expressões peculiares do idioma hebreu, chamados hebraísmos. Precisamos ter consciência de tudo isso para podermos determinar qual é o verdadeiro sentido usual e comum das palavras e frases das Escrituras que chegaram até nós. Averiguar e determinar qual é o sentido usual e ordinário deve constituir, portanto, o primeiro cuidado da interpretação ou correta compreensão das Escrituras.


LEVAR EM CONTA A INTENÇÃO DO AUTOR
A Bíblia tem um lado humano, e assim nos encoraja como também nos desafia a interpretá-la. Ao falar através de pessoas reais, numa variedade de circunstâncias, por um período de 1500 anos, a Palavra de Deus foi expressa no vocabulário e nos padrões de pensamento daquelas pessoas, e condicionadas pela cultura daqueles tempos e circunstâncias. Por estarmos distantes deles no tempo, e às vezes no pensamento, precisamos aprender a interpretar a Bíblia levando em conta a intenção do autor humano.


LEVAR EM CONTA O ESTILO LITERÁRIO
Deus, para comunicar sua Palavra para os homens, escolheu fazer uso de quase todo tipo de comunicação disponível: história em narrativa, as genealogias, as crônicas, leis de todos os tipos, poesias de todos os tipos, provérbios, oráculos proféticos, enigmas, drama, esboços biográficos, parábolas, cartas, sermões e apocalipses, ou seja, a Bíblia contém uma riqueza infindável de estilos literários.


Quando conhecemos o estilo da literatura que estamos lendo, podemos entendê-la melhor. Lemos história com uma postura diferente de quando lemos uma poesia. Gêneros diferentes evocam expectativas e estratégias de interpretação diferentes.


LEVAR EM CONTA A BÍBLIA COMO UM TODO
A leitura da Bíblia enquanto Palavra de Deus pressupõe a fé na revelação e a disponibilidade em acolher tal Palavra como diretiva para interpretar e organizar a própria vida. Ler as Escrituras à luz de toda a mensagem bíblica, o completo consenso divino, não apenas nos previne de interpretações errôneas como também nos proporciona um entendimento mais profundo da Palavra de Deus.


Apesar de muitos autores humanos terem contribuído para escrever a Bíblia, Deus é o seu Autor último. E ao mesmo tempo em que a Bíblia é uma coleção de muitos livros, ela também é um só livro. A Bíblia contém muitas histórias, mas todas elas contribuem para uma única história. Consequentemente, devemos ler uma passagem, ou até mesmo um livro da Bíblia, no contexto do corpo do ensino e doutrina que flui da história completa da revelação progressiva da Palavra de Deus.


LEVAR EM CONTA O CONTEXTO HISTÓRICO
A compreensão dos textos bíblicos deve levar em conta as características dos textos. Antes de tudo, são livros que provem de um passado distante. O texto está distante do leitor pela língua e pela lógica interna, e também enquanto proveniente de um contexto histórico muito diferente. O leitor de hoje encontra-se numa situação diferente de compreensão, vive em condições de vida e dispõe de uma mentalidade diferente em relação aos primeiros leitores do texto. Tais distâncias temporais e culturais podem obstacular a compreensão. A leitura dos textos sob o aspecto histórico investiga o enraizamento de um texto na realidade histórica, ou seja, busca colocar às claras a relação entre o texto e o evento narrado.


A VISÃO DOS REFORMADORES
Os reformadores criam na Bíblia como sendo a Palavra inspirada de Deus. Mas, por mais que fosse sua concepção de inspiração, concebiam-na como orgânica ao invés de mecânica. Em certos particulares revelaram até mesmo uma liberdade notável ao lidar com as Escrituras. Ao mesmo tempo consideravam a Bíblia como a autoridade suprema e como côrte final de apoio em disputas teológicas. Em oposição à infalibilidade da Igreja, colocaram a infalibilidade da Bíblia. Sua posição é perfeitamente evidenciada na declaração que: a Igreja não determina o que a Escritura ensina, mas a Escritura determina o que a Igreja deve ensinar. O caráter essencial de sua exegese era o resultado de dois princípios fundamentais:


1)
A Escritura interpreta a Escritura;

2)
Todo o entendimento e exposição da Escritura deve estar em conformidade com a analogia da fé. Isto é, o sentido uniforme da Escritura.


- Lutero. Ele prestou à nação alemã um grande serviço ao traduzir a Bíblia para o vernáculo alemão. Também se empenhou no trabalho de exposição, embora somente em uma extensão limitada. Suas regras hermenêuticas eram melhores que sua exegese. Embora não desejasse reconhecer nada além do sentido literal e falasse desdenhosamente da interpretação alegórica, não se afastou inteiramente do método desprezado. Defendeu o direito do julgamento particular; enfatizou a necessidade de se levar em consideração o contexto e as circunstâncias históricas; exigia fé e discernimento espiritual do intérprete; e desejava encontrar Cristo em todas as partes da Escritura.


- Melanchthon. Foi a mão direita de Lutero e seu superior em erudição. Seu grande talento e conhecimento extensivo, também de grego e hebraico, estavam bem adaptados para transformá-lo em um intérprete admirável. Em sua obra exegética, procedia segundo os princípios sadios de que:

a) Escritura deve ser entendida gramaticalmente antes de ser entendida teologicamente;
b) A Escritura tem apenas um sentido claro e simples.


- Calvino. Foi por consenso, o maior exegeta da Reforma. Suas exposições cobrem quase todos os livros da Bíblia, e o valor delas ainda é reconhecido. Os princípios fundamentais de Lutero e Melanchthon também foram os seus, e ele os superou ao conciliar sua prática com sua teoria. Viu no método alegórico, um artifício de Satanás para obscurecer o sentido das Escrituras. Acreditava firmemente no significado simbólico de muito o que se encontrava no Antigo Testamento, mas não compartilhava da opinião de Lutero de que Cristo deveria ser encontrado em todas as partes da Escritura. Além disso, reduziu o número de Salmos que poderiam ser reconhecidos como messiânicos. Insistiu no fato de que os profetas deveriam ser interpretados à luz das circunstâncias históricas. Como ele via, a excelência primeira de um expositor consistia de uma brevidade lúcida. Além disso, considerava que “a primeira função de um intérprete é deixar o autor dizer o que ele diz, ao invés de atribuir a ele o que pensamos que ele deveria dizer”.


- Os católicos romanos. Esses não fizeram nenhum progresso exegético durante o período da Reforma. Não admitiam o direito de julgamento particular e defendiam em oposição aos protestantes, a posição de que a Bíblia deve ser interpretada em harmonia com a tradição. O Concílio de Trento enfatizou:

a) Que a autoridade da tradição eclesiástica devia ser mantida;
b) Que a autoridade suprema tinha de ser atribuída à Vulgata;
c) Que era preciso harmonizar a própria interpretação com a autoridade da igreja e do consenso unânime dos Pais da igreja.


Onde esses princípios prevalecem, o desenvolvimento exegético sofreu uma parada repentina.



 J. DIAS



FONTES
Hermenêutica – E. Lund & P.C. Nelson – Editora Vida
Hermenêutica – Módulo 5 da FTB – Editora Betesda
Princípios de Interpretação Bíblica – Louis Berkhof – Editora Cultura Cristã

Exegese Bíblica -


Aula I
Introdução
A exegese é uma análise profunda do texto. É popular, no meio evangélico e nas cadeiras dos seminários, se usar o termo “exegese”; a maioria de nós quando sentados nos bancos das escolas teológicas vemos vários professores usarem este termo e nas aulas de grego e hebraico é onde o mesmo é mais utilizado. Entretanto, é óbvio que a grande maioria dos seminários não ensinam os alunos a fazerem a exegese de um texto do início ao fim, senão superficialmente.
Ouvimos tanto um termo que após um tempo acabamos nos acostumando com ele. A verdade é que para fazer uma verdadeira exegese de um texto, faltam-nos muitas capacitações, algumas que não temos condições de aprender no seminário pelos seguintes motivos: a) os professores falam de exegese, mas nunca nenhum nos mostra como deve ser feita; b) Muitos falam de exegese, mas realmente não sabem como fazer uma; c) a exegese é um campo muito restrito, reservada a especialistas nas áreas de línguas bíblicas e que poucos têm condições de fazê-la.
Todos os itens anteriores são verdadeiros, mas se a exegese constitui a parte mais fundamental da Teologia, pois sem ela não teremos os resultados da Teologia Sistemática, da Teologia do Novo Testamento, da Teologia do Antigo Testamento e de tantas outras matérias teológicas. E se é tão importante por que não aprendemos no seminário e nas matérias acima citadas. Em parte é por causa do tempo ocupado pelo currículo com outras matérias igualmente importantes e em parte porque o seminário visa nos dar diretrizes gerais sobre as várias disciplinas da Teologia e um curso de exegese exigiria um estudo à parte com uma carga horária bem extensa.
Para se ter uma ideia, mesmo em um curso de letras ou linguística é difícil ouvirmos o termo exegese, pois é realmente um termo muito específico e restrito a especialistas em interpretação de textos.
O objetivo do nosso curso é unir dar condições aos alunos de terem uma metodologia exegética que seja aplicável ao seu contexto eclesiástico de modo que possa utilizar dessa metodologia para preparar um sermão expositivo, uma ensino expositivo, produzir material acadêmico de qualidade e tudo o que envolver atividade com o texto das Sagradas Escrituras.
1. Definições e princípios gerais da exegese bíblica
Sabemos que a exegese está vinculada estritamente à hermenêutica e que esta constitui o fundamento daquela. A hermenêutica seria como o Poder Legislativo e a Exegese como o Poder Executivo. A hermenêutica é a lei e a Exegese a aplicação dessas leis na análise de um determinado texto.
1.1 Apresentações gerais, definição dos termos e importância da matéria
De acordo com Osborne (2009, p. 69):
exegese é o ato de “extrair” do texto seu significado, em contraste com a eisegese, que é impor ao texto o significado que desejamos que ele tenha. Trata-se de um processo complexo e constitui o coração da teoria hermenêutica, cuja tarefa é primeiro definir o significado pretendido pelo autor (…) para depois aplicá-lo à nossa vida. (…) A exegese propriamente dita pode ser subdividida em seus aspectos linguísticos e cultural. O primeiro se ocupa com o alinhamento de termos e conceitos que, juntos, formam nossas proposições linguísticas. O aspecto cultural se refere aos contextos históricos e sociológicos subjacentes às proposições.
É possível pregar, ensinar, aconselhar sem conhecer as línguas bíblicas, sem nunca ter ouvido falar de hermenêutica e exegese, mas sempre em um nível superficial de compreensão da mensagem do Evangelho e com riscos de incorrer em alguns erros.
A exegese sadia do texto nas línguas originais deve ser o subsídio para muitas atividades pastorais e ministeriais tais como: 1) aconselhamento, como aconselhar alguém se não entendermos a mensagem bíblica e suas exigências?; 2) ensino, como ensinar sem conhecer profundamente o significado dos textos?; 3) pregação, como pregar corretamente a mensagem do Evangelho sem entender profundamente o que o texto realmente diz?; 4) evangelismo, como pregar o Evangelho em um mundo de pluralismo religioso, sem ser capaz de fazer uma análise profunda do texto contra as afirmações distorcidas das várias seitas que também usam a Escritura? E tantas outras aplicações.
A exegese também deve estar ligada à outras matérias teológicas tais como a Teologia do AT e do NT, a Teologias Sistemática e aquelas disciplinas que necessitam hora ou outra das línguas originais da Bíblia como ferramenta de especificação de termos e conceitos.
2. Versões Modernas e Problemas de Tradução
Quando nos propomos a fazer uma exegese dos textos originais, o primeiro problema que se nos apresenta é: Qual é o texto original? Onde encontramos?
2.2.1. Texto e Tradução do AT
Temos poucos manuscritos hebraicos do A.T .(menos de 1.000). Aproximadamente 3.000 Palavras do A.T. hebraico ocorrem somente 6 vezes em todo A.T, destas cerca de 1.500 ocorrem somente vez em todo o AT. Isso significa que das cerca de 8.000 palavras, 4.500 são de ocorrência rara. Há ainda cerca de 157 textos de tradução difícil e algumas quase impossíveis. Sendo assim há muita dificuldade crítica ainda não resolvida do A.T. Muitos desses textos foram traduzidos mais por tradição e por comparação com outras traduções antigas do que diretamente do original hebraico. Além disso, o aramaico bíblico traz outras dificuldades que só depois de muita pesquisa podem ser resolvidas. O ponto positivo em relação ao texto do A.T. é que as semelhanças entre todos os manuscritos giram em torno de 98%.
O problema quanto à tradução do texto do AT diz respeito a multiplicidade de versões de acordo com as novas teorias de tradução, muitas vezes as novas versões acabam por prejudicar principlamente a poesia hebraica e o modo de mentalidade semítica.
2.2.2. Texto e Tradução do NT
Temos cerca de 5.600 manuscritos gregos do NT, as versões aumentam significativamente esse número, são cerca de 8.000 manuscritos em latim e o total, juntando as versões em copta, siríaco, armênio, etc., atinge cerca de 25.000 manuscritos. Isso traz benefícios quanto à quantidade de testemunhas do texto, mas traz a dificuldade de que nem uma única página de um manuscrito do NT concorda com outro manuscrito do mesmo texto. Embora as diferenças sejam insignificantes e não alterem nenhuma doutrina, se torna um elemento problemático para traçar a história do texto. Diferente do AT, o NT foi copiado muito mais e por maior número de escribas, nem sempre com o mesmo cuidado dedicado à cópia do texto do AT feito pelos escribas e massoretas.
O texto do NT tem hoje sido debatido quanto à sua história e exitem duas principais teorias, a tradicional, que entende a história do texto como amplamente copiado e concordante (99%)[1] e outra que considera que o texto só foi amplamente copiado a partir do século IX d.C. e elege os manuscritos mais antigos como os manuscritos mais fiéis e importantes.[2] A diferença está em cerca de 3% de um NT grego, o que representa cerca de 48 páginas a menos nas versões que adotam o TC ou o texto de Nestle-Aland.
Adotaremos em nossas aulas o Texto Massorético impresso pela Sociedade Bíblica Trinitariana e o Texto Receptus, também impresso pela mesma Sociedade.
2. Teologia da pregação e ensino exegético
Na mesma proporção em que valorizamos o evangelho, sejamos zelosos em segurar as línguas [bíblicas]. Pois não foi sem propósito que Deus fez com que Suas Escrituras fossem estabelecidas nessas duas línguas somente – o Antigo Testamento em Hebraico[3], o Novo em Grego. Agora, se Deus não desprezou-as mas escolheu-as sobre todas outras línguas deste mundo, então nós também deveríamos honrá-las sobre todas as outras. S. Paulo declarou era uma glória peculiar e distinta do hebraico, o fato de que a Palavra de Deus foi dada nesta língua, quando ele disse em Romanos 3, “Que vantagem ou lucro têm os que são circuncidados? Muitos em muitas coisas. Primeiramente porque a Palavra de Deus foi confiada a eles.” O Rei Davi também gloria-se no Salmo 147, “Ele declara sua Palavra a Jacó, seus estatutos e ordenanças a Israel. Não fez assim com nenhuma outra nação ou revelou a elas suas ordenanças”. Desta forma, também, A língua hebraica é chamada sagrada. E S. Paulo, em Romanos 1, chama-a “as santas escrituras”, certamente levando em conta a santa palavra de Deus a qual é aqui compreendida. Similarmente, a língua Grega também pode ser chamada sagrada, porque ela foi escolhida sobre todas as outras como a língua na qual o Novo Testamento foi escrito, e porque por isso outras línguas também tem sido santificadas como se o Grego estendesse sua santidade a elas como uma fonte em meio a tradução. (Martinho Lutero. The Importance das Línguas Bíblicas. Tirado de: To the Councilment of All Cities in Germany That They Estabilish and Maintain Christian Schools” (1524)).[4] 
Os pregadores expositivos estão em extinção, aliás, os pregadores estão em extinção. O que temos são contadores de histórias (verdadeiros Forest Gumps da fé), curandeiros, brincalhões, contadores de piadas evangélicas, marqueteiros da fé, vendedores de ilusões, místicos da música, da pregação, um verdadeiro show da fé.[5]
Não estamos nem exigindo profundos pregadores exegetas, já que a velocidade da vida atual impede que nos dediquemos como “spurgeons”, e poucas igrejas conseguem na atualidade bancar um pastor integralmente com um salário digno.[6]
Os padrões de pregação estão em baixa, não se ensina a Bíblia, os ministros não a leem e muito menos os membros. A pregação não é mais uma “feijoada” em que possamos sair de nossas igrejas de barriga cheia, está mais próxima de um “miojo” ou comida de micro-ondas, não é mais aquela comida da mamãe ou da vovó, é o self-service da fé em que você pode escolher que tipo de alimento quer.
O padrão de pregações está em um nível tão baixo que quando alguém usa um texto qualquer e prega um sermão tópico, muitos já se sentem alimentados, pois já é um “miojo” com uma lata de sardinha. Não sustenta mas pelo menos já engana o estomago. O profeta Oseias nos diz: O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. (Os 4.6).[7]
Karl Lachler (Prega a Palavra. São Paulo: Editora Vida, Prefácio) faz excelente análise da pregação bíblica de nossos dias:
A exposição bíblica semanal não é feita pela maioria dos pastores. Eles são ativistas e, literalmente, não podem parar para estudar. Alguns realmente tem medo de ficar a sós com Deus e sua Palavra. Outros pregadores não expõem a Palavra de Deus, simplesmente porque não redefiniram sua filosofia funcional sobre o ministério da palavra (At 6.4). Eles estudaram teologia, mas não fizeram através dela uma filtragem ativa de suas filosofias de pregação e prática. O pragmatismo religioso domina a teologia deles muito mais do que se admite abertamente.
Conclusão
Claro que não serão todos que se empenharão no aprendizado dessa matéria e a usarão em suas mensagens e prática ministerial, mas há aqueles que Deus chamou para serem referenciais de dedicação e esmero em sua Palavra, de modo que possam influenciar outros e também forneçam e produzam material de qualidade para que os que não têm condições e oportunidades, tenham ferramentas para pregar a Palavra de modo mais profundo.
Reflexão e Aplicação – Coloque o nome completo e responda na própria folha
Nome:_________________________________________________________     05/08/10
1. Explique, a partir da aula, as diferenças entre: hermenêutica, exegese, homilética e como essas matérias se inter-relacionam com a prática da pregação, ensino, missões, palestras, aconselhamento e outras atividades na igreja.
2. Relacione a importância do aprendizado e do método exegético para sua vida devocional e testemunho cristão. Como o estudo da exegese contribuirá no desenvolvimento do seu atual ministério?
3. Sobre o que foi dito a respeito das traduções e versões da Bíblia, em que se aplica os novos conceitos aprendidos para a pregação e ensino das Escrituras em sua igreja?
4. Em termos práticos, a exegese na preparação de sermões expositivos é possível? Qual seria a melhor forma de convencer nossos pastores e pregadores a se dedicarem ao estudo e aplicação da exposição bíblica em um mundo tão “ocupado” e apressado?
5. A partir de hoje qual será seu conceito de pregação e o que você fará para buscar transmitir uma mensagem mais centrada no texto bíblico?
Teste de Conhecimentos Fundamentais em Línguas Originais da Bíblia
Nome: _______________________________ Data____ /______/_______
Hebraico
`#r<a'(h' taeîw> ~yIm:ßV'h; taeî ~yhi_l{a/ ar"äB' tyviÞarEB.
x:Wråw> ~Ah+t. ynEåP.-l[; %v,xoßw> Whboêw" ‘Whto’ ht'îy>h' #r<a'ªh'w> 2
`~yIM")h; ynEïP.-l[; tp,x,Þr:m. ~yhiêl{a/
1. Identifique e translitere o texto acima
 I.         Destaque as preposições
 I.         Destaque os artigos
 I.         Destaque o indicativo de objeto
 I.         Identifique os substantivos que estão no plural
 I.         Analise os verbos
Grego
En avrch/| h=n o` lo,goj( kai. o` lo,goj h=n pro.j to.n qeo,n( kai. qeo.j h=n o` lo,gojÅ 2 Ou-toj h=n evn avrch/| pro.j to.n qeo,nÅ
2. Identifique e translitere o texto acima
 I.         Destaque as preposições
 I.         Destaque os artigos
 I.         Destaque o objeto direto, o locativo e os nominativos do texto
10. Identifique as conjunções
11. Analise os verbos
Aramaico
rm:ïa/ yyIëx/ !ymiäl.['l. ‘aK'l.m; tymi_r"a] %l,M,Þl; ~yDI²f.K;h; WrôB.d:y>w:)
`aWE)x;n> ar"îv.piW %yID:b.[;l. am'²l.x,
12.       Identifique o texto
13.       Destaque as preposições
14.       Destaque os artigos
15.       Identifique onde começa a parte aramaica
16.       Identifique as conjunções
17.       Analise os verbos



Aula II
Breve Histórico da Exegese
 I.         Exegese da Torah nos livros do AT
Desde cedo os livros de Moisés foram aceitos como inspirados por Deus e utilizados em outras partes do AT. A interpretação e a exegese consistiam em citações da Torah e aplicações diretas aos acontecimentos da vida diária.
Os profetas, podemos dizer, são os grandes intérpretes da Lei; assim como dizemos que Paulo é o intérprete de Cristo, os profetas são os intérpretes de Moisés. Tendo em vista que a Lei foi feita para a organização do povo após o êxodo do Egito e muitas de suas observâncias se referiam a forma como o povo deveria se comportar na vida no deserto, é evidente que foi preciso que os profetas a aplicassem agora a novas realidades do reino e não mais a vida no deserto.
Podemos notar em várias ocasiões a forma com os profetas e outros escritores do AT utilizavam-se da Lei e aplicavam:
Josué 8.30-35
30 Então Josué edificou um altar ao SENHOR Deus de Israel, no monte Ebal.  31 Como Moisés, servo do SENHOR, ordenara aos filhos de Israel, conforme ao que está escrito no livro da lei de Moisés, a saber: um altar de pedras inteiras, sobre o qual não se moverá instrumento de ferro; e ofereceram sobre ele holocaustos ao SENHOR, e sacrificaram ofertas pacíficas.  32 Também escreveu ali, em pedras, uma cópia da lei de Moisés, que este havia escrito diante dos filhos de Israel.  33 E todo o Israel, com os seus anciãos, e os seus príncipes, e os seus juízes, estavam de um e de outro lado da arca, perante os sacerdotes levitas, que levavam a arca da aliança do SENHOR, assim estrangeiros como naturais; metade deles em frente do monte Gerizim, e a outra metade em frente do monte Ebal, como Moisés, servo do SENHOR, ordenara, para abençoar primeiramente o povo de Israel.  34 E depois leu em alta voz todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, conforme a tudo o que está escrito no livro da lei35 Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação de Israel, e as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio deles.
Aqui percebemos uma obediência e aplicação da Lei “conforme ao que está escrito no livro da lei de Moisés”. Tal aplicação da Lei estava baseada na interpretação literal do que estava escrito, é evidente também que a Lei era aplicada e observada em sua totalidade “Palavra nenhuma houve, de tudo o que Moisés ordenara, que Josué não lesse perante toda a congregação de Israel, e as mulheres, e os meninos, e os estrangeiros, que andavam no meio deles”.
Em um outro texto, temos uma citação direta da lei, vejamos:
II Reis 14.1-6
NO segundo ano de Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel, começou a reinar Amazias, filho de Joás, rei de Judá.  2 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar, e vinte e nove anos reinou em Jerusalém. E era o nome de sua mãe Joadã, de Jerusalém.  3 E fez o que era reto aos olhos do SENHOR, ainda que não como seu pai Davi; fez, porém, conforme tudo o que fizera Joás seu pai.  4 Tão-somente os altos não foram tirados; porque o povo ainda sacrificava e queimava incenso nos altos.  5 Sucedeu que, sendo já o reino confirmado na sua mão, matou os servos que tinham matado o rei, seu pai.  6 Porém os filhos dos assassinos não matou, como está escrito no livro da lei de Moisés, no qual o SENHOR deu ordem, dizendo: Não matarão os pais por causa dos filhos, e os filhos não matarão por causa dos pais; mas cada um será morto pelo seu pecado.(negritos nossos)
A citação se refere ao original em Deuteronômio 24:16, como segue:
~ynIßb'W ~ynIëB'-l[; ‘tAba' WtÜm.Wy-al{)
`Wtm'(Wy Aaßj.x,B. vyaiî tAb+a'-l[; Wtåm.Wy-al{
Não morrerão os pais pelos filhos e os filhos não morrerão pelos pais cada um pelo seu pecado morrerá
E o original em II Re 14.6 está da seguite forma:
yKi² tAbêa'-l[; Wtåm.Wy-al{ ‘~ynIb'W ‘~ynIB'-l[; tAbÜa' Wt’m.Wy-al{
[8] `Îtm'(WyÐ ¿tWmy"À Aaßj.x,B. vyaiî-~ai
Não morrerão os pais pelos filhos e os filhos não morrerão pelos pais, mas cada um pelo seu pecado morrerá
A citação é literal, a não ser por uma ligeira mudança no estilo gramatical  (~ai yKi²). A citação e aplicação se dão conforme o escrito e portanto podemos entender que a análise do texto era feita pelo que estava literalmente escrito e assim deveria ser aplicado. No contexto imediato lemos que Amazias era reto aos olhos do Senhor e que matou os servos que tinham matado o rei, seu pai, mas os filhos deles ele não matou pois cumpriu a Lei literalmente “Não morrerão os pais pelos filhos e os filhos não morrerão pelos pais, mas cada um pelo seu pecado morrerá”, tendo entendido este contexto e essa citação, não há dúvida da interpretação, exegese e aplicação da Lei.
Todavia, a passagem mais significante sobre o modo como a Lei era entendida, interpretada e aplicada está na seguinte passagem:
Neemias 8:6 -18
6E Esdras louvou ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém, Amém! levantando as suas mãos; e inclinaram suas cabeças, e adoraram ao SENHOR, com os rostos em terra.  7 E Jesuá, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías, e os levitas ensinavam o povo na lei; e o povo estava no seu lugar.  8 E leram no livro, na lei de Deus; e declarando, e explicando o sentido, faziam que, lendo, se entendesse.  9 E Neemias, que era o governador, e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo, disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao SENHOR vosso Deus, então não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava, ouvindo as palavras da lei10 Disse-lhes mais: Ide, comei as gorduras, e bebei as doçuras, e enviai porções aos que não têm nada preparado para si; porque este dia é consagrado ao nosso Senhor; portanto não vos entristeçais; porque a alegria do SENHOR é a vossa força.  11 E os levitas fizeram calar a todo o povo, dizendo: Calai-vos; porque este dia é santo; por isso não vos entristeçais.  12 Então todo o povo se foi a comer, a beber, a enviar porções e a fazer grande regozijo; porque entenderam as palavras que lhes fizeram saber.  13 E no dia seguinte ajuntaram-se os chefes dos pais de todo o povo, os sacerdotes e os levitas, a Esdras, o escriba; e isto para atentarem nas palavras da lei14 E acharam escrito na lei que o SENHOR ordenara, pelo ministério de Moisés, que os filhos de Israel habitassem em cabanas, na solenidade da festa, no sétimo mês.  15 Assim publicaram, e fizeram passar pregão por todas as suas cidades, e em Jerusalém, dizendo: Saí ao monte, e trazei ramos de oliveiras, e ramos de zambujeiros, e ramos de murtas, e ramos de palmeiras, e ramos de árvores espessas, para fazer cabanas, como está escrito.  16 Saiu, pois, o povo, e os trouxeram, e fizeram para si cabanas, cada um no seu terraço, nos seus pátios, e nos átrios da casa de Deus, na praça da porta das águas, e na praça da porta de Efraim.  17 E toda a congregação dos que voltaram do cativeiro fizeram cabanas, e habitaram nas cabanas, porque nunca fizeram assim os filhos de Israel, desde os dias de Josué, filho de Num, até àquele dia; e houve mui grande alegria.  18 E, de dia em dia, Esdras leu no livro da lei de Deus, desde o primeiro dia até ao derradeiro; e celebraram a solenidade da festa sete dias, e no oitavo dia, houve uma assembléia solene, segundo o rito.
A observação é da Lei contida em Levítico 23.40-44
40 E no primeiro dia tomareis para vós ramos de formosas árvores, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas, e salgueiros de ribeiras; e vos alegrareis perante o SENHOR vosso Deus por sete dias.  41 E celebrareis esta festa ao SENHOR por sete dias cada ano; estatuto perpeétuo é pelas vossas gerações; no mês sétimo a celebrareis.  42 Sete dias habitareis em tendas; todos os naturais em Israel habitarão em tendas;  43 Para que saibam as vossas gerações que eu fiz habitar os filhos de Israel em tendas, quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR vosso Deus.  44 Assim pronunciou Moisés as solenidades do SENHOR aos filhos de Israel.
Poderíamos multiplicar as citações mas cremos que essas são suficientes para mostrar que a aplicação da Lei era conforme o que literalmente estava escrito, o povo obedeceu e habitou em cabanas literalmente, mesmo em um contexto social diferente daquele do deserto. Ainda hoje os judeus, em plena era tecnológica, fazem cabanas em seus terraços para comemorarem e cumprirem essa Lei.
Após a morte de Esdras e Neemias e dos profetas entramos num outro estágio, este de extrema confusão de exegese e interpretação como veremos no próximo tópico.

 I.         Exegese no Período Interbíblico
O chamado Período Interbíblico é aquele que vai desde a morte do último profeta inspirado até os dias de Jesus e os discípulos. Poucas informações temos sobre esse período, basicamente sabemos por Flávio Josefo, I, II Macabeus, os escritos de Qumran e outras poucas literaturas que nos dão parcas informações sobre a história e a exegese utilizada na época. Todavia, através desses poucos escritos podemos fazer um levantamento de como era a interpretação das Escrituras na época.
Algumas citações do livro apócrifo de Macabeus são importantes para entender como os próprios contemporâneos desse período viam a sua situação diante da interpretação e aplicação das Escrituras:
I Macabeus 4.41-46[9] 
41 Judas destacou alguns homens para que contivessem os que estavam na fortaleza, enquanto se purificava o Templo. 42 Para isso, escolheu sacerdote sem defeito físico e que seguiam a Lei. 43 Eles purificaram o Templo e jogaram as pedras que o contaminavam num lugar impuro. 44 Puseram-se, então, a discutir a respeito do altar dos holocaustos que fora profanado, 45 e tiveram a idéia de destruí-lo. Assim não ficariam envergonhados pelo fato de os pagãos o terem profanado. Demoliram o altar, 46 e puseram pedras no monte do Templo, num lugar conveniente, até que aparecesse um profeta que resolvesse o caso. (negrito nosso)
Também em I Macabeus 14.41 lemos os seguinte:
Os sacerdotes e os judeus resolveram, portanto, considerar Simão como governante e como sumo sacerdote para sempre, até que surgisse um profeta legítimo. (negrito nosso).
Pelas duas passagens em negrito podemos verificar que no período interbíblico[10], pelo menos por volta do I sec. a.C. a interpretação da Lei era literal no que dizia respeito a questões claras e em questões não tão evidentes o comportamento era conforme o bom senso. Entretanto, o mais interessante dos textos citados é o fato de que os próprios contemporâneos do período terem como evidente que o espírito profético havia cessado e que não poderiam tomar decisões até que surgisse um profeta que resolvesse o caso ou até que surgisse um profeta legítimo.[11]
Esta falta de orientação profética que pudesse interpretar e aplicar a Lei para questões obscuras gerou várias ramificações interpretativas e muitos grupos com visões as mais diferentes a respeito da interpretação e aplicação da Lei. Quando abrimos as páginas do Novo Testamento encontramos o resultado de mais ou menos 460 anos de desenvolvimento interpretativo desses grupos, os quais conhecemos pelos nomes de fariseus, saduceus, zelotes, herodianos e os essênios que ficamos informados sobre suas interpretações através das descobertas dos manuscritos do mar morto em Qumran desde 1947. Após a pregação da mensagem de João Batista e de Jesus um novo grupo se agrega ao caldeirão teológico do primeiro século, os Nazarenos ou Cristãos.
 I.         Exegese nos dias de Jesus e dos Apóstolos
Como vimos anteriormente, os dias de Jesus e até o ano 70 d.C. abrigava um multicolorido ambiente de grupos, cada um reivindicando ser a continuação e preservação da interpretação correta da Lei e cada um clamando para si a herança profética do Antigo Testamento. A seguir veremos brevemente como essas correntes faziam sua interpretação e exegese:
 I.         Exegese Rabínica
São perceptíveis, dois tipos de interpretação rabínica das Escrituras, já anteriormente citadas, as do tipo halakhah, que tinham por objetivo a interpretação de caráter legal, e as do tipo hagadah, que visavam ilustrar com estórias e até anedotas, ensinos da Torah, de acordo com a cosmovisão rabínica.
Berkhof nos declara sobre um dos primeiros sábios rabinos a formular regras de interpretação bíblica:
Hilel foi um dos maiores intérpretes entre os judeus. Deixou-nos sete regras de interpretação, pelas quais ensinou, ao menos aparentemente, que a tradição oral devia ser deduzida dos dados fornecidos pela Lei Escrita. Estas regras, em forma sucinta, são as seguintes: a) Leve e pesado (isto é, a minore ad majus,  e vice e versa); b) ‘equivalência’ ;  c) dedução do especial para o geral; d) inferência de várias passagens; e) inferência do geral para o especial; f) analogia de outra passagem; g) inferência do contexto[12] 
Não podemos dizer, entretanto, que houve concordância ao tipo de interpretação que deveria ser usado pelo judaísmo. Entre os caraítas, por exemplo, uma seita fundada por Anan Ben David, em cerca de 800 a.D.[13] ; não tinham regras de interpretação fixas, contudo, rejeitavam a lei oral e o tipo de interpretação rabínica. Segundo os mesmos, só era necessário o estudo cuidadoso do texto das Escrituras, sem o auxílio da interpretação de ninguém.
Havia mesmo na época de Hillel, uma escola concorrente de interpretação, a chamada escola de Shammai,
Esta escola, acusava Hillel de modernismo pelo fato de admitir novas normas (halacôt) derivadas da Escritura. Shammai caracterizava-se por um talante conservador, patriótico, oposto aos influxos estrangeiros e contrário, por isso mesmo ao proselitismo entre os pagãos. Apesar das tendências rigoristas de sua escola, contudo, um em cada seis dos casos em que o Talmude recolhe as diferenças entre as duas escolas, a opinião de Shammai resulta ser a mais aberta.[14]
Sempre houve escolas de interpretação divergentes entre os judeus, tais como posteriormente a Hillel e Shammai, as escolas de R. Ismael e R. Aqiba e hoje também há diversos ramos do judaísmo que têm suas próprias visões quanto à interpretação das Escrituras e à tradição judaica, tais como o judaísmo ultraortodoxo, ortodoxo, conservador e liberal.
Conforme Barrera[15], quatro são as principais gêneros de interpretação hermenêutica entre os judeus: peshat[16], pesher[17], derash[18] e alegoria, embora não pareça ser reconhecida essa distinção pelos rabinos, parece que havia pelo menos uma diferença no uso que faziam de tais gêneros de interpretação de modo que possamos hoje usar uma classificação assim para fins de compreensão da hermenêutica rabínica.
O peshath é o sentido mais óbvio do texto, ou seja, o literal, que qualquer pessoa pode entender ao ler um texto.
O gênero pesher, foi mais usado pelos membros da comunidade de Qumrã[19], é o sentido mais profético do texto e não o somente transmitido na época em que foi escrito.
Já o derash (investigar) ou Midrash, termos da mesma raiz hebraica, procura investigar sentidos escondidos no texto e não tão claros ao leitor normal.
A obra completa do Gênesis Rabbah constitui um exemplo de releitura midráxica do livro do Gênesis. Dá maior atenção a mensagem que pode ser extraída do livro para o presente e o futuro de Israel do que para a própria história narrada no livro. As figuras de Esaú, Ismael e Moab convertem-se em símbolos do Império Romano, o último dos quatro impérios cuja queda precederia a restauração de Israel (Pérsia, Grécia e Roma).[20]
A alegoria não é bem aceita pelos rabinos modernos, embora tenha sido usada em grande escala na antiguidade da tradição judaica, obras alegóricas anteriores à época de R. Judá haNassi foram rechaçadas mais tarde no final do século II d.C., quando os rabinos da época se levantaram contrariamente a tendência de uma exegese alegórica.[21]
Stern acrescenta dois outros termos ao método de interpretação rabínico: a) Remez, exegese alegórica da Bíblia[22], “Características peculiares do texto são consideradas sugestões de uma verdade mais profunda do que a transmitida pelo sentido lato”[23]; b) Sod (secreto)
Trabalha-se com os valores numéricos as (sic!) letras hebraicas; por exemplo, duas palavras que têm o mesmo número de letras serão boas candidatas para revelar um segredo através da ‘bissociação de idéias’.[24]
 I.         Exegese em Qumran
Há muita discussão ainda a ser feita sobre os textos de Qumran, entretanto, os documentos disponíveis nos dão um deslumbre do tipo de exegese feita pela comunidade. Há fortes paralelos entre a exposição de Qumran e a feita no NT, porém, não se deve exagerar tais paralelos visto que era uma forma comum de exposição num período mais antigo das várias formas de judaísmo. Geza Vermes[25] nós dá uma descrição do tipo de exegese feita em Qumran:
1. A hagadá nos Manuscritos emprega as principais técnicas da hagadá rabínica e se dirige para metas similares: o esclarecimento, a suplementação e a discussão apologética ou polêmica.
2. A exegese de Qumran ou precede os Jubileus (como é o caso do Gênesis Apócrifo) ou situa-se entre essa reescrita da história do Gênesis do século II a.C. E o midrash incrustrado na literatura rabínica. Ela exibe muitas semelhanças com este último, mas ao mesmo tempo apresenta íntimos vínculos com a interpretação da Bíblia que aparece em Josefo, nos Pseudoepígrafos e no Novo Testamento. Em consequência, os Manuscritos constituem um valioso marco para o estudo do desenvolvimento da exegese entre os judeus palestinos.
 I.         
 I.         
Um entendimento desse tipo de exegese, tanto em Qumran quanto nos Evangelhos e Epístolas é de grande valia para os estudos exegéticos do NT.
 I.         Exegese de Jesus e dos Apóstolos
É clara a semelhança entre Antigo e Novo Testamento, ainda que a interpretação rabínica despreze o Novo Testamento e não o considere como uma continuidade do Antigo e muito menos como uma Nova Aliança, a própria substância dos escritos do Novo Testamento tem seu fundamento na Antiga Aliança. Lembremos que os escritores do Novo Testamento são todos judeus exceto Lucas, que mesmo assim, escrevendo aos pés do Apóstolo Paulo, preserva uma unidade de tradição judaica e ainda que Lucas tenha escrito em grego koiné, preserva um estilo hebraico de escrita. Nas palavras de MORRIS :
Linguisticamente, este evangelho [Lucas] divide-se em três seções. O Prefácio (1.1-4) é escrito num bom estilo clássico. Demonstra aquilo que Lucas sabia fazer, mas a partir de então, abandona totalmente este estilo. O resto do capítulo 1 e o capítulo 2 têm um sabor nitidamente hebraico. É tão marcante que certo número de estudiosos chegou à conclusão de que aqui temos uma tradução de um original em hebraico. Se foi assim, não temos maneira de saber se Lucas ou outra pessoa fez a tradução.[26] 
Mesmo escritores judeus são obrigados a reconhecer, ainda que cautelosamente essa contribuição judaica ao Novo Testamento:
O Novo Testamento, embora parcialmente [27] escrito por judeus, representa toda uma visão diferente da do judaísmo e, em alguns aspectos, hostil a ele, para ser incluído em nosso exame. [28] 
Em continuação a este comentário, os autores levam o leitor a crer que a literatura neotestamentária se relaciona mais com livros apócrifos e pseudoepígrafos do que com as Escrituras veterotestamentárias, mas tem que reconhecer, embora com todas as reservas, que o Novo Testamento é obra judaica.
Os cristãos evangélicos, tendo em vista a origem judaica, consideram Escrituras, tanto as do AT como as do NT. Os próprios escritores do NT assim entendiam a revelação de Deus ao homem, nota-se isso na citação do apóstolo Pedro em sua segunda epístola:
Por isso, amados, aguardando estas coisas, procurai que dele sejais achados imaculados e irrepreensíveis em paz. E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada; falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras[29], para sua própria perdição. (II Pe 3.15, 16)
Nessa mesma assertiva os cristãos evangélicos se mantêm crendo em uma continuidade ente AT e NT com base nesse e em outros textos do próprio NT que reivindicam essa revelação progressiva de Deus ao homem.[30]
 I.         Exegese no Período Patrístico
O uso do Antigo Testamento pelos autores do Novo Testamento é excepcionalmente abrangente e também o é pelos primeiros escritores cristãos. Justino, o mártir (c. 100-164 d.C.) em seu Diálogo com Trífon, contesta Trifão defendendo o Antigo Testamento. Em sua apologia Justino é ainda mais abrangente em sua exposição das Escrituras do Antigo Testamento, onde expõe e cita diversas passagens e responde às perguntas levantadas por Trifon e seus amigos procurando demonstrar que Jesus era o Cristo prometido nas próprias Escrituras dos judeus.
ZUCK nos fala ainda de outros importantes cristãos dos primeiros séculos do cristianismo que usavam das Escrituras do Antigo Testamento com proficiência:
João Crisóstomo (c. 354-407) era arcebispo de Constantinopla. Suas mais de 600 homilias – que consistem em discursos expositivos de aplicação prática – levaram certo autora a afirmar: ‘Crisóstomo é indubitavelmente o maior comentarista dentre os primeiros pais da igreja’. Suas obras contêm cerca de 7000 citações do Antigo Testamento e em torno de 11000 do Novo. Teodoreto (386-458) escreveu comentários sobre a maioria dos livros do Antigo Testamento e sobre as epístolas de Paulo. Seus comentários, segundo Terry, ‘encontram-se entre os melhores exemplares da exegese primitiva’.[31] 
 I.         Exegese na Idade Média
O período da Idade Média foi uma espécie de sombra para a exegese bíblica. Intimamente aprisionados na “camisa de força” da tradição dos pais, os exegetas se limitavam a repetir o que já havia sido ensinado pela tradição patrística, limitando as análises bíblica a repetições. Sendo assim, até antes da Reforma não houve grande desenvolvimento na exegese bíblica nesse período; a reflexão filosófica acabou por tomar conta dos estudos e a redescoberta de Aristóteles levou a um desenvolvimento muito maior do pensamento filosófico do que do exegético. De acordo com Berkhof [32] 
Durante a Idade Média, muitos, até mesmo do clero, viviam em profunda ignorância quanto à Bíblia. E o que conheciam era devido apenas à tradução da Vulgata e aos escritos dos Pais da Igreja. A Bíblia era, geralmente, considerada como um livro cheio de mistérios, os quais só poderiam ser entendidos de uma maneira mística.
Atitude semelhante ainda se encontra na tradição católica contemporânea, embora em anos recentes tenham os católicos avançado nos estudos exegéticos, sem contudo, abandonar a tradição.
 I.         Exegese na Reforma
Um dos pontos fundamentais que divide a cosmovisão rabínica da evangélica cristã, não é, como costumam enfatizar os apologistas rabínicos, as doutrinas da expiação e da morte substitutiva do Messias, e sim a importância que ambos os grupos dão às Escrituras vetero-testamentárias em face da tradição.
Enquanto na cosmovisão rabínica não possa existir judaísmo sem tradição oral, no cristianismo cristão-evangélico a tradição oral não tem qualquer papel relevante como palavra final na interpretação das Escrituras, sejam elas vetero ou neotestamentárias.
Existe uma vasta tradição escrita entre os cristãos por autores que viveram desde o primeiro século até os nossos dias. Existem ainda uma vasta literatura em uma quantidade excepcional de escritos cristãos a respeito dos mais diversos assuntos, entretanto, esses escritos e autores, ainda que respeitados no meio cristão, não atingem o mesmo grau de importância que têm os sábios judeus no judaísmo moderno. Para os cristãos evangélicos [33] São considerados simplesmente como grandes homens de Deus, mas teologicamente falando, usa-se para esse tipo de literatura a palavra “iluminação” e nunca “inspiração”, que é um termo reservado única e exclusivamente aos autores dos dois Testamentos o que chamamos de Bíblia. Dessa forma, nunca nem um autor cristão tem a palavra final em matéria de interpretação bíblica, e a interpretação da fonte deve preceder a busca de apoio externo.
Entre os cristãos evangélicos não há responsas e nem mesmo interpretação autorizada a não ser a que se pode inferir das próprias palavras da Escritura. Embora hja divergência entre os teólogos cristãos em muitos aspectos secundários de doutrina, não ocorre o mesmo no que diz respeito a pontos considerados fundamentais da fé.
A principal bandeira da Reforma Protestante do século XVI se expressa na famosa frase: sola fide, sola Scripturae, sola gratia (só a fé, só as Escrituras, só a graça. Tais princípios evocam a necessidade de atentar unicamente para as Escrituras como regra única de fé e prática deixando de lado toda tradição e toda instituição ou pessoa que queira ser palavra final em assuntos de fé. Os chamados Reformadores procuraram demonstrar que a interpretação das Escrituras não poderiam estar submetidas ao critério de nenhuma instituição ou ente humano, por um lado, e por outro que toda e qualquer pessoa poderia entender as Escrituras e não somente os “entendidos”, desde que se observassem regras básicas de interpretação e comunicação comuns a todos os homens.
Os reformadores acreditavam que a Bíblia era a inspirada Palavra de Deus, mas, ainda que sua idéia de inspiração fosse estrita, eles a concebiam como sendo mais orgânica do que mecânica. Em certos aspectos, revelaram notável liberdade no trato das Escrituras. Ao mesmo tempo, consideravam a Bíblia a mais alta autoridade, e a corte final de apelação em todas as questões teológicas. Contra a infalibilidade da Igreja eles puseram a infalibilidade da Palavra. Sua posição se patenteia na afirmação de que não é a Igreja que determina o que as Escrituras ensinam, mas as Escrituras que determinam o que a Igreja deve ensinar.[34]
Diferente de católicos e judeus, os cristãos evangélicos não orientam sua exegese bíblica por um corpus de tradição estabelecida. Tanto rabinos quanto clérigos católicos não podem interpretar uma passagem da Escrituras - ainda que a clareza da passagem seja evidente – de modo contrário à tradição pré-estabelecida em sua história. Tendo isso em vista, a exegese fica sujeita ao homem e não à própria Escritura, enquanto que na cosmovisão evangélica cristã não há nenhuma tradição que possa orientar a exegese para que ela se ajuste à mesma.
Toda a diferença entre a cosmovisão rabínica e a evangélica cristã está no valor que se dá à inspiração da Escritura. Enquanto os judeus entendam níveis diferentes de inspiração e incluam os escritos rabínicos entre escrituras inspiradas, na cosmovisão evangélica cristã a inspiração – teologicamente falando – só ocorreu até que o cânon das Escrituras estivesse completo e nunca mais ocorreu e nem ocorrerá na história.
 I.         Exegese pós-Reforma
Lamentavelmente, após a Reforma a exegese não se manteve dentro dos princípios dos reformadores, acabou se tornando mais parecida com a exegese da Idade Média do que com a exegese dos grandes reformadores como Melanchton, Lutero, Calvino, Zwinglio. A exegese do tipo confessional, que privilegiava um determinado tipo de confissão do que a análise dos próprios textos dominou o pensamento desse período. As várias facções em que estava dividido o protestantismo acabou por gerar mais uma eisegese do que uma exegese.
 I.         Exegese no Racionalismo
Com o surgimento do Racionalismo no séc. XIX a exegese se tornou escrava das ciências que surgiam e que questionavam as afirmações das Escrituras como sendo mitológicas e lendárias. A Bíblia começou a ser vista nesse período como um livro como qualquer outro e assim foi tratado, logo, assim como havia elementos lendários e mitológicos nos livros de todas as culturas do mundo, as afirmações e histórias bíblicas não poderiam ser vistas como sendo diferentes desses livros.
A exegese se tornou uma tentativa de eliminar o elemento mitológico das Escrituras para  deixar somente o elemento ético e moral. Desprezou-se a autoria profético-apostólica da Bíblia para afirmá-la como fruto de desenvolvimentos posteriores, os autores foram desprezados e o texto foi visto como fruto de uma produção evolutiva.[35]
 I.         Exegese nos séculos XX até os nossos dias
Com o avanço dos estudos linguísticos e de outras ciências humanas e exatas a exegese acabou se tornando cada vez mais técnica e menos simples. O que antes era analisado de forma ingênua se tornou complexo e às vezes reservado a especialistas. Ao mesmo tempo que a influência de vários movimentos literários e esotéricos também tornaram a exegese refém do misticismo e de interpretações esdrúxulas.
O relativismo do pós-modernismo tornou a exegese também relativizada de forma que as opiniões sobre um texto pode ser as mais diversas e conflitantes e ainda assim serem aceitas como válidas. Não só isso, mas o pós-modernismo se tornou a verdadeira Babel de pensamentos filosóficos, literários, científicos, linguísticos, etc. Por faltar de parâmetros e a não aceitação de padrões e modelos, a exegese se tornou para alguns, elemento desnecessário já que todo a opinião é válida.
Os avanços da Tecnologia da Informação também tornou automática a maioria das análises exegéticas, ou seja, para que se esforçar em uma análise que demorará dias e até meses se podemos obter gratuitamente no “mercado” da mídia virtual “comida pronta”. A preguiça intelectual e as facilidades das multimídias tornaram a exegese desnecessária para a maioria dos pregadores e estudiosos. Ao invés de utilizarem da tecnologia como uma ferramenta de ajuda para o trabalho exegético, ela se tornou um fim em si mesma e o crescimento do estudo exegético de qualidade se tornou “raquítico” e desproporcional.
Temos então uma realidade apavorante em nossos dias, interpretações místicas ao lado de interpretações tecnocratas e sem vida. Passou-se do autor para o texto e do texto para o leitor, de modo que já não há um sentido a ser descoberto no texto, mas um sentido a ser criado. Não importa mais o que Deus quis dizer através do seu Santo Espírito, mas sim o que o homem quer que o seu deus diga para satisfazer as suas vontades egocêntricas e hedonistas.
Mas há ainda os sete mil que não se dobraram diante do baal do pós-modernismo e nem beijaram os pés desses outros evangelhos fabricados. O Senhor Jesus ainda tem os que falarão conforme a Palavra de Deus, que receberão do Conselho do Senhor e que ouvirão o que o nosso Mestre diz. Os que serão os arautos de Sua vontade e despenseiros do Evangelho de Cristo. Há ainda os obreiros aprovados diante de Deus, que não têm do que se envergonhar e que manejam bem a Palavra da Verdade. Sejamos esses o Senhor nos usará para transmitir a Palavra curadora do Evangelho de Cristo, poder de Deus para transformação de vidas.
Aula III
Sete Processos para uma Exegese Bíblica sadia
Os autores de hermenêutica e exegese variam em estabelecer os passos ou processos para a exegese bíblica, vejamos:
CHAMBERLAIN (p. 25) fala de Cinco Regras de Algibeira [36] para a exegese:
 I.        Interprete Lexicamente;
 I.        Interprete Sintaticamente;
 I.        Interprete Contextualmente;
 I.        Interprete Historicamente;
 I.        Interprete Segundo a Analogia das Escrituras[37] 
VIRKLEY ( p. ) no livro nos dá regras hermenêuticas que podem ser usadas para a análise exegética [38]:
 I.        Análise Histórico-Cultural;
 I.        Análise Contextual;
 I.        Análise Léxico-Sintática;
 I.        Análise Teológica;
 I.        Análise Literária [39] 
Podemos unir as regras para chegarmos numa diretriz a fim de começarmos a trabalhar na prática a partir da teoria, logo, as nossas regras para a exegese ficarão assim:
 I.        Analise Lexicamente - verifique as formas verbais e gramaticais de importância no texto, palavras que tenham um sentido ou forma especial;
 I.        Analise Sintaticamente – verifique as orações, se são coordenadas ou subordinadas, note os conectivos e marcas sintáticas do texto;
 I.        Analise Contextualmente – verifique o contexto imediato do texto, os versículos que precedem e seguem o texto, capítulos anteriores e posteriores que possam lançar luz sobre a passagem a ser analisada;
 I.        Analise Historicamente –
 I.        Analise Literariamente –
 I.        Analise Segundo a Analogia das Escrituras –
 I.        Analise Teologicamente [40][41] 
ENSINO PRÁTICO – após toda essa análise, você pode buscar ainda o ensino prático e qual a importância do texto para sua vida pessoal e para a Igreja do Senhor Jesus em nossos dias.


O gráfico acima serve só para termos uma noção geral dos processos, antes, precisamos entender vários outros conceitos das línguas originais, caso contrário, não conseguiremos aplicar os processos exegéticos em um texto bíblico. Portanto, faremos uma exposição dos conceitos importantes das línguas originais nas próximas aulas e após concluirmos esses conceitos, voltaremos aos processos exegéticos e os aplicaremos em textos reais.



Aula IV
Hebraico Bíblico
 I.         Breve Histórico
Abaixo colocamos as várias formas do alfabeto hebraico encontradas nos manuscritos e nas edições modernas da Bíblia Hebraica, bem como a vocalização colocada pelos massoretas:
ALFABETO PALEO-HEBRAICO / FENÍCIO / MOABITA / QUMRAN
E TRANSLITERAÇÃO UTILIZADA  
Letra
Fenícia / Moabita / Paleo-Hebraico
Qunran
Valor Numérico
Nome
Transliteração
Som
a
T
1
‘alef
sem som
b
C
2
beyt, veyt
b, v
b, v
g
D
3
guimel
g
sempre como em ga, gue, gui, go, gu
d
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4
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5
hey
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r fraco e sem som no final das palavras
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ALFABETO HEBRAICO / ARAMAICO E TRANSLITERAÇÃO UTILIZADA[42]
Letra Impressa
Forma Cursiva
Valor Numérico
Nome
Transliteração
Som
a
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1
‘alef
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B b
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beyt, veyt
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SINAIS VOCÁLICOS (OU DIACRÍTICOS) DO HEBRAICO / ARAMAICO BÍBLICO
SINAL 
VOGAL QUE REPRESENTA 
Transliteração 
NOME 
Ù; 
patach 
Ù] 
á 
chataf patach 
Ù' 
a ou o 
â ou ô 
qamats, ou qamats qatan 
Ùe 
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chataf segol 
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chiriq 
yÙi  
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chiriq gadol 
Ùo 
cholam 
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cholam 
Ù\ 
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Ùu 
qubutz 
WÙ 
û 
shuruq 
Ù. 
Resalta o som da letra ou som de e breve 
e
shevá 
 I.         Principais Bibliografias em Língua Portuguesa
Em todas as áreas do conhecimento humano, quando necessitamos nos aprofundar, percebemos uma falta de material em língua portuguesa. É evidente que temos muitos livros publicados em português do Brasil, mas todos os que precisaram fazer uma pesquisa mais acadêmica de qualquer tema tiveram a dificuldade de achar pouco ou nenhum material pertinente a sua pesquisa, a não ser em língua inglesa, francesa ou alemã.
ARCHER, Jr. Gleason L. Archer. Merece Confiança o Antigo Testamento? 3.ª Ed. São   Paulo: Edições Vida Nova, 2005
AUVRAY, Paul. Iniciação ao Hebraico Bíblico. 2 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1997
BACON, Betty. Estudos na Bíblia Hebraica. 2.ª ed. São Paulo: 2005
BARRERA, Julio Trebolle. A Bíblia judaica e Bíblia Cristã. Vozes. RJ. 1995
BAUMGARTNER, W. (editor). Gramática Elementar da Língua Hebraica. 7.ª Ed. São           Leopoldo. RS: 1991
BEREZIN, Rifka. Iniciação ao Hebraico I. São Paulo: FFLCH/USP, 1996
_____________. Iniciação ao Hebraico II. São Paulo: FFLCH/USP, 1996
_____________. Dicionário Hebraico-Português. São Paulo: EDUSP, 1995
BERKHOF, Louis. Princípios de Interpretação Bíblica. 4.ª ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1988
BÍBLIA HEBRAICA. Editada por Rud. KITTEL & P. KAHLE. New York/Stuttgart: The American Biblie Society & Württembergische Bibelanstalt, s/d.
CABTREE, Asa R. Sintaxe do Hebraico do Velho Testamento. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1951
CHOWN, Gordon. Gramática Hebraica. Rio de Janeiro: CPAD, 2002
DAVAR versão 2.4.0368 software livre - dicionário e bíblias, baixado em 10.01.2005 em <www.faithofgod.net/davar>
DOUGLAS, J. D. (ORG.). O Novo Dicionário da Bíblia. 2.ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2001
EDITORA E LIVRARIA SÊFER. Hebraico Fácil. São Paulo: SÊFER, 2002
FRANCISCO, Edson de Faria. Manual da Bíblia Hebraica. 2.ª Ed. São Paulo:Vida Nova, 2005
HATZAMRI, Abraham e MORE-HATZAMRI Shoshana. Dcionário Português-Hebraico Hebraico-Português. 2.ª Ed. Jerusalém: Aurora,1995
KERR, Guilherme. Gramática Elementar da Língua Hebraica. Rio de Janeiro: JUERP,            1979
LAMBDIN, Thomas O. Gramática do Hebraico Bíblico. São Paulo: Paulus, 1988
MEYER, Rudolf. Gramática del Hebreo Bíblico. Traduccion del alemán por el Profesor Ángel Sáenz-Badillos. Terrassa: CLIE, 1989
PINTO, Carlos Osvaldo Cardoso. Fundamentos para Exegese do Antigo Testamento. São Paulo: Edições Vida Nova, 1998
REHFELD, Walter I. Tempo e religião: a experiência do homem bíblico. São Paulo: Perspectiva: Editora da Universidade de São Paulo, 1988
ROSS, Allen P. Gramática do Hebraico Bíblico. São Paulo: Vida, 2005
SIMIAN-YOFRE, Horácio (coordenador) et alli. Metodologia do Antigo Testamento. Bíblica Loyola 28. São Paulo: Edições Loyola, 2000
VANHOOZER, Kevin. Há um significado neste texto? Interpretação bíblica: os enfoques contemporâneos. São Paulo: Vida, 2005
WALTKE, Bruce K.; O’CONNOR, M. An Introduction to Bliblical Hebrew Syntax. Winona Lake, Indiana, USA: Eisebrauns, 1990. Traduzido em Português como Introdução ao Hebraico Bíblico. São Paulo: Cultura Cristã, 2006
 I.         Principais Bibliografias em Língua Inglesa
BOLOZKY, Shmuel. 501 Hebrews Verbs. Nova Yorque/Canadá: Barron’s Educational. Series Inc, 1996
BOMAN, Thorleif. Hebrew Thought Compared with Greeek. New York: W.W. Norton & Company, Inc., 1970
BRANHAM, R. Bracht (editor). The Bakhtin Circle and Ancient Narrative. Groningen: Groningen University Library, 2005
DAVIDSON, Benjamin. The Analytical Hebrew and Chaldee Lexicon. USA: Zordevan            Publishing House, 1993
DAVIDSON, Rev. A. B. Introductory Hebrew Grammar, Hebrew Syntax. 3.ª Ed. Endinburg: T & T Clark; New York: Charles Scribner’s Sons, 1924
KAUTZSCH, E. & COWLEY, A. E. (EDITORES). Gesenius’ Hebrew Grammar. Oxford: Clarendon Press, 1909
GESENIUS' HEBREW GRAMMAR As Edited And Enlarged By The Late E. Kautzsch Professor Of Theology In The University Of Halle Second English Edition       Revised In Accordance With The Twenty-Eighth German Edition (1909) ByA. E.            Cowley With A Facsimile Of The Siloam Inscription By J. Euting, And A Table      Of Alphabets By M. Lidzbarski Clarendon Press. Oxford
GINTZBURG, David. Hebrew Old Testament. Londres: Trinitarian Bible Society, 1894, 1998
HARPER, William Rainey. Elements of Hebrew Syntax. 6.ª ed. New York: Charles Scribner’s sons, 1901
JASTROW, Marcus. A dictionary of targumim, the Talmud Babli and Yerushalmi, and the Midrashic Literature
ROSENTHAL, Franz. A Grammar of Biblical Aramaic. Wiesbaden: Harrassowitz, 1983
SAMUEL, Mar Athanasius Yeshue. Syriac new method readers. Holand: St. Ephrem the Syrian Monastery, 1984
STEVENSON, William B. Grammar of Palestinian Jewish Aramaic. s/l: Wipf and Stock Publishers, 1999
TREGELLES, Samuel P. (Tradutor para a Língua Inglesa). Gesenius’ Hebrew-Chaldee Lexicon to the Old Testament. Michigan: WM. B. Eerdmans Publishing Company, 1949
UVEELER, Luba e BRONZNICK, Norman M. Ha-Yesod, Fundamentals of Hebrew. Jerusalém/NovaYorque: Feldheim Publishers, 1998

HERMÊNEUTICA BÍBLICA
UMA SÍNTESE
2
A BÍBLIA SAGRADA
O nome "Bíblia" vem do grego "Biblos", nome da casca de um papiro do século XI a.C. Os
primeiros a usar a palavra “Bíblia” para designar as Escrituras Sagradas foram os discípulos
do Cristo no século II d.C.
Ao comparar as diferentes cópias do texto da Bíblia entre si e com os originais disponíveis,
menos de 1% do texto apresentou dúvidas ou variações, portanto, 99% do texto da Bíblia é
puro. Vale lembrar que o mesmo método (a crítica textual) é usado para avaliar outros documentos
históricos, como a Ilíada de Homero, por exemplo.
É o livro mais vendido no mundo. Estima-se que foram vendidos 11 milhões de exemplares
na versão integral, 12 milhões de Novos Testamentos, e ainda 400 milhões de brochuras com
extractos dos textos originais.
Foi a primeira obra impressa por Gutenberg em seu recém inventado prelo manual, que dispensava
as cópias manuscritas.
A divisão em capítulos foi introduzida pelo professor universitário parisiense Stephen Langton,
em 1227, que viria a ser eleito bispo de Cantuária pouco tempo depois. A divisão em
versículos foi introduzida em 1551, pelo impressor parisiense Robert Stephanus. Ambas as
divisões tinham por objectivo facilitar a consulta e as citações bíblicas, e foi aceite por todos,
incluindo os judeus.
Foi escrita e reproduzida em diversos materiais, de acordo com a época e cultura das regiões,
utilizando tábuas de barro, peles, papiro e até mesmo cacos de cerâmica.
Com excepção de alguns textos do livro de Ester e de Daniel, os textos originais do Antigo
Testamento foram escritos em hebraico, uma língua da família das línguas semíticas, caracterizada
pela predominância de consoantes.
A palavra "Hebraico" vem de "Hebrom", região de Canaã que foi habitada pelo patriarca
Abraão em sua peregrinação, vindo da terra de Ur.
Os 39 livros que compõem o Antigo Testamento (sem a inclusão dos apócrifos) estavam
compilados desde cerca de 400 a.C., sendo aceites pelo cânon Judaico, e também por Protestantes,
Católicos Ortodoxos, Igreja Católica Russa, e parte da Igreja Católica tradicional.
A primeira Bíblia em português foi impressa em 1748. A tradução foi feita a partir da Vulgata
Latina e iniciou-se com D. Diniz (1279-1325).
Resta recordar aqui João Ferreira de Almeida, que traduziu a Bíblia dos originais hebraico e
grego, até Ezequiel, sendo terminada por Jacob Akker, em 1694. Contudo, a sua publicação
integral só aconteceu em 1809, após a chegada a Portugal da Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira.
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HERMENÊUTICA BÍBLICA
INTRODUÇÃO
A Bíblia é o livro mais importante em qualquer biblioteca. As suas doutrinas têm influenciado
milhares de vidas e as próprias leis das nações. O pensamento cristão é formado a
partir da bíblia.
Todavia, para uma compreensão correcta da Bíblia é necessário conhecer as regras da
hermenêutica. Esta palavra tem a sua raiz em Hermes, o deus mitológico e mensageiro dos
deuses, a quem atribuíam a invenção dos meios elementares da comunicação. Daí vem a palavra