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sábado, 26 de abril de 2014

644-SÓ UM GOLE, PODE?.O CRISTÃO PODE BEBER SOCIALMENTE?.AS ESCRITURAS PROIBEM ?




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O assunto bebidas alcoólicas e cristãos é bem polêmico. Resolvi fazer este artigo por dois motivos: Primeiro, porque vejo muitos cristãos perdidos sem saber muito o que pensar sobre esse tema. Segundo, por ver alguns crentes causando muitos estragos por causa da forma com que fazem uso das bebidas alcoólicas, sem refletir muito. Os motivos abaixo são os meus motivos. Espero que possam servir para reflexão e, quem sabe, de direção para algumas pessoas que se sentem perdidas nesse tema.

1) Cristo me libertou, sou livre

Jesus Cristo me libertou de quaisquer imposições que a sociedade, a carne ou o diabo possam colocar sobre mim. A liberdade que Cristo me dá é suficiente para que eu tenha plenas condições de dizer “não” a qualquer coisa que achar inconveniente, mesmo se me for licita biblicamente. A Bíblia não me manda tomar bebidas alcoólicas, por isso, tenho a liberdade de dizer “não” se enxergo que ela não me convém, sem ser condenado por isso.

2) A linha entre o beber “socialmente” e a embriaguez é difícil de ser traçada

Apesar de concordar que a Bíblia proíba apenas a embriaguez, me pergunto: Quanto de bebida é necessário para que eu me embriague? Ainda não encontrei alguém que respondesse satisfatoriamente essa questão. Além do mais, o consumo de bebida alcoólica pode facilmente me enganar e me levar à embriaguez. É o que acontece com a maioria. Toda pessoa embriagada diz saber o limite. Nesse sentido, o organismo de cristãos ou não cristãos é igual. O limite é quase sempre desconhecido.
Alguns países estabelecem limites que determinam o que é estar embriagado ou não. O interessante é que esses “limites” são bem diferentes entre eles. Qual seria o real? Não sei! Não existe um consenso. Por isso, prefiro não brincar com algo tão forte e viciante quanto o álcool.

3) Onde moro a bebida é mal vista na vida de um cristão

No lugar onde moro, bebida alcoólica não é associada com uma vida correta diante de Deus. Eu sei que Deus vê o meu coração, mas não posso desconsiderar que sou sal e luz. Não posso desconsiderar que, como crente, devo pastorear os mais fracos na fé e ser um testemunho positivo na vida de quem ainda não conhece a Deus. Pra mim o espiritual vem antes do material. Se algo material traz um mal espiritual a mim ou a outra pessoa, tenho plena liberdade em Cristo de abrir mão dele, mesmo que me seja licito. É o que Jesus fez: Abriu mão de si mesmo pelo próximo.
Além disso, algumas questões me levantam dúvidas: Que exemplo estou dando aos mais jovens ou as pessoas de minha comunidade? Quando eles me veem bebendo, será que entendem a forma correta de usar a bebida ou entendem de uma forma negativa o meu ato? Com meu testemunho estou levando mal ou bem para a vida das pessoas, baseado na forma como a minha cultura entende a bebida na vida do crente? E aquela parcela de pessoas que têm tendência ao alcoolismo, será que não posso ser uma pedra de tropeço a elas?
Por mais esse motivo, não me envolvo com bebidas alcoólicas.

4) Bebidas alcoólicas fazem bem a saúde?

Já vi médicos defendendo certas doses de bebida alcoólica como saudáveis. Mas já vi também médicos defendendo que a bebida é bastante prejudicial. Novamente se debate a respeito de qual seria a quantidade exata que faria bem. E também se seria aplicada a qualquer organismo. Outra coisa que me preocupa: Será que a indústria da bebida não move seus pauzinhos para fazer a bebida “aparentar” algo bom com o propósito de manter seus lucros? Não sei! Mas é uma possibilidade.
Deus me deu um corpo para eu cuidar. Diante dessas questões, prefiro ainda não beber bebidas alcoólicas.

5) Existem outras opções

A bebida está associada na maioria das vezes a comemorações, a momentos de lazer, a “rebater” o calor .Porventura não há outras opções? Não há uma diversidade de bebidas que pode substituir a alcoólica e me trazer o mesmo prazer sem maiores complicações? É evidente que há! O problema é que muitas pessoas já estão viciadas e acham que estão se controlando. Isso é um sério problema. Por mais esse motivo me abstenho das bebidas alcoólicas.
Que Deus nos ajude a enxergar os nossos atos com mais profundidade! E que os nossos atos sejam canal de benção e não de maldição para nós e para as pessoas.
Crente pode beber socialmente, regularmente ou de vez em quando?
Infelizmente estamos vendo igrejas e mais igrejas aparecerem com novas revelações e pseudos ensinamentos doutrinários. Já existem igrejas para quem gosta de beber sua cerveja sem álcool, para quem gosta de fumar seu "cigarrinho" sem nicotina, para quem gosta de mais de uma mulher, para quem gosta de prostituir praticando o homossexualismo ou o lesbianismo, enfim tem "igrejas" para todos os gostos. É um verdadeiro menu de igrejas! O mais triste é que esses redutos heréticos se consideram cristãos e ainda se intitulam de evangélicos. É a famosa tática do diabo que diz: "Se não podemos com eles, juntemo-nos à eles".
E me responda uma coisa: crente pode beber socialmente? O velho hábito do velho homem de sentar-se a mesa com amigos e falar besteiras para muitos ainda sugere uma bebida. Alguns preferem restaurantes, outros a mesa da própria casa. Ao invés de refrigerante, que tal um vinho depois da rodada de massas ou uma cerveja depois do futebol. Por que não? Pois é, apesar de no Brasil ser quase consenso entre a maioria que os crentes em Jesus não devem beber, muitos deles consomem bebidas alcoólicas. Agora, assumir... nem todos. Há muita gente usando a máscara da hipocrisia quando o assunto é bebida. Pastores, bispos e líderes pregando sobre drogas e álcool no entanto os mesmos bebem, como quem diz: “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.
Quantos crentes tem sido pedra de tropeço para os novos na fé quando são porventura vistos em restaurantes, bares e festas bebendo, sob o pretexto de que apenas bebem socialmente. Grande parte dos crentes que faz uso de bebida alcoólica fundamenta sua escolha com base na própria palavra de Deus que diz “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma” (1 Cor 6:12). Melhor explicando: podem beber, só não podem se embriagar... Muitas são as justificativas encontradas para o crente poder consumir bebida alcoólica...é lamentável tamanha falta de vergonha na cara.
Pra quem não sabe o vinho era uma bebida tradicional na cultura dos judeus porém hoje vivemos numa cultura na qual o consumo de bebida alcoólica não é visto como edificante. É certo que na bíblia não existe uma proibição expressa quanto ao uso de bebida alcoólica, apenas quanto ao fato desta levar a embriaguez. O álcool sempre teve como consequências problemas físicos, emocionais, familiares, sociais e espirituais gravíssimos.
Vejamos a lei dos homens, prevê no Código Nacional de Trânsito, penalidades para o motorista que tiver ingerido doses ainda que em pouca quantidade, sendo comprovado que pode comprometer suas habilidade e reflexos. A dosagem alcoólica se distribui por todos os órgãos e fluidos do organismo, mas concentra-se de modo particular no cérebro. Cria um excesso de autoconfiança, reduz o campo de visão e altera a audição, a fala e o senso de equilíbrio. Com o álcool, a pessoa se torna presa de uma euforia que, na verdade, é reflexo de anestesiados centros cerebrais controladores do comportamento.

O Decreto 6.488, já publicado, regulamentou a nova lei 11.705, sancionada pelo presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio (Lula) da Silva, que restringe a venda de bebidas alcoólicas e proíbe o motorista de dirigir após ingerir álcool e outras substâncias que comprometam o grau de consciência. O decreto estabelece limite de duas decigramas por litro de sangue, equivalente a menos de um copo de cerveja.
Interessante é que a própria lei dos homens foi editada após ter comprovado que a bebida ainda que em pequenas doses se revela nociva. Já alguns crentes defendem o inocente consumo alegando que não estão sendo dominados por coisa alguma.
A Palavra de Deus diz que nosso corpo é templo do Espírito Santo, e isso significa que nosso corpo não é movido a álcool. O pastor João Flávio Martinez, do Centro Apologético Cristão de Pesquisas (CACP), defende que o crente não deve colocar uma gota de álcool na boca. Segundo ele, interpretar que a bíblia proíbe apenas a embriaguez não é correto. “Essa tem sido a desculpa mais esfarrapada que já vi quando um crente quer dar seus golezinhos”.
“Ou não sabeis que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Cor 6:19)


Vejamos os exemplos bíblicos:

Noé - A Bíblia descreve os maus efeitos da bebida embriagante na história de Noé. Ele plantou uma vinha, fez e bebeu o vinho. Isso o levou à embriaguez e à indiscrição.
Ló e suas filhas - Nos tempos de Abraão, o vinho contribuiu para o incesto que resultou na gravidez das filhas de Ló.
Filhos de Arão - Nadabe e Abiú entraram no templo com seus incensários, mas por terem ingerido bebidas fortes, saiu fogo de diante do Senhor e os consumiu.
Os profetas e sacerdotes na época de Isaías - Eles consumiam vinho e foram criticados: “...erram na visão e tropeçam no juízo” (Is 28.7).
A embriaguez dos coríntios - Usaram vinho fermentado na Santa Ceia e isso não agradou nem a Deus, nem ao apóstolo.
Bebida alcoólica na Igreja de Éfeso - Paulo condena a embriaguez com vinho.
Paulo e Timóteo - O apóstolo recomendou a Paulo que tomasse uma taça de vinho para se curar.

Bebida alcoólica, ainda que moderada, poderá escandalizar ou fazer tropeçar ou enfraquecer ou dar aparência do mal para as pessoas que nos vêem como referencial de conduta.
Paulo recomenda que não nos apoiemos apenas na nossa própria opinião para fazer ou deixar de fazer, mas no amor. Ou seja, nossa liberdade não deve ser tropeço para os mais fracos. Pais que bebem moderadamente em casa podem facilitar o caminho para que seus filhos adolescentes comecem a beber prematuramente e sem critério.

Análise de 1Timóteo 3:2-3

“Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho”

Vigilante” (NEPHO) realmente significa ser abstêmio, ser sempre livre da influência de intoxicantes, ser sempre de mente alerta e vigilante, ser sóbrio, comedido, temperante.

Sóbrio” (SOPHRONA) realmente significa ser sempre de mente sã, prudente, em controle próprio.“Não dado ao vinho”


Vejamos então os versículos em que a Palavra nos veta esse malefício:

“ Ai daquele que dá de beber ao seu próximo, adicionando à bebida o seu furor, e que o embebeda para ver a sua nudez! Serás farto de ignomínia em lugar de honra; bebe tu também, e sê como um incircunciso; o cálice da mão direita do Senhor se chegará a ti, e ignomínia cairá sobre a tua glória” (Hb.2:15-16).

“Mas também estes cambaleiam por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, estão tontos do vinho, desencaminham-se por causa da bebida forte; erram na visão, e tropeçam no juízo” (Is.28:7).

“Não é dos reis, ó Lemuel, não é dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte; para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de quem anda aflito” (Pv.31:4-5).

“O vinho é escarnecedor, e a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar não é sábio” (Pv.20:1).

“Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho (fermentado), quando resplandece no copo e se escoa suavemente” (Pv.23:31).
"Não se embriaguem, pois a bebida levará vocês à desgraça; mas encham-se do Espírito de Deus." (Ef 5.18)

Fica aqui um alerta: Crente que é crente deve se encher é do Espírito Santo de Deus, e abandonar as velhas práticas mundanas.

Bebedices - Vinho e bebida forte.


Bebedices!
A palavra grega methai, “bebedices”, refere-se à pessoa que se embriaga na busca de sensualidade ou prazer. No mundo antigo tratava-se de um vício comum. Os gregos bebiam mais vinho do que leite. Até as crianças bebiam vinho. A embriaguez, contudo, transforma homens em feras.

Bebidas Alcoólicas
Muito se tem falado sobre o uso de bebidas alcoólicas por parte dos cristãos. Alguns têm defendido ardorosamente que "um pouco" de álcool de modo algum é prejudicial, e que beber com moderação é recomendado pelas escrituras (I Coríntios 10.31-33). Já outros se posicionam em campo oposto, rejeitando completamente o uso de bebidas alcoólicas, mas por vezes ficam desarmados frente a várias passagens bíblicas que, frente a um exame superficial, autorizariam o uso do vinho.

Este grave problema que se põe, a aparente contradição das escrituras que ora repudiam e ora enaltecem o uso do vinho, faz com que passagens bíblicas possam ser interpretadas de acordo com propósitos colocados nos corações daqueles que as lêem, não levando em conta o propósito divino com que foram escritas, propósito este que deve ser devidamente obtido através do contexto teológico, histórico, gramatical, usando-se assim de perfeita exegese bíblica. (Exegese é a interpretação profunda de um texto bíblicojurídico ou literário. A palavra exegese é oriunda do grego exegeomai, exegesis: ex tem o sentido de retirar, derivar, ex-trair, ex-ternar, ex-teriorizar, ex-por e "hegeisthai" o de conduzir, guiar).

Os Problemas Causados Pela Ingestão de Bebidas Alcoólicas
Inúmeros são os problemas causados na vida das pessoas pela ingestão de bebidas alcoólicas. Estes problemas afetam desde o convívio social do indivíduo até a manutenção de sua vida e de pessoas próximas. Existem estatísticas alarmantes sobre o desastre causado na vida das pessoas pelo consumo do álcool, que o tornam o inimigo público número um, chegando a matar 25 vezes mais que todas as drogas ilegais juntas!

O álcool pode atingir todos os tecidos do organismo célula por célula, pelo fato de ser completamente miscível em água, causando com isto inúmeras desordens físicas e psíquicas. O uso do álcool pode provocar aumento de peso, dependência química, impotência sexual, vários tipos de câncer e pode estimular o surgimento de outras doenças físicas graves, como por exemplo, úlceras, cirrose hepática, hepatite alcoólica e a esteatose hepática.

Foi comprovada uma relação direta entre o aumento do número de homicídios e o aumento do consumo de bebidas alcoólicas no Brasil. Segundo o IBGE, o consumo de cerveja passou de 25 litros por habitante para 48,4 litros por habitante entre 1979 e 1999, havendo um aumento do número de homicídios por 100.000 habitantes em quantidade proporcionalmente equivalente. Segundo o Núcleo de Estudos da Violência da USP a receita mais comum para um assassinato é uma arma na mão e alguns goles de qualquer bebida alcoólica na cabeça. Segundo o mesmo estudo, 40% dos assassinatos ocorrem sob a influência de bebidas alcoólicas.

Além disto, o álcool está envolvido em 65% dos afogamentos, 22% dos acidentes domésticos, 77% das quedas, 40% dos assaltos, 35% dos crimes sexuais e em 30% dos suicídios.

O uso de álcool está também estreitamente ligado às mortes por acidentes de trânsito. Segundo estudos feitos a partir de dados obtidos no Instituto Médico Legal do Estado de São Paulo no ano de 1999, foi constatada alcoolemia positiva em 47% das vítimas fatais de trânsito, e deste total, 96,8% estavam com um teor alcoólico em seu sangue acima de 0,6 g/litro (limite máximo estabelecido pelo Código Nacional de Trânsito).

Nos Estados Unidos, os custos financeiros causados por acidentes envolvendo indivíduos alcoolizados somaram em 1994 a exorbitante quantia de 45 bilhões de dólares, havendo mais de 13.560 mortos e 1,73 milhões de feridos!

Dados indicam também que uma em cada quatro famílias tem em seu seio problemas relacionados ao uso do álcool, como crianças com deficiências mentais, divórcios, violência no lar, doenças, crimes e mortes.

São números impressionantes, e levam à conclusão que a ingestão de bebidas alcoólicas é um dos mais sérios problemas da humanidade e tem causado o infortúnio e a derrota de milhões de pessoas.

Origem e Significado da Palavra Vinho
Hoje a palavra vinho passou a ter um único significado, qual seja o líquido resultante da fermentação etílica da uva, ou de outras frutas, conforme pode-se observar pela definição encontrada no dicionário Michaelis (Líquido alcoólico, resultante da fermentação do sumo da uva ou ainda de outros frutos. Licor fermentado que se extrai dos vegetais).

Mas, cabe aqui uma análise mais profunda sobre a origem da palavra "vinho", isto porque esta palavra não teve sempre este único significado, como fazem supor alguns. A palavra vinho origina-se da palavra latina vinum, que por sua vez tem origem na palavra grega oinos. Retirando-se os sufixos tem-se os radicais de cada palavra:
oin(os) = oin
vin(um) = vin
vin(ho) = vin

Nota-se assim a clara ascendência etimológica da palavra vinho, e fica patente sua origem na palavra latina vinum que tem o mesmo significado da palavra grega que a originou: oinos.

Segundo o léxico de latim de Lewis & Short, os significados da palavra "vinum" são:
Uvas. Vinum pendens (vinho pendente), conforme encontrado na obra de Márcio Plauto, Trinummus (Videira, vinha, Vinho feito de uvas, vinho frutado).
A primeira e a segunda definições fazem a própria fruta, a uva, e a planta, a videira, serem também vinho.

No Thesaurus Linguae Latinae tem-se as definições da palavra "vinum" suportadas pelo conteúdo das obras de diversos autores clássicos. Entre estas definições duas chamam atenção: Aigleuces vinum ("vinho doce") e Defrutum vinum ("vinho fervido"), ambas são descritas como vinhos não fermentados (não alcoólicos).

Já o Phraseologia Generalis define a palavra latina "mustum" (mosto) como "vinho novo", e a frase vinum pendens como "vinho ainda no pé". Vale aqui ressaltar a definição atual da palavra mosto, conforme o dicionário Michaelis, qual seja: Sumo da uva, antes de se completar a fermentação. Suco, em fermentação, de qualquer fruta que contenha açúcar. Mosto virgem: sumo que corre das uvas e outras frutas, antes de serem pisadas.

Também se nota na palavra mosto a perda do significado original que seria "o suco fresco de uvas".   Aristóteles em seu livro Metereologica informa o sentido da palavra oinos (vinho) ao definir glukus, um suco de uvas adocicado, da seguinte forma: "embora chamado vinho (oinos), ele não tem os efeitos do vinho, apesar de ter o sabor do vinho ele não intoxica como o vinho comum".

Em outra passagem Aristóteles diz o seguinte: - "Alguns tipos de vinho (oinos), como por exemplo o mosto (gleukos), se solidificam quando fervidos".

Na Septuaginta, tradução do Velho Testamento do hebraico para o grego, os tradutores com grande frequência traduziram a palavra hebraica "tirosh" que significa suco de uvas fresco como oinos (vinho) sem qualquer adjetivação, mesmo havendo uma palavra que alguns poderiam afirmar ser "uma melhor tradução" para o suco de uvas fresco, no caso gleukos (mosto). Estes fatos indicam de forma inequívoca a qualquer que se proponha a estudar de forma séria esta questão que a melhor tradução para "suco de uvas recém espremido" em grego é mesmo oinos (vinho).

Assim temos demonstrado que as palavras que deram origem à palavra "vinho" devem ser interpretadas tanto como suco de uvas não fermentado, quanto como suco de uvas fermentado.

Sob esta ótica, a palavra "vinho" deveria ter este mesmo significado. Mas, o que se observa é a palavra vinho significando somente o suco de uvas com fermentação etílica. Deduz-se desta forma que em algum ponto do nosso passado houve uma mudança no significado original da palavra. O Dicionário luso-brasileiro Lello Universal traz várias definições para o vinho, sendo uma delas a do "vinho abafado" como sendo: "o vinho doce proveniente de uma fermentação parcial do mosto, sustada pelo calor, ou pelo anidrido sulfuroso ou por outro processo que não altere o valor higiênico do vinho, mas em que não intervenha a alcoolização."

Este dicionário apesar de indicar o vinho como sendo "bebida alcoólica que se obtém da fermentação, total ou parcial, do sumo de uvas frescas (mosto)" traz uma exceção, o vinho abafado, que é um vinho não alcoólico, bem como resgata o significado original de mosto: "sumo de uvas frescas".

No dicionário Melhoramentos de 1970 e no dicionário Globo de 1956 tem-se basicamente a mesma definição de vinho encontrada hoje no dicionário Michaelis, o que indica a necessidade de posicionamento da pesquisa ainda mais no passado:

O Dicionário Prático da Língua Nacional (J. Mesquita de Carvalho) de 1945 incrivelmente não traz a descrição da palavra vinho, tão somente a da palavra vinha, indicando contudo o vinho como sendo seu cognato.
O Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa por Antenor Nascentes de 1932, indica a origem da palavra vinho na palavra latina vinum, e indica vinho como sendo, entre outros, sinônimo de videira.

No Diccionario da Lingua Portugueza de José da Fonseca (por J. I. Roquete) de 1848 encontra-se a seguinte definição de vinho: "liquor extrahido da uva". Procurando-se no mesmo dicionário a definição da palavra liquor tem-se as seguintes definições: "1. Substância fluida e líquida; 2. Bebida espirituosa". Desta forma a definição original da palavra vinho na língua portuguesa é: Substância fluida e líquida extraída da uva. Bebida espirituosa extraída da uva.

Significado da palavra hebraica yayin
A palavra hebraica yayin é um termo genérico usado 141 vezes no AT para indicar vários tipos de vinho fermentado ou não-fermentado e tem rigorosamente o mesmo significado da palavra latina vinum e da palavra grega oinos, como pode ser visto pelos seus radicais:
(Ya)yin
Oin(os)
Vin(um)
Yin = oin = vin

A Enciclopédia Judaica de 1971 apresenta uma descrição dos diversos usos da palavra yayin, entre eles cabe destaque a alguns que permitem que seus diversos significados fiquem claros:
a)      Yayin mi-gat - O vinho recém espremido antes da sua fermentação (vinho novo);
b)      Yayin yashan - O vinho fermentado do ano anterior (vinho velho);
c)      Yashan noshan - O vinho fermentado com três anos ou mais (vinho muito velho).

Tem-se que a palavra yayin a exemplo de oinos e vinum tanto pode ser utilizada para referenciar vinho com fermentação etílica quanto vinho não fermentado.

Significado da palavra hebraica Tirosh
A outra palavra hebraica traduzida por "vinho" é tirosh, que significa "vinho novo" ou "vinho da vindima". Tirosh ocorre 38 vezes no AT; nunca se refere à bebida fermentada, mas sempre ao produto não-fermentado da videira, tal como o suco ainda no cacho de uvas (Isaías 65.8), ou o suco doce de uvas recém-colhidas (Deuteronômio 11.14; Provérbios 3.10; Joel 2.24). Brown, Driver, Briggs (Léxico Hebraico-Inglês do Velho Testamento) declaram que tirosh significa "mosto, vinho fresco ou novo". A Enciclopédia Judaica (1901) diz que tirosh inclui todos os tipos de sucos doces e mosto, mas não vinho fermentado". Tirosh tem "bênção nele" (Isaías 65.8); o vinho fermentado, no entanto, "é escarnecedor (Provérbios 20.1) e causa embriaguez (Provérbios 23.31).

Significado da palavra hebraica Shekar
Além dessas palavras para "vinho", há outra palavra hebraica que ocorre 23 vezes no AT, e frequentemente no mesmo contexto — shekar, geralmente traduzida por "bebida forte" (I Samuel 1.15; Números 6.3). Certos estudiosos dizem que shekar, mais comumente, refere-se a bebida fermentada, talvez feita de suco de fruto de palmeira, de romã, de maçã, ou de tâmara. A Enciclopédia Judaica (1901) sugere que quando yayin se distingue de shekar, aquele era um tipo de bebida fermentada diluída em água, ao passo que esta não era diluída. Ocasionalmente, shekar pode referir-se a um suco doce, não-fermentado, que satisfaz (Robert P. Teachout: "O Uso de Vinho no Velho Testamento", dissertação de doutorado em Teologia, Seminário Teológico Dallas, 1979). Shekar relaciona-se com shakar, um verbo hebraico que pode significar "beber à vontade", além de "embriagar". Na maioria dos casos, saiba-se que quando yayin e shekar aparecem juntos, formam uma única figura de linguagem que se refere às bebidas embriagantes.


Traduções da Bíblia
A tradução da Bíblia de João Ferreira de Almeida foi desenvolvida no decorrer do século XVII, e a este tempo a palavra vinho ainda mantinha o seu significado original, ou seja, suco de uvas fermentado ou não, tal qual as palavras que estavam sendo traduzidas do grego e do hebraico, oinos e yayin, respectivamente. Não cabe, portanto, qualquer argumentação sobre a palavra vinho significar, na Bíblia, somente o suco de uvas fermentado, pois como ficou demonstrado, esta palavra é utilizada para definir todos os líquidos obtidos a partir da uva.

O Vinho no Velho Testamento
Neste ponto é importante verificar como o Velho Testamento trata a questão do vinho, tanto com relação ao vinho fermentado quanto ao não fermentado.

O Vinho Fermentado
Não há dúvida que com grande frequência a palavra yayin é utilizada referindo-se ao vinho fermentado no Velho Testamento. Mas invariavelmente, quando ocorre com este significado, diz respeito aos efeitos maléficos resultantes do uso do vinho e à sua consequente condenação divina.

A primeira referência aos efeitos causados pelo uso do vinho fermentado (Gênesis 9.20-21). Um pouco mais adiante na história da humanidade a Bíblia relata o caso das filhas de Ló quando após a destruição de Sodoma e Gomorra embebedaram o pai para deitarem-se com ele (Gênesis 19.32-35). Já a passagem a seguir mostra a completa desaprovação de Deus ao uso do vinho, claramente referindo-se ao vinho fermentado com sua coloração resplandecente e suave escoar (Provérbios 23.29-35).

O Rei Salomão, inspirado por Deus, apresentou acima vários resultados ruins decorrentes do uso do vinho, mas faz especial menção ao vício, pois apesar da pessoa saber que sofreu graves consequências devidas à embriaguez, torna a ter o firme propósito de repetir a carraspana.

Vários São os Alertas Sobre os Resultados do Uso do Vinho Fermentado no Velho Testamento:
O vinho causa excitação (Salmo 78.65); O vinho faz cambalear (Salmo 107.27); O vinho é zombador (Provérbios 20.1); O vinho leva à indigência (Provérbios 21.17); O vinho faz com que o que bebe se fira (Provérbios 26.9); O vinho faz com que se rejeite a obra de Deus (Isaías 5.11-14); O vinho faz errar (Isaías 28.7).

Em todos os casos fica patente o alerta divino sobre os malefícios causados pelo vinho etílico, vemos que a Palavra de Deus dá claras ordens com relação à não utilização deste tipo de vinho, cabe então ao homem obedecer ou não à vontade de Deus.


O Vinho Não Fermentado
Referências ao vinho não fermentado não são tão claramente documentadas na Bíblia quanto as condenações ao intoxicante vinho fermentado. Mas, é sempre possível chegar-se ao verdadeiro significado das palavras utilizadas através do contexto em que se encontram.

Nas passagens a seguir a palavra "vinho" tem o significado óbvio de "vinho não fermentado", vejamos (Gênesis 49.11). Apesar desta ser uma passagem profética, as figuras apresentadas são verídicas. Nesta passagem Jacó está abençoando a seus filhos e Judá irá amarrar o seu jumentinho à vide e lavará a sua roupa no vinho. Fica claro que não haveria como Judá extrair vinho fermentado diretamente da vide. E mais, a construção "sangue de uvas", em hebraico, é sinônima de vinho, e sangue de uvas é sim suco de uvas recém espremido, ou em outras palavras, vinho não fermentado.

(I Samuel 25.18) - Nesta passagem Abigail preparou grandes provisões para entregar a Davi que vinha para vingar a afronta recebida de Nabal, marido de Abigail. O que chama a atenção na passagem acima é a disparidade entre as quantidades de mantimentos e os dois odres de vinho. Esta grande diferença de quantidade surge como clara indicação de que o vinho estava em forma de suco de uva concentrado (fervido), o qual para ser bebido deveria ser reconstituído com água. Este era um método muito comum de preservação do suco de uvas na antiguidade. Pode-se ver a mesma discrepância de quantidades na passagem a seguir (II Samuel 16.1).

(Isaías 27.2-3) - Esta é outra passagem profética, sobre uma vinha cuidada diretamente pelo Senhor. A palavra hebraica traduzida aqui como vinho tinto é rmx (chemer) que significa literalmente vinho puro ou vinho ainda por ser fervido, clara referência ao suco fresco de uvas. (Lamentações de Jeremias 2.11-12) - Nesta passagem o menino e a criança de peito desfalecendo no regaço de suas mães perguntam pelo seu alimento costumeiro, qual seja, pão e vinho. Não se pode de maneira alguma aceitar que este vinho seja o intoxicante vinho com fermentação etílica, mas sim, e sem qualquer dúvida, o puro suco da vide.

Na passagem que se segue o vinho é claramente um produto da terra e uma benção dada àqueles que servem a Deus. É interessante notar que os lagares, que são tanques nos quais se espremem e reduzem a líquido as uvas, venham a transbordar de vinho, que sendo suco de uvas recém espremidas é por conseguinte vinho não fermentado (Provérbios 3.9-10). O Velho Testamento coloca o vinho não fermentado, seja o suco concentrado de uvas, seja o suco fresco de uvas, como uma bênção aos que temem a Deus e fazem a Sua vontade.

O Vinho no Novo Testamento
A crença popular de que Jesus Cristo, apesar de não ter sido um beberrão, tinha o hábito de beber moderadamente vinho alcoólico, e não só isto, mas que tenha também produzido deste vinho em grande quantidade nas bodas de Caná, tem moldado a opinião e a forma de agir de muitos cristãos quanto ao hábito de tomar bebidas fermentadas ou destiladas. A posição é esta: - "Se Cristo fez, recomendou e tomou vinho alcoólico, os cristãos devem seguir o Seu exemplo".

As Bodas de Caná (João 2)
Ao analisar esta passagem é importante ter em mente qual o objetivo de Jesus ao realizar o milagre da transformação de água em vinho, qual fosse manifestar a Sua glória como Filho de Deus e despertar a confiança dos seus discípulos na Sua capacidade de salvar o seu povo do pecado (João 2.11). Partindo deste princípio, crer que Jesus, sabendo que os convidados já "haviam bebido muito" (v.10), criou vários litros de vinho alcoólico (entre 383,28 e 574,92 litros) desrespeitando desta forma a clara vontade de Deus, é algo além da mais desvairada imaginação (Levítico 10.9-11).

É inimaginável o Senhor Jesus iniciar seu ministério contrariando de tal forma a vontade do Pai, e contribuindo decisivamente para a embriaguez das pessoas presentes àquela festa (Habacuque 2.15).

Os modernos pesquisadores estão alertando a respeito da síndrome fetal do álcool, que é um grupo de defeitos físicos e mentais no nascimento, resultantes do consumo de álcool durante a gravidez. Estes defeitos incluem atraso mental, déficit de crescimento, mau funcionamento do sistema nervoso, anomalias cranianas e desajustes de comportamento.

Segundo a OMS, a cada ano, no mundo, nascem 12.000 bebês com a síndrome fetal do álcool. Alguns sintomas podem não tornarem-se óbvios até que o bebê atinja uma idade entre 3 e 4 anos, contudo, seus efeitos são irreversíveis.

E sendo Jesus Cristo o Filho de Deus, não seria questionar sua divindade, sabedoria e discernimento entre o bem e o mal afirmar que Ele teria servido vinho intoxicante em uma festa de casamento? Fica claro aqui que o que Cristo fez foi sim o bom e puro vinho, isto é, o natural e saudável suco de uvas.

Os Odres Novos
(Lucas 5.37-39) - Esta passagem, bem como suas correlatas (Mateus 9.17) e (Marcos 2.22), trazem em si um grande problema de interpretação. Um problema não só teológico, mas também técnico.

Uma interpretação comum é a de que somente odres novos suportariam a pressão causada pelos gases gerados pela recém iniciada fermentação do vinho novo. Isto seria devido ao fato dos odres velhos não terem mais a necessária elasticidade, rompendo-se sob pressão. Seguindo esta linha de raciocínio, Jesus estaria sugerindo com veemência o consumo do vinho velho (com fermentação completa) por ser este melhor que o vinho novo (com fermentação incompleta), o que concorda com a maioria dos modernos enólogos.

Porém o fato é que nenhum odre, seja novo ou velho, suportaria a enorme pressão causada pelos gases gerados durante o processo de fermentação do vinho. Para este fim eram utilizados grandes jarros cerâmicos.
Uma aproximação tecnicamente correta do problema é a da utilização de vinho não fermentado. Neste caso, deveriam ser utilizados odres novos besuntados com mel para o armazenamento do vinho novo, filtrado ou fervido, sendo hermeticamente lacrados logo a seguir. Considerando se tratar de vinho novo não fermentado, caso fossem utilizados odres velhos, por mais limpos que estivessem, sempre haveria em suas paredes pequenas quantidades de matéria orgânica em decomposição, e isto seria o suficiente para iniciar um violento processo de fermentação do vinho o que com certeza romperia o odre devido à grande geração de gases.

Outra teoria é a de que o vinho novo a que Jesus se referiu seria o vinho em que o processo de fermentação estaria próximo do final, o que permitiria ao odre novo suportar a pressão gerada. Mas, neste caso, também o odre velho poderia ser utilizado pois da mesma forma suportaria a pequena pressão gerada neste ponto da fermentação. Fica tecnicamente provado que Jesus estava falando de vinho não fermentado.

Mas, se este é o caso, o que o Mestre estava tentando dizer (v.37 e 38)? Os discípulos de Cristo são como o vinho novo e, claro, não fermentado; Sendo assim necessitam de um odre novo. Não pode haver renovação sem que sejam abandonados as tradições e procedimentos fermentados praticados até então pelos judeus. Uma nova formulação necessita ser implantada, e Cristo veio ao mundo precisamente com este objetivo. Assim para que haja renascimento espiritual é necessário arrependimento dos pecados, entrega total da sua vida ao Senhor e a consequente mudança na vida do pecador. Assim, para um novo vinho (novo espírito) é necessário um novo odre (novo homem).
O versículo 39 traz um problema ainda maior. Este verso, se analisado de forma precipitada, traz uma aparente contradição com relação aos versos anteriores, além de aparentar estar completamente fora de contexto. Esta idéia é ainda mais reforçada quando se vê que nos textos encontrados em Mateus e Marcos não há referência alguma a esta passagem. Porém na Palavra de Deus nada está escrito por acaso, nada está fora de contexto e não há qualquer contradição.

O primeiro ponto a ser analisado é quem está dizendo que "Melhor é o velho". Jesus? - Não. Quem diz "melhor é o velho" é aquele que já tenha bebido do vinho envelhecido. Isto se deve ao fato do ser humano ao experimentar o vinho fermentado querer mais dele. Este é o princípio básico do vício, pois, mesmo tendo ciência dos efeitos negativos do uso da substância que vicia, a pessoa quer mais.

Mas, sendo o texto uma parábola, tem um sentido além do seu sentido imediato e direto já apresentado. Qual seja: Jesus, como profundo conhecedor da natureza humana, sabe que é um processo trabalhoso ao homem a aceitação de mudanças. Os fariseus, a quem Jesus estava falando, tinham grande dificuldade em deixar suas velhas tradições fermentadas e desprovidas de fé, e aceitar a nova proposta feita por Cristo. Preferiam eles permanecer em seus rituais e tradições, a procurar experimentar um novo nascimento, um nascimento espiritual, o que lhes faria novos homens, vinho novo em odres novos. Daí dizerem: - melhor é o velho.

A Santa Ceia do Senhor
(Levítico 17.11) - No Velho Testamento os pecados do povo de Israel eram expiados através de um sistema de sacrifícios onde o sangue de animais era vertido com esta finalidade. Porém, ao contrário do que muitos pensam, o sistema de sacrifícios não foi abolido no Novo Testamento, o que ocorreu foi uma alteração neste sistema. Ao invés do sacrifício de animais, tem-se agora um sacrifício muito mais excelente, um sacrifício definitivo, um sacrifício capaz de remir os pecados não apenas do povo de Israel, mas de toda a humanidade: O sacrifício de Jesus, o Cordeiro sem mácula, o Filho de Deus, que verteu o seu sangue como expiação pelos pecados do mundo.

A Santa Ceia foi instituída por Jesus Cristo como um memorial a este sacrifício definitivo, e neste cerimonial foram instituídas as figuras do pão e do cálice. Na instituição do cerimonial, Jesus nos informa que o conteúdo do cálice é o fruto da vide (Mateus 26.27-29).

O problema posto aqui é: Qual é na verdade o fruto da vide ao qual Jesus se referiu? Vinho fermentado ou vinho não fermentado? Pesquisas no Velho Testamento não nos ajudam a responder a esta questão, pois nada é dito sobre qual bebida deve ser utilizada para libação nas instruções sobre a ceia de Páscoa. Tem-se referências ao cordeiro, ao pão não fermentado (ázimo) e às ervas amargas, mas, nenhuma referência à bebida utilizada como acompanhamento desta refeição.

Porém, a Palavra de Deus nos dá as indicações necessárias para que saibamos, sem sombra de dúvidas, qual foi a bebida utilizada por Jesus na última ceia: Moisés, sobre a comemoração da Páscoa, instrui o seguinte (Êxodo 12.15). O fermento, nas escrituras, está associado ao pecado e às falsas doutrinas (I Coríntios 5.6-7) e (Mateus 16.6 e 16.12).

O vinho fermentado, sempre alcoólico e intoxicante4, não condiz com o pão ázimo (não fermentado), e não condiz com a instrução de Moisés sobre o fermento, e não condiz com a pureza necessária para que simbolizasse o sangue de Cristo. O vinho fermentado não é um fruto da vide. É um subproduto obtido através de um processo químico de fermentação, que atua sobre as moléculas de açúcar do suco, alterando suas propriedades e gerando álcool etílico e dióxido de carbono. Assim o vinho fermentado não é mais o fruto da vide, é agora o fruto modificado em algo diferente, um subproduto.
E como símbolo do puro e incorrupto sangue de Cristo um subproduto modificado não seria a melhor escolha, e certamente não foi a opção de Jesus em momento algum. Desta forma chega-se à seguinte conclusão: - O puro e natural suco de uvas, este sim um fruto da vide, foi o líquido utilizado para representar o sangue do Nosso Senhor na instituição da Santa Ceia.

O apóstolo Paulo ao dar instruções sobre a ceia do Senhor à Igreja em Corinto, (I Coríntios 11.28). Paulo deixa claro que a ceia do Senhor não é um momento festivo, mas um momento de séria reflexão, um momento solene no qual se faz necessária sóbria introspecção. Não cabem nesta hora a glutonaria e a bebedice que estavam ocorrendo naquela igreja. Por esta razão o apóstolo Paulo coloca a ceia do Senhor em sua real perspectiva, qual seja, um memorial em que cada pessoa deve examinar-se frente ao sacrifício que o Filho de Deus fez na cruz como paga por nossos pecados. Em um momento como este o vinho fermentado, intoxicante e alucinógeno não é uma opção aceitável.

Por todas estas inequívocas indicações dadas pela Palavra de Deus, tem-se que o fruto da vide ao qual o Senhor se referiu é o próprio fruto espremido, o puro suco de uvas, o vinho não fermentado. Este é o cálice da ceia do Senhor.

Paulo Instrui Timóteo a Tomar um Pouco de Vinho
 (I Timóteo 5.22-23) - Paulo instrui a Timóteo que não beba somente água, mas acrescente um pouco de vinho, por razões de saúde. Alguns pontos devem chamar a atenção: Timóteo era abstêmio, pois tomava somente água.    Paulo o instrui no verso 22 a conservar-se puro. A palavra "vinho" pode significar tanto o vinho alcoólico como o vinho não fermentado (suco de uvas). Paulo em I Timóteo 3.2, diz que o bispo (Timóteo era bispo), deve ser sóbrio.
Somando-se todas estas informações a conclusão é direta: - O vinho recomendado por Paulo a Timóteo era o vinho não fermentado. E como pode ser visto abaixo no item "Valor medicinal do vinho não fermentado", este tem mais valor medicinal que o vinho alcoólico.

Beber Vinho é Permitido Desde Que Não Escandalize um Irmão?
 (Romanos 14.21) - Este capítulo de Romanos trata das liberdades do cristão, não das instruções e proibições encontradas em outras passagens. E dentro do que é livre temos o beber moderadamente vinho não fermentado.     Mas, se a passagem trata de vinho não fermentado, por que alguém se escandalizaria com o fato de alguém bebê-lo? Deve-se ter em mente a época em que foi escrita esta epístola, e o destinatário da mesma. Em Roma nesta época era muito comum o oferecimento de comida aos ídolos, daí a recomendação para o não comer, e da mesma forma era comum em cultos pagãos beber-se muito vinho não fermentado, em verdadeiras odes de glutonaria. Daí a recomendação para não beber o vinho não fermentado, evitando assim ser confundido com os que praticavam o paganismo.

Instruções Sobre a Bebida Alcoólica
A palavra de Deus dá instruções específicas quanto ao uso de bebidas que contenham álcool. Porém antes de analisar as instruções bíblicas, seria conveniente apresentar alguns parâmetros seculares de modo a ilustrar e a tornar mais fácil a análise da palavra de Deus.

Ponto de Embriaguez
A partir de que ponto uma pessoa pode ser considerada como estando embriagada? A taxa de álcool no sangue varia de acordo com o peso, altura e condições físicas de cada indivíduo. Porém a tabela a seguir pode ser utilizada como um parâmetro médio:

Quantidade de álcool por litro de sangue (em gramas) - Efeitos!
0,2 a 0,3 g/l - equivalente a um copo de cerveja, um cálice pequeno de vinho, uma dose de uísque ou outra bebida destilada. As funções mentais começam a ficar comprometidas. A percepção da distância e da velocidade são prejudicadas.

0,3 a 0,5 g/l - dois copos de cerveja, um cálice grande de vinho, duas doses de bebidas destiladas. O grau de vigilância diminui, assim como o campo visual. O controle cerebral relaxa, dando sensação de calma e satisfação.

0,51 a 0,8 g/l - três ou quatro copos de cerveja, três copos de vinho, três doses de uísque. Reflexos retardados, dificuldades de adaptação da visão a diferenças de luminosidade, superestimação das possibilidades e minimização de riscos e tendência à agressividade.

0,8 a 1,5 g/l - a partir dessa taxa, as quantidades são muito grandes e variam de acordo com o metabolismo, com o grau de absorção e com as funções hepáticas de cada indivíduo. Dificuldades de controlar automóveis, incapacidade de concentração e falhas na coordenação.

1,5 a 2,0 g/l - Torpor alcoólico, dupla visão, ação neuromuscular.

2,0 a 5,0 g/l - Embriaguez profunda.

5,0 g/l - Coma alcoólica.

O mais importante a se notar nesta tabela é que mesmo um pequeno cálice de vinho já compromete as funções mentais, com prejuízo para a percepção.

Valor Medicinal do Vinho Não Fermentado
Dois estudos separados, um sobre os mecanismos de ação e outro sobre resultados clínicos, publicados em jornais de pesquisas cardiovasculares, mostram os benefícios de se tomar o suco de uvas.

Na edição de 12 de junho de 2001 do jornal Circulation, órgão oficial da Associação Americana de Cardiologia, os pesquisadores mostraram que beber o suco de uvas não somente tem um efeito direto em importantes funções biológicas como a coagulação sanguínea, mas também aparenta aumentar o nível de antioxidantes enquanto diminui a produção de radicais livres.

"Este estudo nos dá uma nova visão sobre como o suco de uvas pode melhorar a função cardiovascular", explica a Dra. Jane E. Freedman, M.D., professora assistente de medicina e farmacologia na Georgetown University e uma das líderes do estudo. "O que nós estamos vendo pela primeira vez é que a substância ativa do suco de uvas age de duas formas relacionadas: Primeiro, ela tem um efeito protetor sobre a vitamina E e sobre outros antioxidantes, permitindo que eles permaneçam ativos por mais tempo, enquanto que ao mesmo tempo diminui a produção do radical livre superóxido-a. Segundo, esta substância ativa também parece ter um efeito direto, positivo em um grande número de funções biológicas como a produção de óxido nítrico e a inibição de plaquetas, ou células que causam coágulos, ambos também importantes fatores de proteção."

Na edição de maio de 2001 do Atherosclerosis, pesquisadores compararam os efeitos de beber suco de uvas, vinho tinto e vinho tinto desalcoolizado em ratos de laboratório. Eles descobriram que o suco de uvas, quando comparado com o vinho tinto e com o vinho tinto desalcoolizado, foi no mínimo tão efetivo quanto estes ao:
a)      Baixar o colesterol total;
b)      Diminuir a taxa de lipoproteínas de baixa densidade (tipo de colesterol danoso);
c)      Reduzir a arteriosclerose
d)     Aumentar os tempos de defasagem das lipoproteínas de baixa densidade.

"Este estudo nos diz algumas coisas importantes", explica Joe A. Vinson, Ph.D., professor de química da Universidade de Scranton, e líder do estudo. “Primeiro, que o suco de uvas ofereceu um significativo benefício de proteção cardiovascular nos animais testados, incluindo o combate à instalação da arteriosclerose, um efeito que nós não havíamos visto antes. Segundo, ele sugere que o papel desempenhado pelo álcool na melhora de funções cardiovasculares pode não ser tão significativo quanto se pensava antes."

Outro estudo conduzido pelo Dr. John D. Folts, Ph.D., trata dos mecanismos que aumentam ou diminuem a atividade de plaquetas e da incidência da trombose coronária mediada por plaquetas. Em estudos preliminares nos anos 70 ele desenvolveu um modelo de estudos, ao vivo, da formação da trombose em constrição de artérias com danos ao endotélio. Em 1974 ele primeiro demonstrou que a aspirina podia reduzir a incidência de trombose coronária de modo significativo. Atualmente, ele está estudando a propriedades anti-plaquetas e antioxidantes dos componentes encontrados no vinho tinto, em sucos de frutas e no chá.

Estes componentes parecem ser melhores inibidores de plaquetas que a aspirina. O foco atual é na funcionalidade de alimentos como o suco de uvas e a cebola, os quais tem propriedades anti-plaquetas e antioxidantes, e melhoram a função do endotélio permitindo uma melhor dilatação arterial. Os estudos foram feitos tanto em animais quanto em voluntários humanos, estes, tanto com fatores de risco quanto pacientes com comprovadas moléstias cardiovasculares.
Os estudos com voluntários humanos demonstraram que tanto a aspirina quanto o vinho tinto reduzem as plaquetas em 45%, enquanto que o suco de uvas as reduz em 75%. Isto mostra que os benefícios do vinho não se encontram no álcool, mas na uva, e que os resultados são potencializados quando se utiliza diretamente o suco de uvas. A dosagem diária recomendada foi determinada como estando entre 220 e 280 gramas (aproximadamente, um copo). "Seus dados são extremamente convincentes", diz o Dr. Arthur L. Kastsky do Centro Médico Permanente de Oakland, CA. sobre o estudo do Dr. Folts. O Dr. Kastsky tem se dedicado a estudar se há benefícios para o coração na ingestão de álcool.

Todos os estudos até agora realizados demonstraram que o suco de uvas, o vinho não fermentado, é superior ao vinho alcoólico em suas funções medicinais, e sem conter qualquer toxidade.

Significado de Embriaguez
A palavra embriagado vem do latim êbrïus que significa intoxicado, bêbado, saturado. O sinônimo mais importante nesta análise é intoxicado. Intoxicação, conforme o dicionário Michaelis, é a introdução de uma substância tóxica no organismo.

Assim, passa-se a estar embriagado no momento em que ocorre a introdução de uma substância tóxica no organismo. O álcool é uma substância tóxica que pode até causar a morte imediata do indivíduo, dependendo da quantidade que for ingerida e das características específicas do álcool ingerido.

Desta forma o estado de embriaguez se estabelece no exato momento em que se ingere a primeira dose de qualquer bebida que contenha álcool. Alguns alegam que partindo-se deste princípio, a primeira garfada de alimento constituir-se-ia em glutonaria. Cabe aqui, uma análise com bom senso desta alegação.
Faz-se antes de mais nada necessário se distinguir o alimento, algo necessário para a vida, do tóxico álcool, tomado sem qualquer objetivo vital.

Mas, vamos entender exatamente o que é glutonaria. Conforme o dicionário Michaelis, glutonaria é: Qualidade ou vício de glutão. Esta definição nos leva à necessidade de saber o significado da palavra glutão, que conforme o mesmo dicionário é: Que, ou o que come muito e com voracidade.

Sem qualquer dificuldade vê-se que o glutão (o que comete a glutonaria) é alguém que come além do necessário para sua subsistência, com voracidade e por vício. Sendo pecado claramente condenado pelas Escrituras, bem como assim também o é, o pecado da bebedice (Gálatas 5.21).

Tipos de Embriaguez
Existem coisas que podem nos tirar dos ministérios estabelecidos por Deus para cada um de nós, e a capacidade de ver de forma clara e distinta qual a vontade de Deus para nossa vida (Isaías 28.7). São diversos os tipos de embriaguez que podem produzir tal efeito sobre os ministérios. Vamos conhecer alguns:

A embriaguez provocada pelo Orgulho - Nos leva a pensar de nós mesmos além do que convém, e, com isso, a dirigir mal o povo (Romanos 12.3);

A embriaguez provocada pela Soberba - Leva a uma exaltação que acontece como reação de nossa natureza humana aquilo que nos é revelado, e que faz com que nos comportemos como os porta-vozes de Deus para a geração (II Coríntios 12.7);

A embriaguez provocada pelo Tradicionalismo - O tradicionalismo é uma doença que ataca todos os segmentos da Igreja: há um tradicionalismo tradicional, um tradicionalismo pentecostal, um tradicionalismo renovado, um tradicionalismo restaurado, etc. (Lucas 5.39); (Isaías 43.19);

A embriaguez provocada pela Ignorância - Que nos priva de uma revelação. O grande problema relacionado com a ignorância não está na ignorância em si mesma, mas antes em ignorarmos a ignorância. Quando sabemos que não sabemos, então há esperança. Mas quando, em nossa ignorância, nos consideramos possuidores de todo o conhecimento, então podemos ter a desagradável surpresa de nos imaginarmos ricos e abastados, quando o Senhor nos conhece como miseráveis, pobres, cegos e nus (Apocalipse 3.17-18);

A embriaguez provocada pelo Presente Século - Ofusca nossos olhos e nos impede de ver o caminho que o Espírito Santo está apontando à igreja (Apocalipse 18.3); numa referência à Babilônia, que aqui representa profeticamente o sistema que domina o “presente século”. Quando a igreja, que absolutamente não deve viver como todas as nações (I Samuel 8.5), começa a conviver com o mundo e a imitar seus padrões e sua maneira de ser, então se produz essa embriaguez terrível que, em última análise, rouba do povo de Deus sua própria razão de existir sobre a terra.

Passagens Bíblicas Que Instruem Sobre a Ingestão de Bebidas Alcoólicas
(Provérbios 23.29-35) - Este texto é direto e incisivo: Não olhes, e obviamente não bebas, o vinho quando se mostra vermelho, resplandecente no copo e escoando-se suavemente (Gálatas 5.19-21). A bebedice é condenada como uma obra da carne e quem a comete vai para o inferno. Muitos entendem como bebedice, que é sinônimo de embriaguez, somente com o estado de depravação completa causado pelo álcool, mas, como ficou demonstrado acima no tópico "Significado de embriaguez", o primeiro gole de qualquer bebida alcoólica é bebedice.

 (Efésios 5.18) - A passagem é translúcida: Não vos embriagueis com vinho. E novamente entra aqui o que se entende por embriaguez, e que como apresentado, não são somente os abjetos estados finais de intoxicação com álcool, mas todo o processo, iniciando-se pelo o primeiro gole.

(I Timóteo 3.2-4) - Nesta passagem a expressão "dado ao vinho", quer dizer não obcecado pelo vinho, que não o procura com insistência.

Como já foi demonstrado existem dois tipos de vinho, o fermentado e intoxicante e o não fermentado. Como no texto a palavra sóbrio foi traduzida da palavra grega nephaleos que tem dois significados: comedido e em ausência de álcool, fica claro que o pastor (que deve ser exemplo para o rebanho) não deve tomar qualquer quantidade de bebida alcoólica e ainda procurar ser comedido, não dado ao vinho não fermentado, evitando assim a glutonaria.

Apesar do texto ser específico ao referir-se diretamente ao pastor, as características expostas são esperadas de qualquer cristão. Seria de se admitir que um cristão fosse repreensível, polígamo, desatento, desonesto, inóspito, inapto para ensinar, espancador e cobiçoso de torpe ganância? A resposta é não. 
E porque então a resposta seria sim ao se tratar a questão da bebida e de ser dado ao vinho? A resposta continua sendo não. O cristão deve ser sóbrio e não deve ser dado ao vinho, assim como o pastor.

(Tito 2.2) - Nesta passagem (como na passagem anterior em I Timóteo 3:2), a palavra sóbrio foi traduzida da palavra grega nephaleos. Desta maneira, o idoso é instruído para que se mantenha ausente do álcool (sóbrio). E isto também vale para os jovens. Pois, pode o jovem cristão estar embriagado? Esta instrução é para que os idosos sirvam de exemplo aos mais novos, e para que nenhum deles se utilize do álcool!

(I Pedro 5.8) - Esta passagem a exemplo da anterior instrui o cristão a ser sóbrio. Mas, além disto instrui o cristão a vigiar, porque o diabo está atento e pronto a tragar a quem possa. No tópico "Ponto de embriaguez" acima, ficou estabelecido que o primeiro gole de uma bebida alcoólica já compromete as funções mentais. Como, pois manter-se vigilante com as funções mentais comprometidas?

(I Coríntios 6.19-20) - Cada um é mordomo de seu próprio corpo, não o dono, mas simplesmente o mordomo. Deve-se então grande cuidado para com sua manutenção. Já que este corpo pertence a Deus aquele que o intoxica é contrário à instrução divina. Não está, portanto, sendo um mordomo fiel deste valioso bem que Deus lhe confiou.

(Números 6.2-4) - O elevado nível de vida separada e dedicada a Deus, dos nazireus, devia servir como exemplo a todo israelita que quisesse assim fazer. Deus deu aos nazireus instruções claras a respeito do uso do vinho. 

Eles deviam abster-se "de vinho e de bebida forte"; nem sequer lhes era permitido comer ou beber qualquer produto feito de uvas, quer em forma líquida, quer em forma sólida. O mais provável é que Deus tenha dado esse mandamento como salvaguarda ante a tentação de tomar bebidas inebriantes e ante a possibilidade de um nazireu beber vinho alcoólico por engano. Deus não queria que uma pessoa totalmente dedicada a Ele se deparasse com a possibilidade de embriaguez ou de viciar-se (Levíticos 10.8-11; Provérbios 31.4-5). 

Daí, o padrão mais alto posto diante do povo de Deus, no tocante às bebidas alcóolicas, era abstinência total. 

Beber álcool leva, frequentemente, a vários outros pecados (tais como a imoralidade sexual ou a criminalidade). Os nazireus não deviam comer nem beber nada que tivesse origem na videira, a fim de ensinar-lhes que deviam evitar o pecado e tudo que se assemelhasse ao pecado, que leva a ele, ou que tenta a pessoa a cometê-lo. 

O padrão divino para os nazireus, da total abstinência de vinho e de bebidas fermentadas, era rejeitado por muitos em Israel nos tempos de Amós. (Amós 2.12). O profeta Isaías declara por sua vez: (Isaías 28.7-11). Assim ocorreu, porque esses dirigentes recusaram o padrão da total abstinência estabelecido por Deus (Provérbios 31.4-5).

A marca essencial do nazireado — sua total consagração a Deus e aos seus padrões mais elevados — é um dever do crente em Cristo (Romanos 12.1; II Coríntios 6.17-18; 7.1). A abstinência de tudo quanto possa levar a pessoa ao pecado, estimular o desejo por coisas prejudiciais, abrir caminho à dependência de drogas ou do álcool, ou levar um irmão ou irmã a tropeçar, é tão necessário para o crente hoje quanto o era para o nazireu dos tempos do AT (I Tessalonicenses 5.6; Tito 2.2).

(Jeremias 35.6) - Os recabitas pertenciam à tribo dos queneus, um povo de origem midianita que habitava em Canaã. 
O principal líder dos recabitas foi Jonadabe, filho de Recabe, que lhes ordenou a abstinência de vinho, a não terem residência fixa, a não plantarem vinhas e a viverem em tendas, a fim de preservarem os hábitos e costumes antigos.

O profeta Jeremias, a mando do Senhor, testou a fidelidade dos recabitas ao mandado de Jonadabe (morto há mais de duzentos anos), pondo diante deles taças cheias de vinho, mas eles recusaram beber. É importante destacar a justiça de Deus nessa prova. O Senhor pediu que Jeremias fizesse o teste com os recabitas sem a costumeira expressão “Assim diz o Senhor”, ou seja, os recabitas não tiveram que escolher entre obedecer ao Senhor e a Jonadabe. Não foram induzidos à desobediência a Deus. Os recabitas passaram facilmente pela prova de fidelidade a qual foram submetidos.

(Jeremias 35.12-17) - Deus comparou os recabitas com os homens de Judá e moradores de Jerusalém e disse que, enquanto os recabitas eram obedientes às ordens de um homem morto, os judeus, por sua vez, não eram obedientes ao Deus vivo. Após tantos anos Jonadabe continuava sendo honrado pelo seu povo, porém, o Deus de Israel, que até de madrugada falava ao seu povo por intermédio dos profetas para arrependimento de pecados, não era ouvido. O resultado seria o inevitável cativeiro babilônico.

Como prêmio da fidelidade dos recabitas a Jonadabe, Deus prometeu que nunca faltaria varão da estirpe de Jonadabe que estivesse todos os dias na sua presença. Ainda hoje existem recabitas no Oriente Médio, especialmente na Mesopotâmia e no Yemen, na península arábica. Deus mantém a sua promessa há quase três mil anos!
Conclusão
Àquele que foi resgatado pelo sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo é exigido que não se intoxique com nenhuma substância alcoólica (ou qualquer outra), mesmo que em muito pequena quantidade. A tolerância da palavra de Deus para este tipo de bebida é nenhuma, nenhuma mesmo. As pessoas que tentam encontrar base bíblica para a ingestão de bebidas alcoólicas, seja em que quantidade for, estão apenas tentando encontrar base para a satisfação de seu desejo carnal ou de seu vício, e de forma alguma estão fazendo a verdadeira vontade de Deus.
Esclarecimentos Finais
Uma das regras de interpretação das escrituras é a regra da primeira aparição. Segundo esta regra o sentido de uma palavra em sua primeira aparição nas escrituras indica o seu sentido básico, e seu sentido fundamental define-se como sendo bom ou mau.
Com base nesta regra, a palavra terá nas escrituras sempre a mesma conotação, boa ou má, de sua primeira aparição, exceto quando o contexto imediato claramente informe de modo contrário.
1)      Mesmo que um vinho possua baixo teor alcoólico, não deixará de ser intoxicante. Pode-se quando muito afirmar que ele seja menos intoxicante que outro vinho de maior teor alcoólico;

2)      Mesmo a chamada fermentação natural é também um processo químico que altera as propriedades originais do suco de uvas de forma radical e irreversível, transformando mesmo o vinho etílico obtido através deste processo em um subproduto;

3)      Como saber que a palavra "vinho" neste verso significa vinho não fermentado, e que, por exemplo, o vinho em Efésios 5.18 é o vinho fermentado? A resposta é direta: - o contexto produz perfeita exegese. Vamos a um exemplo para maior entendimento: "O cabo José, pegou no cabo de sua arma ao cruzar o Cabo da Boa Esperança". Como vemos a palavra é a mesma, mas o contexto produz perfeito entendimento do significado de cada ocorrência da palavra dentro da frase.


Fonte:

http://igrejapentecostaldaanunciacao.blogspot.com.br/2013/10/bebedices-vinho-e-bebida-forte.html

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