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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

18-HISTORIA DA IGREJA

                                         topicos abordados

-A IGREJA PRIMITIVA
-O CRISTIANISMO NOS SÉCULOS 1 E 2
-O CRISTIANISMO NOS SÉCULOS 3 E 4
-O CRISTIANISMO NOS SÉCULOS 5 E 6
-OS PAIS DA IGREJA
-BIOGRAFIA DE SÃO AUGOSTINHO



FONTE:blog história da igreja , blog o caminho cristão , blog  a sua pesquisa e www.Bibliacatolica.com.br                                                                                                    




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A IGREJA PRIMITIVA


A palavra igreja vem do grego ekklesia, que tem origem em kaleo ("chamo ou convosco"). Na literatura secular, ekklesia referia-se a uma assembléia de pessoas, mas no Novo Testamento (NT) a palavra tem sentido mais especializado. A literatura secular podia usar a apalavra ekklesia para denotar um levante, um comício, uma orgia ou uma reunião para qualquer outra finalidade. Mas o NT emprega ekklesia com referência à reunião de crentes cristãos para adorar a Cristo.
Que é a igreja? Que pessoas constituem esta "reunião"? Que é que Paulo pretende dizer quando chama a igreja de "corpo de Cristo"?
Para responder plenamente a essas perguntas, precisamos entender o contexto social e histórico da igreja do NT. A igreja  primitiva surgiu no cruzamento das culturas hebraicas e helenística.
                  
Fundada a IgrejaQuarenta dias depois de sua ressurreição, Jesus deu instruções finais aos discípulos e ascendeu ao céu (At 1.1-11). Os discípulos voltaram a Jerusalém e se recolheram durante alguns dias para jejum e oração, aguardando o ES, o qual Jesus disse que viria. Cerca de 120 pessoas seguidores de Jesus aguardavam.
Cinqüenta dias após a Páscoa, no dia de Pentecoste, um som como um vento impetuoso encheu a casa onde o grupo se reunia. Línguas de fogo pousaram sobre cada um deles e começaram a falar em línguas diferente da sua conforme o Espírito Santo os capacitava. Os visitantes estrangeiros ficaram surpresos ao ouvir os discípulo falando em suas próprias línguas. Alguns zombaram, dizendo que deviam estar embriagados (At 2.13).
Mas Pedro fez calar a multidão e explicou que estavam dando testemunho do derramamento do Espírito Santo predito pelos profetas do Antigo Testamento (AT) (At 2.16-21; Jl 2.28-32). Alguns dos observadores estrangeiros perguntaram o que deviam fazer para receber o Espírito Santo. Pedro disse: " Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo " (At 2.38). Cerca de 3 mil pessoas aceitaram a Cristo como seu Salvador naquele dia (Atos 2.41).
Durante alguns anos Jerusalém foi o centro da igreja. Muitos judeus acreditavam que os seguidores de Jesus eram apenas outra seita do judaísmo. Suspeitavam que os cristãos estavam tentando começar um nova "religião de mistério" em torno  de Jesus de Nazaré.
É verdade que muitos dos cristãos primitivos continuaram a cultuar no templo (At 3.1) e alguns insistiam em que os convertidos gentios deviam ser circuncidados (At 15). Mas os dirigentes judeus logo perceberam que os cristãos eram mais do que uma seita. Jesus havia dito aos judeus que Deus faria uma Nova Aliança com aqueles que lhe fossem fiéis (Mt 16.18);  ele havia selado esta aliança com seu próprio sangue (Lc 22.20). De modo que os cristãos primitivos proclamavam com ousadia haverem herdados os privilégios  que Israel conhecera outrora. Não eram simplesmente uma parte de Israel - eram o novo Israel (Ap 3.12; 21.2; Mt 26.28; Hb 8.8; 9.15). "Os líderes judeus tinham um medo de arrepiar, porque este novo e estranho ensino não era um judaísmo estreito, mas fundia o privilégio de Israel na alta revelação de um só Pai de todos os homens." (Henry Melvill Gwatkin, Early Church History,  pag 18).

a) A Comunidade de Jerusalém.
Os primeiros cristãos formavam uma comunidade estreitamente unida em Jerusalém após o dia de Pentecoste. Esperavam que Cristo voltasse muito em breve.
Os cristãos de Jerusalém repartiam todos os seus bens materiais (At 2.44-45). Muitos vendiam suas propriedades e davam à igreja o produto da venda, a qual distribuía esses recursos entre o grupo ( At  4.34-35).
Os cristãos de Jerusalém ainda iam ao templo para orar (At 2.46), mas começaram a partilhar  a Ceia do Senhor em seus próprios lares (At 2.42-46). Esta refeição simbólica trazia-lhes à mente sua nova aliança com Deus, a qual Jesus havia feito sacrificando seu próprio corpo e sangue.
Deus operava milagres de cura por intermédio desses primeiros cristãos. Pessoas enfermas reuniam-se no templo de sorte que os apóstolo pudessem tocá-las em seu caminho para a oração (At 5.12-16). Esses milagres convenceram muitos de que os cristãos estavam verdadeiramente servindo a Deus. As autoridades do templo, num esforço por suprimir o interesse das pessoas na nova religião, prenderam os apóstolos. Mas Deus enviou um anjo para libertá-los (At 5.17-20),  o que provocou mais excitação.
A igreja crescia com tanta rapidez que os apóstolos tiveram de nomear sete homens para distribuir víveres às viúvas necessitadas. O dirigente desses homens era Estevão, "homem cheio de fé e do  Espírito Santo" (At 6.5). Aqui vemos o começo do governo eclesiástico. Os apóstolos tiveram de delegar alguns de seus deveres a outros dirigentes. À medida que o tempo passava, os ofícios da igreja foram dispostos numa estrutura um tanto complexa.

b) O Assassínio de Estevão.
Certo dia um grupo de judeus apoderou-se de Estevão e, acusando-o de blasfêmia, o levou à presença do conselho do sumo sacerdote. Estevão fez uma eloqüente defesa da fé cristã, explicando como Jesus cumpriu as antigas profecias referentes ao Messias que libertaria seu povo da escravidão do pecado. Ele denunciou os judeus como "traidores e assassinos" do filho de Deus (At 7.52). Erguendo os olhos para o céu, ele exclamou que via a Jesus em pé à destra de Deus ( At 7.55). Isso enfureceu os judeus, que o levaram para fora da cidade e o apedrejaram (At 7.58-60).
Esse fato deu início a uma onde de perseguição que levou muitos cristãos a abandonarem Jerusalém (At 8.1). Alguns desses cristãos estabeleceram-se entre os gentios de Samaria, onde fizeram muitos convertidos (At 8.5-8). Estabeleceram congregações em diversas cidades gentias, como Antioquia da Síria. A princípio os cristãos hesitavam em receber os gentios na igreja, porque eles viam a igreja como um cumprimento da profecia judaica. Não obstante, Cristo havia instruído seus seguidores a fazer "discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Mt 28.19). Assim, a conversão dos gentios foi "tão-somente o cumprimento da comissão do Senhor, e o resultado natural de tudo o que havia acontecido..." (Gwatkin, Early Church History, p. 56). Por conseguinte, o assassínio de Estevão deu início a uma era de rápida expansão da igreja.

c) Atividades Missionárias.
Cristo havia estabelecido sua igreja na encruzilhada do mundo antigo. As rotas comerciais traziam mercadores e embaixadores através da Palestina, onde eles entravam em contato com o evangelho. Dessa maneira, no livro de Atos vemos a conversão de oficiais de Roma (At 10.1-48), da Etiópia ( At 8.26-40), e de outras terras.
Logo depois da morte de Estevão, a igreja deu início a uma atividade sistemática para levar o evangelho a outras nações. Pedro visitou as principais cidades da Palestina, pregando tanto a judeus como aos gentios. Outros foram para a Fenícia, Chipre e Antioquia da Síria. Ouvindo que o evangelho era bem recebido nessas regiões, a igreja de Jerusalém enviou a Barnabé para incentivar os novos cristãos em Antioquia (At 11.22-23). Barnabé, a seguir, foi para Tarso em busca do jovem convertido Saulo (Paulo) e o levou para a Antioquia, onde ensinaram na igreja durante um ano (At 11.26).
Um profeta por nome Ágabo predisse que o Império Romano sofreria uma grande fome sob o governo do Imperador Cláudio. Herodes Agripa estava perseguindo a igreja em Jerusalém; Ele já havia executado a Tiago, irmão de João, e tinha lançado Pedro na prisão (At 12.1-4). Assim os cristãos de Antioquia coletaram dinheiro para enviar a seus amigos em Jerusalém, e despacharam Barnabé e Paulo com o socorro. Os dois voltaram de Jerusalém levando um jovem chamado João Marcos (At 12.25). Por esta ocasião, diversos evangelistas haviam surgido no seio da igreja de Antioquia, de modo que a congregação enviou Barnabé e Paulo numa viagem missionária à Ásia Menor (At 13-14). Esta foi a primeira de três grandes viagens missionárias que Paulo  fez para levar o evangelho aos recantos longínquos do Império Romano.
Os primeiros missionários cristãos concentraram seus ensinos na Pessoa e obra de Jesus Cristo. Declararam que ele era o servo impecável e Filho de Deus que havia dado sua vida para expiar os pecados de todas as pessoas que depositavam sua confiança nele (Rm 5.8-10). Ele era aquele a quem Deus ressuscitou dos mortos para derrotar o poder do pecado (Rm 4.24-25; 1Co 15.17).

d) Governo Eclesiástico.
A princípio, os seguidores de Jesus não viram a necessidade de desenvolver um sistema de governo da Igreja. Esperavam que Cristo voltasse em breve, por isso tratavam os problemas internos à medida  que surgiam - geralmente de um modo muito informal.
Mas o tempo em que Paulo escreveu suas cartas às igrejas, os cristãos reconheciam a necessidade de organizar o seu trabalho. O NT não nos dá um quadro pormenorizado deste governo da igreja primitiva. Evidentemente, um ou mais presbíteros presidiam os negócios de cada congregação (Rm 12.6-8; 1Ts 5.12; Hb 13.7,17,24), exatamente como os anciãos faziam nas sinagogas judaicas. Esses anciãos (ou presbíteros) eram escolhidos pelo Espírito Santo (At 20.28), mas os apóstolos os nomeavam (At 14.23). Por conseguinte, o Espírito Santo trabalhava por meio dos apóstolos ordenando líderes pra o ministério. Alguns  ministros chamados  evangelistas parecem ter viajado de uma congregação para outra, como faziam os apóstolos. Seu título significa "homens que manuseiam o evangelho". Alguns têm achado que eram todos representantes pessoais dos apóstolos, como Timóteo o foi de Paulo; outros supõem que obtiveram esse nome por manifestarem  um dom especial de evangelização. Os anciãos assumiam os deveres pastorais normais entre as visitas desses evangelistas.
Algumas cartas do NT referem-se a bispos na igreja primitiva. Isto é um bocado confuso, visto que esses "bispos" não formavam uma ordem superior da liderança eclesiástica como ocorre em algumas igrejas onde o título é usado hoje. Paulo lembrou aos presbíteros de Éfeso que eles eram bispos (At 20.28), e parece que ele usa os termos presbítero e bispo intercambiavelmente (Tt 1.5-9). Tanto os bispos como os presbíteros estavam encarregados de supervisar uma congregação. Evidentemente, ambos os termos se referem aos mesmos ministros  da igreja primitiva, a saber, os presbíteros.
Paulo e os demais apóstolos reconheceram que o ES concedia habilidades especiais de liderança a certas pessoas (1Co 12.28). Assim, quando conferiam um título oficial a um irmão ou irmã em Cristo, estavam confirmando o que o Espírito Santo já havia feito.
A igreja primitiva não possuía um centro terrenal de poder. Os cristãos entendiam que Cristo era o centro de todos os seus poderes (At 20.28). O ministério significava servir em humildade, em vez de governar de uma posição elevada (Mt 20.26-28). Ao tempo em que Paulo escreveu suas epístolas pastorais, os cristãos reconheciam a importância de preservar  os ensinos de Cristo por intermédio de ministros que se devotavam a estudo especial, "que maneja bem a palavra da verdade"  (2Tm 2.15). A igreja primitiva não oferecia poderes mágicos, por meio de rituais ou de qualquer outro modo. Os cristãos convidavam os incrédulos para fazer parte de seu grupo, o corpo de Cristo  (Ef 1.23),  que seria salvo como um todo. Os apóstolos e os evangelistas proclamavam que Cristo voltaria para o seu povo, a "noiva" de Cristo (Ap 21.2; 22.17). Negavam que indivíduos pudessem obter poderes especiais de Cristo para seus próprios fins egoístas (At 8.9-24; 13.7-12).
e) Padrões de Adoração.
Visto que os cristãos primitivos adoravam juntos, estabeleceram padrões de adoração que diferiam muito dos cultos da sinagoga. Não temos um quadro claro da adoração Cristã primitiva até 150 dC, quando Justino Mártir descreveu os cultos típicos de adoração. Sabemos que a igreja primitiva realizava seus serviços no domingo, o primeiro dia sa semana. Chamavam-no de "o Dia do Senhor" porque foi o dia em que Cristo ressurgiu dos mortos. Os primeiros cristãos reuniam-se no templo em Jerusalém, nas sinagogas, ou nos lares ( At 2.46; 13.14-16; 20.7-8). Alguns estudiosos crêem que a referência aos ensino de Paulo na escola de Tirano (At 19.9) indica que os primitivos cristãos às vezes alugavam prédios de escola ou outras instalações. Não temos prova alguma de que os cristãos tenham construído instalações especial para seus cultos de adoração durante mais de um século após o tempo de Cristo. Onde os cristãos eram perseguidos, reuniam-se em lugares secretos como as catacumbas (túmulos subterrâneos) de Roma.
Crêem os eruditos que os primeiros cristãos adoravam nas noites de domingo, e que seu culto girava em torno da Ceia do Senhor. Mas nalgum  ponto os cristãos começavam a manter dois cultos de adoração no domingo, conforme descreve Justino Mártir - um bem cedo de manhã e outro ao entardecer. As horas eram escolhidas por questão de segredo e para atender às pessoas trabalhadoras que não podiam comparecer aos cultos de adoração durante o dia.

- Ordem do Culto:
Geralmente o culto matutino era uma ocasião de louvor, oração e pregação. O serviço improvisado de adoração dos cristãos no Dia de Pentecoste sugere um padrão de adoração que podia ter sido geralmente adotado. Primeiro, Pedro leu as Escrituras. Depois pregou um sermão que aplicou as Escrituras à situação presente dos adoradores (At 2.14-36). As pessoas que aceitavam a Cristo eram batizadas, seguindo o exemplo do próprio Senhor.  Os adoradores participavam dos cânticos, dos testemunhos ou de palavras de exortação        (1Co 14.26).

- A Ceia do Senhor:
Os primitivos cristãos tomavam a refeição simbólica da Ceia do Senhor para  comemorar a Última Ceia, na qual Jesus e seus discípulos observaram a tradicional festa judaica da Páscoa. Os temas dos dois eventos eram os mesmo. Na Páscoa os judeus regozijavam-se porque Deus os havia libertado de seus inimigos e aguardavam com expectação o futuro como filhos de Deus. Na  Ceia do Senhor, os cristãos celebravam o modo como Jesus os havia libertado do pecado e expressavam sua esperança pelo dia quando Cristo voltaria   (1Co 11.26).  A princípio, a Ceia do Senhor era uma refeição completa que os cristãos partilhavam em suas casas. Cada convidado trazia um prato para a mesa comum. A refeição começava  com oração e com o comer de pedacinhos de um único pão que representava o corpo partido de Cristo. Encerrava-se a refeição com outra oração e a seguir participavam de uma taça de vinho, que representava o sangue vertido de Cristo.
Algumas pessoas conjeturavam que os cristãos estavam participando de um rito secreto quando observavam a Ceia do Senhor, e inventaram estranhas histórias a respeito desses cultos. O imperador Trajano proscreveu essas reuniões secretas por volta do ano 100 dC. Nesse tempo os cristãos começaram a observar a Ceia do Senhor durante o culto matutino de adoração, aberto ao público.

- Batismo:
O batismo era um acontecimento comum da adoração cristã no templo de Paulo  (Ef 4.5). Contudo, os cristãos não foram os primeiros a celebrar o batismo. Os judeus batizavam seus convertidos gentios; algumas seitas judaicas praticavam o batismo como símbolo de purificação, e João Batista fez dele uma importante parte de seu ministério. O NT não diz se Jesus batizava regularmente seus convertidos, mas numa ocasião, pelo menos, antes da prisão de João, ele foi encontrado batizando. Em todo o caso, os primitivos cristãos eram batizados em nome de Jesus, seguindo o seu próprio exemplo (Mc 1.10; Gl 3.27).
Parece que os primitivos cristãos interpretavam o significado do batismo de vários modos - como símbolo da morte de uma pessoa para o pecado (Rm 6.4; Gl 2.12), da purificação  de pecados (At 22.16; Ef 5.26), e da nova vida em Cristo (At 2.41; Rm 6.3). De quando em quando toda a família de um novo convertido era batizada (At 10.48; 16.33; 1Co 1.16), o que pode significar o desejo da pessoa de consagrar a Cristo tudo quanto tinha.

- Calendário Eclesiástico:
O NT não apresenta evidência alguma de que a igreja primitiva observava quaisquer dias santos, a não ser sua adoração no primeiro dia da semana (At 20.7; 1Co 16.2; Ap 1.10). Os cristãos não observam o domingo como dia de descanso até ao quarto século de nossa era, quando o imperador Constantino designou-o como um dia santo para todo o Império Romano. Os primitivos cristãos não confundiam o domingo com o sábado judaico, e não faziam tentativa alguma para aplicar a ele a legislação referente ao sábado.
O historiador Eusébio diz-nos que os cristãos celebravam a Páscoa desde os tempos apostólicos; 1Co 5.6-8 talvez se refira a uma Páscoa cristã na mesma ocasião da Páscoa judaica. Por volta do ano 120 dC, a igreja de Roma mudou a celebração para o domingo após a Páscoa judaica enquanto a igreja Ortodoxa Oriental continuou a celebrá-la na Páscoa Judaica.

f) Conceito do NT sobre a Igreja.
É interessante pesquisar vários conceitos de igreja no NT. A Bíblia refere-se aos primeiros cristãos como família e templo de Deus, como rebanho e noiva de Cristo, como sal, como fermento, como pescadores, como baluarte sustentador da verdade de Deus, de muitas outras maneiras. Pensava-se na igreja como uma comunidade mundial única de crentes, da qual cada congregação local era afloramento e amostra. Os primitivos escritores cristãos muitas vezes se referiam à igreja como o "corpo de Cristo" e o "novo Israel".  Esses dois conceitos revelam muito da compreensão que os primitivos cristãos tinha da sua missão no mundo.

- O Corpo de Cristo:
Paulo descreve a igreja como "um só corpo em Cristo" (Rm 12.5) e "seu corpo" (Ef 1.23). Em outras palavras, a igreja encerra numa comunhão única de vida divina todos os que são unidos a Cristo pelo Espírito Santo mediante a fé. Esses participam da ressurreição  (Rm 6.8), e são a um tempo chamados e capacitados  para continuar seu ministério de servir e sofrer para abençoar a outros (1Co 12.14-26). Estão ligados numa comunidade que personifica o reino de Deus no mundo.
Pelo fato de estarem ligados a outros cristãos, essas pessoas entendiam que o que faziam com seus próprios corpos e capacidades era muito importante (Rm 12.1; 1Co 6.13-19; 2Co 5.10). Entendiam que as várias raças e classes tornam-se uma em Cristo (1Co 12.3; Ef  2.14-22), e deviam aceitar-se e amar-se uns aos outros de um modo que revelasse tal realidade.
Descrevendo a igreja com o corpo de Cristo, os primeiros cristãos acentuaram que Cristo era o cabeça da igreja (Ef 5.23). Ele orientava as ações da igreja e merecia todo o louvor que ela recebia. Todo o poder da igreja para adorar e servir era dom de Cristo.

- O Novo Israel: Os primitivos cristãos identificavam-se com Israel, povo escolhido de Deus. Acreditavam que a vinda e o ministério  de Jesus cumpriram a promessa de Deus aos patriarcas (Mt 2.6; Lc 1.68; At 5.31), e sustentavam que Deus havia estabelecido uma Nova Aliança com os seguidores de Jesus (2Co 3.6; Hb 7.22, 9.15).
Deus, sustentavam eles, havia estabelecido seu novo Israel na base da salvação pessoal, e não  em linhagem de família. Sua igreja era uma nação espiritual que transcendia a todas as heranças culturais e nacionais. Quem quer que depositasse fé na Nova Aliança de Deus, rendesse a vida a Cristo, tornava-se descendente espiritual de Abraão e, como tal, passava a fazer parte do "novo Israel" (Mt 8.11; Lc 13.28-30; Rm 4.9-25; Gl 3-4; Hb 11-12).

-Características Comuns: Algumas qualidades comuns emergem das muitas imagens da igreja que encontramos no NT. Todas elas mostram que a igreja existe porque Deus trouxe à existência. Cristo comissionou seus seguidores a levar avante a sua obra, e essa é a razão da existência da igreja.
As várias imagens que o NT apresenta da igreja acentuam que o Espírito Santo a dota de poder e determina a sua direção. Os membros da igreja participam de uma tarefa comum e de um destino comum sob a orientação do Espírito.
A igreja é uma entidade viva e ativa. Ela participa dos negócios deste mundo; demonstra o modo de vida que Deus tenciona para todas as pessoas, e proclamam a Palavra de Deus para a era presente. A unidade e a pureza espirituais da igreja estão em nítido contraste com a inimizade e a corrupção do mundo. É responsabilidade da igreja em todas as congregações particulares mediante as quais ela se torna visível, praticar a unidade, o amor e  cuidado de um modo que mostre que Cristo vive verdadeiramente naqueles que são membros do seu corpo, de sorte que a vida deles é a vida de Cristo neles.
 Fonte: O Mundo do Novo Testamento - Editora Vida

 
O CRISTIANISMO NOS SÉCULOS 1 E 2


SÉCULO IA História da Igreja contida no livro de Atos dos Apóstolos:

“Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntavam-lhe, dizendo: Senhor, é nesse tempo que restauras o reino a Israel? Respondeu-lhes: A vós não vos compete saber os tempos ou as épocas, que o Pai reservou à sua própria autoridade. Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra. Tendo ele dito estas coisas, foi levado para cima, enquanto eles olhavam, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos.” Atos 1.6-9

Resumo Geral do livro de Atos:
Atos 2.1 – 8.3: Pregação em Jerusalém;
Atos 8.4 – 9.43: Pregação em Samaria e na Judéia;
Atos 10.1 – 12.25: Pregação aos Gentios: Início do cumprimento do ordenança “Até os confins da Terra.”
Cumprimento de Atos 1.8: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém, como em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra.”
Resumo dos Principais Fatos Relatados em Atos:
Ascensão de Cristo;
Pentecostes;
Conversão de 3 mil em Jerusalém;
Curas em Jerusalém;
Primeiras perseguições: Pedro e João são presos;
Martírio de Estevão;
Felipe em Samaria;
A conversão de Paulo;
Cornélio e a visão de Pedro: pregação aos gentios;
1ª Viajem missionária de Paulo;
Outras diversas perseguições;
2ª Viajem missionária de Paulo;
3ª Viajem missionária de Paulo;
Prisão de Paulo e viajem à Roma.

História da Igreja após as narrativas do livro de Atos dos Apóstolos.

A IGREJA NO IMPÉRIO
Segundo Curtis:
“Talvés o cristianismo não se expandisse de maneira tão bem sucedida caso o Império Romano não tivesse existido. Podemos dizer que o Império Romano era um tambor de gasolina à espera da faísca da fé cristã.”
Algumas das Características do Império Romano que contribuíram para a difusão da fé cristã:
Certa abertura religiosa inicial, gerada pelo grande politeísmo;
Busca da população romana pelas crenças orientais em alta naquele momento;
Um gigantesco império reforçado pelo comércio e envio de tropas às colônias;
Grande difusão do latim e do grego como que linguagens universais naquele período.

64 – O INCÊNDIO DE ROMA
Os romanos demoraram três décadas para compreender que os cristianismo era diferente do judaísmo, que naqueles dias era uma religião legalizada;
O Historiador tácito antes do incêndio já relata conversas em cortiços sobre um certo “Chrestos”, certamente Cristo;
Em 19 de julho de 64 inicia-se o incêndio em Roma. Dentre os 14 quarteirões que tinham cortiços populares 10 foram queimados em um incêndio que perdurou por 7 dias;
Cristãos foram o bode expiatório encontrado por Nero, que jurou persegui-los até a morte de todos.
Segundo Kenneth:
“Quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão profundamente arraigado de Roma, o Império contra-atacou.”
Ocorre então um primeira onda de perseguições de 64 até 68, quando Nero morre após assassinar a própria mãe.
Tácito, um escritor daquela época diz em um de seus relatos:
“Alguns foram vestidos com peles de animais ferozes e perseguidos pelos cães até serem mortos, outros foram cru¬cificados; outros envolvidos em panos alcatroados, e de¬pois incendiados ao por do sol, para que pudessem servir de luzes para iluminar a cidade durante a noite. Nero ce¬dia os seus próprios jardins para essas execuções e apresen¬tava, ao mesmo tempo, alguns jogos de circo, presenciando toda a cena vestido de carreiro, indo às vezes a pé no meio da multidão, outras vendo o espetáculo do seu carro.”

70 – TITO DESTRÓI JERUSALÉM
Segundo Curtis:
“Em um de seus primeiros atos impe¬riais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus.
A situação se voltou contra Jeru¬salém, agora cercada e isolada do res¬tante do país. Facções internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se prolongava, as pessoas mor¬riam de fome e de doen<;as. A esposa do sumo sacerdote, outrora cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento. Enquanto isso, os romanos empre¬gavam novas maquinas de guerra para arremessar pedras contra os muros da cidade. Arietes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus lutavam durante todo o dia e tenta¬yam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos irrom¬peram pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando final mente ao terceiro muro. Os judeus, no entanto, continuaram lutando, pois cor¬reram para o Templo - sua ultima linha de defesa. Esse foi o fim para os bravos guer¬reiros judeus - e tambem para o Templo. Josefo, historiador judeu, dis¬se que Tito queria preservar Tem¬plo, mas os soldados estavam tão ira¬dos com a resistencia dos oponentes que terminaram por queima-Io. A queda de Jerusalem, essenciaI¬mente, pôs fim a revolta. Os judeus foram dizimados ou capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem captu¬rados pelos invasores. A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu, pelo menos ate os tempos modernos. - A destruição do Templo de Herodes significou mudança no culto judaico. Quando os babilônios des¬truíram o Templo de Salomão, em 586 a.c., os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam estudar a Lei de Deus. A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema sacrifical judeu e os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.” MARTÍRIO DE TIAGO Segundo Anglin: “Hegésipo, um escritor do II século, faz algumas referências interessantes sobre o apóstolo Tiago, que acabou a sua carreira durante esse período, e fornece um detalhado relatório do seu martírio, que podemos inserir aqui. ‘Consta que o apóstolo tinha o nome de Oblias, que significava justiça e proteção, devido a sua grande piedade e dedicação pelo povo. Também se refere aos seus costu¬mes austeros, que sem duvida contribuíram para aumen¬tar a sua fama entre o povo. Ele não bebia bebidas alcoóli¬cas de qualidade alguma, nem tampouco comia carne.’” 97 – MARTÍRIO DE TIMÓTEO Pregação à Idólatras; Atacado à pedras e paus; Morte alguns dias depois; A Igreja do Século I: Segundo de Durant: “REUNIAM-SE em recintos privados ou pequenas capelas e organizavam-se segundo o modelo da sinagoga. A congregação recebia o nome de ekklesia - ¬palavra grega para significar as reuniões do governo municipal. Os escravos eram bem-vindos, como nos cultos de Isis e de Mitras; nenhuma tentativa se fazia para libertá-los, mas reconfortavam-nos com a promessa de um Reino em que seriam li¬vres. Entre os primeiros convertidos predominavam os proletários, com alguns ele¬mentos das classes medias e um ou outro da classe alta. Não obstante, longe esta¬vam de ser a "escória da sociedade" como disse Celso; em sua maioria viviam indus¬triosamente, financiavam as missões, levantavam fundos para as comunidades mais pobres. Pouco esforço se fazia para conquistar a gente dos campos; a população rural veio por ultimo, e dai o nome de pagani (aldeões, camponeses) que começou a ser aplicado aos habitantes dos Estados mediterrâneos anteriores aos cristãos. As congregações admitiam as mulheres, que eram encarregadas de pequenos pa¬peis; mas a Igreja exigia que elas envergonhassem os pagãos com 0 exemplo de suas vidas de modesta submissão e recolhimento.”

                       SÉCULO II

MARTÍRIO DE INÁCIO
Bispo de Antioquia;
Discípulo de João e Pedro;

150 – JUSTINO MÁRTIR ESCREVE ‘APOLOGIA’
Era filósofo (Pitágoras, Aristóteles);
Ao encontrar-se com um velho cristão em uma praia, converte-se;
“Toda a verdade é verdade de Deus”, dizia em um de seus discursos no qual apresentava relações entre a filosofia e a fé.
Teve sua vida como que um paralelo coma vida de Paulo: Conversão, Grego, gentios, martírio em Roma;
Segundo Curtis:
“A vida de Justino apresenta mui¬tos paralelos com a vida de Paulo. O apóstolo era um judeu nascido em área gentia (Tarso); Justino era um gentio nascido em aráa judaica (a an¬tiga Siquém). Eles tinham boa for¬mação e usavam o dom da argumen¬tação para convencer judeus e gentios da verdade de Cristo. Os dois foram martirizados em Roma em razão de sua fé.
A maior obra de Justino, a Apologia foi endereçada ao imperador Antonino Pio (a palavra grega apologia refere-se à lógica na qual as crenças de uma pessoa são baseadas). En¬quanto Justino explicava e defendia sua fé, ele discutia com as autorida¬des romanas por que considerava er¬rado perseguir os cristaos. De acordo com seu pensamento, as autoridades deveriam unir forças com os cristãos na exposição da falsidade dos siste¬mas pagãos”
Foi decapitado em Roma em 165. “Vocês podem nos matar, mas não podem nos causar dano verdadeiro.”

156 – POLICARPO É MARTIRIZADO
Foi discípulo de João, o último elo com o primeiro apostolado;
Negava-se a PRESTAR CULTO AO GÊNIO DE CESAR;
Segundo Curtis:
“Então, Policarpo entrou em uma arena cheia de pessoas enfurecidas, o proconsul romano parecia respei¬tar a idade do bispo. Como Pilatos, queria evitar uma cena horrível, se fosse possível. Se Policarpo apenas oferecesse um sacrifício, todos pode¬riam ir para casa .
.- Respeito sua idade, velho ho¬mem - implorou o proconsul. ¬Jure pela felicidade de César. Mude de idéia. Diga "Fora com os ateus!".
O proconsul obviarnente queria que Policarpo salvasse a vida ao se¬parar-se daqueles "ateus", os cristãos. Ele, porém, simplesmente olhou para a multidão zombadora, levantou a mão na direção deles e disse:
- Fora com os ateus!
O proconsul tentou outra vez:
- Faça o juramento e eu o liber¬tarei. Amaldiçõe Cristo!
O bispo se manteve firme.
- Por 86 anos servi a Cristo, e ele nunca me fez qualquer mal. Como poderia blasfemar contra meu Rei, que me salvou?”
Antes de ser levado para ser queimado disse: “Seu fogo poderá queimar por uma hora, mas depois se extinguirá, mas o fogo do julgamento por vir é eterno.”
Algumas testemunhas afirmaram que o fogo não o queima, que estava como um pão no forno ou como ouro sendo refinado.

A LUTA CONTRA O GNOSTICISMO NA IGREJA
Segundo Anglin:
“O gnosticismo era um desses males, e foi talvez a primeira heresia que depois dos tempos dos apóstolos se de¬senvolveu mais. Era um amontoado de erros que tinham a sua origem na cabala dos judeus, uma ciência misteriosa dos rabinos, baseada na filosofia de Platão, e no misticis¬mo dos orientais. Um judeu chamado Cerinto, mestre de filosofia em Alexandria, introduziu parte do Evangelho nesta nessa heterogênea da ciência (falsamente assim chamada) e sob esta nova forma foram enganados muitos crentes verdadeiros, e se originou muita amargura e dis¬sensão,”
Gnosticismo é a crença de que existem uma série de conhecimentos secretos, que podem permitir que o homem salve a si mesmo;
Os Gnósticos daqueles dias usavam roupagem (aparência, terminologias) cristã;
Apóstolo João já combatia estas idéias na sua primeira epístola;
“Amados, não creiais a todo espírito, mas provai se os espíritos vêm de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Nisto conheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus.” I João 4.1-2

177 – IRINEU TORNA-SE BISBO DE LIÃO E COMBATE O GNOSTICISMO
Estudou por anos todas as formas de gnosticismos existentes;
Segundo Curtis:
“Quando o bispo de Lião final¬mente tomou conhecimento dessa heresia, escreveu a obra denominada Contra as heresias, um enorme tra¬balho no qual buscava revelar a tolice do "falso conhecimento". Va¬lendo-se tanto do Antigo Testamen¬to quanto do Novo, Ireneu mostrou que o Deus amoroso criou o mun¬do, que se corrompeu por causa do pecado humano. (...) Ireneu compreendia que o gnosticismo se valia do desejo humano de conhecer algo que os outros nao co¬nheciam. Com relação aos gnosticos, escreveu: "Tao logo um homem é convencido a aceitar a forma da sal¬vação deles [dos gnósticos], se torna tao orgulhoso com o conceito e a im¬portância de si mesmo, que passa a andar como se Fosse um pavao". Po¬rem, os cristãos deveriam humilde¬mente aceitar a graça de Deus, e não se envolver em exercícios intelectuais que levavam a vaidade.”
Foi degolado no alto de um monte por recusar-se a oferecer sacrifícios aos deuses romanos (202 d.C.);




O CRISTIANISMO NOS SÉCULOS 3 E 4



SÉCULO III--A RELAÇÃO DO IMPERADOR TRAJANO COM OS CRITÃOS
Trajano odiava o cristianismo;
Plínio, um de seus governadores enviou uma carta falando sobre como via os cristãos:
"Todo o crime ou erro dos cristãos se resume nisto: têm por costume reunirem-se num certo dia, antes do romper da aurora, e cantarem juntos um hino a Cristo, como se fosse um deus, e se ligarem por um juramento de não co¬meterem qualquer iniqüidade, de não serem culpados de roubo ou adultério, de nunca desmentirem a sua palavra, nem negarem qualquer penhor que lhes fosse confiado, quando fossem chamados a restitui-Io. Depois disto feito, costumam separar-se e em seguida reunirem-se de novo, para uma refeição simples da qual partilham em comum, sem a menor desordem, mas deixaram esta ultima pratica após a publicação do edital em que eu proibia as reuniões, segundo as ordens que recebi. Depois destas informacões julguei muito necessário examinar, mesmo por meio da tortura, duas mulheres que diziam ser diaconisas, mas nada descobri a não ser uma superstição má e excessiva"

-HERESIAS E CONFUSÕES
Discussão quanto à volta de Cristo;
Segundo Durant:
“Uma mesma fé unia as congregações esparsas: Cristo, o filho de Deus, voltaria a terra para estabelecer seu Reino, e todos os crentes seriam no Juízo Final recompensa dos com a Bem-Aventurança eterna. Mas os cristãos divergiam quanto a data do Se¬gundo Advento. Quando Nero morreu, depois quando Tito arrasou o Templo e mais tarde quando Adriano destruiu Jerusalém, muitos cristãos encararam essas calamida¬des como sinais do Segundo Advento. Quando nos fins do século II o caos ameaçou o Império, Tertuliano e outros julgaram chegado o fim do mundo; um bispo sírio levou seu rebanho para o deserto a fim de receber Cristo no meio do caminho, e um bispo do Ponto desorganizou a vida da comunidade com 0 anúncio da volta de Jesus dentro de um ano). Como todos os sinais falhassem e Cristo não aparecesse, os cristãos de maior descortino procuraram atender ao desapontamento com uma nova in¬terpretação da data da Vinda. Ele viria, sim, mas dali a mil anos, dizia uma epistola atribuída a Barnabé; ele viria, declaravam os mais cautelosos, quando a "geração" ou raça dos judeus já se achasse totalmente extinta, ou depois que o Evangelho tivesse sido pregado a todos os gentios; ou ele mandaria em seu lugar o Espírito Santo, o Paráclito, como anunciara o Evangelho de João.”
-O Montanismo;
Segundo Durant:
“Enquanto as seitas gnóstica e marcionita espalhavam-se pelo Oriente e Ocidente, novo he¬resiarca apareceu em Misia. Montano (ca. 156) denunciou a crescente mundanidade dos cris¬tãos e a autocracia cada vez maior dos bispos na Igreja; pediu o retorno a primitiva simplicida¬de e austeridade e restaurou para os membros das congregações o direito de profetizar. Duas mulheres, Priscila e Maximila, caíram em transe - e o que disseram tornou-se o oráculo da sei¬ta. O próprio Montano profetizou com tanta eloqüência que seus seguidores frigios - no mes¬mo entusiasmo religioso que anteriormente havia gerado Dioniso - deram-no como o Parácli¬to prometido por Cristo. Anunciou Montano que o Reino do Céu estava a mão e que a Nova Jerusalém do Apocalipse breve desceria do céu sobre uma planície vizinha. Para essa planície Ievou tanta gente que algumas cidades se despovoaram. (...) A Igreja baniu o montanismo como heresia, e no século VI Justiniano ordenou a extinção da seita. Muitos adep¬tos se fecharam em suas igrejas e incendiaram-nas, morrendo queimados.”
Outras Seitas;
Segundo Durant:
“E não havia fim para as heresias menores. Os Encratitas abstinham-se de carne, vinho e sexo; os Abstinentes praticavam a automortificação e condenavam o casamento como pecado; os Docetistas ensinavam a ver o corpo de Cristo como astralidade, não como carne humana; os Teodotianos consideravam-no apenas um homem; os Adopcionistas e os seguidores de Paulo de Samosata sustentavam que ele nascera homem mas alçara-se a divindade por meio da perfeição moral; os Modalistas, os Sabelianos e os Monarquianos reconheciam uma só pessoa no Pai e no Filho, os Monofisitas uma só natureza, os Monotelistas uma só vontade. A Igreja do¬minou-as graças a sua superior organização, a sua tenacidade doutrinal e melhor compreensão da psicologia e das necessidades dos homens”

ORÍGENES: O MAIS CULTO DE SUA ÉPOCA
Nasceu em um lar cristão;
Seu pai foi preso e morto pelos Romanos em uma perseguição á igreja;
Orígenes era considerado por todos, cristãos ou não, como o maior intelectual de sua época;
Ele castrou a si mesmo: Orígenes, o Casto;
Aos 18 anos de idade já ensinava nas escolas cristãs da época;
Mas perdeu-se para a cultura Grega;
Segundo Curtis:
“Ao aceitar os ensinamentos da filosofia grega, Origenes adotou muitas idéias platônicas, estranhas ao cristianismo ortodoxo. A maio¬ria de seus erros era causada pela pressuposição grega de que a ma¬teria e o mundo material são in¬trinsecamente maus. Acreditava na existência da alma antes do nascimento e ensinava que a posição de alguém no mundo era conseqüência de sua conduta num estado preexistente. Negava a ressurreição física e advogava que, no final de tudo, Deus salvaria todos os homens e todos os anjos.”
Foi excomungado pelo Bispo de Alexandria, que chamou um concílio a fim de discutir as idéias que ele vinha pregando;
Morre após ser torturado pelos Romanos (251 d.C.);

251 – O CONCÍLIO DE CARTAGO (EPISCOPADO E MISSA)
Em meio a tantas divisões, seitas, falsos profetas, heresias, etc.
Cipriano escreve UNIDADE DA IGREJA;
Cipriano Havia nascido rico e pagão, porém se converte ao cristianismo, abandonando todas as práticas anteriores e doando tudo o que tem aos pobres; Apesar de não ser teólogo, torna-se bispo de Cartago em 248 d.C.;
Neste concílio ele lê sua obra UNIDADE DA IGREJA;
Buscou unir os cristãos através do poder dados aos Bispos;
Segundo Curtis:
“O indivíduo não poderia viver a vida crista em contato direto com Deus; ele precisava da igreja. Uma vez que Cristo estabelecera a igreja sob autoridade de Pedro, a Pe¬dra, Sipriano disse que todos os bispos eram, em certo sentido, sucesso¬res de Pedro, portanto, deveriam ser. obedecidos. Embora não declarasse que o bispo de Roma estava acima dos outros, Cipriano via o episcopa¬do como especial em razão da cone¬xão de Pedro aquela cidade.”
Instituiu poderes Sacerdotais aos Bispos;
Segundo Curtis:
“Cipriano deixou implícito que o Espírito Santo trabalha¬va por meio dos bispos. Os bispos, naturalmente, ganha¬ram poder com a disseminação des¬sas idéias. Cipriano tambem prorno¬veu a idéia de que a missa era o sacri¬fício do sangue e do corpo de Cristo. Urna vez que os sacerdotes agiam como representantes de Cristo, ofe¬recendo novamente o sacrifício em todos os cultos de adoração, isso so¬mente serviu para lhes aumentar o ¬poder.”

270 – ANTÃO TORNA-SE EREMITA (INÍCIO DOS MONASTÉRIOS)
Crescia a imoralidade e o corrompimento no meio da igreja;
Antão decide viver isolado em uma casa;
Lá ele dormia no chão;
Alimentava-se apenas uma vez por dia, numa dieta de pão e água;
Ele era visto como um guerreiro espiritual, que lutava contra demônios e que largou tudo e abnegou-se totalmente;
Com seu exemplo não tardaram a surgir comunidades de monges.
- Pacôncio, jovem amigo de Antão veio a montar a primeira comunidade de monges.

A DECADÊNCIA ESPIRITUAL
Após a morte de Aureliano a igreja teve 28 anos de paz;
Esta situação levou muitos crentes a terem vergonha da fé ou se aproveitarem dela;
Crescia a soberba e a ambição;
Os cultos simples começavam a ser substituídos por rituais complexos;
Alguns bispos ao invés de cuidar do seu rebanho começavam a cuidar da acumulação de riquezas, criava-se um grande ‘ordem sacerdotal’, surgia a ‘classe do clero’;
Alguns pagão diziam: “Façam-me bispo de Roma, que eu logo me tornarei cristão”;
Ocorriam discussões ferrenhas entre bispos e presbíteros, pois ambos lutavam para decidir qual cargo era mais importante, pois no princípio ambos dispunham de igualdade;
Durante as perseguições de Diocleciano e Galério muitos cristãos e bispos, diante da eminente morte negavam sua fé fazendo oferendas ao gênio do imperador.

SÉCULO IVA IGREJA E O ESTADO ROMANO
Roma era um império com apenas uma moeda; um sistema político e uma religião;
Em 284 Diocleciano começa reformas no Império;
Em 298 Cristãos são expulsos do exército e do serviço público;
Em 303 inicia-se um período de grandes perseguições aos cristãos, pelas mãos do imperador Galério destroem-se as igrejas, confiscam-se as escrituras, proíbem-se as reuniões.
Galério, padecendo de uma enfermidade mortal, poucos dias antes da sua morte pediu as orações dos cristãos e, no dia 30 de abril de 311, assinou O Édito de Tolerância. Agora, pela primeira vez, a Igreja Cristã estava amparada por lei. A partir deste momento o Estado mostrava-se indulgente, condescendente para com os adeptos do cristianismo.


Detalhe: A morte dos perseguidores:
Suicidaram-se: NERO, DIOCLECIANO, MAXIMILIANO.
Assinados: DOMINICIANO, COMODO, MAXIMÍNIO, AURELIANO.
Em agonia procurando a morte: ADRIANO.
Escravo, com os olhos furados: VALERIANO.
Comido por abutres: DÉCIO.
Doença desconhecida, o corpo foi tomado de vermes: GALÉRIO.
Resumo das perseguições Romanas
Cito tabela de Walton: (11)

312 - A CONVERSÃO DE CONSTANTINO
Segundo Curtis:
“Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu urn sinal, uma cruz brilhante, nela podia ler: Com isto vencerás. O supersticioso soldado já esta¬va começando a rejeitar as divinda¬des romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o supremo deus Sol. Seria um bom pressagio daquele Deus na vespera da batalha?
Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segu¬rando o mesmo sinal (uma cruz in¬c1inada), lembrando as letras gregas ch i (X) e rho (p), as duas primeiras le¬tras da palavra Christos. O general foi instruído a colocar esse sinal nos es¬cudos de seus soldados, O que fez ¬prontamente, da forma exata como fora ordenado. Conforme prometido, Constanti¬no venceu a batalha. Esse foi um dos diversos momen¬tos marcantes do seculo IV, um perío¬do de violentas mudanças. Se você tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver anos no deserto, quando voltasse certamente espera¬ria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de per¬seguição. Em vez disso, o cristianis¬mo se tornou a religião patrocinada pelo império.”

- O TRIÚNFO DO CRISTIANISMO
Segundo :
“A que se deve a rápida expansão do cristianismo? Entre as varias causas, uma merece destaque. Trata-se do testemu¬nho pessoal dos cristãos. Cada cristão era um missionário. Uma vez convertido, procurava levar outros a fé cristã. Este teste¬munho, corpo a corpo, fez com que de Jerusalém o cristianis¬mo se irradiasse progressivamente pelas principais cidades do Império Romano, como por exemplo, Antioquia da Síria, Alexandria (Egito), Éfeso (Ásia Menor), Corinto (Grécia) e Roma (Itália). O cristianismo, apesar de ser perseguido, era irreversível. O Imperador Galério, ferrenho adversário do cris¬tianismo e que promoveu a última grande perseguição, final¬mente teve que admitir que era impossível extinguir o cristia¬nismo..”

HISTÓRIA DA IGREJA PÓS LEGALIZAÇÃO ROMANA
Esta conversão foi verdadeira?
Segundo Durant:
Seria sincera tal conversão, um ato de fé religiosa, ou um golpe de habilidade política? Esta hipótese é a mais aceitável. Helena, sua mãe, voltara-se para o cristianismo quando Constancio a abandonou; e presumivelmente instruíra o filho nas ex¬celências do caminho cristão; e Constantino também havia de ter-se impressionado com a sucessão de suas vitórias sob a bandeira de Cristo. Mas só um céptico teria feito um tão sutil uso dos sentimentos religiosos da humanidade. A Historia Augusta atribui-lhe esta frase: “É Fortuna quem faz um homem imperador” - embora ha¬ja aqui mais um rapapé à modéstia do que à sorte. Em sua corte gaulesa vivia ele ro¬deado de filósofos e sábios pagãos. Depois de convertido raramente se conformou com as exigências da adoração cristã. Suas cartas aos bispos mostram como pouco lhe interessavam as diferenças teológicas em curso - embora desejasse suprimir as dissen¬sões no interesse da unidade imperial. Durante seu reinado tratou os bispos como au¬xiliares políticos; convocava-os, presidia-lhes os conselhos e punha em vigor o que o conclave formulava. Um verdadeiro crente teria sido antes de tudo cristão e s6 depois estadista. Constantino foi o contrario. O cristianismo significava para ele um meio, não um fim.
A atuação de Constantino:
Cito Durante, César e Cristo:
“Mas em um mundo preponderantemente pagão cumpria-lhe ser cauteloso. Constantino continuou a usar uma vaga linguagem monoteÍsta que qualquer pagão aceita¬ria. Durante os primeiros anos prestou-se pacientemente ao cerimonial dele exigido como pontifex maximus do culto tradicional; restaurou templos pagãos, fez que fossem tomados auspícios. Na dedicação de Constantinopla recorreu aos ritos cristãos co¬mo aos pagãos. Para proteger colheitas e curar doenças, empregava formas mágicas do paganismo.”
Modificações na realidade de Roma e da Igreja durante o governo de Constantino:
Aos poucos os símbolos pagãos iam saindo das moedas;
Bispos assumem poderio de juiz local;
Isenção de impostos às Igrejas;
Legalização Jurídica das Igrejas e com isto direito de posse;
Direito das Igrejas assumirem os bens dos mártires sem que haja testamento destes;
Construção de muitas Igrejas com dinheiro público;
Proibição do culto à imagens na recém fundada Constantinopla;
Início da caça empregada pelo Estado à seitas ditas cristãs;
O imperador tornou-se juiz de todas as contendas internas da Igreja.
Os cristãos rejubilavam com tamanha mudança na realidade do Império. Porém algumas preocupações começavam a tomar o sossego dos líderes cristãos. Dentre elas as maiores: o monasterismo, o donatismo e o arianismo.


O MONASTERISMO:
Sob influência da vida ascética de Antão os grupos de monges começaram a crescer, devido ao medo destes cristãos de tomarem parte da devassidão de começava a imperar em muitos espaços até da Igreja. Estes mosteiros quase queriam estar sob a bênção da Igreja, porém quase formavam um poder paralelo. Por fim, os bispos acabaram por aceita-los e até apoiar sua organização, tratava-se de uma forma da Igreja compensar seu envolvimento cada vez maior com as questões de poder.

O DONATISMO:
Cito Durant, César e Cristo:
“Um ano depois da conversão de Constantino foi a Igreja vítima de uma cisão que quase a at'¬ruína na hora do triunfo. Donato, bispo de Cartago, assistido por um padre do mesmo tempe¬ramento, insistia em que os bispos cristãos que durante as perseguições se tinham submetido, política pagã não podiam continuar como bispos; que os batismos e mais atos de tais bispos eram írritos e nulos; e que a validade dos sacramentos dependia em parte do estado espírito do ministrante. Quando a Igreja se recusou a adotar este rigoroso critério, os donatistas nomea¬ram bispos rivais para as cidades em que os existiam do tipo condenado. Constantino, sempre pensando no novo credo como instrumento de unificação, impressionou-se com o caos iminen¬te e a possível aliança dos donatistas com movimentos radicais entre os camponeses africano~. Reuniu um concílio de bispos em Arles (314), confirmou a condenação episcopal dos don~li~¬tas, ordenou aos dissidentes que reentrassem na igreja e acenou aos recalcitrantes com a perda dos direitos civis e das propriedades (316). Cinco anos depois, em um momentâneo retorno :w Edito de Milão, iria ele revogar essas medidas e conceder aos donatistas uma condescente tole¬rância. O cisma de Donato persistiu até ao tempo em que os sarracenos varreram com os cris¬tãos do norte da África.” (p541)

O ARIANISMO:
Cito Curtis:
“Embora Tertuliano tivesse outorgado à igreja a idéia de que Deus é uma única substância e três pessoas, de maneira alguma isso serviu para que o mundo tivesse compreensão ade¬qüada da Trindade: O fato é que essa doutrina confundia até os maiores teólogos. Logo no início do século IV, Ário, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensina¬va que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pen¬samento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coi¬sa: somente Deus pode ser Deus. Na obra intitulada Thalia, Ário procla¬mou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ário, so¬mente Deus, o Pai, poderia ser imor¬tal, de modo que o Filho era, neces¬sariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeira¬mente Deus.
Muitos ex-pagãos se sentiam con¬fortáveis com a opinião de Ário, pois, assim, podiam preservar a idéia fa¬miliar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos divinos da mitologia grega.
Por ser um eloqüente pregador, Ário sabia extrair o máximo de sua capacidade de persuação e até mes¬mo chegou a colocar algumas de suas idéias em canções populares, que o povo costumava cantar.
"Por que alguém faria tanto estar¬dalhaço com relação às idéias de Ário?", muitas pessoas ponderavam. Porém, Alexandre, bispo de Ário, en¬tendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisalla ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ário fosse condenado por um sínodo, mas esse pastor, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúr¬bios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e ou¬tros clérigos começaram a se posi¬cionar em favor de Ário.
Em função desses distúrbios, o im¬perador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmen¬te como uma "questão religiosa". Essa "questão religiosa" ameaçava a segu¬rança de seu império. Assim, para li¬dar com o problema, Constantino convocou um concílio que abrangia todo o império, a ser realizado na ci¬dade de Nicéia, na Ásia Menor.”

325 – O CONCÍLIO DE NICÉIA
Citar Anglin:
“A primeira destas Assembléias reuniu-se em Nicéia, na Bitínia, para o julgamento de um tal Ario, que tinha esta¬do a ensinar que nosso Senhor fora criado por Deus como qualquer outro ser, sujeito ao pecado e ao erro, e que, por conseqüência, não seria eterno como o Pai. Foi a isso que Constantino chamou uma ninharia, quando o informaram da heresia; o concílio porém, com poucas exceções, deu-lhe o nome de horrível blasfêmia. Os bispos sentiram tanto a indignidade que Ario fizera pesar sobre o bendito Senhor, que tapavam os ouvidos enquanto ele explicava as suas . doutrinas, e declararam que, quem expunha tais ensina¬mentos, era digno de anátema. Como repressão às heresias crescentes foi escrito a célebre confissão de fé, conhecida como o Credo de Nicéia, no qual está clara e inteiramente anunciada a doutrina das Escrituras Sagradas com refe¬rência à divindade do Senhor. Ário e seus adeptos recebe¬ram ao mesmo tempo sentença de desterro, e possuir ou fa¬zer circular os seus escritos era considerado como grande ofensa” (p55)
A Igreja e o Estado no Concílio:
Cito Curtis:
“O Concílio de Nicéia foi convo¬cado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da igre¬ja e do Estado. A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na igreja. Cons¬tantino deu início à prática de unir o império e a igreja no processo deci¬sório. Muitas conseqüências pernici¬osas seriam cal h idas nos séculos futuros dessa união”
Porém a irmã de Constantino era do partido de Ário e pediu que seu irmão revogasse a decisão e assim foi feito.

328 – ATANÁSIO TORNA-SE BISPO DE ALEXANDRIA
Foi forte combatente do arianismo;
Cito Anglin:
“Um mandato imperial de Constantino para que os he¬reges excomungados fossem admitidos à igreja, foi recebi¬do pelo bispo com um desprezo deliberado e firme: não queria submeter-se a qualquer autoridade que procurasse pôr de parte a divindade do seu Senhor e Salvador. Contu¬do, os seus inimigos estavam resolvidos a levar por diante os seus propósitos e aquilo que não puderam obter por bons meios tentaram alcançar por meios infames. Fizeram uma acusação horrível contra o bispo, no sentido de ter ele cau¬sado a morte de um bispo miletino chamado Arsino, de cuja mão, diziam eles; se serviu para fins de feitiçaria. Foi, por conseqüência, intimado a responder perante uni concí¬lio em Gesaréia, pela dupla acusação de feitiçaria e as¬sassínio: mas Atanásio recusou-se a comparecer ali por ser o tribunal composto de inimigos. Foi pois convocado outro concílio em Tiro, e a este assistiu o bispo. A mão que devia ter servido para prova do crime apareceu no tribunal, mas infelizmente para os acusadores o dono da mão, o bispo as¬sassinado, também lá estava 'vivo e ileso! .
Ainda assim, esta farça não impôs aos seus adversários o silêncio que a vergonha devia produzir, e apressaram-se em preparar uma nova acusação. Afirmaram que Atanásio, ' ameaçava reprimir a exportação db trigo de Alexandria para Constantinopla, o que traria a fome para esta cidade, pensando eles, e com razão, que bastava só atribuir-lhe este mau procedimento para levantar a inveja e desagrado do imperador, cujos maiores interesses estavam ali con¬centrados. Os seus planos tiveram bom êxito. Com esta simples acusação, pois a verdade dela nunca foi provada, obtiveram uma sentença de desterro, e Atanásio foi man¬dado para Treves, no Reno, onde se conservou dois anos e quatro meses.
Mas o desterro do bispo fiel não assegurou os resultados pelos quais o partido de Ário estava a combater. Os Cris¬tãos de Alexandria também tinham sido muito bem ins¬truídos nas verdades das Escrituras Sagradas, e conservavam-nas com tal amor, que não as abandonaram depois do seu ensinador partir. Não queriam ligar-se a compromisso algum e até mesmo quando Ario subscreveu uma fé orto¬doxa, o novo bispo, um velho servo de Deus chamado Ale¬xandre, duvidou da sua sinceridade, e não quis aceitar a sua retratação. Constantino teve de intervir novamente neste caso, e mandando chamar o bispo, insistiu para que Ário fosse recebido em comunhão no dia seguinte. Muitos viram nisto uma crise nos negócios da igreja, e os cristãos de Alexandria esperavam pelo resultado com muita ansiedade. Alexandre sentiu a sua fraqueza, e pensamentos in¬quietadores lhe assaltaram o espírito; entrou na igreja e apresentou o seu caso diante do Senhor. A oração era o seu último recurso, mas não foi um recurso vão nem estéril.
Os arianos já exultavam, e enquanto o bispo estava de joelhos diante do altar levaram eles o seu chefe em triunfo pelas ruas. De repente cessaram as ovações. Ário entrara em uma casa particular e ninguém parecia saber para quê. Todos esperavam, e se admiravam, mas esperavam em vão; o homem, cujo regresso aguardavam, tinha-se retira¬do dos seus olhares para nunca mais aparecer. Teve a mes¬ma sorte de Judas, e o grande herético estava morto.” (p56)

A morte de Ário:
Cito Durant. A idade da Fé:
“Era um sábado e Ário esperava poder ir à reunião da congregação no dia seguin¬te, porém a Divina Providência o puniu por sua ousadia criminosa, pois, ao sair do palácio imperial ... e ao aproximar-se do pilar de pórfiro, no Foro de Constantino, foi tomado de terror e logo sentiu relaxarem-se-Ihe violentamente os intestinos ... Inchou-lhe o ventre, seguindo-se às evacuações abundante hemorragia e a queda do intestino delgado; além disso, pedaços do fígado e do baço eram eliminados naquela perda de sangue, tendo assim morre quase imediata”(p.7)
Primeiro Cânon completo do Novo Testamento
Atanásio também foi Compositor do primeiro Cânon bíblico completo. Veja abaixo algumas características que foram escolhidas como critério para a escolha deste livros:
Ter sido escrito por algum apóstolo (testemunha direta da obra de Cristo). Neste aspecto, Paulo de Tarso foi aceito como apóstolo, pois viu a Cristo.
Não possuir contradição com a maioria dos textos escritos;
Ser amplamente aceito e já haver tradição antiga de leitura do mesmo, fato que é provado pelas citações dos livros em textos da Igreja primitiva, atestando sua autenticidade;
Servir para edificação da Igreja, que seria a prova de sua inspiração.
Cito Curtis:
“Em 367, Atanásio, o bispo de Ale¬xandria, influente e altamente ortodoxo, escreveu sua famosa carta ori¬ental. Nesse documento, enumerava os 27 livros que hoje fazem parte do nosso Novo Testamento. Na esperan¬ça de impedir que seu rebanho cami¬nhasse rumo ao erro, Atanásio afir¬mou que nenhum outro livro pode¬ria ser considerado escritura cristã, embora admitisse que alguns, como (...), pudessem ser úteis para devoções particulares.
A lista de Atanásio não encerrou esse assunto. Em 397, o Çoncílio de Cartago confirmou sua lista. (..) No final, a lis!a de Atanásio rece¬beu a aceitação geral e, desde então, as igrejas por todo o mundo jamais se desviaram de sua sabedoria.”
Cito tabelas de Walton: (10)

337 – A MORTE DE CONTANTINO
64 anos de idade;
2 esposas;
Brigas familiares e intrigas;
Assassinato do filho mais velho por parte do tio. Manda matar o sobrinho e a esposa;
Cito Durant, César e Cristo:
“Dois anos mais tar¬de, pela Páscoa, iria ele celebrar com grandes festas o 30º aniversário da ascensão ao poder. Depois, sentindo a proximidade do fim, foi provar os banhos quentes de uma estação próxima, Aquírion. Como a doença se agravasse, chamou um sacerdote para lhe administrar o sacramento do batismo, que muito deliberadamente diferira ate aquele momento, na esperança de por esse modo limpar-se de todos os pecados de sua vida tão cheia. Em seguida, o cansado imperador, aos 64 anos, despiu-se (...), envergou o traje branco dos neófitos e cerrou os olhos.” (p518)

A divisão do Império:
Cito Anglin:
“O império estava agora dividido entre os três filhos de Constantino, o Grande, ficando Constantino com a Gália, Espanha e a Bretanha; Constâncio com as províncias asiá¬ticas, e Constante, com a Itália e a África. Constantino favoreceu o partido católico ou ortodoxo, e fez voltar Atanásio do exílio, mas foi morto no ano 340, quando invadia a Itália. Constante, que tomou posse dos seus domínios, também seguia a causa dos católicos e foi amigo de Atanásio, porém Constâncio e toda a sua corte tomaram o partido dos arianos.”

Constante X Constâncio:
Cito Anglin:
“Entretanto, Atanásio foi novamente degredado, pelos esforços de Constâncio e dos bispos arianos; e Gregório de Capadócia, homem de caráter violento, foi colocado à for¬ça no seu lugar. Este procedimento iníquo deu ocasião a desordens e a cenas violentas, e tiveram de pedir auxílio à tropa para manter o bispo intruso na colocação que lhe ti¬nham dado. Foram depois convocados muitos e vários concílios, e publicados cinco credos diferentes, em outros tantos anos, mas parece que com pouco resultado. Em to¬dos estes concílios foi sempre confirmado a ortodoxia de Atanásio, porém não fizeram justiça ao velho bispo enquanto Gregório viveu. Mas depois da morte deste foi rein¬tegrado no seu lugar com grande alegria de todos aqueles que apreciavam a verdade e se agarravam à boa doutrina.
Constante, que desde o princípio se tinha mostrado um verdadeiro amigo de Atanásio, morreu no ano 359, e os arianos, com a proteção de Constâncio renovaram as suas perseguições. Tendo sido expulso pela terceira vez do seu lugar; Atanásio retirou-se voluntariamente para o exílio, e entrou, durante algum tempo, num refúgio dos desertos do Egito, onde pela meditação e oração se preparou para pos¬terior conflito. E, aqueles que professavam as suas doutri¬nas eram perseguidos com rigor devido à ascendência dos arianos. Por isso se dizia por toda a parte que os tempos de Nero e Dioc1eciano tinham voltado.
Constâncio morreu no ano de 36l, e teve por sucessor Juliano, que tomou a chamar os bispos desterrados por Constâncio; mas não foi de certo por simpatia pelas suas doutrinas, porque ele pouco depois caiu no paganismo(..).” (p59)

361 – JULIANO, O APÓSTOTA É IMPERADOR
Pagão;
Filósofo;
Cito Durant, A idade da fé:
“Em meio a todas estas atividades governamentais, era a filosofia a paixão que o do¬minava. Tinha um objetivo, do qual jamais se esquecia: a restauração dos antigos cul¬tos. Ordenou que se reparassem e abrissem os templos pagãos e se restituíssem as pro¬priedades que deles haviam sido confiscadas. Autorizou também que os templos re¬começassem a recolher suas rendas habituais. Escreveu cartas aos principais filósofos da época, convidando-os a se hospedarem na corte. Quando Máximo chegou,Juliano interrompeu um discurso que estava fazendo no Senado e correu para cumprimentar o velho mestre, que apresentou a todos, tecendo-lhe grandes 'elogios. Máximo apro¬veitou-se do entusiasmo do imperador. Envergou trajes muito finos e levou uma vida luxuosa, o que provocou, depois da morte de Juliano, uma rigorosa devassa em sua vida para se descobrir a origem de sua rápida fortuna.36 Juliano não dava atenção àquelas contradições; amava demasiado a filosofia para. dela se afastar por causa da conduta dos filósofos. "Se alguém", escreveu ele a Eumênio, "vos tiver persuadido de que existe para a raça humana algo mais proveitoso do que o estudo ininterrupto da filosofia nas horas vagas, esse alguém não passa de um iludido que procura iludir•” (p14)
Asceta;
Reconstrução dos templos pagãos;
Tentativa de recuperação de Jerusalém;
Cito Durant, A idade da fé:
“Das aflições os judeus foram salvos durante um momento pela ascensão de Ju¬liano, Este reduziu as taxas, revogou leis de separação, louvou a caridade hebraica e tratou YHWH (Yahveh) como "um grande deus". Perguntou aos dirigentes judeus por que haviam abandonado o sacrifício de animais; quando eles responderam que sua lei não permitia tal ato senão no templo de Jerusalém, ordenou que este fosse re¬construído com fundos do Estado. Jerusalém foi novamente franqueada aos judeus; desse reuniam ali, procedentes de todos os cantos da Palestina, de todas as províncias do Império; homens, mulheres e crianças davam o seu trabalho à reconstrução, suas economias e jóias para mobiliar o novo templo; Já podemos imaginar a felicidade de um povo que durante três séculos havia orado por esse dia (361). Mas quando os ali¬cerces estavam sendo cavados, irromperam chamas do chão e vários trabalhadores morreram queimados. O trabalho foi pacientemente reiniciado, mas uma repetição do fenômeno - provavelmente devido à explosão do gás natural - interrompeu e, desanimou o empreendimento. Os Cristãos rejubilaram-se ante aquilo que parecia uma proibição divina; os judeus ficaram espantados e lastimaram-no. E então ocorreu a morte súbita de Juliano. Os fundos estatais foram suspensos; as velhas leis restritivas postas em vigor e tornadas mais severas. E os judeus, de novo excluídos de Jerusalém, voltaram• a suas aldeias, a sua pobreza e a suas preces. Logo depois Jerolmo relatava que a população judaica da Palestina "não passava de um décimo da anterior". Em 425, Teodósio II aboliu o patriarcado da Palestina. Igrejas greco-cristãs substituíram aS sinagogas e escolas.”
Fim do subsídio público à Igreja;
Fim de toda forma de intervenção em questões internas da Igreja;
Fim da Isenção de impostos e regalias especiais aos cristãos e bispos;
Cristãos são obrigados a devolver bens tomados dos pagãos;
Como conseqüência:
Cito Durant, A idade da fé:
“A apaixonada perseverança de Juliano acabou destruindo finalmente seu programa. Os homens aos quais injuriara combatiam-no com "sutil pertinácia e os demais, aos quais favorecia, respondiam com indiferença. O paganismo morrera espiritual¬mente, já não encerrava em si qualquer estímulo para a mocidade, nem consolo para as amarguras, nem esperanças para além-túmulo. Alguns que se haviam convertido voltaram-se para ele, mais com a idéia. de conseguirem posições políticas ou o seu di¬nheiro. Algumas cidades restabeleceram os sacrifícios oficiais, mas somente para pa¬garem os favores recebidos. Mesmo em Pessino; a terra de Cibele, Juliano teve de su¬bornar os habitantes para que honrassem a grande deusa. Muitos pagãos interpretavam o paganismo como sendo uma consciência tranqüila em meio aos divertimentos. Ficaram desapontados ao ver que Juliano era mais puritano que Cristo. Esse suposto livre-pensador era o mais devoto do Estado e até seus amigos se aborreciam em seguir-lhe as práticas; havia também os cépticos que não dissimulavam seu sorriso ao vê-lo às voltas com seus deuses antigos e sacrifícios. Já quase não se observava mais no Oriente altares, assim como no Ocidente, fora da Itália.” (p17)
Morre em 363.
Cito Durant, A idade da fé:
“Juliano jazia em sua tenda e dirigiu-se desconsolada e amarguradamente a seus companheiros: "Mui oportunamente, meus amigos, chegou agora a ocasião para eu deixar esta vida, a qual folgo poder devolver à natureza." Todos os presentes choraram. Ele, entretanto, mantendo sua autoridade, os censurou dIzendo que não lhes ficava bem lamentar um príncipe que estava sendo chamado a unir-se ao céu e às estrelas. Como isso os .tivesse feito calar-se, virou-se para os filósofos Máximo e Prisco e travou com eles uma discussão muito complexa sobre a nobreza da alma. Subitamente a ferida se lhe abriu, a pressão do sangue diminuiu-lhe a respiração e, após beber um gole de água que pedira, morreu tranqüilamente. Contava então 32 anos de idade. A história de que Juliano morrera exclamando: "Tu triunfaste, ga¬lileu" apareceu primeiramente no trabalho do historiador cristão Teodoreto, no século V, sendo agora, porém, considerada como lenda.” (p19)

TEMA TRANSVERSAL:

OS JUDEUS NESTE PERÍODO
Cito Durant, A idade da fé::
“Em todas as épocas, a alma do judeu tem estado dividida entre a resolução de abrir caminho em um mundo hostil e sua fome pelos alimentos espirituais. O mercador judeu é um estudioso triste; inveja e honra generosamente o homem que, fugindo à febre da riqueza, prossegue em paz no amor aos estudos e segue a miragem da sabedoria. Os comerciantes e banqueiros judeus que iam à feira de Troyes paravam no caminho para ouvir o grande Rashi explicar o Talmude. Assim, entre os afazeres comerciais ou a pobreza degradante ou a contumélia mortal, os judeus da Idade Média continuaram a produzir gramáticos, teólogos, místicos, poetas, cientistas e filósofos; e durante certo tempo (1150-1200) somente os muçulmanos os igualavam na ampla alfabetização e riqueza intelectua1. Tinham a vantagem de viver em conta¬to ou comunicação com o Islã; muitos deles liam o árabe; todo o rico mundo da cultu¬ra muçulmana medieval estava aberto aos judeus. Receberam do Islã em ciência, me¬dicina e filosofia o que haviam dado em religião a Maomé e ao Alcorão. E, pela medi¬tação, elevaram o espírito do Ocidente cristão com o estímulo do pensamento sarraceno.” (p.355)


363 – JOVIANO ASSUME O IMPÉRIO:
Ao que parece, foi o primeiro governante realmente cristão;
Reinado curto, de apenas 8 meses;
Apoiou os ortodoxos contra os arianos;
Em 364 seus filhos Valenciano e Valente assumem o poder, mas apóiam o arianismo.

375 – GRACIANO ASSUME O TRONO E O PASSA A TEODÓSIO
Tinha apenas 16 anos de idade;
Era cristão temente a Deus;
Cito Anglin:
“ "Vinde", escreveu ele "para que possais ensinar a doutrina da salvação a quem crê verdadeiramente; não para que estudemos para questionar, mas que a revelação de Deus possa penetrar mais intimamente no nosso coração".” (p.63)
Porém passa o poder imperial a Teodósio, pois não se sentia capaz de administrar tudo;
Ocorre um distúrbio em Tessalônica e Teodósio gera um grande genocídio (circo).
Cito Curtis:
“Mais tarde, Ambrósio enfrentou um imperador - dessa vez, o próprio Teodósio. O imperador reagiu de for¬ma exagerada a um distúrbio em Tessalônica, enviando o exército para massacrar os cidadãos daquela cidade. Ambrósio considerou isso um ato hediondo e excomungou Teodósio até que o imperador cumprisse penitên¬cia. O fato de o imperador voltar à catedral vestido de saco e coberto de cinza e ajoelhar-se diante do bispo buscando perdão é um testemunho tanto da coragem de Ambrósio quanto da humildade de Teodósio. Houve um tempo em que a igreja enfrentou a perseguição de imperado¬res. Com Ambrósio, o novo padrão de relacionamento entre a igreja e o Es¬tado começava a se desenvolver.” (p.45)
Os feitos de Teodósio:
Cito Kuchenbecker:
“Foi necessária a autoridade de Teodósio (379-395) para que, num edito assinado em Tessalônica (28 de fevereiro de 380), todos os povos submetidos ao Império fossem chamados “a aderir à fé transmitida aos romanos pelos apóstolos, à fé professada pelo pontífice Dâmaco e pelos bispo de Alexandria, ou seja, o reconhecimento da santa Trindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo”; O segundo concílio ecumênico, reunido em Constantinopla em 381 graças aos cuidados de Teodósio, fez triunfar a fé nicena. O catolicismo ortodoxo tornava-se a reli¬gião oficial de todo o mundo romano. Teodósio vai ainda mais a fundo: empreendeu a destruição do velho politeísmo romano e ao mesmo tempo, beneficiou o cristianismo com múltiplos privilégios fiscais e judiciários. Os bens confiscados dos tem¬plos pagãos foram entregues às igrejas, que, ajudadas pelos ofícios imperiais, tornaram-se amiúde muito ricas. Pode-se dizer que, desde então, a Igreja ficou vinculada ao estado? Sem dúvida, ela se conforma à estrutura adminis¬tração aperfeiçoada por Diocleciano: cada cidade tinha seu Bispo, cada província seu metropolita. Mas, enquanto os fun¬cionários imperiais eram nomeados pelo imperador, os bispos (...) eram livremente eleitos pelo clero local e a popula¬cão de tal maneira que a autoridade religiosa era bem distinta da civil. Fundamento de uma monarquia de direito divino, a Igreja representava também um poder espiritual (...) Aliás, a decadência do Império, no século V, não se fez acompanhar da decadência da jovem Igreja(...)”(p.97)

374 – AMBRÓSIO TORNA-SE BISPO DE MILÃO
Era governador da cidade;
Quando ocorrei uma controvérsia sobre o novo bispo da cidade ele foi juiz da questão e o povo acabou o aclamando bispo pela sua bondade;
Batizou-se e cumpriu todos os sacramentos em uma semana e daí assumiu o posto;
Portou-se como ortodoxo, seguindo as decisões de Nicéia, contra o arianismo;
Isso desagradou a imperatriz Justina, que em 385 mandou os soldados cercarem a catedral, mas Ambrósio junto de toda a congregação não se retiraram, e após horas de tensão acabaram vencendo.

A QUESTÃO DO CELIBATO
Cito Durant, A Idade da Fé.:
“Essa organização, cuja força, afinal, apoiava-se na crença e no prestígio, exigia certa regulamentação para sua vida eclesiástica. Nos primeiros três séculos não se exigira o celibato do sacerdote, que podia manter uma esposa com a qual se tivesse casado an¬tes da ordenação, porém não devia casar-se depois de receber as ordens sacras. Não podia ser ordenado o homem que se tivesse casado com duas mulheres ou com viúva, divorciada ou concubina. A semelhança de muitas sociedades, a Igreja teve também Seus extremistas. Reagindo contra a licenciosidade sexual da moral pagã, alguns cris¬tãos entusiastas depois de lerem uma passagem de São Paulo,' chegaram à conclusão de que era pecado qualquer relação entre os sexos. Eles condenaram todos os casamentos e manifestaram sua repugnância pelos sacerdotes casados. O Concílio Provin¬cial de Gengra (362) condenou esse ponto de vista, tachando-o de heresia, porém cada vez mais ía a Igreja exigindo o celibato para seus sacerdotes. As igrejas recebiam doação de propriedades e, uma vez ou outra, um sacerdote casado pedia que se fizesse o legado em seu próprio nome e o transmitia depois para os filhos. Surgiam algumas vezes casos de adultério ou outros escândalos nos casamentos deles, o que diminuía o respeito que o povo Ihes tributava. Recomendou-se no sínodo realizado em Itoma, no ano 386, que o clero observasse completamente a castidade, tendo o Papa Sirício decretado um ano mais tarde que deixassem suas vestes sacerdotais todos aque¬les que se casassem ou continuassem a viver com suas esposas. Jerônimo, Ambrósio e Agostinho apoiaram fortemente o decreto, o qual, após uma geração em que houve resistências esporádicas, foi observado no Ocidente, com relativo êxito(...)” (p.41)

387 – CONVERSÃO DE AGOSTINHO
Nascido em 354;
Na juventude era um intelectual, porém voltava-se à sensualidade;
Passou pelo maniqueísmo e pelo neoplatonismo, em busca pela verdade;
Considerava a fé cristã uma coisa para pessoas simples;
Conheceu Ambrósio e esta concepção começou a mudar;
Cito Curtis:
“Em 387, enquanto estava senta¬do em um jardim em Milão, Agosti¬nho ouviu uma criança cantar uma música que dizia: "Pegue-a e leia-a, pegue-a e leia-a". Agostinho leu a pri¬meira coisa que encontrou na sua frente: a epístola de Paulo aos Roma¬nos. Quando leu Romanos 13.13,14, as palavras de Paulo que versam sobre o revestir-se do Senhor Jesus em vez de deleitar-se com os prazeres peca¬minosos tocaram profundamente seu coração, e Agostinho creu. "Foi como se a luz da fé inundasse meu coração e todas as trevas da dúvida tivessem sido dissipadas."
Em 391 torna-se sacerdote;
Em 395 torna-se bispo de Hipona;
Posicionou-se contrário ao rivalismo proposto pelo donatistas.
Para ele, apesar de haverem algumas pessoas que não eram santas em seu meio, só havia uma igreja.
Sacramentos: sinais visíveis de uma graça invisível.
Deus não olha para o sacerdote ao operar através dele;
Opôs-se a Pelágio, que afirmava a necessidade de obras para a Salvação;
Citar texto (21)
Escreveu centenas de livros, cartas, comentários;
Influenciou tanto o catolicismo quanto o posterior protestantismo com sua defesa da supremacia da graça ante as obras;
É acusado de ser fatalista, por crer, em oposição à Pelágio, que Deus tudo tem predestinado e que é Ele que nos leva a tudo.

UMA REFLEXÃO PERTINENTE:

A história da Igreja nos fornece uma serie de dados e matérias, que se aplicados no sentido epistemológico, de conhecimento, à uma turma de alunos, pode vir a trazer grandes avanços em suas concepções quanto à atual realidade religiosa e possibilitar que estes se situem criticamente ante às questões levantadas, além de lhes acrescentar em cultura e em um conhecimento histórico, que no sentido mais geral lhes é privado.
Porém quero aqui enfatizar uma outra possibilidade de abordagem que pode ser construída junto à esta citada acima, que trata-se da história reflexiva, na qual levamos para a sala de aula, a cada tema aberto algumas questões que se ligam aos temas presentes no seu dia-a-dia e à coisas próprias da adolescência ou da infância. Dentro de uma História da Igreja, no sentido mais geral, temos na verdade um conjunto de muitas histórias de vidas que se entrelaçaram com um propósito. Portanto, como exemplo destas questões transversais à história, proponho a analise de alguns dados da vida de Agostinho.

A TRANSFORMAÇÃO DE AGOSTINHO:
Em sua obra intitulada ‘Confissões’, Agostinho conta como resistiu aos conselhos da mãe quando tinha 12 anos de idade e fora viajar para a África.
Nesta obra agostinho comenta que fora constrangido a pecar conforme o mundo, pelo pecado alheio, de seus amigos:
Cito Durant, Idade da Fé:
“Aos 12 anos mandaram Agostinho para a escola em Madaura e aos 17 para um cur¬so superior em Cartago. Salviano iria logo descrever a África como "a cloaca do mun¬do" e Cartago como "a cloaca da África", Daí os muitos conselhos de Mônica ao fi¬lho quando se despediu dele:
‘Ela me ordenou, e foi com muita veemência que me preveniu, que não fornicas¬se e sobretudo não desonrasse a mulher do próximo. Para mim, tal conselho me pa¬receu muito fútil, o qual teria vergonha de seguir ... Fui tão cego na minha conduta que fiquei envergonhado, no meio de meus companheiros, de sentir-me menos impudente do que eles, eles que se, orgulhavam das façanhas que praticavam; quanto mais se excediam em suas proezas, tanto mais se vangloriavam, e eu come• cei a sentir prazer em fazer a mesma coisa, não pelo prazer do ato em si, mas para poder vangloriar-me dele também ... e quando não tinha oportunidade de praticar uma maldade que me tornasse tão mau quanto eles, fingia que a havia praticado.’”
Possibilidade de propormos uma meditação no texto de Romanos 12.2:
“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus.”
- Após ser tocado por Deus através da leitura de textos da carta de Paulo aos Coríntios, Agostinho torna-se um homem apaixonado por Deus:
Cito Durant, a Idade da Fé:
“Comecei amar-Vos muito tarde, a Vós que sois o Belo tão antigo e tão novo ... Sim, tam bém o céu e a terra e tudo o que eles encerram me dizem de todos os lados para que Vos ame .... O que amo, agora que Vos amo? ... Perguntei -o à terra e ela respondeu que não era ela .... Perguntei-o ao mar e ao abismo e às coisas que raste¬jam e todos me responderam: Nós não somos o teu Deus; procura-o acima de ti. Perguntei-o aos ventos passageiros, e todo o ar com seus habitantes me respondeu: Anaxímenes foi enganado; eu não sou Deus. Perguntei aos céus, ao sol, à lua e às estrelas; também eles disseram: não somos o Deus que procuras. Falei•lhes: Dizei• me algo sobre Deus. Uma vez que não sois Aquele a quem procuro, dizei•me algo sobre Ele. E todos disseram em voz alta: Foi Ele quem nos fez ... Não estarão com o espírito aqueles que acham desagradável qualquer coisa que Vós criastes .... As Vossas dádivas nos alegram e na Vossa boa vontade encontramos a paz.”

400 – COMEÇAM AS INVASÕES BÁRBARAS AO IMPÉRIO ROMANO;



                  Cristianismo nos séculos V e VI


-SÉCULO V

405 – JERÔNIMO COMPLETA A VULGATA
Nasce em 340;
Cito Durant, A idade da fé:
Era, no entanto, um cristão verdadeiramente apaixonado por sua religião. Juntou-se a Rufino e outros para fundar uma irmandade de ascetas em Aquiléia, e em suas prédicas aconselhava tanto a perfeição, que o bispo o censurou por se mostrar indevidamente impaciente com a fragilidade natural da alma humana. A isto respondeu ele chamando o bispo de ignorante, brutal, perverso, do mesmo nível do rebanho humano que con¬duzia e péssimo piloto de um barco desgarrado. Jerônimo e alguns companheiros deixaram Aquiléia entregue a seus pecados e seguiram para o Oriente Próximo; entraram para um mosteiro do deserto de Cálcis, perto de Antioquia. O clima insalubre que prejudicou-lhes a saúde; dois morreram e o próprio Jerônimo esteve, duran¬te muito tempo, entre a vida e a morte. Deixou então o mosteiro para ir viver (...) uma ermida do deserto, onde se entregava, uma vez ou outra, à leitura de Virgílio e Cícero. Levara consigo sua biblioteca e não podia afastar-se, de vez, da prosa c da poesia dos clássicos, cuja beleza o fascinava. Sua narrativa a respeito revela bem a disposição de seu espírito.
‘Sonhara que tinha morrido e que havia sido arrastado à presença do Supremo Juiz, Pediram-me que dissesse qual era minha religião. Respondi que era cristão. Ele, porém que presidia o julgamento, contestou dizendo: "Estás mentindo, és um ciceroniano e não um cristão. Pois onde tiveres teu tesouro, lá estará também teu coração." Fiquei logo sem fala e senti depois os golpes do açoite - pois ele havia ordenado que me açoitassem ... Finalmente os presentes caíram de joelhos dian¬te dele e imploraram que me perdoasse a juventude, e me desse oportunidade de poder arrepender-me dos erros, com a condição, porém, de que me seria infligida extrema tortura se tornasse a ler novamente os livros dos autores gentios ... Essa ex¬periência não foi um sonho agradável, tampouco sem razão de ser ... Confesso que meus ombros estavam roxos e senti as dores dos açoites muito tempo depois de es¬tar acordado. Dali por diante dispensei à leitura dos livros de Deus uma atenção muito maior da que, até então, vinha dando aos livros dos homens’” (p46)
Jerônimo realizou a Tradução completa da Bíblia para o latim;
Cito Curtis:
“Jerônimo começou sua obra em 382. Quando Dâmaso morreu, em 384, Jerônimo, aparentemente, alimentava o desejo de ocupar a posi¬ção de bispo de Roma. Em parte pela amargura de não ter sido escolhido, e em parte pelo desejo de se livrar das distrações, Jerônimo mudou-se de Roma para a Terra Santa, estabele¬cendo-se em Belém. Em 405, terminou sua tradução, que não foi sua única obra. Durante aqueles 23 anos, ele também produziu comentários e outros escritos, servindo de conse¬lheiro espiritual para algumas viúvas ricas e bastante devotas. Ele se en¬volveu em várias batalhas teológicas de seus dias, por meio de cartas elo¬qüentes - e, às vezes, bastante cáus¬ticas - que até hoje são considera¬das muito dramáticas.
Jerônimo começou sua tradução trabalhando a partir da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamen¬to. Porém, logo estabeleceu um pre¬cedente para todos os bons traduto¬res do Antigo Testamento: passou a trabalhar a partir dos originais em hebraico. Jerônimo consultou muitos rabinos e procurava com isso atingir um alto grau de perfeição.
Jerônimo ficou surpreso com o fato de as Escrituras hebraicas não incluírem os livros que chamamos hoje apócrifos. Por terem sido incluídos na Septuaginta, Jerônimo foi compelido a incluí-Ios também em sua tradução, mas deixou sua opinião bastante cla¬ra: eles eram liber ecclesiastici ("livros da igreja"), e não liber canonici ("livros canônicos"). Embora os apócrifos pu¬dessem ser usados para a edificação, não poderiam ser utilizados para es¬tabelecer doutrina alguma. Centenas de anos mais tarde, os líderes da Re¬forma dariam um passo adiante e não incluiriam esses livros na versão bí¬blica protestante.”

A DECADÊNCIA DOS CRISTÃOS
Cito Anglin:
“Mas não obstante o Senhor ter assim livrado o seu povo de muitos perigos, foram os próprios cristãos que prepara¬ram para si bastante trabalho pelas suas loucuras. O pro¬cedimento do clero (com algumas brilhantes exceções) tor¬nara-se notavelmente irregular, e tinha decaído a tal ponto em Roma, que dois candidatos ao bispado, Lourenço e Simaco, nos esforços que empregaram para obter o lugar, não temeram fazer as mais. graves acusações um ao outro. O atrevimento do clero revela-se de um modo notável r no fato de que Martinho bispo de Tours, (que era um cristão fiel e dedicado), consentiu'em ser servido à mesa pela mu¬lher do imperador Máximo, vestida como uma criada! Também se conta deste bispo outra história da mesma espécie. Estando um dia a jantar com o imperador, este pas¬sou-lhe a sua taça, pedindo que bebesse primeiro. Marti¬nho assim fez com grande ostentação, mas antes de resti¬tuir a taça ao imperador, passou-a ao seu capelão, fazendo observações de que os príncipes e potentados estavam abaixo da dignidade de padres e bispos.
A ambição pela distinção na igreja estava também con¬sumindo a energia de muitos cristãos menos talentosos, e por isso foram criados numerosos lugares novos: e assim começou-se a ouvir falar de subdiáconos, leitores, ajudan¬tes, acólitos, exorcistas, e porteiros. Mas além de tudo isso também se tornara comum a adoração das imagens e a in¬vocação dos santos; e a perseguição que sofreu Nestor por se recusar a empregar o termo "Mãe de Deus" referindo-se à virgem Maria, mostra muito claramente para onde a igreja estava resvalando.” (p71)


HÁ REAÇÃO À DECADÊNCIA DA IGREJA
Cito Durant, Idade da Fé:
“Desde que deixara de ser um agrupamento de devotos e se tornara uma instituição que governava milhões de homens, a Igreja começou a adotar um ponto de vista mais complacente pata com a fragilidade humana e a tolerar os prazeres do mundo, do qual. às vezes, participava. Uma minoria de cristãos considerou tal condescendência como traição a Cristo, e resolveu ganhar o reino dos céus 'levando uma vida de pobre¬za, castidade e orações. Isolaram-se completamente do mundo (...)”


A IGREJA NO INÍCIO DO PERÍODO MEDIEVAL
OS PRINCIPAIS SOLDADOS DE CRISTO: OS LÍDERES DO SÉCULO V:
Cito Durant, Idade da Fé:
“Jerônimo e Agostinho foram os dois maiores vultos de uma época extraordinária. Entre os Padres da Igreja medieval dos primeiros tempos, nove foram os que se distin¬guiram como "Doutores da Igreja": Atanásio, Basílio, Gregório Nazianzeno, João Crisóstomo eJoão Damasceno, no Oriente, e Ambrósio, Jerônimo, Agostinho e Gre¬gório, o Grande, no Ocidente.”

431 – O CONCÍLIO DE ÉFESO:
Disputas teológicas:
Alexandria + Roma X Antioquia + Constantinopla
- De Influência Grega; - Ênfase na humanidade de
- Ênfase ao Cristo Divino; Cristo;
- Apolinário disse que - Nestório é contrário à idéia
Cristo era humano apena de que Maria era ‘portadora’
corporalmente; de Deus, e opôs-se às idéias
de Apolinário;
Cito Curtis:
“Em 431, no Terceiro Concílio Ecu¬mênico em Éfeso, o maquinador Ci¬rilo conseguiu que Nestório fosse deposto antes que ele e seus amigos pudessem chegar ao local das reu¬niões. Quando os clérigos ausentes chegaram, condenarar;n Ciril0 e seus seguidores sob a liderança de João, o ~ patriarca de Antioquia. O imperador' Teodósio, que convocara o concílio, foi pressionado e terminou por exi¬lar Nestório.
Adicione a essa situação volátil um clérigo que levava a ênfase ale¬xandrina às últimas conseqüências. Eutíquio, chefe de um mosteiro pró¬ximo a Constantinopla, ensinava uma idéia que passou a ser chamada mo¬nofisismo (de mono, "um", e physis, "natureza"). Esse ponto de vista sus¬tentava que a natureza de Cristo es¬tava perdida na divindade, "assim como uma gota d'água que cai no mar é absorvida por ele".
O patriarca Flaviano de Constan¬tinopla condenou Eutíquio por heresia, mas o patriarca Dióscoro, de AJe¬xandria, o apoiou. A pedido de Diós¬coro, Teodósio convocou outro con¬cílio, que se reuniu em Éfeso, em 449. Esse concílio proclamou que Eutíquio não era herege, mas muitas igrejas consideraram esse concílio inválido. O papa Leão I rotulou aquele encon¬tro de "Sínodo de Ladrões" e, atual¬mente, ele não é considerado um concílio ecumênico válido.”
Resultados:
Nestorianismo é considerado Heresia;
Pelágio é condenado;
Vitória da visão Alexandrina de Cristo;

451 – CONCÍLIO DE CALCEDÔNIA
Tarefas:
Resolver questões ainda pendentes desde Éfeso;
Estabelecer a ordem;
Afirmar o poder papal cima dos bispos
Cito Curtis:
“Dióscoro sempre foi uma figura um tanto sinistra. Agora, nesse concílio, ele foi excomungado da igreja com resultado de suas ações no "Sínodo de Ladrões".
Durante o Concílio de Calcedô¬nia foi lida uma afirmação sobre a• natureza de Cristo, chamada tomo [carta dogmática], de autoria do pa¬pa Leão I. Os bispos incorporaram seu ensinamento à declaração de fé que foi chamada de Definição de fé de Calcedônia . Nessa Definição de fé, Cris¬to "reconhecidamente tem duas na¬turezas, sem confusão, sem mudan¬ça, sem divisão, sem separação (...) a propriedade característica de cada na¬tureza é preservada Nele”

QUESTÕES PARA DEBATE:
- A família e a Mulher na Igreja Medieval:
Cito Durant, Idade da Fé:
“Contudo, a Igreja fortaleceu a família cercando o caSamento de uma cerimônia so¬lene e sublimando-o pelo sacramento. Em tornando o casamento indissolúvel. au¬mentou a segurança e a dignidade da esposa e estimulou a paciência que advém da falta de segurança. A posição da mulher foi, durante algum tempo, prejudicada pela doutrina de alguns chefes cristãos, os quais afirmavam que a mulher era a fonte do pecado e o instrumento de Satanás; modificou-se. porém, essa posição pelas honras prestadas à Mãe de Deus. Tendo aceito o casamento. a Igreja abençoou a maternida¬de e proibiu severamente que se praticasse o aborto ou o infanticídio; talvez fosse pa¬ra desencorajar tais práticas que seus teólogos condenaram para o limbo eterno toda criança que morresse sem batismo. Foi devido à influência da Igreja que em 374 Valentiniano I proclamou o infanticídio um crime capital.”

A idolatria e o sincretismo na Igreja Medieval:
Cito Durant, Idade da Fé:
“O argumento de Agostinho contra o paganismo foi a última resposta nos maiores debates históricos, O paganismo sobreviveu no sentido moral como alegre indulgência de apetites naturais; como religião, permaneceu apenas na forma dos antigos ritos c costumes que haviam sido perdoados, ou aceitos c transformados por uma Igreja muitas vezes indulgente. A veneração íntima aos santos substituíra o culto aos deuses pagãos e satisfizera o politeísmo dos espíritos simples ou poéticos. Deram os nomes de Maria e Jesus às estátuas de Ísis e Hórus; a Lupercália romana e a festa da purificação de Ísis transformaram-se na Festa da Natividade; a Saturnália foi substituída pelas comemorações do Natal, a Fiorália, pelo Dia de Pentecostes, antigo festival dos mortos pelo Dia de Finados,lOo e a ressurreição de Átis, pela ressurreição de Cristo. Dedicaram os altares pagãos aos heróis cristãos; adaptaram e purificaram no ritual da Igreja o incenso, as luzes, as flores, as procissões, as vestes e hinos com os quais satisfa¬ziam os povos nos cultos antigos, A própria imolação de um ser vivo foi sublimada no sacrifício espiritual da missa.
Agostinho protestou contra a veneração aos santos e em termos que Voltaire pode• ria ter usado ao dedicar sua capela de Ferney: "Não tratemos os sarltos como deuses; não desejamos imitar os pagãos que adoravam os mortos. Não construamos templos nem altares para eles, mas levantemos corri suas relíquias um altar para um só Deus." 102 Contudo, a Igreja mui sabiamente aceitou esse antropomorfismo inevitável da teologia popular. Resistiu ao culto dos mártires e relíquias, praticou-o depois e nis¬so se excedeu também. Ela se OpÔSl03 à veneração das imagens, prevenindo os fiéis de que deviam respeitá•las apenas como símbolos, 104 mas o ardor do sentimento popular sobrepujou tais advertências, levando o povo aos excessos dos iconoclastas bizantinos. A Igreja condenou a feitiçaria, a astrologia e a profecia, porém isso se encontrava mui¬to na literatura medieval, assim como na literatura antiga; logo o povo e os sacerdotes iriam servir-se do sinal-da-cruz como coisa maravilhosa para expulsar ou repelir os de¬mônios. Pronunciavam-se exorcismos para os que se apresentavam para o batismo e exigia•se a imersão completa do corpo nu na água, de receio que o diabo estivesse es¬condido em alguma roupa ou ornamento. A cura que outrora se procurava nos templos de Esculápio pôde ser obtida depois nos santuários de São Cosme e São Damião.”

SÉCULO VI

529 – BENTO ABRE SEU MOSTEIRO
Havia tempos o monastecismo vinha se fortalecendo.
Cito Anglin:
“Até o fim do VII século, estas instituições, espalhadas por toda parte, estavam debaixo das ordens dos bispos; e os monges, apesar da grande fama de que gozavam e de se estarem tornando muito ricos, eram apenas considerados como leigos pela igreja. Leão I proibiu-os expressamente de exercerem qualquer cargo sacerdotal, ou mesmo de se¬rem ensinadores do povo;”
Bento derruba templo pagão e no lugar ergue um mosteiro;
Fortaleza Espiritual;
Comunidade Auto-controlada;
Comunidade Auto-suficiente (saída contra a servidão feudal). Fabricavam suas próprias roupas, plantavam sua comida, faziam sua mobília, etc)
Princípios básicos: Voto de pobreza; Voto de Castidade; Voto de Obediência;
Bento cria sua regra para a vida monástica;
Cito Curtis:
“A adoração desempenhava papel muito grande na vida monástica. Aregra de São Bento prescrevia sete cultos por dia, incluindo-se um culto de vi¬gília que acontecia às duas horas da manhã, considerado muito importan¬te. Cada culto tinha cerca de vinte minutos e consistia praticamente da recitação de salmos.
Além da adoração pública, os mon¬ges tomavam parte em devoções pes¬soais: leitura da Bíblia, meditação e oração. Embora muitos acusassem as comunidades monásticas de se afas¬tarem do mundo, os monges sempre oravam por quem estava fora de seus muros.
"O ócio é o inimigo da alma", de¬clarava a Regra. Assim, todos os mon¬ges tinham de tomar parte no traba¬lho manual, incluindo a preparação de alimentos.
Embora essa vida de trabalho, ora¬ção e adoração possa parecer tediosa, foi uma tentativa de criar uma vida ordeira sem ir a estremos.
Bento também tentou disponibi¬lizar a vida santa aos seres humanos comuns. Em sua regra, escreveu: "Se parecemos muito severos, não se as¬suste e não saia correndo. A entrada para o caminho da salvação deve ser estreita. Contudo, conforme você progride na vida da fé, o coração se expande e anda mais rápido com a doçura do amor por todas as veredas dos mandamentos de Deus".
Vivendo em uma era cruel e ins¬tável, o monasticismo beneditino for¬neceu refúgio aos que eram sensíveis à religião.”

527 – 565 – JUSTINIANO É IMPERADOR
Luta pela unificação da Igreja;
Combate Heresias;
Fechou escolas de filosofia;
Expulsou pagãos dos cargos públicos;
Editou novas leis gerais para o Império;
Era um grande estudioso da Palavra, vivia fechado em salas estudando as escrituras até a alta madrugada;
Vivia vida regrada, na maior parte do tempo;
Casou-se com Teodora, mulher de índole discutível. Com certeza um mal exemplo de mulher, apesar de bela;
Cito Durant, Idade da Fé:
“ Sem discutirmos seu passado, vemos que Teodora se tornara uma matrona cuja ho¬nestidade, como imperatriz, ninguém contestava. Era ávida por dinheiro, cedia, de vez em quando, a suas explosões de cólera e, vez por outra, tecia suas intrigas para conseguir objetivos opostos aos de Justiniano. Dormia muito, apreciava boas iguarias e bons vinhos, gostava de jóias e de uma vida luxuosa e cheia de ostentação e passava muitos meses do ano em seus palácios à beira-mar. Justiniano mostrava-se sempre apaixonado por ela, e com paciência filosófica suportava-lhe a interferência em seus planos. Dera-lhe direitos de soberano teoricamente iguais aos seus, não podia, por is¬so, queixar-se por exercê-los ela à sua vontade. Teodora participou ativamente da di¬plomacia e da política eclesiástica, nomeou e demitiu papas e patriarcas e depôs seus inimigos. Anulava, às vezes, as ordens do marido, na maioria dos casos com vanta¬gens para o Estado.11 Sua inteligência quase se igualava a sua força. Procópio acusa-a de crueldade para com os adversários, dizendo que os atirava em calabouços e que ha¬via assassinado alguns deles, acrescentando que estavam fadados a desaparecer sem deixar traços os homens que a ofendiam, à semelhança do que acontece com certos políticos de nosso século. Mas ela sabia ser magnânima também. Protegeu durante dois anos o patriarca Antêmio que havia sido exilado por Tustiniano devido a uma heresia, ocultando-o em seus próprios aposentos. Talvez ela tivesse sido demasiado complacente para com os adultérios da esposa de Belisário; contrabalançou isso cons¬truíndo um belo convento para as prostitutas que se haviam regenerado, dando-lhe o nome de "Convento do Arrependimento". Algumas das jovens arrependiam-se da¬quela nova vida que ela lhes oferecia, fugia através das janelas, horrivelmente enfa¬dadas. Teodora assumia Interesse verdadeiramente maternal pelos casamentos de suas amigas, arranjara muitos deles e, às vezes, impunha o casamento corno condição para promoção na corte. Corno se podia esperar, tornou-se, na velhice, urna guardiã muito severa da moral pública.
Interessou-se, no fim, pela teologia'e travou muitas discussões com o marido sobre a natureza de Cristo. justiniano esforçou-se por unir a Igreja do Oriente à do Ociden¬te, pois achava indispensável para a unidade do Império que houvesse espírito de união entre as Igrejas. Contudo, Teodora não podia compreender a doutrina das duas naturezas em Cristo, embora não levantasse dificuldades sobre a que se referia às três pessoas em Deus. Adotou a doutrina monofisita, percebendo que, nesse ponto, o Oriente não cederia ao Ocidente e achou que o poderio e a sorte do Império jaziam mais nas ricas províncias da Ásia, Síria e Egito do que nas províncias ocidentais, que haviam ficado arruinadas pelo barbarismo e pelas guerras. Suavizou a intolerância or¬todoxa de justiniano, protegeu os hereges, desafiou o papado, encorajou, em segre¬do, a criação de urna Igreja monofisita livre no Oriente e, com isso, combateu tenaz e inexoravelmente o imperador e o papa.”
Monofisismo, a heresia do período;
Cito Durant, Idade da Fé:
“O Monofisismo que defendia apaixonadamente a doutrina de uma única natureza em Cristo havia-se tornado no Egito quase tão numeroso quanto os católicos. Tinha progredido tanto em Alexandria que, por sua vez, ficou dividida em monofisitas or¬todoxos e heterodoxos. As duas facções travavam lutas nas ruas e nisso eram auxiliadas pelas mulheres, que dos telhados arremessavam setas e dardos contra os adversários. As forças do imperador instalaram um bispo católico na diocese de Atanásio; o seu primeiro sermão foi recebido com uma saraivada de pedras pela população, a qual foi massacrada in situ pelos soldados imperiais. Enquanto o catolicismo controlava o episcopado de Alexandria, ia-se espalhando a heresia pelos campos; os camponeses não davam atenção aos decretos do patriarca, tampouco às ordens do imperador, e o Egito já estava quase perdido para o Império um século antes da chegada dos árabes.
Nessa questão, como em muitas outras, a persistente Teodora acabava sempre do. minando o vacilanteJustiniano. Ela teceu suas intrigas com Virgílio, um diácono ro• mano, para nomeá•lo papa se ele fizesse certas concessões aos monofisitas. O Papa Silvério foi arrancado de Roma por Belisário (53 7) e exilado para a ilha de Palmária, onde logo morreu em virtude dos maus tratos que recebeu. Virgílio foi então nomea¬do por ordem do imperador. Justiniano concordou finalmente com o ponto de vista de Teodora - de que não se podia destruir o monofisismo, e procurou acalmar seus adeptos redigindo um documento de teologia imperial conhecido pelo nome de Três Capítulos. Chamou Virgílio a Constantinopla e pediu.lhe que subscrevesse o docu¬mento. Virgílio, embora relutante, anuiu em fazê•lo. Foi o bastante para que o clero catól1co africano o excomungasse (550). Virgílio anulou sua anuência e foi exilado por Justiniano para um rochedo no Proconeso. Novamente concordou com o documento, obtendo permissão para voltar para Roma, porém morreu durante a viagem (555).Ja¬mais um imperador fizera assim abertamente ta s tentativas para dominar o papado. Justiniano reuniu um concílio ecumênico em Constantinopla (553); poucos foram os bispos ocidentais que a ele compareceram. Aprovaram as fórmulas do imperador, mas a Igreja ocidental as repeliu, e os cristãos do Oriente e Ocidente novamente se dividiram, e assim permaneceram durante um século.”
553 – Concílio em Constantinopla;
Condena os ‘três capítulos’ de Justiniano e confirma o concílio anterior;
O fim de Justiniano;
Rejeição de sua teologia por parte da Igreja o deixa desanimado;
Morte de Teodora abala o imperador;
Calamidades tomam o Império;
Cito Durant, Idade da Fé:
“(...) abateu-lhe a coragem, o espírito e as forças. Estava então com 65 anos, enfraquecido pelo ascetismo e intermitentes cri¬ses. Deixara a direção do governo a seus subalternos, negligenciara-se das defesas que lhe custara tanto construir e dedicara-se à teologia. Uma série de catástrofes obscure¬ceuosúltimos 16 anos l)e sua vida. Os terremotos eram freqüentes no reino e des¬truíram uma dezena de cidades, cuja reconstrução constituiu verdadeira sangria no tesouro. Em 542 surgira a peste com todos os seuS horrores; em 556 irrompeu a fome e, em 558, novamente a peste, Em 559, os hunos de Kotrigur atravessaram o Danúbio, saquearam a Mésia e a Trácia, fizeram milhares de prisioneiros, violaram matronas, virgens e freiras, atiraram aos cães as crianças que as mulheres haviam dado à luz durante a sua marcha, e avançaram rumo às muralhas de Constantinopla”

590 – PAPA GREGÓRIO
Quando jovem foi prefeito de Roma, mas renunciou;
Tornou-se monge; Depois Abade;
Era um homem humilde;
Contra sua vontade foi escolhido unanimemente como novo Papa;
Contornou conflitos e invasões à cidade de Roma;
Valorizava o papel do clero enquanto pastorado;
Cito Curtis:
“Gregório, porém, não tinha ambi¬ções polí íticas. Seus interesses eram espirituais. Extremamente preocupa¬do com o cuidado pastora], insistia em que o clero visse a si mesmo como um grupo de pastores e servos do rebanho. Dizia que era "servo dos servos de Deus", e sua obra intitulada Livro do cuidado pastoral - um estu¬do maravilhosamente criterioso sobre as provações espirituais das pessoas e a maneira pela qual o clero deveria lidar com elas - tornou-se uma es¬pécie de livro-texto ministerial da Idade Média.”
Valorizou em seu discurso o sobrenatural dos santos;
Cito Curtis:
“Outra obra sua, Diálogos, foi a primeira tentativa de hagíografia - bio¬grafia dos santos - que enfatizava o fantástico e o miraculoso, o que aca¬bou por transformar os santos em uma espécie de super-heróis da épo¬ca. Durante seu papada, a veneração de partes do corpo, de roupas e de outros pertences dos santos foi en¬corajada, e isso viria a se transformar em uma das marcas da piedade medieval. Por vários séculos, nenhuma igreja poderia se estabelecer se não tivesse alguma relíquia de um santo para ser colocada nela.”
Pregou a idéia grega da existência de um purgatório:
Cito Curtis:
“Embora Gregório não afirmasse ser teólogo, algumas de suas crenças se tornaram essenciais para a teolo¬gia católica. Ele acreditava no purga¬tório e ensinava que as missas cele¬bradas a favor dos mortos poderiam aliviar as dores dos que estavam na¬quele local. Além disso, ajudou a po¬pularizar o ensino de Dionísio Areo¬pagita, que escreveu sobre diversas categorias de anjos. Depois de Gre¬gório, essas idéias se tornariam gran¬demente aceitas.”
Cito Anglin:
“ Apesar do zelo dos missionários nessa época, as trevas aumentaram por todos os lados, e o poder corruptor de Roma aumentou também de uma maneira assustadora. A simplicidade do culto cristão estava sempre sofrendo contínuas inovações, e várias doutrinas de caráter duvido¬so tinham invadido a igreja. Foi no tempo de Gregório que a abominável idéia do Purgatório foi primeiramente discutida. Ele próprio falou de "purificação por meio de fogo, como sendo um fato decidido", mal pensando que esta fic¬ção pagã. hávia de ser mais tarde o pretexto da venda de in¬dulgências. Ainda assim as suas idéias sobre o assunto eram apenas vagas, quase tão vagas como, na verdade eram as especulações de Agostinho, que foi o primeiro a lembrar a doutrina de um estado médio. Mesmo presente¬mente há muita incerteza entre os escritores romanos sobre este assunto; e as visões do Purgatório com que, como dizem, têm sido de tempos a tempos favorecidos os monges e padres, são extraordinariamente contraditórias. Contudo, só na Idade Média, nesse tempo tão supersticio¬so, é que essas histórias absurdas espalharam-se entre os crédulos”
Incentivou missões cristãs por muitos lugares, principalmente pela Grã-bretanha


Os Pais da Igreja – Os Heróis da Fé.



Pais da Igreja, é um resumo daquilo que realmente viveram em suas épocas. Que possamos tomar o exemplo de fé, amor pelas almas e ousadia destes homens; e saber que na época em que vivemos hoje, ainda podemos ser “Heróis da Fé”. Possamos através da graça de Deus, pagar o preço que nos é proposto, a fim de manter a Igreja edificada, a defesa do Evangelho e a luta contra todo espírito que queira corromper as doutrinas da infalível Palavra de Deus.A partir do ano 95 d.C., os líderes ou bispos, começaram a ser chamados de “Pais da Igreja”, como uma forma carinhosa, por sua lealdade. O nome “Heróis da Fé” foi usado mais amplamente a partir do terceiro século para descrever os campeões ortodoxos da Igreja e os expoentes de sua fé. Os Pais da Igreja são classificados em quatro grupos:
Os Pais Apostólicos, Os Apologistas ou Ante-Nicenos, Os Polemistas ou Nicenos, Os Teólogos Científicos ou Pós-Nicenos. Os Pais Apostólicos são caracterizados pela edificação e fortalecimento dos crentes na fé; os Apologistas, pela sua defesa aos ataques contra o Cristianismo; os Polemistas, pela defesa contra heresias dentro da Igreja; e os Teólogos, pela aplicação da Teologia em áreas filosóficas e científicas. OS PAIS APOSTÓLICOS
Data: Primeiro Século (30 – 100). Objetivo: Exortar e edificar a Igreja. Preeminentes no Ocidente: Clemente de Roma. Preeminentes no Oriente: Inácio, Policarpo, Barnabé, Papias, Hermas e Didaquê. OS APOLOGISTAS Data: Segundo Século (120 – 220). Objetivo: Defender o Cristianismo. Preeminentes no Ocidente: Tertuliano. Preeminentes no Oriente: Justino, o Mártir, Taciano, Teófilo, Aristides e Atenágoras. OS POLEMISTAS Data: Terceiro Século (180 – 250). Objetivo: Lutar contra as falsas doutrinas. Preeminentes no Ocidente: Irineu, Tertuliano e Cipriano. Preeminentes no Oriente: Panteno, Clemente, Orígenes e Hipólito.OS TEÓLOGOS CIENTÍFICOS
Data: Quarto Século (325 – 460). Objetivo: Aplicar métodos científicos na interpretação bíblica. Preeminentes no Ocidente: Jerônimo, Ambrósio e Agostinho. Preeminentes no Oriente: Crisóstomo e Teodoro. Preeminentes no Alexandria: Atanásio, Basílio de Cesaréia e Cirilo. Os principais Pais da Igreja, Heróis da Fé PolicarpoNascido em uma família cristã por volta dos anos 70, na Ásia Menor (hoje Turquia), Policarpo dizia ser discípulo do Apóstolo João. Em sua juventude costumava se sentar aos pés do Apóstolo do amor. Também teve a oportunidade de conhecer Irineu, o mais importante erudito cristão do final do segundo século. Inácio de Antioquia, em seu trajeto para o martírio romano em 116, escreveu cartas para Policarpo e para a Igreja de Esmirna. Nos dias do Papa Aniceto, Policarpo visitou Roma, a fim de representar as igrejas da Ásia Menor que observavam a Páscoa no dia 14 do mês de Nisan. Apesar de não chegar a um acordo com o papa sobre este assunto, ambos mantiveram uma amizade. Ainda estando em Roma, Policarpo conheceu alguns hereges da seita dos Valencianos, e encontrou-se com Márcio, o qual Policarpo denominava de “primogênito de Satanás”.
A Carta de Policarpo
Apesar de escrever várias cartas, a única preservada até a data, foi a endereçada aos Filipenses no ano 110. Nesta carta, Policarpo enfatiza a fé em Cristo, e o desenvolvimento da mesma através do trabalho para Cristo na vida diária. Também faz alusão à carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses e usa citações diretas e indiretas do Velho e Novo Testamento, atestando-os como canônicos. Na mesma carta, ele repete muitas informações recebidas dos apóstolos, especialmente de João. Por isto, ele é uma testemunha valiosa da vida e da obra da Igreja primitiva no segundo século.
Policarpo exorta os Filipenses a uma vida virtuosa, às boas obras e à firmeza, mesmo ao preço de morte, se necessária, uma vez que tinham sido salvos pela fé em Cristo. As 60 citações do Novo Testamento, das quais 34 são dos escritos de Paulo, evidenciam seu profundo conhecimento da Epístola do Apóstolo aos Filipenses e outras do mesmo Testamento. Ao contrário de Inácio, Policarpo não estava interessado em administração eclesiástica, mas antes em fortalecer a vida diária prática dos cristãos.
O Martírio de Policarpo
O martírio de Policarpo é descrito um ano depois de sua morte, em uma carta enviada pela Igreja de Esmirna à Igreja de Filomélio. Este registro é o mais antigo martirológio cristão existente. Diz a história que o procônsul romano, Antonino Pius, e as autoridades civis tentaram persuadí-lo a abandonar sua fé em sua avançada idade, a fim de alcançar sua liberdade. Ele entretanto, respondeu com autoridade: “Eu tenho servido Cristo por 86 anos e ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou? Eu sou um crente”!
No ano 156, em Esmirna, Policarpo é colocado na fogueira. Milagrosamente as chamas não o queimaram. Seus inimigos, então, o apunhalaram até a morte e depois queimaram o seu corpo numa estaca. Depois de tudo terminado, seus discípulos tomaram o restante de seus ossos e o colocaram em uma sepultura apropriada. Segundo a história, os judeus estavam tão ávidos pela morte de Policarpo quanto os pagãos, por causa de sua defesa contra as heresias. Irineu Bispo de Lyon e Polemista Anti-Gnóstico – Diferentemente dos Apologistas do segundo século que procuraram fazer uma explanação e uma justificação racional do Cristianismo para as autoridades, os Polemistas empenharam-se por responder ao desafio dos falsos ensinos dos heréticos, condenando veemente esses ensinos e seus mestres. Apesar da maioria dos Apologistas viverem no Oriente, os grandes Polemistas vieram do Ocidente, sendo Irineu um dos primeiros.Enquanto os do Oriente usavam uma teologia especulativa dando mais atenção aos problemas metafísicos, os do Ocidente preocupavam-se mais com os desvios administrativos da Igreja, empenhando-se em formular uma resposta para os problemas desta esfera. Os apologistas convertidos do paganismo, preocupavam-se com a ameaça à segurança da Igreja, especialmente com a perseguição. Os polemistas que tinham uma formação cultural cristã, preocupavam-se com a heresia e suas ameaças no seio da Igreja.Seu Crescimento e InfluênciaNascido em Esmirna, na Ásia Menor (Turquia), no ano 130, em uma família cristã, Irineu era grego e foi influenciado pela pregação de Policarpo, bispo de Esmirna.
Anos depois, Irineu mudou-se para Gália (atual sul da França), para a cidade de Lyon, onde foi um presbítero em substituição do bispo que havia sido martirizado em 177. Irineu também recebeu influência de Justino. Ele foi uma ponte entre a teologia grega e a latina, a qual iniciou com um de seus conteporâneos, Tertuliano. Enquanto Justino era primariamente um apologista, Irineu contribuiu na refutação contra heresias e exposição do Cristianismo Apostólico. Sua obra maior se desenvolveu no campo da literatura polêmica contra o gnosticismo.Os Ensinos Heréticos do Gnosticismo O gnosticismo, a maior das ameaças filosóficas, chegou ao máximo de sua influência ao redor do ano 150. Suas raízes estão fincadas nos tempos do Novo Testamento. Paulo parece ter enfrentado uma forma incipiente de gnosticismo em sua carta aos Colossenses. A tradição cristã associou a origem do gnosticismo com Simão, o mago, a quem Pedro teve que repreender duramente (At 8.9-24).Irineu tornou-se o mais expoente escritor e defensor das Escrituras contra as Heresias Gnósticas na sua era. A palavra gnosticismo é um termo moderno que cobre uma variedade de seitas do segundo século que propagavam alguns erros em comum. O Gnosticismo era radicalmente diferente e contrário ao Cristianismo Ortodóxo. Cada grupo tinha seus próprios escritos. Alguns desses ensinamentos falsos eram:Crença em um Deus supremo o qual era totalmente remoto deste mundo.Crença que o Deus supremo não tinha parte na criação, mas que este trabalho imperfeito foi realizado por uma deidade inferior à ele, identificando como o Deus do Velho Testamento.Crença que a matéria era má, por isso o Deus supremo sendo espiritual e bom, não poderia criá-la.Crença que entre o reino das trevas e o Deus supremo, existe uma hierarquia de seres divinos.Crença que o nosso corpo, sendo físico, é parte deste mundo, ele é mal; nossa alma é uma faísca divina que está presa ao corpo, ela é divina.Crença que a salvação é o escape da alma deste corpo para o reino celestial.Crença que para alcançar o Deus supremo é necessário que a alma ultrapasse o reino acima de nós, o qual é controlado pelas estrelas e pelos planetas.Crença que a salvação vinha pelo conhecimento; gnosis (conhecimento). A Grande Defesa do Teólogo Irineu
Em sua primeira obra, Adversus Haereses (Contra Heresias) escrita entre os anos 182 e 188, em Lyon, ele descreve a teologia da fé cristã em refutação aos ensinos heréticos gnósticos de Valentino e Marcion através das Escrituras. De muitos argumentos feitos por Irineu, três importantes podem ser ressaltadas:A diferença do sistema gnóstico. Ele descreve a natureza burlesca de muitas de suas crenças.Os ensinamentos que os gnósticos diziam ter recebido secretamente dos apóstolos, Irineu os desafiava argumentando que se os apóstolos tivessem um ensinamento especial a declarar, eles o teriam confiado às suas próprias igrejas, as quais fundaram. Ele mostrava como as igrejas estabelecidas pelos apóstolos, e seus dirigentes, os quais eram apontados pelos mesmos e seus sucessores, cresciam em todo o império, e permaneciam até a data, ensinando a mesma doutrina.Defesa do Novo Testamento como canônico, em vista que o gnosticismo não cria nele, e possuía outras escrituras. No tempo de Irineu, o Novo Testamento era aceito cerca de como temos agora: os Evangelhos, Atos, Cartas de Paulo e outras epístolas. A carta aos Hebreus, Apocalipse e algumas epístolas compuseram o Novo Testamento alguns anos na frente.
A sua obra é composta de cinco volumes é são assim caracterizadas:
Livro I: Esboço histórico da seita gnóstica, apresentada em conjunto com uma declaração da fé cristã. Este volume é a melhor fonte de informação sobre os ensinos dos gnósticos.Era uma polêmica filosófica contra Valentino, o líder da corrente romana do gnosticismo.
Livro II: Crítica filosófica sobre o Gnosticismo. Nele, Irineu insiste na unidade de Deus em oposição a idéia herética da existência de um demiurgo distinto de Deus.
Livro III: Crítica bíblica sobre o Gnosticismo. Ele mostra como o Gnosticismo é rejeitado pela Bíblia e pela tradição mais significativa. Neste livro, Irineu dá ênfase à unidade da Igreja através da sucessão apostólica de líderes desde Cristo e de uma regra de fé.Livro IV: Respostas ao Gnosticismo através das palavras de Cristo. Neste, Marcion, outro líder gnóstico, é condenado pela citação das palavras de Cristo que se opõem às suas propostas.Livro V: Vindicação da ressurreição contra os argumentos gnósticos, os quais, segundo as idéias deles, reunia o corpo material mau com o espírito. A Contribuição de Irineu à Igreja Foi necessário a habilidade intelectual, a força espiritual deste polemista e o desenvolvimento de uma regra de fé e um cânon da Bíblia pela Igreja para superar a ameaça desse movimento ao Cristianismo. Irineu através da sua defesa do Evangelho, foi o primeiro a declarar os quatro Evangelhos como canônicos, ensinar acerca do reino milenial de Cristo na terra, defender o episcopado (pastorado) e as tradições teológicas da verdadeira Igreja Ortodóxa. Ele também é chamado de “Pai dos Dógmas da Igreja”, por formular os princípios da teologia cristã e exposição do credo da Igreja.Não só Irineu, mas Polemistas como Tertuliano e Hipólito engajaram-se na controvérsia literária para refutar idéias gnósticas. Estes ensinos heréticos reapareceram, parcialmente, em doutrinas dos Paulicianos do século VII, dos Bogomilos dos séculos XI e XII, e dos Albingenses posteriores, no sul da França. Irineu em comparação com outros pais da igreja grega que lhe prescederam, era mais bíblico que filosófico. Ele foi o primeiro a escrever em sentido teológico para a Igreja. Segundo a história, ele foi martirizado em Lyon por volta do ano 200.JerônimoErudito das Escrituras e Tradutor da Bíblia para o Latim. Nascido por volta do ano 345 em Aquiléia (Veneza), extremo norte do Mar Adriático, na Itália, Jerônimo passou a maior parte da sua juventude em Roma estudando línguas e filosofia. Apesar da história não relatar pormenores de sua conversão, se sabe que se batizou quando tinha entre dezenove e vinte anos. Logo após, Jerônimo embarcou em uma peregrinação pelo Império que levou vinte anos.Sua viagem iniciou pela Gália, onde estudou Teologia por alguns anos, aperfeiçoou o grego e adotou a vida monástica. Voltando para Aquiléia esteve durante três anos trabalhando com o Bispo Valeriano. Em 375, Jerônimo partiu para Antioquia da Síria, onde aprendeu o hebraico e estudou intensivamente as Escrituras. Depois de dois anos foi ordenado a padre pelo Bispo Paulino. Partindo dalí, foi para Constantinopla, onde por dois anos foi discípulo de Gregório, grande mestre entre Gregório de Nicéia, Basílio de Cesaréia e outros eminentes Pais da Igreja. Sua PeregrinaçãoSua peregrinação terminou no ano 382, quando fez-se secretário de Dâmaso, bispo de Roma, que lhe sugeriu a possibilidade de fazer uma nova tradução da Bíblia. Com a morte de Dâmaso, Jerônimo partiu de Roma em direção à Palestina, no ano 386. Graças à generosidade de Paula, uma rica senhora romana a quem tinha ensinado hebraico, viveu num retiro monástico em Belém, por 35 anos.
Nestes anos, ele dedicou-se em escrever várias obras. A maior delas, foi a tradução da Bíblia para o Latim, conhecida como Vulgata. Jerônimo foi cuidadoso na busca de suas informações e procurou usar as versões mais antigas e manuscritos bíblicos já não existentes. Trabalhando sobre o princípio que o texto original da Bíblia estava livre de erros, ele começou um estudo profundo dos manuscritos juntamente com a Septuaginta, a fim de determinar, entre muitos outros, que texto poderia se considerar como original e verdadeiro. A Obra de Esmero Entre os anos 386 e 390, ele completou a tradução, bem como os comentários do Novo Testamento. Entre os anos 390 e 398, ele escreveu muitas obras e comentários que são usados até o dia de hoje; traduziu escritos de outros eruditos para o Latim; e atualizou a obra de Eusébio de Cesaréia, “História Eclesiástica”, gravando os eventos ocorridos na Igreja entre os anos 325 e 378.A partir do ano 398 até 405, Jerônimo terminou o seu grande projeto, a tradução completa em Latim do Antigo Testamento Hebraico. Esta versão da Bíblia tem sido amplamente usada pela Igreja Ocidental e tem sido, até recentemente, a única Bíblia oficial da Igreja Católica Romana desde o Concílio de Trento. Seu amor pela vida ascética fez dele um propagador do ascetismo, chegando no final de sua vida, entre os anos 405 e 420, ao extremo da abstinência da alimentação normal, do trabalho e do casamento. AgostinhoFilósofo e Teólogo de Hipona, Norte da África. Polemista capaz, pregador de talento, administrador episcopal competente, teólogo notável, ele criou uma filosofia cristã da história que continua válida até hoje em sua essência.Vivendo num tempo em que a velha civilização clássica parecia sucumbir diante dos bárbaros, Agostinho permaneceu em dois mundos, o clássico e o novo medieval. Nascido em 354, na casa de um oficial romano na cidade de Tagasta em Numidia, no norte da África, era filho de um pai pagão, Patrício, e de uma mãe crente, Mônica. Apesar de não serem ricos, era uma família respeitada. Sua mãe dedicou-se à sua formação e conversão à fé cristã. Com muito sacrifício, seus pais lhe ofereceram o melhor estudo romano. Seus primeiros anos de estudo foram feitos na escola local, onde aprendeu latim à força de muitos açoites. Logo, foi enviado para a escola próximo a Madaura, e em 375 à Cartago, para estudar retórica. Longe da família, Agostinho se apartou da fé ensinada por sua mãe, e entregou-se aos deleites do mundo e a imoralidade com seus amigos estudantes. Viveu ilegitimamente com uma concubina durante treze anos, a qual lhe concedeu um filho, Adeodato, em 372. O mesmo morreu cerca do ano 390. Na busca pela verdade, ele aceitou o ensino herético maniqueísta, o qual ensinava um dualismo radical: o poder absoluto do mal — o Deus do Antigo Testamento, e o poder absoluto do bem — o Deus do Novo Testamento. Nesta cegueira ele permaneceu nove anos sendo ouvinte, porém, não estando satisfeito, voltou à filosofia e aos ensinos do Neo-platonismo. Ensinou retórica em sua cidade natal e em Cartago, até quando foi para Milão, Itália, em 384. Em Roma, foi apontado pelo senador Símaco como professor de retórica em Milão, e depois para a casa imperial. Como parte de seu trabalho, ele deveria fazer oratórias públicas honrando o imperador Valenciano II.Sua Conversão No ano 386, quando passava várias crises em sua vida, Agostinho estava meditando num jardim sobre a sua situação espiritual, e ouviu uma voz próxima à porta que dizia: “Tome e Leia”. Agostinho abriu sua Bíblia em Romanos 13.13,14 e a leitura trouxe-lhe a luz que sua alma não conseguiu encontrar nem no maniqueísmo nem no neo-platonismo. Com sua conversão à Cristo, ele despediu sua concubina e abandonou sua profissão no Império. Sua mãe, que muito orara por sua conversão, morreu logo depois do seu batismo, realizado por Ambrósio na Páscoa de 387. Uma vez batizado, regressou um ano depois para Cartago, Norte da África, onde foi ordenado sacerdote em 391. Em Tagasta, ele supervisionou e instruiu um grupo de irmãos batizados chamados de “Servos de Deus”. Cinco anos depois, foi consagrado bispo de Hipona por pedido daquela congregação, onde permaneceu até sua morte. Daí até sua morte em 430, empenhou-se na administração episcopal, estudando e escrevendo.
Suas Obras Agostinho é apontado como o maior dos Pais da Igreja. Ele deixou mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas. Suas obras mais importantes foram: Confissões, obra autobiográfica de sua vida antes e depois de sua conversão;Contra Acadêmicos, obra onde demonstra que o homem jamais pode alcançar a verdade completa através do estudo filosófico e que a certeza somente vem pela revelação na Bíblia;De Doctrina Christiana, obra exegética mais importante que escreveu, onde figuram as suas idéias sobre a hermenêutica ou a ciência da interpretação. Nela desenvolve o grande princípio da analogia da fé;De Trinitate, tratado teológico sobre a TrindadeDe Civitate Dei, obra apologética conhecida como Cidade de Deus. Com o saque de Roma por Alarico, rei dos bárbaros em agosto 28 de 410, os romanos creditaram este desastre ao fato de terem abandonado a velha religião clássica romana e adotado o cristianismo. Nesta obra, põe-se a responder esta acusação a pedido de seu amigo Marcelino.Agostinho escreveu também muitas obras polêmicas para defender a fé dos falsos ensinos e das heresias dos maniqueus, dos donatistas e, principalmente, dos pelagianos. Também escreveu obras práticas e pastorais, além de muitas cartas, que tratam de problemas práticos que um administrador eclesiástico enfrenta no decorrer dos anos do seu ministério. A formulação de uma interpretação cristã da história deve ser tida como uma das contribuições permanentes deixadas por este grande erudito cristão. Nem os historiadores gregos ou romanos foram capazes de compreender tão universalmente a história do homem. Agostinho exalta o poder espiritual sobre o temporal ao afirmar a soberania de Deus sobre a criação. Esta e outras inspiradoras obras mantiveram viva a Igreja através do negro meio-milênio anterior ao ano 1000. Agostinho é visto pelos protestantes como um precursor das idéias da Reforma com sua ênfase sobre a salvação do pecado original e atual através da graça de Deus, que é adquirida unicamente pela fé. Sua insistência na consideração dos sentido inteiro da Bíblia na interpretação de uma parte da Bíblia (Hermenêutica), é um princípio de valor duradouro para a Igreja.
Seus últimos meses Durante os últimos meses de vida, os vândulos tomaram a cidade fortificada de Hipona por mar e terra. Eles haviam destruído as cidades do Império Romano no Norte da África e as evidências do Cristianismo. A cidade estava cheia de pobres e refugiados, e a congregação de Agostinho não era uma excessão. No final de sua vida, ele foi submetido a uma enfermidade fatal, e com 75 anos ele pediu que ficasse só, a fim de se preparar para encontrar com o seu Deus. Um ano depois da morte de Agostinho em 430, os bárbaros queimaram toda a cidade, mas felizmente, a biblioteca de Agostinho foi salva, e seus escritos se perpetuam em nosso meio até a nossa era. John Wycliff Reformador e Tradutor da primeira Bíblia para o inglês.” Nascido na cidade de Yorkshire, Inglaterra, em 1329. Atendeu à Universidade de Oxford e terminou o doutorado de Teologia em 1372. Também foi um dos mestres da Universidade de Balliol. Por ser o mais eminente teólogo de seus dias, teve a oportunidade de ser o capelão do rei Ricardo II com acesso ao Parlamento, e de traduzir a Bíblia, junto com seus associados, do Latim para o Inglês.A Corrupção Papal na Inglaterra Equivocamente, muitas pessoas acham que a volta à Bíblia começou com Calvino e Lutero, os líderes da Reforma. Ao contrário, antes da Reforma houve tentativas de fazer parar o declínio do prestígio e do poder do papa através de reformas de várias espécies.
Os problemas representados por um papado corrupto e extravagante que morava na França e não em Roma, e pelo cisma que se seguiu à tentativa de levar de volta o papa para Roma, fomentaram o ímpeto que levou os reformadores, os concílios reformadores do século XIV e os humanistas bíblicos, a procurarem formas de produzir um reavivamento espiritual dentro da Igreja Católica Romana.Ao povo inglês desagradava enviar dinheiro para um papa em Avignon, que estava sob influência do inimigo da Inglaterra, o rei francês. Este sentimento nacionalista natural aumentou o ressentimento real e da classe média, por causa do dinheiro desviado do tesouro inglês e da administração do estado inglês através dos impostos papais. Naquela época, a Igreja Romana além de ser riquíssima, possuia um terço de toda a terra da Inglaterra e era isenta de todos os impostos. Os sete papas que regeram desde Avignon tinham a reputação de lobos ao invés de pastores de ovelhas, por causa de sua conduta, suas políticas e ganâncias pelo dinheiro e poder. Foi em meio a este clima de reação nacionalista contra o eclesiasticismo que Wycliff entrou em cena desafiando o papa.Os Intentos de uma ReformaAté 1378, Wycliff queria reformar a Igreja Romana através da eliminação dos clérigos imorais e pelo despojamento de sua propriedade que, segundo ele, era a fonte da corrupção. Em uma obra de 1376 intitulada “Of Civil Dominion” (Sobre o Senhorio Civil), Wycliff exigia uma base moral para a liderança eclesiástica. Deus concedia aos líderes o uso e a posse dos bens, mas não a propriedade, como um depósito a ser usado para a sua glória. A falha da parte dos eclesiásticos em cumprir suas próprias funções era uma razão suficiente para a autoridade civil tomar os seus bens. Vivendo na época da “Guerra dos Cem Anos” entre a Inglaterra e França, Wycliff começou sua reforma atacando a autoridade papal em 1378, e a se opor aos dogmas da Igreja Romana, afirmando que Cristo e a Bíblia eram a autoridade única para o crente . Por causa disso, ele tornou a Bíblia acessível ao povo comum em sua própria língua. Em 1380, terminou a tradução completa do Novo Testamento, e em 1382, seu cooperador Nicholas de Hereford, terminou o Velho Testamento.Os Ensinos de WycliffO papa Gregório XI o condenou, mas Wycliff foi protegido por várias famílias nobres do reinado, especialmente pelo Duque de Lancaster, John of Gaunt, filho de Eduardo III.
Também na mesma época, refutou a doutrina católica da transubstanciação, evidenciando que o padre não podia reter a salvação das pessoas por ter em suas mãos o “corpo e o sangue de Cristo” na comunhão. Ele condenou o dogma do purgatório, uso de relíquias, romarias, venda de indulgências e o ensino da infalibilidade papal. Todos os seus ensinos foram condenados em Londres, em 1382, e foi obrigado a se retirar para seu pastorado em Lutterworth.A partir de 1381 até sua morte, Wycliff dedicou-se ao estudo das Escrituras e a escrever algumas obras muito importantes que defendiam a veracidade da Palavra de Deus, além da tradução da Bíblia.
As obras mais proeminentes foram:
A Verdade das Sagradas Escrituras: escrita em 1378, na qual ele retrata a Bíblia como regra de fé e prática, pela qual a Igreja, as tradições, os concílios e inclusive o papa deveriam ser provados. Ele também escreveu que as Escrituras contêm tudo necessário para que o homem seja salvo, sem necessidade de tradições adicionais. Wycliff defendia que as Escrituras deveriam ser lidas por todos os homens e não somente pelo clérigo.
O Poder do Papa: Escrita em 1379, na qual ele descreve o papado como um ofício instituído pelo homem e não por Deus. Ele explica que o poder do papa não se extende ao governo secular, e que sua autoridade não é derivada do seu ofício, mas sim de seu caráter moral e cristão. Ele dizia que o papa que não seguia a Jesus Cristo, era o Anticristo.Apostasia: escrita em 1379, na qual ele condena a doutrina romana da transubstanciação.
Eucaristia: escrita em 1380, uma extensão da obra anterior, onde ele denuncia esta heresia em vários aspectos como: inovação recente, filosoficamente incoerente e contrária à Bíblia Sagrada. Ele condena a Tomás de Aquino e seu ensinamento que diz que o pão e o vinho se transformam no corpo e sangue de Cristo. Em seu livro, Wycliff descreve que o pão e o vinho mantém a sua forma, sendo um sacramento em memória do corpo e do sangue de Cristo. O Resultado do Trabalho de Wycliff O movimento reformador significou também um protesto e uma reação contra os tempos atribulados e contra uma igreja decadente e corrompida. Revoltas sociais e políticas eram comuns no século XIV. A Peste Negra em 1348 e 1349 dizimou pela morte cerca de um terço da população da Europa. A Revolta dos Camponeses em 1381, na Inglaterra, era uma evidência da insastifação social associada com as idéias de Wycliff. Para se certificar que o povo inglês não permaneceria nas trevas dos dogmas católicos, Wycliff fundou um grupo de pregadores leigos chamados Lolardos, os quais pregaram os seus ensinamentos por toda a Inglaterra, até que a Igreja Romana em 1401, por força da declaração “De Haeretico Comburendo” pelo Parlamento, introduziu a pena de morte como castigo para os tais pregadores. Entretanto, estes jamais foram aniquilados. Os Lolardos ajudaram a preparar o caminho, ainda que ocultamente, para a grande Reforma na Inglaterra. Os boêmios que estudavam na Universidade de Oxford, ao regressar à sua terra, trouxeram os ensinos de Wycliff, os quais influenciaram a vida de John Huss e a Reforma da Boêmia
Sua Condenação Após a MorteAs habilidades de Wycliff influenciaram na preparação do caminho para a reforma na Inglaterra. Em 1384, ele morre de derrame. John Huss, influenciado pelos ensinos de Wycliff, foi tido como herege e queimado na estaca em 1415 pelo Concílio de Constança. Como não seria diferente, Wycliff depois de morto, também foi condenado como herege pelo mesmo Concílio, e 45 de seus ensinamentos foram tidos como heresias. Por causa disso, a Igreja Romana deu ordem para cavar sua sepultura, queimar os seus ossos, e lançar suas cinzas no rio Swift em 1428. John Wycliff foi o principal expoente de medidas reformadoras, e por isso é chamado de “Estrela d’Alva da Reforma”. John HussNascido em Hussinec, na Boêmia, hoje Tchecoslováquia, em 1373, de uma família pobre que vivia da agricultura. Ele recebeu boa educação elementar e cursou na Universidade de Praga (capital atual da República Tcheca), onde terminou seu mestrado em Filosofia no ano de 1396. Dois anos depois, Huss começou ensinar na Universidade, e em 1401, veio a ser o seu reitor. Em 1400, Huss foi separado como padre e foi-lhe entregue a responsabilidade da prestigiada Capela de Belém. Após o casamento do rei inglês, Ricardo II da Inglaterra com Ana, filha do imperador Carlos IV da Boêmia em 1382, os ensinamentos de Wycliff foram logo introduzidos no país. Estudando-os bem de perto, Huss começou não só a pregar, como também traduzir as obras de Wycliff na língua Tcheca.Pregador e Precursor da Reforma na BoêmiaEm 1403, Jan Huss se propôs a reformar a Igreja Romana na Boêmia, ensinando que o papado não tinha nenhuma autoridade de oferecer a remissão dos pecados através da venda de indulgências, como também questionou a legitimidade dos dois papas rivais Gregorio XII e AlexandreV. Por esta razão, em 1408, os incontentos padres e colegas da Universidade de Praga condenaram a Huss, e como resultado, foi proibido de exercer suas funções eclesiásticas em Praga. Um ano depois, ele recebe novas acusações de estar ensinando heresias; mas não para de pregar na Capela de Belém. Em 1411, Huss é excomungado de sua congregação, e todos os cultos, cerimônias de batizado e funeral foram anulados.Tal ato trouxe grande revolta nos cidadãos de Praga, os quais defenderam a Huss. O cúmulo da corrupção papal sucedeu em 1412, quando João XXIII lançou uma cruzada contra o Rei Ladislau de Nápoles, e ofereceu a remissão completa de pecados a todos os que participassem na guerra, ou a venda da indulgência para os que a suportassem. Ao ouvir tal notícia contrária a todos os preceitos bíblicos, Huss se levanta e ataca o papado de usar sanções espirituais e indulgências para fins pessoais e políticos. Em contra-ataque, Jan Huss foi excomungado de Roma e obrigado a deixar Praga.A Intimidação Se Inicia Durante o seu exílio, Huss teve a oportunidade de concluir uma de suas obras mais importantes, “De Ecclesia”. No ano de 1414, os líderes da Igreja Romana se reuniram para um Concílio em Constança (atualmente na Alemanha), e John Huss foi convocado a comparecer a fim de esclarecer seus ensinos controversiais com o da Igreja. O imperador Boêmio, Sigismund, prometeu salvo-conduto, mas, após um mês em Constança, os seguidores do Papa João XXIII o prenderam, e ele foi impelido pelo Concílio de se retratar. Huss permanceceu preso durante os sete meses de seu julgamento, e pouca oportunidade foi-lhe dada de se defender. Por não voltar atrás, Jan Huss foi condenado como hereje, despido e queimado na estaca fora da cidade no dia 6 de julho de 1415. Huss morreu cantando o hino em grego “Kyrie eleeson” (Senhor, tem misericórdia). O local de sua morte é marcado até hoje com uma pedra memorial. Como Wycliff, Huss lutou pela reforma da Igreja pagando o preço com sua vida. Os perseguidores destruíram o corpo, mas não os ensinos de Huss, que foi espalhado por toda a Europa por seus discípulos mais radicais, conhecidos como Taboritas. Estes rejeitaram tudo na fé e na prática da Igreja Romana que não se encontrasse na Bíblia. Destes discípulos surgiu a Igreja Moraviana, a qual tornou-se mais tarde numa das igrejas de mais visão missionária da História da Igreja. O resultado do trabalho de Huss e de tantos outros foi vista um século depois, na pessoa de Lutero. William TyndaleNascido em 1494, na parte oeste da Inglaterra, Tyndale graduou-se na Universidade de Oxford em 1515, onde estudou as Escrituras no Hebraico e no Grego. Quando tinha 30 anos, fez uma promessa que haveria de traduzir a Bíblia para o Inglês, a fim de que todo o povo, desde o camponês até a corte real, pudesse ler e compreender as Escituras em sua própria língua. A Igreja Católica proibia severamente qualquer pessoa leiga ler a Bíblia. Segundo o clero, o povo simples não podia compreender as Sagradas Letras, e tinha que ter a sua ajuda. A interpretação era feita segundo a sua conveniência, e esta para fins políticos e financeiros.O Reformador Inglês e Tradutor da Bíblia
Com este desejo em seu coração, Tyndale partiu para Londres em 1523, buscando um lugar que pudesse dar início ao seu projeto. Não sendo recebido pelo bispo de Londres, Humphrey Munmouth, um comerciante de tecido, lhe deu todo apoio necessário. Em 1524, Tyndale foi obrigado a deixar a Inglaterra e partir para Alemanha, para dar continuidade ao seu trabalho, em vista das grandes perseguições por parte da Igreja Católica. A proibição da leitura da Bíblia agravou-se de tal maneira, que até mesmo se uma criança recitasse a oração do “Pai Nosso” em inglês, toda sua família era condenada a ser queimada na estaca. Na Alemanha, ele se estabeleceu na cidade de Hamburgo, e provávelmente conheceu a Martinho Lutero, pois eram contemporâneos. Ambos traduziram o Novo Testamento baseado no Manuscrito Grego compilado por Erasmo em 1516. William Tyndale concluiu a tradução do Novo Testamento em 1525. Quinze mil cópias em seis edições foram impressas pela proteção de Thomas Cromwell, um vice-regente do rei Henrique VIII, e contra-bandiadas através de comerciantes para a Inglaterra, entre os anos de 1525 a 1530.
A Intimidação Começa.
As autoridades da Igreja Romana deram ordem para confiscar e queimar todas as cópias da tradução de Tyndale, porém eles não podiam parar o fluxo da entrada de Bíblias vindas da Alemanha para a Inglaterra. Até mesmo na Escócia, os mercadores escoceses estavam levando a Bíblia para o seu povo. O próprio William não podia regressar à Inglaterra, pois estava sendo buscado e tido como um “fora-da-lei”, a leitura de seus escritos e tradução haviam sido legalmente proibidos. Contudo, ele continuou suas revisões e correções até que sua edição final do Novo Testamento foi cumprida em 1535. Com esta conclusão, Tyndale iniciou a tradução do Velho Testamento, porém não viveu bastante a ponto de terminá-la. Ele traduziu o Pentateuco, o livro de Jonas e alguns livros históricos. Em Maio de 1535, Tyndale foi preso e levado a um castelo perto de Bruxelas onde ficou aprisionado por mais de um ano. Durante este tempo, um de seus companheiros, Miles Coverdale, concluiu a tradução do Velho Testamento, baseada na tradução de seu companheiro. Chegou o dia do julgamento de William Tyndale, ele foi condenado à morte por haver colocado as Escrituras na mão do povo inglês. No dia 6 de Outubro de 1536, ele foi estrangulado e logo após queimado na estaca em público. Porém, suas últimas palavras antes de morrer foram: “Senhor, abre os olhos do Rei da Inglaterra.”








    Introdução 

Aurélio Agostinho, o Santo Agostinho de Hipona foi um importante bispo cristão e teólogo. Nasceu na região norte da África em 354 e morreu em 430. Era filho de mãe que seguia o cristianismo, porém seu pai era pagão. Logo, em sua formação, teve importante influência do maniqueísmo (sistema religioso que une elementos cristãos e pagãos).
Biografia 
Santo Agostinho ensinou retórica nas cidades italianas de Roma e Milão. Nesta última cidade teve contato com o neoplatonismo cristão.

Viveu num monastério por um tempo. Em 395, passou a ser bispo, atuando em Hipona (cidade do norte do
continente africano). Escreveu diversos sermões importantes. Em “A Cidade de Deus”, Santo Agostinho combate às heresias e a paganismo. Na obra “Confissões” fez uma descrição de sua vida antes da conversão ao cristianismo.

Santo Agostinho analisava a vida levando em consideração a psicologia e o conhecimento da natureza. Porém, o conhecimento e as idéias eram de origem divina. 
Para o bispo, nada era mais importante do que a fé em Jesus e em Deus. A Bíblia, por exemplo, deveria ser analisada, levando-se em conta os conhecimentos naturais de cada época. Defendia também a predestinação, conceito teológico que afirma que a vida de todas as pessoas é traçada anteriormente por Deus.

As obras de Santo Agostinho influenciaram muito o pensamento teológico da Igreja Católica na
Idade Média.

Morreu em 28 de agosto (dia suposto) de 420, durante um ataque dos vândalos (
povo bárbaro germânico) ao norte da África.

Santo Agostinho é considerado o santo protetor dos teólogos, impressores e cervejeiros. Seu dia é 28 de agosto, dia de sua suposta morte.
Algumas obras de Santo Agostinho:

- Da Doutrina Cristã (397-426)
- Confissões (397-398)
- A Cidade de Deus (413-426)
- Da Trindade (400-416)
- Retratações
- De Magistro
- Conhecendo a si mesmo
Frases e Pensamentos de Santo Agostinho:
- "Se dois amigos pedirem para você julgar uma disputa, não aceite, pois você irá perder um amigo. Porém, se dois estranhos pedirem a mesma coisa, aceite, pois você irá ganhar um amigo."
- "Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que entendemos sobre a natureza."
- "Certamente estamos na mesma categoria das bestas; toda ação da vida animal diz respeito a buscar o prazer e evitar a dor."
- "Se você acredita no que lhe agrada nos evangelhos e rejeita o que não gosta, não é nos evangelhos que você crê, mas em você."
- "Ter fé é acreditar nas coisas que você não vê; a recompensa por essa fé é ver aquilo em que você acredita."
- "A pessoa que tem caridade no coração tem sempre qualquer coisa para dar."
- "A confissão das más ações é o passo inicial para a prática de boas ações."
- "A verdadeira medida do amor é não ter medida."
- "Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio." 


Bibliografia indicada:
- Santo Agostinho em 90 minutos
  Autor: Strathern, Paul
  Editora: Zahar
  Temas: Filosofia
- A regra de Santo Agostinho
  Autor: Boff, Clodovis
  Editora: Vozes
  Temas: Religião, Cristianismo
- Vida de Santo Agostinho
  Autor: Agostinho, Bispo de Hipona
  Editora: Paulus Editora
  Temas: Biografia







                                          SÃO AUGOSTINHO (CONTINUAÇÃO)



Religioso e teólogo cristão. Doutor da Igreja, sistematizou a doutrina cristã com enfoque neoplatônico.
“O último dos antigos” e o “primeiro dos modernos”, santo Agostinho foi o primeiro filósofo a refletir sobre o sentido da história, mas tornou-se acima de tudo o arquiteto do projeto intelectual da Igreja Católica.
Aurélio Agostinho, em latim Aurelius Augustinus, nasceu em Tagaste, atualmente Suk Ahras, na Argélia, em 13 de novembro de 354, filho de Patrício, homem pagão e de posses, que no final da vida se converteu, e da cristã Mônica, mais tarde canonizada. Agostinho estudou retórica em Cartago, onde aos 17 anos passou a viver com uma concubina, da qual teve um filho, Adeodato. A leitura do Hortensius, de Cícero, despertou-o para a filosofia. Aderiu, nessa época, ao maniqueísmo, doutrina de que logo se afastou. Em 384 começou a ensinar retórica em Milão, onde conheceu santo Ambrósio, bispo da cidade.
Cada vez mais interessado pelo cristianismo, Agostinho viveu longo conflito interior, voltou-se para o estudo dos filósofos neoplatônicos, renunciou aos prazeres físicos e em 387 foi batizado por santo Ambrósio, junto com o filho Adeodato. Tomado pelo ideal da ascese, decidiu fundar um mosteiro em Tagasta, onde nascera. Nessa época perdeu a mãe e, pouco depois, o filho. Ordenado padre em Hipona (391), pequeno porto do Mediterrâneo, também na atual Argélia, em 395 tornou-se bispo-coadjutor de Hipona, passando a titular com a morte do bispo diocesano Valério. Não tardou para que fundasse uma comunidade ascética nas dependências da catedral.
Em sua vida e em sua obra, santo Agostinho testemunha acontecimentos decisivos da história universal, com o fim do Império Romano e da antiguidade clássica. O poderoso estado que durante meio milênio dominara a Europa estava a esfacelar-se em lutas internas e sob o ataque dos bárbaros. Em 410 santo Agostinho viu a invasão de Roma pelos visigodos e, pouco antes de morrer, presenciou o cerco de Hipona pelo rei dos vândalos, Genserico. Nesse clima, em que os cismas e as heresias eram das poucas coisas a prosperar, ele estudou, ensinou e escreveu suas obras.
Pensamento. As obras mais importantes de santo Agostinho são De Trinitate (Da Trindade), sistematização da teologia e filosofia cristãs, divulgada de 400 a 416 em 15 volumes; De civitate Dei (Da cidade de Deus), divulgada de 413 a 426, em que são discutidas as questões do bem e do mal, da vida espiritual e material, e a teologia da história; Confessiones (Confissões), sua autobiografia, divulgada por volta de 400; e muitos trabalhos de polêmica (contra as heresias de seu tempo), de catequese e de uso didático, além dos sermões e cartas, em que interpreta minuciosamente passagens das Escrituras.
No pensamento de santo Agostinho, o ponto de partida é a defesa dos dogmas (pontos de fé indiscutíveis) do cristianismo, principalmente na luta contra os pagãos, com as armas intelectuais disponíveis que provêm da filosofia helenístico-romana, em especial dos neoplatônicos como Plotino. Para pregar o novo Evangelho, é indispensável conhecer a fundo as Escrituras, que só podem ser bem interpretadas através da fé, pois apenas esta sabe ver ali a revelação de verdades divinas. Compreender para crer e crer para compreender, tal é a regra a seguir.
Baseado em Plotino, santo Agostinho acha que o homem é uma alma que faz uso de um corpo. Até naquele conhecimento que se adquire pelos sentidos, a alma se mantém em atividade e ultrapassa o corpo. Os sentidos só mostram o imediato e particular, enquanto a alma chega ao universal e ao que é de pura compreensão, como os enunciados matemáticos. Mas se não é através dos sentidos, por qual via a alma consegue alcançar as verdades eternas? Será através do sujeito particular e contingente, ou seja, o homem que muda, adoece e morre?
Tudo indica que, se o homem mutável, destrutível, é capaz de atingir verdades eternas, sua razão deve ter algo que vai além dela mesma, não se origina no homem nem no mundo externo, mas em Deus. Portanto, Deus faz parte do pensamento e o supera o tempo todo. Desse modo só pode ser achado e conhecido no fundo de cada um, no percurso que se faz de fora para dentro e das coisas inferiores para as coisas superiores. Ele não pode ser dito ou definido: é o que é, em todos os tempos e em qualquer lugar (é clara, nessa concepção, a influência de Platão, que santo Agostinho assume em vários pontos de sua obra).
Outra contribuição decisiva é sua doutrina sobre a Santíssima Trindade. Para Agostinho a unidade das três pessoas é perfeita: não se podem separar, nem uma se subordina à outra, como defenderam Orígenes e Tertuliano, mas a natureza divina seria anterior ao aparecimento das três pessoas; estas se apresentam como os três modos de se revelar o mistério de Deus. A alma, para santo Agostinho, se confunde com o pensamento, e sua expressão, sua manifestação é o conhecimento: por meio deste a alma — ou o pensamento — se ama a si mesma. Assim, o homem recompõe nele próprio o mistério da Trindade e se vê feito à imagem e semelhança de Deus: se ele ama e se conhece dessa maneira, ele conhece e ama a Deus, conseqüentemente mais interior ao ser humano do que este mesmo.
O famoso cogito de Descartes (“Penso, logo existo”), em que a evidência do eu resiste a toda dúvida, é genialmente antecipado por santo Agostinho em seu “Se me engano, sou; quem não é não pode enganar-se”. Ele valoriza, pois, a pessoa humana individual até quando erra (o que, neste aspecto, não a torna diferente da que acerta). Talvez por isso dê o mesmo peso à parte humana e à parte divina no que diz respeito à encarnação do Cristo.
A salvação do homem, na teologia agostiniana, é algo completamente imerecido e que depende tão só da graça de Deus; graça que, no entanto, se manifesta aos homens por meio dos sacramentos da igreja visível, católica. Importantes para a salvação, esses sacramentos compreendem todos os símbolos sagrados, como o exorcismo e o incenso, embora a eucaristia e o batismo sejam os principais para ele.
Da mesma forma que concebe a natureza divina, santo Agostinho concebe a criação, idéia pouco tratada pelos gregos e característica dos cristãos. As coisas se originaram em Deus, que a partir do nada as criou. Pois o que muda e se move, o que é relativo e passa ou desaparece requer o imutável e o absoluto, essência do próprio Deus, que criou as coisas segundo modelos eternos como ele mesmo. Assim, o que o platonismo chamava de lugar do céu passa a ser, no pensamento agostiniano, a presença de Deus. Tudo o que existe no mundo foi criado ao mesmo tempo, em estado de germe e de semente. Como estes existem desde o início, a história do mundo evolui continuamente, mas nada de novo se cria. Entre os seres da criação existe uma hierarquia, em que o homem ocupa o segundo lugar, depois dos anjos.
Santo Agostinho afirma-se incapaz de solucionar a questão da origem da alma e, embora tão influenciado por Platão, não acha a matéria por si mesma condenável, assim como não encara como castigo a união da alma com o corpo. Não seria este, como se disse tanto, a prisão da alma: o que faz do homem prisioneiro da matéria é o pecado, do qual deve libertar-se pela vida moral, pelas virtudes cristãs. O pecado leva o corpo a dominar a alma; a religião, porém, é o contrário do pecado, é a dominação do corpo pela alma, que se orienta livremente para Deus, assistida pela graça.
Uma das mais belas concepções de santo Agostinho é a da cidade de Deus. Amando-se uns aos outros no amor a Deus, os cristãos, embora vivam nas cidades temporais, constituem os habitantes da eterna cidade de Deus. Na aparência, ela se confunde com as outras, como o povo cristão com os outros povos, mas o sentido da história e sua razão de ser é a construção da cidade de Deus, em toda parte e todo tempo. A obra de santo Agostinho, em si mesma imensa, de extraordinária riqueza, antecipa, além disso, o cartesianismo e a filosofia da existência; funda a filosofia da história e domina todo o pensamento ocidental até o século XIII, quando dá lugar ao tomismo e à influência aristotélica. Voltando à cena com os teólogos protestantes (Lutero e, sobretudo, Calvino), hoje é um dos alicerces da teologia dialética. Santo Agostinho morreu em Hipona, em 28 de agosto de 430. E nessa data, 28 de agosto, é festejado como doutor da igreja.

 

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